Me Dê Uma Chance

13 Lembranças - Parte II


Notas iniciais
Ooi gente, boa tarde ♡ Mais um capítulo pra vcs u3u Tá bem perto de acabar, acho que termino antes do dia 31. Enfim, vamo ver onde essa história vai parar OuO Boa leitura ♡

Retorno ao condomínio, Califórnia — 02:00 hrs

Quando abriu os olhos, estava de volta em casa.

Ou, pelo menos, no que considerava ser sua casa. Lentamente levantou-se e reconheceu o quarto de Michael. Não o encontrou a princípio, teria que explorar o prédio.

Morten vestiu seu casaco e saiu em busca do paradeiro do cantor. Caminhou pelos corredores silenciosos e foi em direção à bela sala de estar, parecia já sentir onde encontrá-lo. Michael estava lá, buscando freneticamente algum canal de TV, porém não parecia que aquela distração realmente estava dando certo, sua mente parecia incomodada com outros assuntos.

— Ei…

Virou-se rapidamente ao ouvir a voz do rapaz. Morten lentamente removeu as mãos dos bolsos, suas palmas estavam quase congeladas, estava com frio, mas sentiu que precisava despi-las, pois Michael correu ao seu encontro assim que foi chamado.

O abraçou com força, quase o deixou cair. Morten lentamente retribuiu, ainda um pouco perdido.

— O que aconteceu…?

Não respondeu de primeira. Do contrário, o abraçou com mais força, levou o rosto ao seu ombro. Morten suspirou, permitindo que sua respiração quente aquecesse o pescoço de Michael. Ficaram assim por um tempo, até que o cantor conseguisse se expressar.

Lentamente se afastou.

— Você desmaiou e... bom, eu fiquei preocupado.

Suspirou.

— Melhor ir se acostumando… dizem que eu sou um pouco exagerado.

Morten não conseguiu segurar um sorriso.

— Acho que eu gosto disso.

Comentou, o que fez o moreno sorrir em resposta, um pouco acanhado. Não demorou muito para o silêncio chegar e constrangê-los um pouco mais. Michael buscou algo naquela sala que cortasse de vez aquele clima, até que seus olhos recaíram no sofá.

— Er… você… quer assistir alguma coisa comigo? Eu estava procurando algum programa legal, mas a essa hora, é difícil.

Morten assentiu em silêncio, e os rapazes prosseguiram até o estofado.

— Coloca naqueles desenhos animados pra adulto, deve estar passando um monte a essa hora.

Provocou, o que fez Michael gargalhar. Jogou o controle pro amigo e logo deitou-se no sofá, dando espaço para que Morten se aconchegasse perto dele. Felizmente o sofá era enorme e os dois cabiam perfeitamente.

— Eu não vou ser o responsável por isso. Você muda.

— É muito errado pra o seu espírito de bom mocinho, baby boy?

Morten deitou-se logo em seguida, apoiando a cabeça no peito do amigo, enquanto entrelaçava uma perna à dele. Nenhum deles quis refletir sobre o quão próximos estavam, focaram na TV e esqueceram o resto.

— Se você continuar me provocando, vamos assistir programas de autoajuda, hum?

— Vish... okay, okay, não falo mais.

Morten começou a passar pelos canais, à procura dos tais desenhos para adultos. Em meio a tantos cliques, novamente aquele canal das paisagens nevadas se fez presente. O rapaz não mudou mais, algo naquele programa sempre o fazia refletir. Michael notou a sua parada abrupta e arqueou a sobrancelha.

— Tá tudo bem…?

Morten custou a responder de imediato. Por fim, mutou a TV e virou o rosto em sua direção.

— Preciso te contar uma coisa.

Mudou de posição, ficando sentado no sofá. Michael notou que parecia importante e fez o mesmo.

— Eu desmaiei na loja porque… eu tive uma lembrança muito forte. Uma lembrança, visão, não sei… enfim… você pode fazer uma coisa por mim?

— Diga… o que eu puder fazer, eu farei sim.

Morten suspirou.

— Eu preciso ir pra Londres. E… eu preciso ir logo, o mais rápido possível.

Disse-lhe. Michael demorou para digerir aquele pedido, não sabia se ele queria apenas visitar, se era para sempre, se ele podia ir junto… vários pensamentos invadiram a sua mente.

— Er… por que você está dizendo isso?

— Eu não sei, eu só sei que preciso estar lá. Acho que tem alguma coisa lá, pra mim.

Ainda era muito confuso, mas o rapaz sentia que questionar não iria ajudar muito. Logo, aquiesceu.

— Claro… eu vou ver a minha agenda e te digo uma data mais próxima pra irmos.

Disse, sorrindo, em seguida mordeu os lábios, um pouco receoso.

— Eu posso ir… não posso?

Morten sorriu.

— É claro! Eu acho que não sobreviveria sozinho…

Ele gargalhou, o que fez Michael o acompanhar. Teve medo de que aquilo fosse uma despedida, mas seu coração aliviou um pouco ao ouvir as palavras do rapaz.

— Ótimo! Então muda logo esse canal, já estou com sono de tanto ver essa neve caindo…

Morten riu e aquiesceu. Logo fez o que ele pediu e deixou as horas passarem.

x ----- x

Quando Michael abriu os olhos, notou toda a sala em total escuridão.

Exceto por um abajur aceso. Lentamente se levantou, Morten não estava mais consigo. Na verdade, estava perto do abajur, parecia estar se distraindo com um enfeite de mesa.

— Morten…

Murmurou seu nome, e o rapaz ouviu. Virou o rosto em sua direção e sorriu.

— Oi… você dormiu pouco.

Comentou, em seguida se levantou de onde estava e se aproximou em passos calmos. Sentou-se ao seu lado, no sofá.

— Que silêncio… se eu estivesse sozinho, certamente morreria de solidão.

Murmurou novamente, ainda meio atordoado por ter despertado agora. Esfregou os olhos e se espreguiçou, enquanto seu amigo o observava com um sorriso discreto no rosto, que pouco a pouco se esvaía.

— Mas a solidão nunca sumiu, Michael...

O encarou em silêncio, notou como Morten havia chamado o seu nome. Ele raramente o chamava pelo nome. O rapaz prosseguiu, sussurrando, como se quisesse lhe confidenciar alguma coisa.

— Você só não nota isso porque sente por mim o mesmo que eu sinto por você...

Aquilo o deixou sem palavras, embora tenha conseguido manter-se inalterado. Michael não tirou o olhar do dele, já sabia do que se tratava tudo aquilo, teve sua certeza quando Morten se aproximou e mais uma vez o beijou. Não conseguiu negar, era apenas um aninhar de lábios, um beijo sereno, nenhum dos dois queria algo maior que aquilo. Durante o carinho, Morten levou os dedos à sua bochecha, acariciou a maçã de sua face com o polegar, porém, quando afastou sua mão, Michael a segurou de volta no próprio rosto, o largou apenas quando o beijo teve o seu fim.

— Você não é real…

Ele sussurrou, calmo, mas confiante. Seu olhar era o mais neutro possível, a intenção era mostrar-se inabalado. O encarou com um semblante sério, porém Morten conseguia ver dúvidas em seus belos olhos negros.

— Você não acredita nisso.

Retrucou. Michael não o respondeu de imediato, custou a digerir aquilo. Por fim, seguiu confiante em suas palavras.

— Vou acordar amanhã e tudo isso terá sido um sonho. É assim, tem sido sempre assim, não me diga sobre o que eu acredito ou não.

Morten suspirou. Ia dizer alguma coisa, mas, no fim, preferiu guardar para si.

— Michael, eu vou embora.

Disse-lhe. Seu semblante mudou, o seu tom mudou, parecia mais sério e decidido em suas palavras. Michael não o respondeu.

— Você vai me levar para Londres… e eu vou embora.

— Você disse…

— Eu sei, eu sei...

— Não, escute! Você disse que não sumiria mais, você disse...!

— Michael!

Morten levou as duas mãos ao seu rosto, o fez olhar em seus olhos mais uma vez. Michael suspirou, segurando as lágrimas que já ansiavam por descer.

— Eu não pertenço a você. Você me deu uma chance… e eu voltei. Eu preciso voltar para eles.

Passou o polegar pelas lágrimas que desciam por seu rosto, silenciosas.

— Me perdoe pelas coisas que falei a você… eu também estava confuso, eu ainda estou confuso, mas sei que tenho história em outro lugar. Você tem o título que queria, fama e amigos, você não precisa mais de mim, Michael… Eu vou embora.

Ao ouvir aquelas palavras, Michael se afastou bruscamente, já em seu limite, não conseguia aceitar aquilo de jeito nenhum. Andou de um lado para o outro, sem saber muito para onde ir, em seguida suspirou e virou-se para o rapaz.

— Então você não vai pra Londres. Se depender de mim, não vai.

Morten o encarou com um semblante neutro, não parecia abalado com aquelas palavras.

— Você me prenderia ao seu lado em razão das suas vontades pessoais?

Michael ficou em silêncio. Sim, ele sabia que era errado, não era do seu feitio fazer tal coisa, e ele sabia que não cumpriria com sua palavra. No fim das contas, tudo aquilo era só medo, medo de perdê-lo para sempre.

— Por favor, não vá…

Murmurou, já sem esperanças. Morten lhe deu um sorriso fraco e se levantou, se aproximou em passos lentos, levou a mão ao seu queixo e o guiou para mais um beijo. Michael sentiu o gosto de sua boca um pouco mais adocicado, talvez porque sabia que poderia ser a última vez que o beijaria, e que aquele sabor logo se tornaria amargo como uma despedida. Precisava desfrutar de cada segundo seu.

Não o tocou, o único toque que havia ali era de seus lábios e de seu beijo molhado. Michael tentou finalizar mordiscando seu lábio inferior, mas era tão fino e delicado que escapou por seus dentes, fazendo cócegas em Morten, que não segurou uma risada discreta e resolveu retribuir, mordiscando o seu lábio carnudo. O puxou de leve e finalizou.

— Michael…

Murmurou, ainda um pouco ofegante.

— Eu voltarei para buscar o seu amor, tá bom? Eu voltarei para te buscar de qualquer maneira…

Notas finais
Próximo capítulo: [...] Quando saiu do banheiro, já parcialmente vestido, passou direto para o quarto, evitando a cozinha. O peso do seu sonho ainda apertava o seu coração, mas lembrava-se que havia dito a Morten que o levaria a Londres e cumpriria isso, mesmo que estivesse despedaçado por dentro.