– Pesadelo ruivo. – Resmunguei sem querer. Quando Percy comentou algo assim eu não levei como um alerta, muito menos a sério, e isso foi errado.

– Disse alguma coisa? – Fui atingido por um punhado de cachos avermelhados que bateram no meu rosto assim que Rachel virou para prestar atenção em mim. Tentei segurar uma careta mas falhei e aproveitando minha indelicadeza tirei de uma maneira nada discreta um fio de cabelo da minha boca.

– Nada, senhorita! Nada. – Respondi sem graça, imitando uma reverência.

Voltamos a caminhar em passos rápidos, Rachel continuou a minha frente com aquele cabelo esvoaçante sustentado apenas por uma fita verde-claro, e eu tentava acompanhar seus passos. Passaram alguns minutos até que ela resolveu parar e tomar um pouco de ar, ela ergueu a cabeça encarando o céu limpo e inspirava lentamente. Ela era... É... Bem bonita... E sardenta, mas não e nada que me desagrade.

– Então... Oráculo, não é? Alguma idéia? Planos? – Eu disse fingindo me espreguiçar.

Antes de tudo o que aconteceu foi o seguinte: O senhor Quíron e o idolatrado Dionísio-festeiro resolveram fazer uma reforma geral no Acampamento Meio-Sangue. Depois da reivindicação do Percy para que o lugar também pudessem acolher os filhos e filhas de deuses menores era necessários mais chalés, banheiros, aumentar a área de refeição e treinamento, essas coisas. Todos os chalés foram obrigados a deixar seus outros afazeres de lado e participar da sua maneira. Por exemplo: A galera de Afrodite ficou com a decoração, o pessoal de Atena com a engenharia, liderados por Annabeth, e os pobres e incompreendidos filhos de Hefesto... Bom, nos temos o Oráculo.

– Meu nome é Rachel! Ela se virou novamente de maneira brusca e me encarou com as sobrancelhas franzidas.

– Rachel Elizabeth Dare. – Fiz questão de responder — É eu sei. Então, algum plano?

Eu não queria ser chato nem nada, mas fiquei com receio dela me perguntar como raios, digo fogos, enfim, como eu sabia seu nome completo, cá entre nós, eu sabia um pouco mais dela do que poderia imaginar.

– Quíron e alguns sátiros me explicaram que desse lado, no riacho, encontraríamos os minerais necessários para poder levantar os chalés que – Ela suspirou – Annabeth e seus irmãos estão planejando.

– Entendo, entendo... Então vamos logo atrás dessas pedras. – Eu disse caminhando reto à caminho da clareira em nossa frente.

– Minerais. – Ela corrigiu me seguindo.

– E isso também. – Respondi sem olhar pra trás.


De fato Quíron estava certo, os minerais estavam aos montes em frente e ao redor do riacho, e eram tantos que daria pra construir mansões ao invés de meros chalés, cogitei essa idéia mas fiquei quieto.


Rachel andava de um lado para o outro, as vezes abaixava pegava uma das pedras e ficava observando, ela deve ter feito isso mais de cinco vezes, enquanto eu ficava parado sem saber o que fazer, até que resolvi imitá-la.

Ficamos lá por mais de dez minutos, abaixando, levantando, analisando pedras, eu não tinha noção de que detalhe não podia passar despercebido mas fingia que estava entendendo tudo. Depois de um tempo fiquei com tanto tédio que resolvi cheirar as rochas, eu até confesso que virava de costas para a Rachel só para passar a língua nelas, tentando descobrir se tinha alguma coisa mágica, substância, ou sei lá... Bizarro? Eu sei. Incrível como o ócio nos obriga a fazer coisas estranhas. Acontece que em uma dessas ocasiões fui encarado por um par de olhos verdes, quando encarei de volta ela girou os olhos decepcionada com que o Leo Valdez era capaz de fazer, e eu sorri sem graça.