Notas iniciais
Só levei umas cinco horas escrevendo (brincadeira)... Espero que gostem!

Algumas pessoas tem o hábito de agir por impulso quando se apaixonam... Tem uma facilidade incomum para amar intensamente. Deixam-se levar – cegamente – pela outra parte de seu coração. A confiança na pessoa amada, não pelas palavras, mas pelos seus gestos e atitudes... Que podem ser sentidos de fato; o contato quente daquilo que denominam “amor”.

Um rapaz de cabelos negros e consideravelmente longos estava sentado na areia, ouvindo o som do mar, sorrindo, porém com um sentimento triste que o tomava por dentro. Segundos depois, sente um abraço envolvente, apertando seus braços contra o próprio corpo. A respiração aproxima-se de seu rosto... Sente o beijo carinhoso daqueles lábios que conhecia muito bem.

– Erik?

– Sim, sou eu...

– Desculpe, estava distraído. – disse ele abaixando a cabeça.

– Eu sei o quanto você gosta do mar...

– Se ao menos eu pudesse vê-lo mais uma vez. Ver as ondas, o horizonte... Essas palavras não fazem muito sentido quando não se pode enxergar.

– Sinto muito Mick, mas eu te trago aqui porque sei...

– Não é por não poder vê-lo mais, que deixo de gostar. Ainda me restam as boas lembranças daquele dia, ainda me resta você. E eu não preciso de algo além disso!

– Eu sinto algo muito forte por você, é disso que não deve esquecer nunca.

Sentando-se ao lado de Mick, ele o abraçou forte... O rapaz que até então mantinha a cabeça baixa tentando consolar a si mesmo, desabou sobre o corpo daquele amigo, chorando... Não, não era apenas um amigo, tinha algo além disso. Havia afeto, havia amor naqueles braços reconfortantes. As carícias em seus cabelos pretos, a mão de Erik tocando seu rosto suavemente, tudo o fez lembrar aquele dia, e como as coisas aconteceram.

– Lamento por ainda estar assim, já faz quase dois anos, mas eu não consigo esquecê-lo totalmente... Ainda lembro-me da voz dele, do rosto dele... Não consigo ignorar tudo o que vivemos juntos. – disse em meio às lágrimas que não cessavam.

– Não precisamos falar disso se preferir... Mas se quiser desabafar, conte sempre comigo!

– Eu não pude vê-lo quando aquilo aconteceu! Não pude demonstrar meu amor, somente uma dor insuportável... Por perdê-lo, e pelos meus olhos que ardiam, tanto quanto meu coração. – sua voz estava quase inaudível, e as lágrimas percorriam seu rosto. Tentou continuar... – A voz dele gritando pelo meu nome, pela última vez, eu jamais poderei...

Não aguentando ver seu amado naquela situação, o jovem de cabelos loiros cacheados (assemelhando-se ao belo por do sol que fazia) olha para o céu, buscando algo que pudesse alterar as emoções presentes. Mas nada. Ele sabia exatamente o que queria, mas seu amor por Mick não o deixava dizer, por compreensão. Erik tinha olhos mais azuis que o céu, que o mar... Eram sedutores, lindos! Mas Mick nunca poderia vê-los algum dia. Apenas imaginar.

Ainda encarando o céu azul de poucas nuvens, ele recorda tudo o que aconteceu naquele dia... O corpo de David em meio às ferragens do carro, Mick gritando de dor e seus olhos cheios de sangue, suas mãos tentando encontrar o corpo de seu companheiro... Buscando desesperadamente ouvir a voz de seu amor, a qual jamais retornaria a dizer “Eu te amo”.

Voltavam de um passeio na praia, quando perderam o controle do carro... E ao bater numa imensa parede de pedras, os estilhaços de vidro atingiram os olhos de Mick e algumas partes de seu rosto. Porém para David, aquilo foi fatal. Erik vinha algumas dezenas de metros atrás do carro deles, e pode presenciar tudo. Ele estava onde devia estar, e não precisou pensar nem meio minuto para parar o carro. Resolvera voltar um dia antes do que havia programado, e só depois entendeu por que: Destino!

– Naquele dia... – disso o loiro de olhos cor de mar – O que eu fui para você?

– O que quer dizer com isso Erik?! – perguntou, passando a mão em seu rosto a fim de secar algumas lágrimas.

– Nada, desculpe-me... Só estava pensando em algo bobo. – tentou desconversar.

Um silêncio incômodo se fez durante alguns minutos, então...

– Você foi, e ainda é, um anjo para mim! – respondeu ele, olhando para Erik, como se pudesse realmente enxergá-lo.

Erik voltou os olhos para o céu, dessa vez não apenas para pensar em algo... Mas para conter as lágrimas de felicidade.

– Está tudo bem?! – ele perguntou, sem poder notar qual foi a reação de seu “anjo”.

– Você já esqueceu o David? – mesmo sabendo a resposta, perguntou.

– Não.

Ambos permaneceram calados por certo momento. Mick tentava decifrar aquela calmaria angustiante entre os dois. Tentava ouvir sua respiração. Mas Erick parecia não estar mais ali... Subitamente, o corpo daquele belo anjo caiu na areia, sem dar nem um ruído ou suspiro.

– Erik? Erik?! ERIK??? – começou a gritar desesperado.

Mas não houve resposta alguma... O rapaz de cabelos negros buscou pela mão de seu querido, e ao encontrá-la, tocou (querendo ou não) em seu pulso... Porém não havia qualquer sinal de vida. Apesar do corpo ainda quente, o coração não batia mais. O sol já não brilhava.

– Não me abandone! Erik... Erik!!! Eu te amo, volte para mim... Volte... – as lágrimas retornaram mais intensas, mais doloridas. Mais uma perda difícil de esquecer...

Nem tudo é fácil... E nem tudo é paixão. Até mesmo um dos sentimentos mais puros, está também ligado à dor! A dor de não valorizar quem te ama, ou de não ser valorizado por seu amor. A dor de perder alguém especial (pela morte, ou simplesmente pela distância). A dor de não se declarar enquanto é tempo. E a dor de arrepender-se pela paixão que não viveu!

Notas finais
O que acharam? Comentários?!
(eu tenho que parar de matar personagens que gosto) [risos]
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!