May flower - Holiday
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura.
Hermione soprou mais uma vez a bendita mecha de cabelo que teimava cair em seus olhos.
Estava impaciente e tinha certeza que quem a visse diria que ela estava em uma típica pose de criança mimada: emburrada, braços cruzados e bufando a cada poucos segundos.
Mas não havia ninguém para vê-la daquela forma já que todos estavam aproveitando o Spring Bank Holiday em suas casas, inclusive seus amigos que estavam n'A Toca curtindo o feriado.
Ela ouviu então o tinir do metal batendo contra o vidro e lembrou-se que não estava sozinha, afinal ele, o motivo por estar perdendo o lindo dia ensolarado que passaria nos Jardins de Kew com seus pais estava ali: Draco Malfoy.
— Mas será possível que você não consegue limpar um único troféu sem antes bate-lo na vidraçaria? — ela falou irritada.
— Desculpe monitora Granger eu nunca precisei limpar nada na minha vida, Dobby que fazia esse tipo de serviço. — ele respondeu em um tom que deixava claro que mencionara o elfo recém-liberto para provoca-la por causa do F.A.L.E. — Além disso, se queria aproveitar o feriado não devia ter me entregado para a MacGonagall.
— Você azarou a vassoura do Harry antes do jogo, podia tê-lo ferido gravemente, você foi muito inconsequente, não que eu ache que essa palavra faça algum sentido para você. — ela rebateu irritada. — Sua sorte foi Snape ter intercedido por você ou teria pego uma suspensão.
— E eu estaria aproveitando o feriado em vez de estar ouvindo você bufar a cada momento tornando a eficiência desse castigo duas vezes maior. Preciso falar seriamente com ele por causa disso.
— Deixe de ser tão preguiçoso e limpe logo para irmos para os dormitórios.
— Se não queria estar aqui por que está?
— Foi um pedido da MacGonagall já que os monitores da sonserina não aplicariam o castigo como deve ser feito e Rony não consegue ficar a menos de dez metros de você sem querer soca-lo pelo que fez.
— Se o critério era soco ela devia rever seus conceitos sobre deixar você para aplicar o castigo.
Hermione ficou ainda mais furiosa ao ser acusada de ser destemperada ou parcial, mesmo sabendo que fiapos desses traços faziam parte de sua personalidade quando se tratava do rapaz.
— Pelo amor de deus Malfoy apenas termine isso.
— Eu estou tentando, só falta aquele último troféu, mas nenhum feitiço convocatório consegue tirá-lo de lá. – ele explicou apontando para a prateleira alta, que mesmo Malfoy, que havia crescido tanto nos últimos anos, não conseguia alcançar.
— Eles são enfeitiçados para não serem roubados, a sala inteira é a prova de magia aliás, vamos ter que buscar uma escada na sala do Filch.
— Mas isso vai demorar uma vida, você vai ter que me ajudar. – ele falou soltando o pano no chão depois de colocar o penúltimo troféu a ser limpo no seu devido lugar.
— Eu não, pegar essa escada é problema seu. – respondeu a garota escorando ainda mais na parede como que para indicar que dali não sairia de forma alguma.
— Quanto mais cedo terminarmos isso, mais rápido podemos nos livrar um do outro – e quando percebeu que a garota não tinha contra-argumentos ao que dizia prosseguiu. — Então suba nos meus ombros e pegue o maldito troféu de xadrez de bruxo e amaldiçoada seja Suzanne Worllen por tê-lo conseguido para ficar fazendo outros alunos limparem-no. – terminou de forma atropelada e que soou estranho aos ouvidos da garota.
— Malfoy se isso for uma pegadinha, eu juro que...
— Vamos Granger eu não mordo, pelo menos não você. – respondeu com um sorriso debochado.
Hermione encaminhou-se até o loiro e ergueu levemente a barra da saia.
O garoto revirou os olhos ao ato.
— Sabe que vai ter que levantar mais do que isso para subir nos meus ombros. — ele falou de forma indiferente virando-se de costas para ela e agachando em frente a estante sem sequer olha-la. — Suba logo.
Hermione aproximou-se e levantou mais a barra até descobrir toda a perna e expor boa parte da coxa (desejando intensamente que tivesse colocado meias compridas naquela manhã) e passou uma delas por sobre o ombro do garoto. Ele segurou o joelho dela com a mão pálida e sedosa.
— Tem certeza de que me aguenta? — ela perguntou enquanto encaixava a outra perna fazendo com que ela colasse ao rapaz. Sentia-se desconfortável e corada nessa posição indevida e rezava para que ninguém dos poucos que ficaram na escola passasse pelo corredor para ver uma cena dessas.
— Se você não for mais pesada do que parece. — ele falou começando a levantar-se.
— Ou você mais fraco do que parece.
Ele bufou e ela riu vitoriosa.
Quando ele finalmente ficou em pé a garota conseguiu ver o dito troféu, estava no fundo da prateleira e coberto de pó, ela poderia apostar que ninguém em nenhuma detenção limpava-o.
Ela sentiu-se escorregando para trás até que Draco apertou firme suas coxas para segurá-la e Hermione se assustou.
— Anda logo Granger, você não é exatamente leve. — Draco falou.
Ela resolveu ignorar o que ele havia dito, assim como a sensação estranha, mas prazerosa que as mãos dele causavam em sua pele com sua delicadeza. Ela devia estar carente demais e esse pensamento a fez ficar novamente vermelha.
Ela esticou o braço para pegá-lo e quando o trouxe para perto de si havia uma aranha enorme dentro da taça que agitou-se ao ver seu lar invadido dessa forma.
No ímpeto de afasta-la ela curvou o corpo para trás e não houve meio de Draco segurá-la, ambos foram ao chão em um baque surod acompanhado pelo tinir do troféu.
O garoto arrastou-se para o lado livrando-se das pernas da garota que o envolviam, gemendo de dor no corpo pela batida.
O troféu estava amassado e caído em um canto da sala com sua aranha moradora correndo para o vão entre as estantes.
— Tudo isso por causa de uma aranha Granger? — ele gemeu sentindo o corpo estalando pelo baque.
Mas a menina não respondeu, apenas gemeu e rolou para o lado debilmente.
De onde estava, Draco podia apenas ver as pernas da garota, mas não seu rosto. Ele então levantou-se e se aproximou dela meio que arrastando-se no andar e então percebeu que uma mancha vermelha tingia a parte de trás de seus volumosos cabelos, transformando os cachos castanhos em fios de bronze ondulados.
— Droga Granger! — ele falou levantando a cabeça da garota o mais delicadamente possível e apoiando-a em seu colo desesperado. — Sua estúpida como pôde fazer isso?
— Vá se ferrar Malfoy. — ela falou abrindo levemente os olhos enquanto os lábios faziam um grande esforço para materializar o que sua cabeça latejante formulava.
Draco deixou um suspiro de alívio escapar de seus lábios assim que ela conseguiu proferir o xingamento.
— Você foi muito idiota, vou ter que arrastar seu cadáver semimorto até a ala hospitalar.
— Se é cadáver, não pode ser semimorto, não seja burro. E por que você faria isso por mim? Você é um sonserino esnobe e eu a nascida-trouxa que te colocou de castigo. — ela perguntou num sussurro agora quase perdendo a consciência.
Draco pegou o rosto dela entre as mãos sentindo a suavidade da pele daquele rosto e também o frescor que só seriam processados e lembrados horas depois daquele momento.
— Não durma! Fique acordada, por favor.
Ela abriu os olhos talvez pelo susto que o pedido gentil causou e ele levantou-se sentindo cada músculo de seu dorso protestar com a atitude abrupta.
Arrumou Hermione em suas costas da melhor forma que conseguiu e começou a arrastar-se novamente só que agora para fora da sala.
— Por quê? — repetiu a menina.
Draco pensou em ignorar a pergunta, mas sabia que em casos de acidente em que alguém fere a cabeça era importante mantê-la acordada e o mais lúcida possível, eles precisavam conversar, mesmo que o tema da conversa fosse algo que ele não gostaria de esclarecer para ela.
— Porque foi minha culpa você estar aqui. — ele respondeu descendo o primeiro degrau com cuidado, se caíssem ali seria paralisia ou morte na certa depois de rolar vários andares nas escadas.
— Você não me obrigou a estar aqui. — ela enfatizou apoiando o rosto na clavícula dele, fazendo-o sentir o calor que irradiava da face da garota agora.
— Obriguei, eu sabia que me pegaria azarando a vassoura do Potter, sabia que ficaria de castigo nesse feriado de merda sobre flores que eu não dou a mínima e sabia que por ser a boa samaritana que é, você aceitaria aplicar meu castigo apenas para permitir que a “justiça” fosse feita e seus amiguinhos não perdessem a oportunidade de ir àquele lugar que os Weasleys chamam de casa.
— Quer dizer que escolheu passar seu feriado trancado comigo na escola? — ela falou mole e confusa, deixando ele impressionado pelo falo que ela ainda ligava e entendia as informações que ele fornecia.
Um longo silêncio instalou-se e ouvia-se apenas o som dos passos do loiro pelo castelo vazio. Se Hermione estivesse mais consciente talvez também notasse o quanto o coração do rapaz estava acelerado e isso em nada tinha a ver com o esforço que fazia para leva-la o mais rapidamente possível para a enfermaria.
— Vou morrer antes de admitir isso na frente de outra pessoa, mas sim. Viu como os sonserinos são perspicazes?- ele falou por fim quando chegaram ao térreo.
— Mas eu não entendo...
— Nem eu, então acho que você não precisa entender. — ele falou já virando no corredor da enfermaria.
Mesmo sem olhar para trás sabia que Hermione estava fazendo cara de indignação apenas pelo som do muxoxo que ela soltou.
— Por que me trouxe até aqui sem magia? Podia ter usado a levitação depois que saímos da sala. – ela perguntou depois de outro longo silêncio.
Draco usou o braço esquerdo então para segurar o mais firme que conseguia as duas pernas da menina e então com a mão direita bateu na porta antes de responder baixinho, como o sussurro que o vento fazia nas flores daquela manhã primaveril:
— Porque essa foi a única e última oportunidade de te ter tão perto sem que você sentisse ódio de mim.
A porta abriu e Madame Pomfrey apareceu já com varinha empunhada impedindo qualquer reposta ou pergunta que se formava na mente letárgica da menina.
— O que houve? — perguntou a mulher com um tom de voz que carregava todo seu autoritarismo profissional.
— Ela bateu a cabeça e está sangrando. Mova-se faça logo algo por ela. – falou o loiro ríspido com um tom totalmente oposto ao tom dócil que usara no momento anterior.
A mulher içou Hermione por magia ignorando a ordem malcriada do rapaz.
Antes que a porta fechasse Draco pôde ver nos olhos castanhos de Hermione a inconsciência espreitando, a confusão que suas palavras causaram e algo mais que ele não soube identificar.
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