May We Meet Again

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Quinto dia da ZoSan Week

XD XD

Temas: Childhood, reencarnação e costas.

Como de costume, aquele era outro dia que o loiro convencido estava em sua casa. Ele e seu pai tinham vindo para o almoço de domingo no qual Zeff e o encaracolado prepararam uma refeição digna de um banquete. Igual ambos deveriam fazer no restaurante deles. Agora, os dois e seu pai, Mihawk, estavam sentados na sala conversando enquanto ele terminava de lavar as louças. Esse era o único ponto ruim de quando eles faziam o almoço, os loiros sempre usavam todas as louças do armário nos preparos saborosos e ficava tudo para ele limpar, já que sua irmã sempre sumia nessas horas.

Não era novidade ver Zeff e seu pai conversando tão casualmente como estavam. Ambos já se conheciam a muitos anos e tinham se aproximado, obviamente, devido a ele e o loiro que não se desgrudavam desde a pré-escola. Naquela época, com seis ou sete anos, ele e o loiro brigavam apenas de ver o rosto um do outro quando chegavam na sala de aula. As professoras sempre reclamavam para os pais deles de como os dois implicavam um com o outro. Mas todos os dias, mesmo com tantas desavenças a versão pequena e remelenta deles sempre acabavam de mãos dadas, enquanto os rostos de ambos sempre viraram para o lado oposto, como se aquele gesto fosse suficiente para fingir que não estavam unidos daquela forma.

Bom, mas nem dava para comparar aquilo com eles atualmente, com eles de 21 anos. Se antes podiam usar desculpas de serem apenas crianças, não podiam mais fazer isso quando os dois obviamente estavam juntos bem mais do que só como amigos. O que já era vergonhoso demais só de pensar. Felizmente, a entrada enérgica de sua irmã mais velha na sala de estar interrompeu seus pensamentos.

— Pai – a jovem mulher de cabelos rosas chamou se aproximando dos homens que conversavam na sala. – Eu achei uma coisa bem interessante, vamos ver todos juntos?

— Interessante? O que é, Perona?

— Fotos – ela cantarolou toda animada.

— Os álbuns da família não estava no sótão?

— Não, pai, não são os álbuns, são fotos do feioso do meu irmão.

— Perona, não o chame assim!

— O quê? Para de falar besteiras, sua maluca, que fotos minhas?

— Fotos suas que guardei para te extorquir quando fosse necessário.

— Ora sua... – Zoro mal conseguiu se controlar olhando para a irmã atentada que sempre infernizava sua vida.

— Que fotos Perona-chan, posso ver? – para lhe irritar ainda mais, o loiro idiota entrou na conversa, ficando do lado de sua irmã como sempre, só por ela ser mulher.

— Tsc, você não quer ver nada, cook.

— Quero sim. Perona-chan? – ele olhou para a rosada que lhe estendeu a mão para passar as fotos. Automaticamente atraindo Zoro que tentou pegá-las, o que acabou com ele e ela segurando cada um em um lado dos pequenos papéis coloridos.

— Perona, Zoro, não me façam colocar dois adultos de castigo – a voz de Mihawk soou séria, aquietando a sala. O homem de olhos afiados sequer tinha mudado sua posição ou levantado, apenas dirigiu seus olhos penetrantes aos filhos, congelando as ações deles na mesma hora.

Assim, todos se acalmaram e as fotos acabaram no meio da mesa de centro da sala, com os olhares atentos de todos sobre elas. Como sua irmã irritante tinha dito, eram todas fotos ridículas suas, das quais ele nem sabia a existência e eram principalmente de sua infância. Todos pareciam estar apreciando aquilo, enquanto ele obviamente era o único que queria fazer picadinho de todas aquelas fotos. Mas não era como se aquilo lhe preocupasse muito também, a cara dele deveria ser a mesma em fotos e pessoalmente, qual era a diferença? O problema era ver o loiro idiota todo sorridente olhando àquilo e saber como ouviria piadas sobre isso depois.

— Olha, são todos vocês. Mas... que foto esquisita é essa? – Perona balançou a fotografia na mão apontando para os quatro homens, logo colocando-a no centro da mesa para que todos pudessem vê-la.

A imagem revelada no pequeno papel de superfície brilhante era antiga, certamente da época da pré-escola dele e do loiro, já que ambos pareciam dois pirralhos, com Sanji chorando descontrolado, enquanto a versão mais nova de Zoro que estava sem camisa abraçava o loirinho com um sorriso no rosto. Os pais deles estavam ao lado de seus filhos, Mihawk estava agachado e segurava a pequena camiseta de Zoro na mão, parado atrás dele, enquanto Zeff estava do outro lado, com os olhos no loiro chorão como se tentasse acalmá-lo.

— Vocês eram bem crianças, provavelmente estavam com uns oito anos. Acho que estávamos buscando vocês na escola – Mihawk constatou depois de olhar minunciosamente os detalhes da foto, lembrando que Perona sempre ia junto consigo quando iam buscar o pequeno Zoro.

— É, naquele dia o Sanji derramou água em Zoro e quando você foi trocar a camisa dele, o berinjelinha começou a chorar desesperado por ter visto a marca de nascença nas costas dele – Zeff comentou com um sorriso contido nos lábios, provavelmente imaginando que aquilo só deixaria seu filho irritado de tanta vergonha.

— Tsc, eu era criança, devo ter pensado que machuquei ele – como previsto, o encaracolado retrucou cruzando os braços sobre o peito e desviando o olhar totalmente de sua direção.

Mais tarde, quando todos estavam satisfeitos de verem suas fotos e sua irmã problemática tinha ido costurar um dos mil ursos de pelúcia bizarros que ela confeccionava, Zoro entrou em seu quarto depois finalmente secar e guardar todas as louças. Sem surpresa nenhuma, o loiro já tinha se apossado de sua cama e estava deitado de bruços olhando a foto deles crianças abraçados enquanto um chorava e o outro sorria.

— Oh, marimo – ele falou se virando na cama, só abrindo um espaço minúsculo para Zoro sentar nela quando o esverdeado empurrou as pernas dele com as mãos grandes.

— Ainda não cansou de olhar isso?

— A foto? – ele perguntou levantando as pernas e as jogando sobre seu colo como o convencido irritante que era. — Na verdade, eu me lembro desse dia.

— Sério?

— Sim, você não? – Zoro balançou a cabeça em um mais ou menos, pois só tinha feixes de lembranças do ocorrido. – Você sabe, eu estava tomando água e brigávamos por alguma coisa idiota, então minha garrafa caiu em você, te molhando inteiro, o que me fez o rir já que sua cara estava irritada. Mas nossos pais tinham acabado de chegar e seu pai vendo sua situação foi trocar sua camiseta. Foi a primeira vez que eu vi as marcas de nascença das suas costas. Eu não pensei que tinha te machucado ou coisa assim, só me senti tão triste quando vi que comecei a chorar sem conseguir me controlar. Então, você simplesmente me abraçou.

— Acho que estava tentando te acalmar ou esconder sua cara de chorão para as outras crianças não rirem de você – o provocando, Zoro sorriu de canto quando viu a expressão irritadinha do outro. Eles até podiam estar falando de uma coisa que acontecera anos antes, mas não tinha como ele deixar de ficar competitivo pelo cozinheiro contando vitória de ter jogado água em si.

— Idiota – o loiro disse erguendo as pernas de seu colo por um segundo até lhe chutar e as soltar novamente em suas coxas. – Marimo... você acredita em outras vidas e coisas assim?

— Talvez, quem sabe – falou dando de ombros, não sabia o que aquilo tinha a ver com o assunto, mas também não era de pensar muito nessas coisas.

— Sabe, depois daquele dia que vi suas costas eu tive um sonho bem esquisito e que me deixou sem dormir por alguns dias. Não me lembro muito bem do sonho agora, só de que tinha uma mulher lindíssima de cabelos negros, provavelmente mais velha que nós dois agora.

— Então você sonhava com mulheres até com oito anos? Não sei nem como me surpreendi e não imaginei que o sonho era sobre isso – Zoro falou revirando os olhos, a testa já levemente franzida pelo idiota pervertido falar tanto de mulheres ainda que estivesse naquele tipo de relacionamento consigo.

— Não é isso, marimo. Pelo menos não dessa vez, agora escuta o resto do sonho – Sanji mexeu levemente as pernas sobre as coxas de Zoro, que só o encarou ficando em silêncio. – Então, tinha um homem junto com essa mulher e ambos pareciam estar se escondendo de um tipo de confusão que acontecia ali. E de repente, a mulher saltou na frente do homem que estava com ela, levando três flechadas nas costas no lugar dele. Tudo o que eu lembro com clareza é do homem olhando as manchas vermelhas aparecerem nas costas dela enquanto chorava desamparado e dela estar usando um vestido verde cor de esmeraldas. E quando eu acordei, estava chorando igual aquele cara, me lembrando das suas costas.

Observando o loiro se sentar na cama, Zoro ficou surpreso quando ele o abraçou do nada, no momento seguinte esgueirando as mãos longas para dentro de sua camiseta, tocando diretamente a pele de suas costas, a parte de seu corpo que nunca gostou que alguém tocasse, claro, tirando aquele loiro.

— Se eu for pensar bem, as três marcas mais claras em suas costas estão quase no mesmo lugar que vi no sono. Será que é tudo coincidência?

— Sei lá, cook. Mas, se fosse algo assim, por que seria logo uma lembrança ruim? Não podia ser uma coisa melhor?

— Até que seus neurônios estão funcionando hoje, marimo – Zoro estreitou o olhar para o convencido que ria, parando de alisar as suas costas e pegando a antiga fotografia mais uma vez nas mãos, agora lhe mostrando também. – Mas sabe, você tem razão, afinal, se meu sonho estivesse certo, por que você sorriria desse jeito quando eu estava chorando depois de ver suas costas? É como se só eu ficasse triste, não faz sentido.

Calado, Zoro observou o olhar atento do outro para a fotografia. Os dedos longos deslizando calmamente sobre a versão infantil deles registrada ali como se assim pudesse tocá-los ou sentir melhor aquele momento. Então, ele se focou naquele dia tentando lembrar de algo. Não fazia ideia do que o sonho do loiro queria dizer ou se poderia estar certo, mas lembrou-se de sentir um alívio muito grande quando abraçou o cozinheiro daquela forma gravada na foto.

— Talvez, mas se seu sonho estiver certo, pode ser que a primeira coisa que a mulher sentiria ao reencontrar o homem era um grande alívio por ver que ele tinha ficado bem, e provavelmente ela se sentiria muito feliz – falando sem pensar muito, Zoro nem se surpreendeu ao perceber o olhar espantado do loiro em sua direção.

— Feliz? – ele quis se certificar, como se fosse esquisito pensar algo assim se realmente a situação de seu sonho fosse verdade. Zoro apenas riu de canto e levando a mão grande a pele alva das bochechas do outro, deslizou os dedos ali até chegar no nariz e apertá-lo tentando ser delicado.

— É, cook. Feliz por mesmo em outra vida ter te encontrado novamente.

Notas finais
Obrigada por ler.

SZ
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!