Maybe

2 Primeiro dia


Notas iniciais
Esse capítulo se passa 4 meses antes do prólogo xx Ella

Aquele provavelmente era o despertador mais irritante que já existiu.

Me arrastei para fora da cama desejando de todo o coração que o mês de Junho voltasse e as férias juntamente com ele, mas infelizmente os meses e as horas não cediam à minha vontade. A primeira coisa que pensei naquele dia quando me olhei no espelho foi "que tipo de merda eu faço enquanto durmo para ficar com essa cara?".

Comecei o meu ritual da manhã, banho, cabelo, dentes, uniforme, maquiagem, sapato e finalmente o café, eu estava morrendo de fome, o recesso tinha com certeza desregulado as minhas horas de refeição, talvez eu ainda sentisse muita fome de manhã por uns dias. Desci as escadas.

O nosso apartamento tem dois andares e é como uma casa, só que no alto de um prédio e em vez de usar chaves para entrar nós temos cartões magnéticos, que passamos no leitor do elevador para nos mandar para o nosso andar. Quando sentei e comecei a me servir um suco, meu pai, que já estava a mesa lendo um jornal, disse:

– Bom dia para você também Catherine.

– Que irônico, você me desejar um bom dia e me mandar para escola — respondi franzindo o nariz.

– De bom humor tão cedo? — Minha mãe sempre com as roupas de promotora séria se juntou a nós e continuou sem me dar a chance de responder — Onde está o seu irmão?

– Cuidando do que ele faz de melhor: se atrasar — Luke sempre acordava mais tarde do que deveria, tomava banho na velocidade de um quelônio e tinha que engolir o café da manhã no caminho para não levar uma anotação por atraso todos os dias.

Então papai e mamãe começaram a discutir sobre uma coisa sem qualquer interesse da minha parte, economia e blá blá blá. Ouvi o barulho do elevador, provavelmente era Teresa, nossa amada empregada, ela era como da família, cuidou de mim e do Luke desde sempre e faz a melhor comida do mundo. Tive certeza que era ela quando uma bola de pelos branca veio correndo em direção dos meus pés, Luna, a West Highland White Terrier mais amada e cuidada de New York, Teresa geralmente preparava o café da manhã e depois levava Luna para uma caminhada para as necessidades matinais. Acariciei a cabeça dela. Teresa apareceu e cumprimentou a todos com o sorriso amável que só ela tem, com 48 anos, pele cor de âmbar e cabelos negros, ela era bonita, viúva e mãe de dois filhos crescidos.

– Teresa, você pode verificar tudo na semana que vem? Fazer um extra no final de semana? Uns amigos nossos vão se casar e vamos passar a semana fora. — Meu pai olhou para ela esperançoso, mas ela não sabe dizer não para ele então assentiu.

– Claro, ninguém vai ficar feliz se a dupla dinâmica acabar com o apartamento.

Murmurei algo sobre "dupla dinâmica", então Luke resolveu aparecer tropeçando nos próprios pés.

– Quem vai casar?

– Vocês não conhecem, amigos do tempo de faculdade — pelo jeito com que mamãe disse isso, percebi que eram pessoas que ela não gostava, mas precisava lidar.

– Já vou indo — anunciei.

– Eu vou com você, espera só eu... — Luke se interrompeu enquanto colocava uma maçã na boca e pegava uma xícara de achocolatado, um marica que não gostava de café. Revirei os olhos e fui andando até o elevador.

O primeiro dia de aula é sempre uma droga na academia St. Luis, duas horas de orientação sobre as regras escolares que todos adoravam quebrar e apresentação das eletivas, desnecessário já que todos recebiam um folheto com o conteúdo depois.

– Pegou o mesmo armário? — perguntou Rebecca, ela tinha acabado de chegar e estava se jogando na cadeira ao meu lado no auditório. O lugar era grande com um aspecto redondo, fileiras de cadeiras acolchoadas e um palco ao fundo.

– Pegamos os mesmos armários há anos, Becca.

– Agora que o filho do Sr. Madison vai assumir a direção, talvez as coisas mudassem — ela deu de ombros.

Sr. Madison pai, que resolveu se aposentar um pouco cedo se quer saber, colocou o filho dele na direção da escola, talvez para o cara ter algo para fazer, e lá estava o Sr. Madison filho falando algo posicionado no palco. Umas coisas sobre o Sr. Madison filho: ele era gato, tinha uma voz encantadora, se vestia muito bem e era casado. Não que eu pudesse ter algo com o meu diretor de 27 anos, não mesmo, mas fica bem mais fácil sonhar sem uma esposa na história.

Quando fomos liberados e finalmente conseguimos sair, já estava abarrotado de gente nos corredores se acotovelando e rindo, não fazia ideia de onde as pessoas tiravam tanta energia de manhã, definitivamente eu não era alguém matinal e Rebecca sabia disso, então caminhávamos em silêncio.

Meu irmão participava do time de futebol americano da escola o que fazia de mim automaticamente alguém e Rebecca é minha melhor amiga então ela também tomava parte. Todos sabiam nossos nomes, alguns eram nossos amigos, outros nos odiavam e uma parte queria ser como nós, não que eu ligasse para algo assim.

– Onde você se meteu?

– Eu estava sentado um pouco atrás, não tinha espaço perto de vocês — Peter respondeu Becca colocando o braço nos ombros dela. Fora os caras do time e as namoradas deles, Peter era o nosso único amigo que não fazia parte da categoria, não excluímos as pessoas nem nada do tipo, elas que nos colocam em um pedestal tão alto que ficam com medo de alcançar, idiotas — O que tem agora no horário do vocês?

– Inglês — fiz uma careta — porque começar o ano letivo com a professora que mais te odeia é o sonho de toda garota.

Eles riram e ele comentou algo sobre ser melhor do que começar com cálculo, como no caso dele.

A aula passou como um borrão, adolescentes sendo adolescentes, professores tagarelas e a maioria pegando no meu pé. Meus professores tem uma séria dificuldade em aceitar a minha indiferença e falta de interesse, que de um jeito anormal acompanham boas notas. Não que eu seja um tipo de prodígio nem nada, só aprendo mais rápido que a maioria, o que irrita grande parte da população. Exceto com física, não existe matéria mais sombria que essa, nada faz o mínimo sentido.

O refeitório da St. Luis era amplo e cheio de bonitas mesas de madeira espalhadas, o lugar tinha um ar meio rústico e eu adorava isso. Diferente da maioria, a escola servia comida boa e deliciosa, me coloquei na fila da cantina procurando Rebecca no mar de pessoas até que ela se colocou ao meu lado e não estava sozinha.

– Hey! — o garoto que vinha ao lado dela só poderia ser descrito como: gato, muito gato — Ah, Catherine esse é o Henry, Henry, Catherine.

– Oi — ele esticou a mão, demorei um tempo para corresponder.

– Oi, — as mãos dele eram macias, não como mãos de mulher, mas macias — bem-vindo ao inferno.

Ele pareceu um tanto desconcertado, mas passou rápido. Rebecca começou a falar sobre como tinham sido as aulas que não teve comigo e como conheceu o garoto Henry. Aparentemente as aulas dela foram tão chatas quanto as minhas e Henry tinha sentado na sua frente no horário de economia, depois de terminarem o exercício passado ela foi logo fazendo uma nova amizade. Diferente de mim, Becca tinha facilidade em se relacionar com qualquer um e era sempre agradável bater um papo com ela, o charme dos cabelos loiros e o rostinho de anjo também arrecadavam pontos. Talvez os únicos amigos que tenho que não são trabalho de Rebecca são ela mesma e Peter.

Depois de pegar algo para comer, arranjamos uma mesa que logo ficou cheia de conhecidos. Você passa três meses longe da escola e a sua mesa continua preenchida com as mesmas pessoas, é a lei natural da vida.

– Você provavelmente vai morrer hipertensa, com o colesterol alto e diabética se continuar comendo assim, Cat — Rebecca sempre tentava reeducar a minha alimentação, perda de tempo.

– Morro feliz depois de comer todo hambúrguer que puder — era o que eu almoçava quase todos os dias — olha só para Marian, — apontei para nossa amiga sentada ao lado — tem que viver de comida de coelho para continuar na equipe de torcida, vai morrer pensando nos meus hambúrgueres.

– Ei! Nem todos são geneticamente favorecidos como você Cat, você come um boi e continua gostosa, mas aposto que comeria salada se começasse a inchar — pobre Marian.

– Não, ela não aguentaria — e Peter tinha toda a razão.

– Será que podemos parar de falar de mim e prestar atenção no garoto novo, eu não sei nada sobre ele e ele está sentado na nossa mesa — Henry ficou um tanto corado.

– Claro, nos certificar de que ele não é um estuprador ou nada do tipo — Peter estava rindo, ele estava citando algo que eu disse no dia que o conheci, mas Henry não entendeu a piada e corou mais ainda.

– Não, eu não sou nada do tipo — ao menos ele estava sorrindo.

– Deixem ele em paz — disse Becca, mas ela estava sorrindo também.

– Então, qual é a sua? — perguntou Peter.

Depois do intervalo eu sabia algumas coisas sobre Henry: ele tinha acabado de se mudar, era californiano, queria entrar para o time desse ano, ele colocava condimento no sanduíche o que era nojento e tinha um sorriso que fazia com que o meu estômago fizesse algo estranho.

Notas finais
E então? Ficou bom? Comentários? Sugestões? Talvez eu poste o próximo capítulo semana que vem. xx Ella