Após acomodar Julia em um dos quartos da casa de Otávio voltei a cozinha onde dona Rosa resmungava algumas coisas enquanto mexia em suas panelas.

—O que foi dona Rosa? Está chateada com alguma coisa? — Pergunto enquanto me acomodo em uma cadeira na mesa da cozinha.

—Onde está a moça, menino? — Pergunta se virando para mim e espiando por cima dos meus ombros.

— A Julia está lá em cima, por que? — Pergunto quando ela coloca uma xicara de café em minha frente.

—Certo. Diga menino você confia nessa mulher? Eu sei que sou apenas uma empregada e que não devo me meter na vida dos patrões mais depois de tudo que vi o menino Oto passar nesses três anos que trabalho aqui eu não posso evitar de me sentir protetora com ele. Você sabe que eu não tive filhos, mas eu acabei me afeiçoando a vocês e eu tenho muito medo de que vocês sofram nessa vida. E o Otávio coitado mal experimentou o que é viver e ser feliz de verdade. — Dona Rosa disse emocionada. A senhora Rosa Gonzales é amiga da minha família a anos e antes de vir ficar com o Oto ela cuidava de mim, e muitas vezes nos repreendeu quando éramos crianças. E olhando pelo ponto de vista dela eu a entendia perfeitamente afinal eu tinha a mesma preocupação que ela.

— Eu também não confio nela. Eu não sei explicar Rosa, mas alguma coisa muito séria aconteceu em NY, a doutora Aline me contou que no hospital Anthony quase matou essa noiva aí.— Lhe respondo fazendo fofoca pois eu precisava que alguém analisasse essa situação comigo.

— Sério menino!?

— Seríssimo.

— E o menino Otávio ainda teve coragem de convidá-la para ficar aqui?!— Ela diz sentando em minha frente.

— Pois é, eu não sei o que se passa na cabeça de Otávio agora ele está estranho.

— Bom, ontem eu ouvi uma conversa entre a menina Ester e o Marcos.— Ela diz vermelha de vergonha.

— Ora, ora a senhora estava ouvindo por trás da porta...

— Foi por acidente menino. Já era tarde da noite quando a menina chegou com o menino e outro rapaz. Oto parecia estar bêbado então o segurança aquele Eric ajudou ao rapaz levar Oto pro quarto e a doutora veio fazer café. Depois os rapazes desceram e o Oto ficou no quarto o rapaz que veio com a doutora foi pro quarto que ela dormia e a doutora subiu com uma xicara de café, depois desceu com uma roupa deixou no quarto que era dela e subiu de novo. Até aí eu vi pelas câmeras. Como a doutora demorou de descer eu subi para ver se tinha acontecido alguma coisa, mas antes de chegar no quarto vi que a porta estava aberta e que ele conversavam de frente para o espelho.— Ela contou

— Conta mais...—Falei ao ver ela levantando e indo olhar a escada.

— Calma menino, só estou conferindo se a coisa não está ouvindo, presta atenção que agora vou falar baixinho— Ela diz sussurrando e eu me aproximo mais para escutar melhor.— O Marcos e a doutora fizeram um acordo sem o Otávio saber.

— Como assim?

— Eu não entendi direito, mas parece que cada um vai ter direito a realizar um desejo e em troca eles tem que fazer Anthony falar.

— Fazer Anthony falar? Quer dizer, devolver as memorias a Otávio?!

— Acho que sim.— Ela diz e eu começo a ficar esperançoso.

—Então quer dizer que o tratamento vai continuar sem o Otávio saber!?Cara eu amo a Ester!—Digo e vejo dona Rosa dar uma risadinha e ficar vermelha.— Aaahh o que ?Conta...conta, contaa...

— Calma menino!— Ela diz rindo um pouco.— Fica quieto.— Ela manda e na mesma hora eu paro e fico em silêncio esperando ela falar.— Então...Depois de ouvir isso eu desci correndo e voltei pro meu quarto. Quando foi uma três da manhã levantei para beber água e a casa ainda estava com as luzes acesas, mas antes de entrar aqui na cozinha ouvi as vozes do menino e da menina Ester. Eles estavam jogando um jogo aí espiei um pouco aqui dentro e eles estavam jogando baralho só que estavam sem roupa.

— PORRA!!!

— Shiu!!!Cala a boca menino.

— Aí Rosa! Não precisa me beliscar não.

— Você não sabe ter educação não? Disfarça garoto.— Me repreendeu como antigamente.

— Desculpa Rosa, é só que fiquei empolgado em saber que o Ota teve a chance de jogar strip poker.— Falo cabisbaixo.

— Huumm, é assim que chama aquela pouca vergonha é? E a parte em que se agarra e quase se come em cima dessa mesa chama de quê?— Ela diz naturalmente e eu apenas fico parado apertando forte a beira da mesa para conter minha grande exclamação de puta que pareo...— Ei menino você está bem? Está todo vermelho.

— A senhora disse pra que eu ficasse quieto e disfarçasse. — Digo engasgadamente.

— Ah! Entendi, bem então eu acho que o tratamento vai ser diferente agora, vai ser uma coisa mais entre quatro paredes e uma cama envolvida.

— Puta mierda!!! Aí,aí... parei, parei!— Reclamei ao sentir outro beliscão em meu braço.— É só que eu fiquei surpreso, só isso...

— Surpreso com o que? Bom dia Rosinha!!!— Otávio falou chegando de repente na cozinha.

— Bom dia menino.— Ela respondeu enquanto ele beijava sua testa.— Enzo estava ouvindo meus comentários sobre sua nova hospede.

— Hum... ela já está aqui? — Ele pergunta sentando—se. Engraçado ele parecia diferente mais leve e relaxado tão relaxado que estava na mesa vestindo apenas uma cueca.

—É ela já está. A coloquei no quarto do lado do seu, tem problema?

— Não.

— Você está bem? Dormiu bem? — Eu pergunto o analisando

— Estou ótimo e dormi como um anjo. Por que? —Ele me olha sem entender.

—Nada, é só que você está tão relaxado que estou até surpreso. Afinal não é todo dia que vemos você desfilando por aí de cueca.

— Oh! —Ele diz surpreso encarando o próprio corpo, se levanta rapidamente e corre para o quarto que era de Ester. Rosa e eu nos olhamos e damos risada.

Alguns minutos depois ele volta usando uma calça de moletom preta e uma expressão confusa no rosto.

— Rosa!

— Sim.

— Onde estão as coisas da doutora Shalton? — Ele pergunta se sentando de novo.

— Hã... — Rosa me encara sem saber o que falar para não estragar o plano do Marcos e da doutora.

— Ela veio buscar agora pela manhã. — Eu digo coçando minha cabeça.

— Ela veio? E ninguém me acordou?

— Você queria ver ela?

— Não...é só que...esquece e quem entregou as coisas a ela?— Pergunta enquanto passa geleia em uma torrada.

— Eu, fiz mal?— Julia diz chegando na cozinha.

— Hã...É...não, quer dizer, hum eu apenas queria entregar pessoalmente.— Ele diz sério e ao que parecia chateado.

— Ah, eu não sabia, e ela estava com pressa pois ia trabalhar.— Julia diz naturalmente e caminha até Otávio o beijando na boca com um selinho leve. Otávio a encara e permanece em silencio. — Bom dia! Estava ansiosa para você acordar. O que vamos fazer hoje?

— Eu tenho que ir para empresa não é En!?— Ele diz me encarando com uma expressão engraçada.— E você..

— Vou para empresa com você então. Vou me arrumar agora.— Ela o corta e se levanta já correndo para a escada.

— VOCÊ PODE IR PRO SHOPPING!— Otávio grita para que ela ouça.— Ou não.— Diz largando a torrada no prato.

— Está sentindo Enzo ?Eu disse!— Rosa diz de pé atrás da cadeira em que Oto estava.

— Sentindo o que?— Eu pergunta sem entender.

— Confusão a caminho meu amigo, confusão.

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