Maçã com Canela
5 Capítulo 5
Notas iniciais
– O que você quer fazer para comemorar nosso aniversário? — perguntou Regina horas após Robin ter buscado Henry. Ela só o cumprimentou da porta enquanto seu filho saiu correndo para abraçar o pai. Quanto menos contato direto tivessem, melhor seria para todos.
– Eu não sei. Poderíamos sair, ir ao cinema, ficar andando à toa, almoçar em um restaurante que nós nunca pensamos entrar…. O que você sugere?
– Nós poderíamos fazer todas estas suas opções.
– Vamos, então! — chamou Emma, pegando-a pela mão
– Não, não. Preciso tomar um banho e me arrumar adequadamente — explicou Regina já se encaminhando para as escadas.
– Sério, Regina? Você está ótima assim. Não tenho do que reclamar.
– Eu não vou sair de calça jeans pra comemorar nosso aniversário. E acho bom você trocar de roupa também. Vou tomar um banho rápido e podemos sair em 30 minutos?
– Quer companhia? — o tom malicioso de Emma fez Regina sorrir
– Nós duas sabemos que se você for tomar banho comigo, nunca sairemos de casa.
Emma bufou e foi para a sala. Regina estava certa.
Ainda contrariada, ela gritou:
– 30 minutos, Regina! E se você demorar, não vou mesmo deixar a gente sair de casa!
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– Teremos que vir mais vezes nesse restaurante. A comida é muito boa.
– Eu também gostei. Será que o Henry comeria? — Regina tentava controlar a felicidade evidente de estar saindo com Emma. Poucas vezes elas saíram juntas como casal.
– Provavelmente. O garoto não negaria frango e batata frita. — Elas riram, e depois o silêncio cresceu. Emma observou Regina.
– Está preocupada?
Regina hesitou por um momento. Ela não confiava em Robin. Apesar de saber que ele não faria mal aos filhos, ela não confiava nele. Não ter Henry perto dela era um peso em seu peito. Emma a olhava com aqueles olhos tranquilos, que lhe prometiam o mundo e ao mesmo tempo não diziam nada.
– Sim — ela sussurrou.
Emma não sabia o que fazer. Queria que o dia fosse especial, mas sabia que a ausência de Henry não as deixariam aproveitar ao máximo o passeio. Ela também estava pensando no garoto. E no quão volúvel o pai dele era. “Se Robin aprontar alguma, eu mato ele!” .
– Logo ele vai estar em casa. — constatou simplesmente. Ela não via a hora desse momento chegar. Era difícil evitar querer o menino só pra elas. Eles eram uma família. A única que aceitou Emma verdadeiramente.
– Eu já disse o quanto você está bonita? — Emma tentou distrair Regina, mas a intenção também era frisar o quanto o vestido azul com o decote quadrado e as mangas justas no cotovelo a deixavam encantadora.
– Já. E você também está ótima! Aliás, você fica muito charmosa quando tira o jeans.
Emma estava com uma calça skinny preta e uma blusa tomara que caia branca. Um vestuário muito diferente do qual a policial estava habituada.
– O que eu não faço por você, rainha? — bajulou Emma
Elas continuaram andando pela praça central. Pararam na frente de uma barraca que vendia doces. Emma comprou morango com chocolate e Regina escolheu uma maçã caramelizada.
– Você poderia trocar de fruta uma vez ou outra — implicou Emma
– Swan, não me irrita! Seu nome já consta algumas vezes no meu caderno negro e você sabe que eu não sou muito boazinha com quem me deixa furiosa.
Regina a olhava tentando permanecer séria. Um sorriso foi brotando lentamente nos lábios de Emma.
– Se eu continuar no seu caderninho, como você me puniria?
Regina desistiu de manter-se séria e deu uma risada.
– Você é uma depravada!
– É, mas você gosta de mim.
– Eu te amo, Swan.
– Você se lembra da primeira vez que você disse isso?
– Você algum dia vai me deixar esquecer?
– Com certeza não.
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Emma e Regina voltaram para casa mais felizes do que quando saíram. A tarde tinha sido muito boa. Do jeito que elas planejaram: almoço em um restaurante novo, cinema e andar à toa.
Se Henry estivesse ali, tudo teria sido perfeito. Agora, elas aguardavam a chegada do menino.
– Regina, vou sair. Você vai me matar se continuar andando de um lado para o outro.
– Sair? Mas acabamos de chegar! Onde você vai?
– Preciso fazer uma coisa.
– Você não vai dizer o que é?
– Hmmm…. É surpresa — disse Emma utilizando a única tática que lhe veio a mente que poderia impedir Regina de continuar com o questionário.
– Você deveria se deitar um pouco. Ou assistir tv. Ou trabalhar.
– Acho que só mesmo trabalhando vou me distrair... Ou você pode ficar aqui e me ajudar — pediu Regina sedutoramente.
– Éé… eu adoraria. Mas eu realmente preciso ir. Eu não demoro!
E com um beijo, ela se despediu. Desde que havia perguntado sobre a primeira vez em que tinham dito aquelas 3 palavrinhas definitivas, uma ideia atormentava Emma. E ela sempre executava as ideias que tinha.
Dirigindo em direção a uma floricultura, Emma se lembrou daquela noite.
“Desde que encontrara o filho de Regina no parque, elas eram amigas. Emma ligava sempre que tinha uma folga na delegacia para saber do garoto.
No começo, era só para verificar Henry, mas depois de muitas conversas, Emma ligava para saber de Regina também. E vice-versa. Assim, os telefonemas que antes eram esporádicos, tornaram-se comuns e constantes.
Elas se encontravam para almoçar, para levar o garoto no cinema ou para discutir algum assunto. Emma entendia o quão difícil deveria ser para Regina criar seu filho sozinha. E ainda tentar manter a reputação do pai dele intacta. Pelo menos aos olhos do garoto.
Crescer em lares adotivos e em abrigos não foi o que Emma desejara, mas tinha sido, no mínimo, educativo. E o que ela pudesse fazer por aqueles dois, ela faria.
No entanto, ela não esperava se apaixonar pela mulher forte e determinada que descobriu ser Regina. Apesar de inusitado, Emma sentia que era certo.
Numa tarde, elas combinaram de se encontrar na praça. Havia um parque de diversões na cidade, e elas acharam que seria uma boa ideia levar Henry.
– Onde você quer ir primeiro? — quis saber Regina
– Carrinho de batida!!
– Garoto, você sabe que não tem tamanho pra dirigir, certo? Você vai ter que ir com a sua mãe.
Regina lhe deu um olhar de repreensão.
– Mas é verdade! — sussurrou Emma em sua defesa
– Mamãe vai comigo, mas eu sei dirigir. Você vem também, né?
Emma não estava gostando do rumo da situação. Uma coisa é estar apaixonada por Regina, amar o menino e querer o melhor pra eles. Outra é fazer parte de momentos que só aumentariam tudo o que ela já sentia. Ela pensou por alguns segundos e com um “Emma Swan e suas autoflagelações” na cabeça, ela disse:
– Vamos lá!
Enquanto elas observavam Henry no carrossel, Regina agradecia a Emma por tudo o que ela vinha fazendo. Emma tinha mudado sua vida. Seus sentimentos a respeito dela estavam confusos e conflitantes, e era complicado aceitar que tinha se apaixonado por ela. Regina vinha de uma família tradicional, seu pai até entenderia, mas sua mãe surtaria se soubesse que ela amava outra mulher.
Mas ela já tinha errado uma vez, com Robin. Emma parecia errada, então, se sua lógica estivesse certa, ela era a pessoa certa. Não a mais adequada para os modelos convencionais, mas adequada para ela e para Henry.
– Emma… — disse respirando fundo — Preciso te dizer uma coisa. Eu não sei mais como lidar com isso, e você me conhece, se eu não disser, não consigo deixar pra lá.
– O que aconteceu? Se você disser que vai voltar com o Robin, eu te coloco no chapéu mexicano e nunca mais desligo aquele brinquedo!
Regina riu. Era exatamente por isso que havia se apaixonado por ela. Mesmo se o mundo estivesse desmoronando, Emma faria uma piadinha e Regina se esqueceria de tudo por um momento e riria.
– Jamais! Não existe a menor possibilidade disso acontecer.
– Bom. — Concordou ela, acenando para Henry quando ele passou por elas em seu cavalinho.
– Então, você tem duas opções de resposta. A primeira é fingir que eu não disse nada e a segunda é dizer que há uma possibilidade de ter retribuição.
– Falo logo, Regina! E eu vou responder o que eu quiser, sua mandona!
– Eu… eu… inesperadamente… Eu.. Acho que… — Regina não sabia exatamente como dizer. Seria direta ou colocaria num contexto? Depois que ela dissesse não teria como desfazer. Ela deveria mesmo fazer uma declaração? Mas Emma nunca deu sinais de sentir o mesmo. E se ela prejudicasse a amizade delas? E se isso a afastasse? Não seria melhor deixar acontecer, se fosse para acontecer? Mas ela estava perdendo a cabeça. E não tinha certeza se poderia fingir não sentir nada. Podia?
– Esse suspense está acabando comigo! — cochichou Emma.
– Eu te amo! — disparou Regina num volume alto apenas para que ela a ouvisse.
Emma ficou estática. Regina disse o que ela achava que tinha dito?
Isso, com certeza, era melhor do que ganhar na loteria!
– Eu te choquei, né? Bem, eu não sei exatamente quando aconteceu, mas aconteceu. E eu tenho evitado tantas coisas ultimamente que eu não tive forças para evitar essa, apesar de ter tentado um pouquinho.
Ela deu um sorriso fraco, e Emma esqueceu de mascarar o que sentia.
Um medo de magoar e ser magoada surgiu dentro dela, e seu histórico quase o fez crescer, mas a felicidade por ser correspondida foi maior e apagou tudo.
– Estou sentindo por você, exatamente o que você está sentindo por mim. — garantiu Emma, tentando conter a euforia. Ela se aproximou de Regina e segurou as mãos dela nas suas. — Eu te amo. — sussurrou enquanto a abraçava.
E por hora, isso era o suficiente.”
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– Até que enfim! — reclamou Regina quando ouviu a porta da sala fechar.
Emma consultou o relógio.
– Exagerada! Não faz nem uma hora que eu saí!
– Bem, trabalhar não deu certo. E eu precisava de uma distração um pouco mais eficaz.
– Eu sou uma distração, é? — Emma apoiava os braços na cintura de Regina e tentou gracejar.
– Uma das boas.
– Com certeza eu sou — concordou. — Mas vamos, eu tenho uma surpresa. — e puxou ela pela mão para fora de casa
– E por quê?
Emma a olhou séria e depois revirou os olhos
– Quem está esquecendo das datas agora?
– Ah, sim. Mas bem, achei que já tínhamos comemorado.
– Sim, mas eu lembrei que naquele dia no parque de diversões você disse que adorava maçãs. E hoje, mais uma vez, você escolheu maçã. Então eu fiquei pensando, nada mais justo do que termos nossas próprias maçãs.
Dizendo isso, ela mostrou duas mudinhas de macieira que ela tinha comprado na floricultura.
– As duas são para maçãs do amor — Regina soltou uma risadinha baixa — vamos plantar uma e a outra vamos plantar quando Henry chegar.
Regina primeiro a abraçou e depois a beijou. Ela queria dizer tanto, mas não havia palavras certas para descrever o que ela sentia. Assim, ela a beijou com carinho e depois com paixão, tentando expressar tudo com aquele beijo.
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Enquanto isso, Henry se via ao lado de Roland numa exposição de carros. Eles amavam carros. Mas Henry já tinha se distraído. O que ele queria agora, era brincar com Emma e com sua mãe.
– Pai? Podemos voltar?
– Mas já está cansado? Você também Roland? — quis saber Robin pegando o menor no colo.
– Não. Mas eu quero ficar com minhas mamães. Hoje é um dia especial e elas vão deixar eu assistir desenho na tvzona.
Robin apenas olhou para o garoto. Com certeza ele não tinha entendido.
– Mamães? Filho, você só tem a Regina de mãe.
– E a Emma! Elas vão brincar comigo. — assegurou inocentemente Henry — Podemos voltar agora?
– Vamos! — chamou Robin — Preciso mesmo conversar com sua mãe.
O que significava aquilo? Regina com Emma?! “Aquela vagabunda perdeu o juízo?”
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