Me Abrace

1 Me abrace...


Notas iniciais
Só pra lembrar, essa songfic é sobre a visão do Kishan quando todos descobriram qual seria o 5º sacríficio para que a Maldição do Tigre finalmente fosse quebrada. Ela começa no momento em que Phet os avisa de que ainda há mais uma coisa a ser feita para que, finalmente, a maldição seja quebrada. Espero que vocês gostem.

- Há ainda uma última coisa que precisa ser feita antes de eu manda-los de volta, Quel-si – disse Phet. Vocês se lembram do primeiro trecho traduzido da profecia?

- “Procure prêmio de Durga. Quatro oferendas, cinco sacrifícios. Uma transformação. Fera torna-se mortal.” – Respondeu Kelsey.

- Correto. Vocês encontraram as quatro oferendas de Durga.

Não estava gostando do rumo desta conversa, então, não me contendo disse: “Também oferecemos sacrifícios em seus templos."

Phet olhou para mim com seus olhos sábios, e algo começou a realmente me incomodar.

- Sim, mas neste caso os cinco sacrifícios mencionados não são de natureza material. Até agora vocês ofereceram quatro dos cincos sacrifícios. O primeiro foi quando Ren abriu mão de suas lembranças de Quel-si para salvar a vida dela. O segundo foi quando o Sr. Kadam deu a vida para mandar Lokesh para o passado.

Meu coração seu apertou neste momento, Kelsey agarrou meu braço, enquanto ainda segurava a mão de Ren, seus olhos se enchiam de lágrimas e eu daria tudo para pegá-la nos braços naquele momento e dizer que tudo ficaria bem.

- O terceiro sacrifício foi quando Quel-si se entregou à Fênix como uma esposa sati. Seu corpo queimou para que os tigres ficassem em segurança. O quarto sacrifício aconteceu ontem, quando Kishan desistiu de parte da própria imortalidade para trazer a vida de volta ao irmão.

Kelsey ficou mais tensa ao meu lado, e tenho certeza que não foi a única. Mesmo sem ter poderes de adivinhar o que se passava na mentezinha de Phet, eu tinha certeza que o quinto sacrifício significaria alguma perda. Todos os sacrifícios significaram alguém abrindo mão de alguma coisa e eu rezei, seja lá pra quem pudesse me escutar, para que Kelsey não sofresse mais, para que todos nós pudéssemos encontrar a felicidade, sem ser necessário abrir mão de algo, embora soubesse que estava apenas me iludindo. Então, ela cortou meus pensamentos aflitos e perguntou a Phet qual seria o quinto sacrifício. E aqueles segundos foram os mais angustiantes.

- Deve ser oferecido antes que vocês possam retornar.

Kelsey começou a tremer ao meu lado. O que mais precisaríamos fazer? Já não bastava todo o sofrimento que tínhamos superado para chegar até lá? Acredito que todos nós estivéssemos pensando nisso, mas a única pessoa que foi forte o suficiente pra dizer algo foi Kelsey, que perguntou num sussurro:

- O que mais precisamos fazer? – Phet olhou com tristeza pra mim, tenho certeza que seus olhos me diziam tudo. E todas as palavras fizeram sentido, eu ainda não havia cumprido meu destino, o quinto sacrifício me envolveria, meu coração partiu em pedaços quando Phet respondeu:

- Durga precisa de um tigre. — Sabe aqueles momentos em que a gente acredita que esta vivendo um pesadelo horrível e que vai acordar em segundos? Você até se esquece de respirar, seu chão desaparece e você se sente sem rumo e perdido. Eu sei, clichê. Eu teria que ser Damon, ficar e criar a história. Teria que deixar Kelsey e Ren partirem. Eu sabia que meu futuro não seria ao lado dela, afinal aquele bebê da visão do Bosque dos Sonhos possuía meus olhos, mas era filho dele. Entretanto ainda achava que um dia Kelsey poderia me amar tanto quanto amasse Ren e que poderíamos enganar o destino e ficarmos juntos. Ainda tinha esperanças.

Kelsey então caiu aos pés de Phet, chorando e repetindo “não”. Era o que eu queria fazer neste instante, suplicar, exigir, me revoltar. Dizer que não havia sentido pra mim, que não queria mais viver se era essa a condição. Mas era meu destino. Meu. Não de Ren, mas meu.

Anamika passou e estendeu sua mão para levantar Kelsey, mas ela esbravejou algo que não entendi, pois Phet me puxou ao lado, junto com Ren e disse, sem que precisasse se dirigir a mim:

- Esse é seu destino, você sabe disso.

Sim, eu tinha o desejo de viver minha vida ao lado dela, e tudo seria perfeito. Mas Ren era quem ela amava e eu tinha certeza que o amor que ele sentia por ela era o suficiente, era um jeito diferente do meu de amar, e amor a gente não mede. Antes que meu irmão dissesse alguma coisa, respondi, com olhar baixo e sentido o peso do mundo nos meus ombros:

- Sim, eu sei. E o aceito se essa é a condição. – Phet nos deixou a sós. — Eu a amo, e sei que me ama também. Mas, Ren, o que ela sente por você sempre foi e sempre será maior do que qualquer outro sentimento mensurável. E eu sei que, se for eu a voltar com ela, não haverá felicidade. Porque o destino de vocês é ficarem juntos. Por isso aceito essa condição, porque sei que vocês serão felizes e você daraá tudo o que eu não vou conseguir dar a ela: felicidade plena.

- Mas o seu sonho, Kishan ela é sua por direito... Não estou disposto a abrir mão dela, contudo. Por mim Durga ficaria sem seu tigre. – Ren disse me olhando, sua mão em meu ombro.

- Não, você sabe que se mudarmos alguma coisa da história, tudo será diferente. Sem Damon, não haverá nós, entende? Um de nós precisa ficar e sou eu. Só preciso me despedir dela, posso?

- Claro – Seus olhos ficaram mais azuis quando as lágrimas se juntaram em seus olhos, lembrou nossa mãe, cujos olhos eram azuis da cor do céu. Eu o abracei e fui atrás de Kelsey, que havia corrido para o meio das árvores enquanto discutíamos, mas não me apressei. Minha garganta estava fechada, o que tornava difícil respirar. Eu sentia uma dor imensa, maior do que todas as dores físicas que já havia sentido até agora. Era uma dor inexplicável, eu ia me despedir de minha bilauta. A mulher dos meus sonhos, que seria minha rainha.

Tienes que saber que es lo último que pido
que estoy desesperado y según mis latidos
no me queda mucho tiempo a mi favor

A encontrei debruçada sobre um dos troncos que havia caído, soluçante. Me agachei de frente pra ela, tirando os cabelos que estava grudados em seu rosto e os colocando atrás da orelha. Seus olhos estava vermelhos e a ver sofrendo daquele jeito, me deixou mais arrasado.

- Shh, bilauta. Vai ficar tudo bem. – Pois sabia que ficaria. Ela seria feliz e eu aprenderia a viver com a saudade e as lembranças.

Y antes de perder de vista mi camino
quiero mirarte un poco y soñar que el destino es junto a ti mi amor

- Como você pode... Como pode dizer isso? Nós vamos... Vamos perdê-lo para sempre. – Ela sabia? Não, tentei me enganar achando que ela chorava porque ia me perder, mas ela chorava pois achava que o complexo de superhomem de Ren tivesse vencido. Ela achava que ele ficaria para trás e nós voltaríamos. Aquilo me machucou, demais.

- Venha. – a puxei para que se levantasse. – Enxugue os olhos e tente sorrir.

Quédate un segundo aquí a hacerme compañía
y quédate tantito más quiero sentirte mía
y abrázame y abrázame y abrázame...

- Eu não posso, Kishan. Simplesmente não posso.

- Por favor, tente. – Esbocei um fraco sorriso pra ela. Não a poderia culpar por querer que Ren não ficasse. Estava sendo injusto. Peguei seu rosto entre minhas mãos, beijei sua testa e, com os polegares, enxuguei suas lágrimas. Precisava dizer que a amava, mas que a vida me dera ela de presente para que eu aprendesse e que chegasse neste momento, uma pessoa diferente, meu coração era justo e havia mais bondade nele do que eu poderia me lembrar.

Hoy me he dado cuenta que no había sentido tanto miedo
antes que yo no decido que Dios va a ser mejor

- Eu quis você desde o primeiro momento em que a vi escondida nos arbustos, Kells. A verdade é que eu sabia que você estava lá o tempo todo. Pus os olhos em você naquele dia, e desde então não consegui mais tirar. Eu tentei, mas... – encostei minha testa na dela, sorrindo diante da impossibilidade de ficar longe dela – ...havia algo de irresistível em você. Estava tão perdida e era ao mesmo tempo tão geniosa... igual a uma gatinha com raiva. Eu queria aconchega-la no meu braço e ficar com você.

Y antes de perder de vista mi camino
quiero mirarte un poco y soñar que el destino es junto a ti mi amor

- Kishan, eu... – Ela começou, mas não poderia deixar ela terminar. Eu precisava dizer tudo. Nosso tempo era curto e havia tanta coisa a dizer.

- Eu sei que você o ama, Kelsey. Sei desde aquele dia na selva, quando confessou seus verdadeiros sentimentos a Saachi, sem saber que era eu disfarçado. Se fosse completamente honesto comigo mesmo, eu confessaria que sabia antes mesmo disso. – Respirei fundo, tomando mais fôlego, mas minha voz tremeu quando continuei, estava perdendo as forças. – Eu disse a mim mesmo que enquanto você usasse meu anel, enquanto me quisesse, precisasse de mim, eu estaria ao seu lado. Eu tentaria me tornar o tipo de homem que você poderia amar. – E quase suplicante, acrescentei, perdendo a fé em mim. — Existe amor entre a gente, não existe Kells?

Quédate un segundo aqui a hacerme compañia
y quédate tantito más quiero sentirte mía
y abrázame y abrázame y abrázame, no no y abrázame.

As lágrimas ardiam em meus olhos, mas eu as seguraria enquanto pudesse. Mantive meu olhar fixo no dela, tentando o dizer o que não conseguia por em palavras. O quanto a amava e o quanto sentiria sua falta.

- Sim. Não posso abrir mão de você mais do que dele. – Ela disse, enquanto afastava meus cabelos. Aquelas palavras me acalentaram e me reconstruíram por dentro, eu sentia meus cacos tentando se juntar. Nada tinha sido em vão, pois ela me amava.

- Era exatamente isso que eu precisava ouvir.- Beijei suas mão, sem pressa, uma de cada vez, tentando prolongar o momento. – Agora me dê um beijo de adeus, bilauta.

Dame una razón para quedarme
yo no quiero tu compasión
quiero que estés conmigo
hasta que me haya ido
y abrázame
y abrázame
y abrázame... y abrázame.

Seu olhar foi um misto de surpresa, dor, alegria. Confusa, ela tentou formar algumas palavras, mas a interrompi com um beijo, enquanto a envolvia com minha alma em um abraço. Entreguei docemente meu coração a ela, e a beijei delicadamente. Minha mente girava, era nosso último beijo, nosso último beijo. Ela passou os braços por meu pescoço, me apertando contra seu corpo. Ela me amava, podia sentir todo seu amor e afeição nesse beijo que mudou de doce e melancólico a ardente e apaixonante. Nós trocamos todas as palavras necessárias naquele momento, ela me amava e eu a amava, mas não era nosso destino ficarmos juntos. Nosso beijo terminou suavemente, e plantei pequenos beijos por seu rosto enquanto a abraçava forte.

Ela pousou a mão sobre meu coração e perguntou por que eu estava fazendo isso. Por que? Por mais que a quisesse, era a coisa certa a fazer, e foi o que disse a ela.

- Não posso desistir de você, Kishan. Como ousam nos pedir para fazer essa escolha? – Acariciei seu cabelos, era a hora de ir embora.

- Uma vez, há muito tempo, você me pediu que a deixasse ir. Lembra-se? – Casa palavra parecia pesar toneladas. Ela concordou com um balançar da cabeça, ainda encostada contra meu peito. Minhas lágrimas agora já caiam sobre o topo da sua cabeça. Tomei suas mãos e plantei um beijo em cada palma. – Agora sou eu quem está pedindo, Kelsey, que me deixe ir.

- É isso que você quer? – Seu tom me machucou, era pura tristeza. Pensei em dizer que não, que nada mais ia fazer sentido pra mim quando ela se fosse, mas a simples sensação de que ela estaria feliz, nos braços de alguém que amava completa e apaixonadamente, me manteriam vivos. Mas não pude dizer isso, seria egoísta, pedir que ela carregasse ainda mais esse fardo, em vez disso, disse que era o que precisava acontecer.

Dame una razón para quedarme
sólo dame una razón

Ela chorou mais, molhando minha camisa, mas não me incomodou. Arrumava meus prumos saber que não a havia amado em vão e que ela sentia o mesmo por mim. Ainda que eu quisesse prolongar mais ainda aqueles instantes, não podia. Suspirei.

- Está pronta?

Dame una razón solo dame
dame solo una razón

- Não. Prometi a você um final feliz. – Ela passou a mão pelo meu rosto e seus olhos grudaram nos meus. Se eu pensasse, se ao menos hesitasse neste instante, tudo o que estava planejado ia por água abaixo, pois seus olhos me pediam para não ficar, para ir com ela. Porque ela me daria um final feliz, mesmo que isso não significasse o mesmo para ela. Amei aquela mulher, com cada molécula do meu ser. Sei que ela faria o mesmo sacrifício que eu estava fazendo neste instante, sei que ela também abriria a mão de uma vida ao lado de quem amasse se isso significasse a minha felicidade.

- Meu final ainda não foi determinado. Vou ter sempre um pedaço seu no meu coração, Kelsey Hayes.

- E eu vou guardar um lugar para você no meu, Kishan Rajaram.

Tomei sua mão e depositei a chave, que antes havíamos pegado na casa que pertencera aos meus pais.

- Mas a chave é sua.

- Leve-a com você e construa uma casa como aquela de que falamos. – Não havia mais por onde sentir dor. Enquanto ela prometia que o faria, beijei sua pálpebras. Era hora de ir. Passei sua mão por meu braço e a conduzi de volta ao grupo que nos esperava, mas antes de dizer adeus, definitivamente, precisava saber, precisava perguntar. – Você vai se lembrar de mim? – E tenho certeza que a minha dor transpareceu, pois ela apertou suavemente meu braço.

(y abrázame)
Dame una razón para quedarme
yo no quiero tu compasión

(y abrázame)

- Como pode me perguntar isso?

- Prometa-me uma coisa?

- Qualquer coisa.

- Prometa que vai ser feliz. – Se não o meu sacrifício será em vão. Meu sacrifício não era para uma felicidade maior, para a felicidade do mundo, meu único objetivo era sua felicidade.

Saímos de entre as árvores e anunciei que estávamos prontos, embora fosse mentira. Eu sabia que ela não estava e eu, bom, eu nunca estaria. A entreguei a Ren, colocando suas mãos sobre as dele.

Dame una razón Sólo dame una razón...

- Tome conta dela. – Ren não respondeu de imediato, apenas segurou meu braço e disse:

- Seu na vida, Kishan.

- Seu na morte, Dhiren.

- Obrigado.

- Esforce-se a vida toda para merecê-la, irmão. – Disse e Ren assentiu. Uma última vez afaguei o rosto de Kelsey, uma última vez. Me encaminhei para o lado de Anamika, mas me recusei a olhá-la. Phet disse que eu seria conhecido como Damon, à partir daquele instante e retirou a maldição de Ren.

- Três de vocês vieram ao passado e três devem retornar. Sunil?

Anamika choramingou ao meu lado, mas meu fardo diminuiu. Não seria justo que somente eu, Dhiren ou Kelsey abríssemos mãos de alguém que amassemos.

- Isso não é justo! Meu fardo é pesado demais para suportar!

- Damon irá ajudá-la – disse Phet. Assenti, aceitando meu destino. Anamika e Sunil se despediram e, segurando meu braço, Sunil me olhou com olhos suplicantes.

- Você vai cuidar da minha irmã?

- Irei protegê-la com minha vida. – Era verdade. E tenho certeza que Sunil pode ler isso em meus olhos, pois assentiu satisfeito.

Kelsey me olhou, enquanto todos os outros se preparavam para a viagem. Sussurrei que a amava e torci que ela pudesse ter me entendido. Quando a vi correr para o vórtice que estava aberto, sussurrei para o vazio: “Adeus, bilauta”. E teria dito mais, mas não pude.

Tienes que saber que es lo último que pido

Cai sobre meus joelhos, e chorei como uma criança. Enterrei meu rosto em minhas mãos e chorei por longos minutos. Até que a mão de Anamika pousou em meu ombro, e ela me ofereceu a outra, pra que eu pudesse me apoiar e levantar. Ela também chorava muito e senti que partilhávamos o mesmo sentimento: saudade, que havia se instalado no mesmo momento em nossos corações. Um sentimento amargo e doce.

que estoy desesperado y segun mis latidos
no me queda mucho
... tiempo a mi... favor.

Notas finais
Espero que tenham gostado ;)
Comentemmm :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!