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3 Capítulo III
Notas iniciais
Primavera – Março de 1994
“Caro Draco...
Peço desculpas por não falar com você pelo Espelho. É que eu tenho chegada cansada das aulas e vou dormir na hora. No entanto, Saiph tem sido muito bondosa em mandar e entregar nossas cartas, eu espero que ela não se canse logo. Mas sei que ela é bondosa de mais e seu dono é muito gentil com ela, portanto sei que ela se manterá firme.
Minhas aulas têm sido complicadas, mas tenho matérias em que eu sou boa, como química e matemática. Como estão suas aulas? Ainda é o melhor em poções? Poções é como química aqui, não?
Tenho me comunicado com Harry também. Edwiges vira e volta aparece aqui com uma carta dele. Sinto falta dele, assim como sinto de você. Mary, minha colega de quarto foi expulsa da escola, por hora, será só eu.
Durante as aulas de língua estrangeira, eu ficava olhando para a rua. Já lhe disse como o jardim daqui é imenso? Já né... Acho que não aguenta mais ler sobre isso... Tem praticamente todas as flores do mundo.
Agora que estamos na primavera, as cores estão se destacando. Eu queria que estivesse aqui, explicar por palavras é complicado. No entanto, eu fiz um desenho de uma Cerejeira, também conhecida como Sakura.
Tenho aprimorado meus desenhos. Acredito que Saiph ficará mais aliviada, já que quando eu fizer um próximo desenho dela, não será como uma azeitona com asas. Vou mandar junto o meu desenho.
Amanhã teremos folga, poderemos nos falar pelo espelho. Eu queria conversar com você sobre um assunto sério, ele seria melhor pessoalmente, mas o Espelho é nosso único meio de comunicação.
Com saudades e amor,
Hermione.
”
Draco suspirou e dobrou a carta, escondendo-a na gaveta do seu criado-mudo, protegida com magia, na mesma gaveta, ele pegou seu caderno e uma caneta preta que Hermione havia lhe dado de lembrança de uma das suas viagens com os pais. O que Hermione não sabia, é que ele havia enfeitiçado a caneta para que ela tivesse uma tinta infinita e colorida.
Rapidamente ele rabiscava ali. Seu cérebro não coordenava os movimentos dos dedos, e sim uma dúvida: qual era o assunto importante que Hermione queria falar com ele.
Suspirou. Há meses não olhava para ela. Eles estavam em março, em breve teria um feriado de páscoa, talvez ele conseguisse ver ela... Quando apertou os olhos e se focou no caderno desenhado, ele finalmente pode ver o desenho que havia feito. Ele havia desenhado uma Hermione rechonchuda e gordinha. Riu pelo nariz, ela iria matar ele.
Jogou sua cabeça contra o travesseiro e ficou olhando o teto. Como queria que ela tivesse ali. Ele estava com tantos problemas, ele queria conversar com alguém... E ela é a única que pode ouvir ele sem receio ou mentiras.
– Draco? – chamou uma voz passiva e delicada. Ele se ergueu e olhou para os lados, procurando a dona da voz. Ela. – Seu loiro burro! Estou aqui em baixo! – disse ela nervosa. Draco rapidamente ergueu a perna e viu que o espelho estava ali.
– Mione! – exclamou ele animado. Hermione sorriu de lado. – Como você está?
– Estou bem. Eu fiquei preocupada. – disse ela tapando o bocejo com a mão.
– Preocupada com o que? – perguntou Draco nervoso. Não queria que ele fosse o foco da preocupação dela.
– Eu tive... – começou ela olhando para os lados. Draco engoliu em seco.
– Uma visão. – completou ele. Hermione assentiu. – E o que você via?
– Você como está agora. – disse ela rindo. – E você parece nervoso com algo.
– Não precisa se preocupar. – disse ele sorrindo para ela.
– O que te aflige? – perguntou ela nervosa. Draco engoliu em seco. Subitamente ele queria um abraço dela. – Teve um assassinato aí, não teve? – perguntou ela.
– Como soube disso?! – perguntou ele preocupado, puxando o espelho para mais perto, como se pudesse aproximar ela para perto dele, fornecendo-a segurança.
– Eu vi. – disse ela nervosa. – E você acabou de confirmar para mim.
– Mione...
– Eu quero saber como você está. – disse ela interrompendo ele.
– Estou bem. E o Potter? Perguntou para ele? – perguntou Draco carrancudo. Hermione riu pelo nariz.
– Eu tenho falado com Harry uma vez a cada 15 dias. – disse ela resumindo tudo. Subitamente, Draco sentiu um alívio e orgulho preencher seu ser. – Quando você vem?
– Acho que na páscoa. – disse ele receoso. Hermione abriu um sorriso, mas logo o desfez. – O que foi? – perguntou ele preocupado.
– Na páscoa eu vou ficar aqui na escola. – murmurou ela cabisbaixa.
– Vamos nos ver. – disse ele confiante. Era mais do que urgente que ele visse ela. Hermione sorriu e assentiu, logo bocejou. – Vá dormir. Você está cansada.
– Você fez um desenho, não fez? – perguntou ela curiosa. Draco sorriu e assentiu. Ela o conhecia bem.
– Como descobriu? – perguntou ele curioso, arrumando seu caderninho.
– Eu vi o seu caderno aí. – disse ela orgulhosa por ter descoberto aquilo. – Me mostra! – exclamou ela animada.
– Não vai ficar brava comigo! – mandou ele. Hermione cruzou os dois dedos em forma de X e sorria, esperando ele mostrar o desenho para ela. – Aqui. – disse ele mostrando o caderno. Os olhos de Hermione brilharam.
– Esse não é meu uniforme. – disse ela fazendo uma careta. Draco riu e assentiu, ele sabia que ela perguntaria algo assim.
– É o uniforme daqui. – esclareceu ele. Hermione apenas ergueu a sobrancelha.
– Por que vermelho? – perguntou ela curiosa.
– Vermelho é da Grifinória. – explicou ele fazendo uma careta. Hermione não sabia se ria ou se assustava-se com a careta dele.
– Você ainda vai explicar o motivo de ser grifinória! – mandou ela bocejando em seguida. Ele assentiu e fechou o caderno. – A gente se vê amanhã? – perguntou ela vermelha. Draco assentiu e viu ela se espreguiçar. – Amanhã eu vou te mandar uma coisa... – disse ela vermelha. Draco assentiu. – Boa noite. – disse ela docemente.
– Boa noite Hermione. – desejou Draco vendo ela mandar um beijo para ele e sumir do espelho.
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