Maybe Someday
6 Capítulo 5 - Sorry Not Sorry
Notas iniciais
Pov — Felicity
Deus me ajude! Apertei o botão do elevador e percebi que já estava apertado. Apesar daquele silêncio constrangedor no elevador, eu só conseguia pensar em chegar em casa. Aliás, quando foi que Evie ficou tão pesada assim? Calma Felicity, você já está no elevador e falta muito pouco pro seu andar chegar e… – fui interrompida de meus pensamentos pelo cara do elevador que pigarreou e disse algo.
— Oi? – falei esperando que ele repetisse o que havia dito.
— Precisa de ajuda? Acho que vamos pro mesmo andar – respondeu enquanto apontava os botões e em seguida para ela – posso ajudar com as bolsas. – levantei a cabeça para encará-lo e me arrependi profundamente depois que percebi como o cara era lindo.
— Oh, hum, claro... obrigada, eu só... – tentei tirar as bolsas para entregar a ele, mas com Evie no colo eu não estava conseguindo mexer meus braços.
— Posso segurar a menina se quiser, ela parece estar pesada. – falou e apesar de não gostar muito da ideia, acabei concordando. Entreguei Evie para ele e tentei organizar melhor as bolsas em meus braços. Logo as portas do elevador se abriram e suspirei aliviada e me voltei pro suposto vizinho erguendo os braços para pegar Evie de volta.
— Muito obrigada mesmo, daqui em diante eu me viro. – mas ela simplesmente não quis sair de seus braços – Evie, querida, venha para mamãe, precisamos ir para casa. – depois de finalmente tê-la comigo, agradeci e entrei sem ao menos olhar pra trás.
….xx….
A semana passou rápido e aos poucos íamos nos acostumando com a nova rotina. Já era segunda e eu precisava procurar uma escolinha para Evie, então, depois de pesquisar algumas na internet, resolvi levá-la para que conhecesse as opções.
— Essa é a mais legal, mamãe! – comentou Evie na nossa quarta opção de escola. No geral era mesmo uma boa instituição e a simpatia dos funcionários também me cativaram. Estávamos conhecendo as salas de aula quando Evie avistou um parquinho e perguntou se podia brincar um pouco.
Enquanto observava Evie brincar, pensei em como minha pequena estava crescendo rápido… Mas saí dos meus devaneios quando a diretora veio caminhando em minha direção.
— Olá Sra Smoak! É um prazer tê-las aqui conosco. Sou Lyla, a diretora.
— Oh, obrigada, mas sem formalidades, pode me chamar de Felicity – respondi com um sorriso – Estou muito encantada com a escola… minha filha então... – apontei para Evie que ria enquanto pulava no pula-pula.
— Fico muito feliz que tenham gostado, Sra Sm… Felicity – ela disse rindo. Conversamos mais um pouco sobre o funcionamento da escola e decidi fazer a matrícula de Evie ali mesmo.
Depois de fazermos um lanche, fomos para casa e Evie acabou adormecendo. Ainda era cedo, então aproveitei para arrumar umas coisas na casa e percebi que estávamos desabastecidas, mas quando pensei em acordar Evie para irmos ao supermercado, o interfone tocou.
— Ok Seu Júlio, pode deixar subir. Obrigada! – Depois de não muito tempo ouvi batidas na porta.
— Oi Barry! Por que não avisou que vinha? Estava saindo agora pra fazer umas compras, e… Evie dormiu, estava indo acordá-la agora e… – Barry me olhava de um jeito engraçado e eu percebi que estava tagarelando.
— Oi Felicity, pelo jeito as coisas não mudaram muito. – respondeu rindo enquanto entrava – Não precisa se preocupar, só vim pra você assinar os papéis da empresa.
— Eu sei, só estava um pouco agitada arrumando as coisas e notei que preciso ir ao mercado, mas aí você chegou e… – até que uma ideia me surgiu em mente – E.. Bem… Você precisa ir embora agora, agora? Se importa de tomar conta de Evie? Não vou demorar, prometo! – disse cruzando os dedos pra que ele aceitasse.
— Que pergunta, Felicity! Claro, pode ir lá. Estou mesmo precisando descansar um pouco, preciso voltar ainda hoje pra Central City com esses documentos.
— Muuuuito obrigada, Barry. Evie está dormindo, mas se acordar vai amar te ver aqui. Estou indo e assim que voltar assino os…
— Mamãe? – Evie resmungou, mas logo se animou quando viu que Barry também estava ali e correu até ele lhe dando um abraço. – Tio Barryyyyyyy!!!
— Oi princesa, que saudades! O troféu de melhor abraço do mundo com certeza é seu!! – Barry disse enquanto a abraçava e tentava fazer cócegas ao mesmo tempo.
— Acho que vocês vão ficar muito bem sem mim, não é? Tô indo ali rapidinho, não canse tanto o tio Barry, filha.. – os dois estavam entretidos juntos mas vi quando ele acenou confirmando que estava tudo bem. Enquanto eles se divertiam juntos me apressei pra conseguir ir ao mercado 24 horas que havia ali perto.
Apesar do tempo apertado, consegui comprar praticamente tudo o que precisava e voltei correndo pra casa. Barry, o encantador de crianças conseguiu fazer Evie cansar de tanto brincar e depois de comer um pouco, ela dormiu novamente. Assinei toda a papelada, ele voltou para Central City e então pude finalmente me dar o luxo de descansar.
~ no dia seguinte ~
Ah, como é bom dormir… Queria que a rotina fosse mais fácil, sabe? Imagina só? Já acordar preparada, maquiada, disposta e pronta pra encarar mais um dia lindo? Seria tudo! Juro que não reclamaria de mais nada se essa fosse minha realidade mas…
— AI MEU DEUS! – abro os olhos desesperada depois de me perder em meus pensamentos para encarar a dura realidade de que EU ESTOU ATRASADA.
Depois de me arrumar correndo, obviamente não deu tempo de tomar café, então resolvi que poderia dar um jeito nisso depois. Deixei Evie na escola e dei minha vida pra chegar a tempo na QC, nós precisávamos dessa parceria.
— Tá, vamos manter a calma, vai dar tudo certo Felicity, mentaliza coisas boas, respira 1, 2, 3… – tagarelei comigo mesma enquanto estava quase entrando na QC quando ouço um estrondo e sinto um impacto dentro do carro – Só pode ser brincadeira! – resmunguei furiosa quando percebi que algum idiota tinha batido no meu carro.
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Pov — Oliver
— Mãe, eu já sei que falta pouco pra firmarmos a aliança com aquela empresa de Central City…. Mas….. Ainda não…. Não, eu não sabia disso. Ok, assim que eu tiver uma resposta aviso. Tchau. – desliguei o telefone e esfreguei os olhos cansado.
Não faz muito tempo que assumi o posto de CEO da QC e já não aguento mais toda pressão que colocam em cima de mim de que tudo deve ser perfeito. Sinceramente? As coisas quando entrei não estavam tão boas assim como diziam estar, e fazer acordo era cada vez mais difícil depois que o nome do meu pai foi mencionado em algumas das suas milhares falcatruas. E agora, a ligação da minha mãe me caiu como uma bomba. Não tem como esse dia ficar pior.
Depois de alguns suspiros, tentei me concentrar no que vinha pela frente, a tal parceria que iríamos fechar. Já estava estacionando em frente à QC, quando resolvi checar algumas mensagens antes de sair do carro e ouvi um estrondo. O tipo de som que faz você travar por um segundo antes de se dar conta do estrago.
— Não... não, não, não... – murmurei virando em direção ao barulho.
Na minha frente, um carro vermelho agora tinha a traseira levemente amassada. E a parte da frente do meu carro? Nem quero comentar.
— Ótimo. Era só o que me faltava.. parece que sim, tem como o dia piorar. – soltei um suspiro irritado, indo até o outro veículo. Me aproximei, esperando encontrar alguém surtando, e com certa razão.
Quando a porta do carro se abriu, vi uma mulher saltar, o olhar pegando fogo. Cabelo um pouco bagunçado, blusa meio torta como se tivesse vestido correndo... mas nada disso me preparou pro momento em que ela levantou a cabeça e nossos olhos se encontraram.
— Você?! – dissemos praticamente ao mesmo tempo.
Era a mulher do elevador. Aquela com a menininha adorável. Aquela que parecia determinada a não me notar, apesar da tensão visível. Agora, parecia prestes a me matar com o olhar.
— Você bateu no meu carro! – ela exclamou, colocando as mãos na cintura.
— Tecnicamente... foi um leve encostão. – respondi, tentando aliviar o tom. Péssima ideia.
— Leve encostão? Tem um farol pendurado aqui!
Tentei disfarçar o nervosismo com um sorriso simpático – que claramente só piorou a situação.
— Eu... estava distraído. Me desculpa. Eu me responsabilizo por tudo, claro. Posso chamar um guincho, ou te levar onde precisar… – Ela me olhou com a típica expressão de quem avalia se vale a pena responder ou apenas virar as costas.
— Olha, eu realmente não tenho tempo pra isso agora. Já tô atrasada, não tomei café, e ainda tive que deixar minha filha na escola correndo. A parceria que vim tentar fechar é importante e...
— Parceria? – interrompi, surpreso. – Você é da Palmer Tech?
Ela me encarou, agora mais confusa do que irritada.
— Como sabe disso?
— Sou o CEO da QC. – falei, e o silêncio que seguiu foi quase cômico. – Então... acho que nosso dia acabou de ficar bem mais interessante.
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Pov — Felicity
Eu mal tinha dormido, estava atrasada, com o estômago vazio e agora isso. Senti meu coração acelerar e fiz um esforço quase sobrenatural para não gritar com ele. Foi então que ele soltou a bomba:
— Sou o CEO da QC. – Ah, claro. Porque tudo o que eu precisava era descobrir que meu carro foi alvejado pelo responsável direto por aprovar (ou não) o projeto que eu vim apresentar.
— É sério isso? – perguntei, já rindo de puro desespero.
Ele confirmou. Óbvio que confirmou. Suspirei, tentando não deixar a frustração transbordar. Me concentrei no essencial: não surtar. Ainda.
— Tudo bem. Depois a gente resolve esse leve encostão, pode ser? Agora, se me der licença…
— Felicity, certo? – me interrompe, e eu concordo com a cabeça – Prazer! Oliver Queen! – estendeu a mão, e apesar da minha vontade de ignorar, apertei de volta, porque educação ainda existia no meu vocabulário. Às vezes.
— Muito bem, Sr. Queen.. vamos fingir que essa manhã não começou com o pé esquerdo?
— Eu estava justamente pensando em virar o jogo… Quem sabe um café no fim da reunião? – Revirei os olhos e ri, meio sem acreditar na cara de pau dele. Não respondi. Entreguei a chave do carro pro manobrista e entrei na QC. Mas talvez no fundo.. bem no fundo.. uma parte de mim achou ele surpreendentemente encantador. E isso era um problema.
~ reunião ~
Me ajeitei na cadeira, tentando parecer absolutamente no controle da situação. Barry me mandou mensagem avisando que tudo tinha dado certo com os documentos, então agora só dependia de mim. Olhei em volta e me surpreendi com o tamanho da sala. O tipo de ambiente feito para intimidar qualquer um. A sala de reuniões era ampla, moderna e... fria. Aquelas paredes de vidro e a mesa enorme davam um ar de seriedade que contrastava fortemente com meu humor caótico do momento.
Enquanto os outros representantes da equipe chegavam, ele já estava sentado na cabeceira da mesa. Postura impecável, terno alinhado, a expressão mais calma do que deveria estar depois de ter batido no carro de uma mulher antes das 9 da manhã.
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Pov — Oliver
Minha manhã já tinha começado mal antes mesmo do sol nascer. Reuniões acumuladas, pressões de acionistas e minha mãe ligando de hora em hora como se eu fosse esquecer que a empresa dela depende da minha. A última coisa que eu esperava era bater em um carro no estacionamento da própria empresa.
Mas mais surpreendente que isso foi descobrir quem estava dentro do carro.
Felicity.
A vida tem um senso de ironia impressionante.
Agora, na sala de reuniões, eu tentava manter a expressão neutra enquanto ela falava com confiança sobre os projetos da Palmer Tech. Eu devia estar ouvindo cada palavra — e, tecnicamente, estava. Mas outra parte de mim só conseguia pensar em como a manhã tinha virado um adorável caos.
— … E com a integração dos sistemas propostos, a economia de recursos pode ultrapassar 20% nos primeiros seis meses. – Felicity concluiu, olhando diretamente para mim. Assenti, tentando parecer mais CEO e menos... distraído.
— É uma projeção ousada, mas gostei da forma como estruturaram a proposta. Vamos discutir os ajustes finais, e acredito que podemos avançar com a parceria.
Ela assentiu, um brilho de alívio passando rápido por seus olhos antes de recuperar o profissionalismo. Ela era boa. Muito boa. E, aparentemente, não tão fácil de impressionar. Um desafio.
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