Maybe a Book About My Life

2 Capítulo Segundo: Meus 11 anos.


O primeiro dia de aula sempre foi algo que me encantava muito. Mesmo morando em cidade pequena e vendo todas as pessoas da minha escola durante as férias, principalmente minhas amigas, quando chegava o primeiro dia de aula parecia que não nos víamos há muitos anos e todos se abraçavam e dizendo o quanto um sentia a falta do outro.

Naquele dia 28 de janeiro de 2009 eu só queria ver uma pessoa.

Cheguei na escola às 6:45 como sempre, pois ia de van, escolhi meu lugar no fundo da sala e guardei os lugares da Bea e da Laura, como sempre.

Fui ao banheiro checar o cabelo e quando voltei a Bea estava entrando, ela colocou sua mochila no lugar em que eu havia guardado pra ela na última carteira da fileira do meio, eu sentava na frente dela e a Laura ao seu lado.

Tudo feito, fomos sentar no banco em frente à nossa sala, dava pra ver o portão e quem chegava, várias pessoas iam entrando, mas nunca ele. O relógio bateu 6:55 e a Laura chegou, fez o mesmo com sua mochila e foi se sentar ao nosso lado no banco. Nossa aula começa às 7h e quando o relógio deu 6:57 eu já estava perdendo todas as expectativas de ver o garoto do sétimo ano. Até que três garotos entraram rindo e brincando e passando na nossa frente se dirigiram às escadas.

O sorriso dele era o mais lindo que eu já tinha visto.

Conforme o ano letivo ia passando eu percebia muitas mudanças emocionais acontecendo. Nunca fui uma má aluna, minhas notas sempre eram boas, nunca respondia aos professores.

Nunca chorava sem motivos, nunca me tranquei no meu quarto e nunca chorei escutando músicas o quão alegres fossem.

Mas aquilo estava acontecendo e eu não entendia bem o porquê.

Não era também toda feminina, odiava fazer a unha e o cabelo, odiava até penteá-lo! Minhas amigas estavam ficando mais vaidosas o que me incentivava a ficar também.

Elas começaram a depilar as pernas e a fazer as unhas toda semana, então isso começou a me influenciar também. Como minha tia era cabeleireira e manicure eu sempre pedia para ela escovar meu cabelo e pintar minhas unhas.

Minha vaidade começou a crescer e eu comecei a querer chamar a atenção dos garotos, bom, apenas de um.

Como ele estava na oitava série, nossos recreios nunca eram o mesmo, então eu nunca via ele no meio do dia e como nossos horários de saída também eram diferentes, era raro o dia que o via no fim da aula.

Nessa minha escola havia gincana todo meio do ano. Nós entrávamos de férias no final de junho e já nos três primeiros dias seguintes de julho, nós tínhamos essa gincana.

Nos dividiam em 6 equipes, cada equipe tinham 5 alunos de cada ano. Eu e a Bea tivemos sorte de ficar na mesma equipe, mas quem estava na equipe logo ao nosso lado? Sim, Guilherme.

Estes três dias, foram os dias mais divertidos daquele ano, em que eu ainda me lembro. Os meninos se vestiam de Mamonas Assassinas e os imitavam para ganhar pontos, tinha desfile fashion e desfile brega, tinha desfile com roupas feitas de materiais recicláveis, tinham apresentações de danças de diferentes países (meu grupo pegou Itália e eu dancei).

No final dos dois primeiros dias uma pessoa de cada grupo se juntavam e cantavam músicas para os outros. Essa gincana era o melhor jeito de a escola inteira se juntar. Fiz vários amigos de outras séries por conta dessa gincana, alguns converso até hoje.

No terceiro dia da gincana estavam todos eufóricos.

Neste dia eu estava com muita fome e resolvi comprar um cachorro-quente na cantina da escola, a Laura ficou comigo na fila e nós ficamos conversando até chegar minha vez. Como estava a escola inteira lá, a fila estava enorme, então os garotos mais velhos começaram a furar. Eu estava de boa na minha quando um garoto simplesmente chegou e entrou na minha frente.

Geralmente eu sou uma garota até boba demais e teria até ter deixado passar, mas quando eu fico com fome eu me transformo. Bati meu dedo indicador no ombro do sujeito furador de filas e falei com a minha voz mais calma de todas:

— Dá licença, meu amor, mas se você quiser furar a fila de alguém, fura a da pessoa atrás de mim.

Quando o tal moço se virou, eu quase fiquei sem ar.

— Ah, por favor vai! Não vai fazer diferença se eu furar aqui ou ali atrás. — Disse o Guilherme.

— Então você não vai se incomodar de sair da minha frente. — Disse assim que recuperei meu fôlego.

E essa foi minha primeira e última conversa com ele.

Depois das férias de julho, eu fiquei mais triste ainda, mas apenas sozinha em casa. Quando eu estava com as outras pessoas eu era feliz, uma criança normal.

Não sei bem dizer a sensação que isso traz, mas é estranho conseguir ser duas pessoas diferentes ao mesmo tempo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.