Sai da sala pisando forte de cabeça levantada enquanto todos me fitavam boquiabertos. Entrei em meu ateliê e rapidamente montei minhas telas e coloquei os pinceis e tintas nos lugares em que eu precisava. Sai no corredor e chamei um guarda.

–Por favor, não quero que ninguém me incomode então teria como você ficasse aqui na porta ou pedisse outro guarda para que ninguém entre?

–Claro senhorita.

–Obrigada. Deixe apenas Emily entrar com meu almoço. – sorri e entrei. Comecei a pintar tudo o que estava passando pelo meu coração e minha cabeça. Comecei pintando Matt. Olhos claros, loiro, corpo de soldado, sorridente e aconchegante. Emily trouxe meu almoço, minha mãe veio ver como eu estava mas eu pedi que ela me deixasse terminar as pinturas e como ela sabia como era importante pintar pra mim ela me deixou. Pablo veio mas o guarda não deixou que ele entrasse como eu pedi. Lagrimas rolaram de meus olhos quando estava dando os últimos detalhes no rosto de Matt já anoitecendo. O peso em meu coração era enorme, ele morreu por minha causa, eu havia trago ele para aquele lugar, ele que tinha a obrigação de me proteger e se a bala não o tivesse atingindo seria a mim. Lagrimas e mais lagrimas seguidas de suspiros. Depois desenhei um corpo sangrando no chão. Peguei um bloco de folha e comecei rabiscar algumas palavras. Pai, Pablo, Matt, Amor, Mortes, Esteven, Brigas, sangue, tiros. Tudo o que eu me lembrava daquela noite e tudo que me fazia sofrer. Ranquei as folhas que cotiam uma palavra em cada e espalhei pelo ateliê. Dores explodiam no meu peito e na minha cabeça e no intuído de me livrar da raiva que sentia de Tiago e dos acontecimentos peguei um copo e o quebrei na parede, vasos de plantas, potes de pinceis e outras várias coisas quebráveis e inquebráveis eu arremessei na parede. Por fim nada melhorou, só estava exausta. Me joguei no chamo e me pus a chora encolhida no meio de minhas lembranças representadas em palavras nos papeis. O guarda como eu pedi não me incomodou momento nenhum mas após alguns cinco minutos que eu estava deitada ele se afastou da porta e depois de mais cinco Pablo entrou no quarto. Continuei no chão chorando sem olha-lo.

–May, o... o que aconteceu aqui? Você está bem? – ele se ajoelhou do meu lado com os olhos carregados de preocupação.

–Me deixe sozinha, não se preocupe comigo não quero ser mais um fardo pra você carregar. Estou bem sozinha, não precisa se casar comigo só porque me trouxe pra cá e eu passei por tudo isso. – ele olhou para pintura de Matt e depois para mim e se sentou ao meu lado me puxando para seus braços. — Por favor não faça isso. – eu disse me afastando dele. – Por mais que eu ame seu toque e por mais que ele aqueça meu coração não faça isso. Não venha me consolar e falar que vai ficar tudo bem por que em mim nada está bem. Não fale comigo como se eu fosse uma criança com medo e você viesse me consolar.

–Eu não quero te consolar May, eu não vim dizer que vai ficar tudo bem, eu só quero que você fique bem. Eu quero poder ver você sorri novamente, eu quero poder te dar tudo. Eu poderia tentar buscar a lua e as estrelas se você me pedisse. Eu não quero te deixar anjo, você jamais seria um fardo pra mim carregar. – ele sorriu e esticou os braços esperando que eu fosse o abraçar. – Eu estou aqui pra você. – lê viu que eu não ia abraça-lo então abaixou os braços. – Eu a amo e farei de tudo para que você possa ser feliz de novo se me permitir, o mundo te machucou mas eu não pretendo fazer o mesmo, pretendo te curar e te proteger. Se você quer ficar sozinha tudo bem. – ele se virou de costas e começou andar até a porta.

–Pablo? – eu chamei e ele se virou para me olhar. Um brilho atravessou os seus olhos e eu corri para abraçá-lo. Me joguei em seus braços e ele me abraçou como se pretendesse me proteger do mundo. – Eu também te amo. Não quero que me deixe sozinha. Quero ficar aqui, onde eu estou protegida de tudo e de todos, você não precisa fazer muito esforço se estou em seus braços.

–Então vamos te manter neles. – ele sorriu e beijou o topo de minha cabeça. Ficamos ali alguns minutos mas ele afrouxou os braços e começou a nos levantar. – Tenho uma surpresa pra você. – ele disse e sorriu. – Você tem que jantar, tomar um banho e descaçar. – começamos a andar em direção ao meu quarto quando vimos a mãe de Pablo. Ela me olhou como se tivesse pena e ao mesmo tempo gostasse de me ver em ruinas. – Mãe. – Pablo olhou feio para ela que passou direto por nos. – Vou chamar Emily pra você e assim que você estiver feito tudo que eu disse peça para ela me chamar. – assenti e entrei em meu quarto. Depois de ter feito tudo que Pablo disse me deitei na cama e pedi que Emily o fosse chamar. Após uns cinco minutos Pablo entrou no quarto e trancou a porta. – Desculpe a demora. – ele sorriu e ficou parado na minha frente em pé.

–Não vai se sentar? – ele fez que não com a cabeça e raspou a garganta.

–Eu sei que já fiz isso antes mas vou fazer de novo por causa de todos os acontecimentos e agora eu tenho o anel que mandei fazer. – ele se ajoelhou e pegou minha mão. – Quer se casar comigo? Desta vez não terá nada para atrapalhar eu prometo. – ele ficou me olhando fixamente e eu sorri pulando em seus braços fazendo ele cair de costas no chão. – Acho que isso é um sim. – ele disse rindo.

–Desculpe, claro que e um sim. – eu comecei a rir e o beijar. Ele foi me beijando cada vez mais profundamente e se levantou sem deixar de me beijar. Me pegou no colo e me pôs de costas na cama. Passei a mão nos botões de sua camisa para desbota-los no momento em que ele foi em minha blusa.

–Você que fazer isso? Porque se não quiser não precisa você sabe que eu não... – coloquei o meu dedo na boca dele e ele se calou e sorriu pra mim.

–Te tocar me faz bem. – sorri e ele me beijou cada vez mais dando origem a mais uma noite maravilhosa minha e dele. Apenas nos dois juntinhos em um mundo só nosso. Acordei no outro dia com batidas na porta. – Sim? – eu perguntei olhando para a Pablo sorrindo.

–May? Porque a porta está trancada? Você está bem? Você não pode ficar trancada sozinha minha filha. – Pablo recalou os olhos e eu tentei evitar uma crise de risos.

–Sim mãe estou bem.

–Então... Pablo está ai não está? – ela começou a gritar. – May abra já esta porta! Não me importo se ele e rei eu ainda vou dá uns tapas nesse...nesse... desertor!

–Mãe por favor acalme-se. – me levantei e comecei a me vestir. – O que fazemos? – sussurrei enquanto minha mãe gritava do lado de fora da porta.

–Ela sabe que eu estou aqui se eu me esconder ela irá procurar... o jeito e abrir mesmo. – ele sorriu como se aquilo fosse um desafio e eu fui abrir a porta depois que ele se vestiu.

–Seu... seu... o que você está fazendo no quarto de minha filha trancados assim?

–Nada de mais senhora Singer estávamos apenas conversando. – ele sorriu calmamente.

–Precisa de trancar a porta para conversa? Vocês nunca fizeram isso! – ela foi para cima de Pablo e pegou a orelha dele puxando até que ele se encurvasse na direção dela.

–Mãe! – eu disse indo fazer ela solta-lo. – Mae pelo amor de Deus! Pare já com isso!

–Ai! Magda eu não fiz nada. – Pablo dizia rindo ao mesmo tempo e eu dava graças por ele não está achando ruim. Mas ela não soltava.

–Mae! Chega! Olhe só o que ele veio fazer aqui. – eu estiquei a mão mostrando a ela o anel de ouro com coração gravado. – Só queríamos ficar sozinhos mãe toda hora alguém nos incomoda.

–Mas ele está aqui desde ontem. A cama dele não foi desfeita e eu não o vi lá mais cedo. – ela voltou a puxar mais a orelha de Pablo e ele começou a me olhar como se eu devesse fazer alguma coisa.

–Tudo bem mãe, solte-o agora. Ele dormiu aqui comigo sim, mãe vamos nos casar sua menininha cresceu! – ela deu um último puxão e o soltou.

–Tudo bem mas eu quero aquela porta destrancada e no aberta se possível! – ela disse e se virou para sair. – Estou de olhos em vocês. – ela saiu e Pablo me abraçou nos jogando na cama.

–Desculpe. – eu disse.

–Tudo bem, imagino que seria pior se fosse seu pai. – ele riu.

–Ai eu já não sei. – sorri de volta pra ele o beijando.

–Eu te amo. – ele entrelaçou seus dedos no meu.

–Eu também te amo. – ele me beijou de novo e se levantou.

–Vou ir pro meu quarto antes que ela volte e resolva trazer uma correia. – Pablo disse rindo. – Olha vou pedir que algumas criadas tragam todos os materiais que você precisa para escolher como vai ser o casamento, não precisa ser nada demais você que sabe. – assenti. – Peça ajuda a sua mãe também ela irá adorar. Seu ateliê já foi arrumado de novo caso você queira ir pra lá. – e lembrança veio na minha cabeça de eu ter quebrado toda a sala e minhas bochechas queimaram de vergonha. Pablo sorriu. – Não se preocupe está tudo bem e espero ver você em todas as refeições pois, não terei muito tempo hoje até a noite. – ele voltou até mim e me beijou, saiu e me deixou sozinha.