Notas iniciais
Ooi gente, boa madru de segunda ♡ Resolvi postar mais cedo pq essa fanfic é a maior que eu já fiz, então não quero prolongar mto ela kkkkkkkkkk Assim que passar meu período de provas, voltarei com mais produções u3u bjss

Michael correu até as suas gavetas e catou todos os seus instrumentos de desenho. No meio da bagunça, alguns caíram no chão, junto com alguns de seus rabiscos, e Morten tratou de pegá-los. Ola Ray tinha acabado de chegar para a sessão de desenho que Michael havia prometido, porém não haviam marcado um dia, aquilo definitivamente o pegou desprevenido.

— O que é isso aqui?

Indagou o rapaz. Michael pegou as folhas de suas mãos e observou os seus desenhos.

— São os meus sketches, o que tem?

— Esse é você?

Indagou, apontando para um dos rapazes no desenho, um rascunho do que parecia ser uma gangue de rua. Tinha um rapaz na frente, de cabelos curtos encaracolados, vestindo uma jaqueta cor de pitanga.

— É... estou com essa ideia pra o álbum. Eu quero trabalhar em cima dessa temática.

— Mas você vai ser um bad boy?

— Eu não disse isso… bom, eu não sei, eu não posso discutir isso agora, Morten, a Ray tá me esperando.

Michael pegou suas coisas e foi em direção à porta. Morten o acompanhou, em passos calmos.

— Você tá ciente que tá mais pra “baby boy”, né?

Brincou, e aquilo foi suficiente para Michael lentamente virar o olhar em sua direção, como se não acreditasse que ele realmente havia feito aquela piada. Depois de um silêncio momentâneo, ambos gargalharam.

— Palhaço! Depois não reclame quando eu te arranjar um apelido…

— Onw, baby boy, não fica com raiva, por favor!

Brincou, e Michael tornou a gargalhar sem conseguir se segurar. Seguiram até as escadas e, lá embaixo, aguardando no sofá, estava Ray. Morten a encarou por alguns instantes e sussurrou.

— Ela é gata, hein?

— Vira esse olho pra lá…

— Eu sei que você gosta dela, relaxa, eu não vou te roubar, prometo.

Brincou, rindo mais uma vez. Michael revirou os olhos e sorriu. Desceu as escadas e foi ao encontro da garota, que sorriu ao vê-lo se aproximar.

— Michael!

Ela se levantou e o abraçou, o surpreendendo. O apertou carinhosamente, e Michael ficou meio bobo para retribuir, só se tocou quando viu Morten próximo a eles, fazendo sinais para que ele entrelaçasse seus braços na cintura dela. O moreno sorriu e o fez.

Ficaram assim por um tempo. O cheiro doce do cabelo dela, seus cachinhos escuros e úmidos tão parecidos com os dele, sua pele macia, seu abraço gostoso… Michael queria ficar naquele carinho para sempre, mas acordou de seu transe quando ela se afastou.

— Hum… você fica bonitão de vermelho, hein?

Ela riu baixinho para descontrair, porém suas palavras eram puras e sinceras. Michael enrubesceu e deixou um sorriso bobo escapar, queria retribuir o elogio, mas tinha medo de falar besteira.

Morten, vendo a situação, sorriu e se aproximou, iria aproveitar que só o rapaz podia vê-lo e ouvi-lo, iria ajudá-lo.

— Fala que ela fica linda todo dia! Não, não… diz que ela tá linda nesse vestido… hum… não, fala que ela fica linda de azul, sei lá…

Michael sorria discretamente, as palavras do amigo entravam por um ouvido e saíam pelo outro, ele estava completamente encantado pelos olhos escuros de Ray, aqueles olhos espelhados no qual era possível contemplar o seu reflexo. Ele segurou um suspiro apaixonado e lembrou das últimas palavras do rapaz.

— E… e você… todo o arco-íris fica bem no seu corpo, mas o azul… valoriza toda a sua beleza.

Saiu naturalmente. Um silêncio bem desconfortável pairou no ar. Morten mordeu os lábios, esperando que a garota não fosse muito exigente, mas felizmente Ray esboçou um sorriso sincero seguido do rubor de suas bochechas. Ela lentamente abaixou o olhar, pelo visto havia gostado do que ouviu.

— Eu… obrigada.

Michael suspirou, encantado. Estava um pouco deslocado, mas feliz por ter lhe arrancado um lindo sorriso. Morten ficou encarando aquele casalzinho travado e revirou os olhos em seguida.

— Meu pai…

Deu dois estalos perto do rosto de Michael, que acordou com o barulho.

— Ah! E-eu… Onde você quer ficar, Ray? No sofá tá bom? V-você quer uma água?

Ele se afastou e pegou seus instrumentos de desenho. Ela riu baixinho e negou com a cabeça.

— Tem mais alguém na sua casa?

— Acho que só os funcionários. Por quê?

Ela sorriu.

— A gente pode ir pro seu quarto?

Morten arregalou seus olhos azuis ao ouvir aquilo, e foi quando Michael viu aqueles olhinhos apertados do rapaz se abrirem, que percebeu que não havia ouvido errado. Ele disfarçadamente engoliu seco.

— Er… por q…

Morten negou freneticamente, enquanto apertava os lábios, como se estivesse torcendo para que ele não completasse a frase. Michael suspirou e aquiesceu, nervoso.

— T-tudo bem, er… s-sem problema.

A levou para o primeiro andar. Lá, seguiram em direção ao quarto e, ali, Michael torceu para que Morten estivesse consigo, estava muito nervoso e uma companhia, mesmo que imaginária, lhe daria mais coragem para o que viria a seguir.

— Tranca a porta, Michael. Eu… eu não quero que algum funcionário abra sem querer.

Ele suspirou e assim o fez, completamente nervoso. Quase deixou as chaves caírem, mas Morten o ajudou a pegá-las antes que o tilintar atingisse o chão. Michael levantou o rosto e o encarou assim que viu suas mãos se juntarem para segurar as chaves. O seu olhar era de pânico, ele parecia estar pedindo ajuda ao rapaz, que apenas retribuiu com um semblante mais confiante.

— Coragem, ela não fez nada demais ainda…

Sussurrou, como se Ray pudesse ouvi-lo. Michael assentiu e lentamente se afastou da porta, agora tornando a prestar atenção na garota.

— Posso ficar na sua cama?

— Claro, fica à vontade.

Ela sorriu e virou de costas para o rapaz, ele, por sua vez, aconchegou-se em uma cadeira próxima e começou a ajeitar os seus materiais de desenho no colo. Ray desatou alguns laços do vestido e, de repente, este veio abaixo. Michael levou um susto, por um instante pensou que ela estivesse nua, mas Ray estava apenas usando um collant azul que realçava o seu corpo, o que não deixava de ser provocante de qualquer maneira para um jovem virgem que evitava ao máximo secar os corpos das mulheres com o olhar. Enrubescido, Michael prontamente tentou focar sua visão na prancheta.

— Acho que assim tá bom…

Murmurou a garota, deitando-se na cama do rapaz e abraçando um de seus travesseiros. Michael tinha uma expressão assustada no rosto, ele não estava mais conseguindo disfarçar como toda aquela situação o deixava desconfortável e com as bochechas queimando em rubor. Morten, vendo tudo aquilo, deu mais alguns estalos próximo do seu rosto.

— Desenha, ô!

Michael despertou de seu transe e prontamente começou a rabiscar. Iniciou com um rascunho da posição da garota, delineou o caminho que iria percorrer, fez as medições, os pontos de articulação, em seguida começou a desenhar as suas formas. Suas mãos, seus cabelos, seu rosto, essas foram as partes mais fáceis. Tentar representar com o máximo de semelhança possível o rosto de sua amada foi o seu momento preferido, todavia, as partes difíceis vieram em seguida. Passou o lápis pelas curvas de seus seios, precisou admirá-los com um pouco mais de vontade se quisesse copiá-los perfeitamente, e aquilo o deixava muito desnorteado. Passou pela curva de suas ancas e buscou ser o mais respeitoso possível, embora não conseguisse disfarçar o seu vício em umedecer os lábios constantemente.

Ray sorriu.

— Michael… podemos conversar?

Ele assentiu timidamente.

— Sim... desenho é um processo bem demorado, vai ser legal se distrair.

Ela aquiesceu.

— Então… você tá trabalhando em um álbum novo, não é?

Michael sorriu com o comentário, mas manteve o olhar na prancheta.

— Quem te contou?

— Um passarinho… é verdade?

Ele riu baixinho.

— Sim. E você? Alguma novidade no trabalho?

— Ah, não, só… só o de sempre.

Ela mordeu os lábios.

— Se você precisasse de uma modelo, me chamaria?

Era uma pergunta bem específica. Michael encarou os seus olhos por alguns instantes antes de retornar a rabiscar. Ele, inicialmente, apenas assentiu.

— Claro…

Só aquela resposta parecia ter feito os olhos da garota cintilarem. Ela sorriu com muito mais vigor e apertou o travesseiro que estava usando de apoio. Michael suspirou discretamente ao observar a cena, perguntando-se o porquê da euforia.

— Por que quis saber? É claro que eu te chamaria, Ray, nós… nós somos amigos...

— É que… ah, não sei. Às vezes eu não me acho tão boa como modelo, fiquei me perguntando se você via algum potencial em mim…

Ele a encarou dessa vez, surpreso.

— É claro que vejo, você é uma modelo maravilhosa! Eu te chamaria para um papel principal sem pensar duas vezes.

Comentou, convicto, mas travou ao ver a expressão surpresa da garota. Ela sorriu em seguida.

— Você é tão fofo, Mike…

Ela riu baixinho.

— Você fez meu dia terminar bem.

Com aquele comentário, Michael sentiu que tinha ganhado aquela noite. Isso somado à ausência de Morten, que, embora tivesse boas intenções, tinha risco de por aquela casa abaixo e incrivelmente não havia o feito ainda, ele estava muito satisfeito.

Morten, por outro lado, não parecia estar na mesma vibração. Havia deixado os pombinhos a sós, ficar vendo casal de lero-lero enquanto segurava vela não era nada divertido, então tratou de caminhar pela casa e tentou não quebrar nada.

Se jogou no sofá e ligou a TV, passou a assistir canais aleatórios. Enquanto procurava algum programa de seu interesse, olhou para uma de suas mãos e ficou a transformando em sketch, brincou um pouco com aquele “poder”. Voltou a prestar atenção na TV e viu uma linda paisagem nevada. Aquilo, de alguma forma, mexeu com o seu interior, como se fosse um dejavu, uma lembrança passada. Ele apertou os seus pequenos olhos azuis e se inclinou para frente para prestar atenção naquela imagem.

— Que lugar é esse…?

Murmurou, logo levou a mão à cabeça, a sentiu latejar um pouco. Isso era incomum, ele como sketch nunca havia sentido dor, cansaço ou qualquer outra daquelas sensações. Não sabia o que era aquilo, não sabia o que estava sentindo, só podia recorrer àquele que havia o criado e era isso que faria agora.

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Era umas 22h quando Michael resolveu parar de desenhar. Não havia terminado tudo, um bom desenho talvez demoraria horas ou dias para ser feito e ambos já estavam esgotados. Ray abraçou-se mais ao travesseiro e fechou os olhos, cansada.

— Hum… que horas são?

Ele lentamente se levantou e foi até a sua mesinha de cabeceira para ver o relógio.

— Umas 22h. Nossa, está tarde…

— Muito. Você pode me dar uma carona...?

— Claro, eu… posso sim.

— Ou talvez eu possa dormir aqui também, o que acha?

Michael voou um pouco naquelas palavras, mas, sem a ajuda de Morten, ele precisou sair de seu transe rapidamente e responder algo decente para a garota.

— E-er… c-claro! É bem melhor, posso te levar amanhã de manhã para casa.

Ray sorriu.

— E… eu posso dormir aqui, contigo?

Aquela pergunta havia o pego completamente de surpresa. Antes que ele pudesse ter um piripaque, ela prosseguiu.

— É que eu nunca fiquei aqui, na sua casa… não vou me sentir confortável sozinha em um desses quartos, mas eu confio em você… se você me deixar escolher, eu gostaria de ficar aqui.

Sem pensar duas vezes, Michael aquiesceu, faria de tudo para que Ray se sentisse confortável. Ele sorriu e deixou seus instrumentos de desenho descansarem em sua mesa de trabalho, em seguida se aproximou dela e lhe ajudou a se cobrir.

— Fique. Eu vou pegar um colchão pra mim.

— Não, bobinho. A gente pode dividir a cama sem problema.

Ela riu baixinho, e Michael a acompanhou para descontrair, embora aquelas palavras estivessem martelando na sua mente. Ray cedeu espaço e Michael, muito nervoso, apenas removeu os sapatos para se acomodar ao lado dela, até que, de repente, a pior coisa aconteceu no momento mais inoportuno: Morten entrou no quarto.

— Baby boy, eu me sinto estranho…

Ray arregalou os olhos e rapidamente se cobriu.

— Q-quem é esse?? Michael, achei que a porta tivesse trancada!!

Michael a encarou, assustado, em seguida encarou Morten, que apenas olhou para os dois, confuso. John Branca não havia conseguido o visualizar naquele momento, no estúdio, mas a reação de Ola Ray pegou ambos desprevenidos e os deixou perplexos.

— Eu…

— Quem é você??

— Ray, esse é… é um amigo. Morten, sai daqui!

— Eu não, esse quarto é meu! Ela apareceu depois, ela que entre na fila.

Morten, já estressado com aquele casal, passou a ignorar as reclamações e se jogou na cadeira próxima, descansando. Michael já estava com os nervos à flor da pele.

— Você não disse que dividia o quarto com um amigo, Michael!

— Mas eu não...! Ahr! Morten…

Se levantou e foi até o rapaz, que não parecia querer diálogo.

— Sai daqui, sério, sai daqui, por favor, depois a gente se resolve...

— Eu preciso de você e me manda embora?

— A Ray é mais importante pra mim, você sabe disso, agora vai embora, Morten!

Depois daquela frase, o ambiente pareceu mais pesado. Ninguém falou por alguns instantes, e o rapaz, aparentemente impassível, apenas se levantou e saiu.

Michael suspirou de alívio, mas já era tarde demais. Ray vestiu o seu lindo vestidinho azul e, já aborrecida, também se retirou.

— Ray…

— Eu quero ir pra casa.

Ele suspirou, era compreensível.

— Me desculpe… me deixe levar você.

— Não, eu vou sozinha.

— Não, Ray, é perigoso. Me deixe… me deixe pelo menos mandar o meu chofer te levar, por favor.

Ray ficou em silêncio, o semblante ainda contrariado, mas aquiesceu, não podia negar que estava tarde demais para voltar sozinha. Assentiu e Michael chamou o seu motorista particular para conduzi-la em um de seus carros de luxo até a casa dela.

Perto de sair, ele se despediu da garota.

— Me perdoe por isso…

Murmurou. Ray pensou por alguns instantes, em seguida suspirou e, antes de entrar no carro, retornou para o rapaz e ficou na ponta dos pés para lhe dar um selinho. Era um carinho simples, mas havia o desnorteado completamente. Ele a encarou, um pouco surpreso.

— Você não tá merecendo, mas… você ainda fez a minha noite melhor.

Ela sussurrou, o semblante ainda aborrecido. Retornou ao carro e partiu. Já Michael, ficou revivendo aquele pequeno momento mais e mais vezes, em sua memória.

Retornou para dentro de casa com um sorriso bobo no rosto. Subiu as escadas, quase esqueceu-se do pequeno incidente que houve. Estava feliz, mas, pela primeira vez, conseguiu sentir a plena e absoluta ausência de Morten em qualquer canto da casa. Ele sentiu um vazio, o mesmo vazio que sentia antes de ter o desenhado. Olhou pelos cantos de seu quarto e não o encontrou.

— Morten…?

O chamou, sem sucesso. Descobriria dentro de pouco tempo que Morten havia ido embora… por um ou dois dias.

Notas finais
Próximo capítulo: Michael pausou sua fala por um breve momento, como se estivesse tentando buscar as palavras certas. Ele parecia um pouco envergonhado, Morten ficou bem intrigado. — … eu fiquei levando meu material de desenho pra lá e pra cá na esperança de que você fosse aparecer nele. Aquilo, de certa forma, havia deixado Morten sem palavras. Ele piscou um pouco os olhos antes de se levantar, ainda no papel. — Uau, é… melhor eu sair daqui logo antes que você comece a me flertar.