Notas iniciais
Heslou ♥ Mais um capítulo ae procês ;)

Passou-se uma semana desde o acontecimento do meu desmaio. Não havia dito uma palavra sequer ao Hoseok sobre isso. Durante esse tempo, ele me acompanhou em todos os meus ensaios. Porém, não lhe havia contado sobre minha intenção de ingressar na Juilliard. Tinha medo de algo acontecer. De talvez... Ele me abandonar. Em uma semana, Hoseok se esqueceu do seu stage name e das lembranças mais recentes do BTS. Dois dias depois, ele se esqueceu de 1/3 de toda sua experiência como trainee. E para completar, no dia seguinte de manhã ao acordar, recebi uma mensagem da minha avó de uma página de pessoas desaparecidas da Coréia: haviam dado Hoseok como morto. Meu coração doeu ao pensar em como estariam seus pais, seus primos, sua irmã. Pela primeira vez, eu me sentia mal em ter se importado apenas com os meus interesses sem saber as consequências que isso traria. Eu não poderia deixar Hoseok viver assim. Sem identidade e sem família. No dia seguinte, fui à casa da vovó e pedi para que S/I fosse sair com Hoseok e levasse Kayla e o namorado junto. Vovô havia ido visitar um dos seus filhos. Então estávamos sozinhas.
Meus dedos não paravam de brincar com o pequeno pêndulo que ficava na mesa de centro na sacada de seu apartamento. O dia estava ensolarado, o que não combinava nada bem com meu estado de mente. Nuvens carregadas de culpa e egoísmo. Eu amava Hoseok, e justamente por amá-lo não poderia prendê-lo à mim tão cegamente.
— S/N. — Minha avó chamou minha atenção calmamente. — Querida, você está calada há 10 minutos. Não vai me contar o que está acontecendo?
Olhei para ela. Não com lágrimas nos olhos. Eu mesma pude sentir que meus olhos estavam a ponto de ficarem opacos de tanta angústia.
— S/N, você não está bem. — Disse ela, tocando em minha testa e bochecha com o dorso da mão. — Não está com febre, o que...
— Vovó. — Ela se calou e manteve total atenção. Abaixei a cabeça. — Eu amo o Hoseok.
— Eu sei que...
— Eu amo o Hoseok, mas ele não pode ficar comigo. Eu não suportaria o vendo se esquecer dos melhores momentos da sua vida, dos sonhos realizados, das conquistas, da sua grande paixão. Eu não conseguiria viver sabendo que ele estaria vivendo comigo, mas que eu destruí tudo que ele construiu com dedicação e paciência, vencendo todas as críticas e as transformando em inspiração para ser cada vez melhor. — Levantei minha cabeça. — Se for necessário, eu abro mão dele.
Vovó pegou meu rosto e o levantou, e o seu sorriso foi o mais sincero que eu já havia visto, não que seus sorrisos fossem falsos. Mas era como se ela sorrisse com a alma, o que devolvia aos poucos, o brilho que meus olhos estavam perdendo por conta dos fantasmas que me assolavam.
— S/N, como você cresceu. — Minha avó já estava deixando algumas lágrimas escaparem pelo seu rosto. — Eu me lembro de você, S/I e Kayla correndo pelo quintal da minha casa antiga. Muitos te viam e pensavam que você viraria uma adulta soberba e prepotente pelas suas atitudes quando criança. Acho que seria bem pior se seus pais tivessem te mimado. Mas bastou essa situação para sua visão mudar totalmente. Abrir mão de uma pessoa amada por causa do amor maior dela é uma das maiores provas de amor que existem. Você foi madura, S/N. E tenho certeza que colherá essa atitude. Mas, particularmente, acho que mesmo assim, você deveria recuperar o tempo que perdeu brigando e batendo nele. Ele é um bom menino e merece a demonstração do seu amor.
Ela piscou e eu sorri de canto. Meu coração apertava em saber que eu havia passado apenas três semanas com Hoseok e já diria adeus. Ele não era tudo aquilo que eu imaginava. Ele era melhor. Eu precisava estar com ele e dizer o que deveria ter dito desde que ele apareceu no meu quarto.

— Vovó, chegamos!
Kayla e S/I disseram uníssonos. Hoseok vinha logo atrás deles com um embrulho em mãos. Vovó e eu já estávamos na sala assistindo a um filme. Kayla sentou do lado da vovó, enquanto Hoseok se sentava ao meu seguido de S/I. Kayla tirou dois embrulhos da bolsa e deu para a vovó, o que tudo indicava que era um presente para ela e para o vovô. Vovó começou a perguntá-la como ia o namoro. E quem conhece Kayla, sabe que jamais deve fazer essa pergunta a ela, a não ser que você queria escutá-la falando durante quase duas horas sobre o namorado e sua família. Vovó e ela foram para a varanda e S/I se levantou do lado de Hoseok.
— Eu vou ali em baixo resolver uma coisinha.
— E essa coisinha tem nome, sobrenome, idade e altura. Mesmo que seja pouca, tem.
— Argh, S/N! Pelo menos uma vez você pode não me zoar?
Segurei sua mão e olhei nos seus olhos.
— Boa sorte, irmão. Não penso em uma cunhada melhor do que a Laura.
S/I escancarou seu melhor sorriso e saiu em disparada pela porta. Hoseok estava olhando para o chão e suas bochechas estavam um pouco coradas. Achei aquilo muito fofo. Ele parecia querer falar algo, mas não conseguia. Troquei para um canal que não nos interessava e aumentei um pouco o volume para a vovó e Kayla não tentarem espiar uma possível conversa. Hoseok ainda estava muito tímido, olhando para o chão.
— Hobi. — O maior imediatamente olhou. — Eu sinto que você quer me falar alguma coisa.
— É... — Ele estava brincando com seus dedos enquanto tentava falar. — Eu... Te comprei isso. — Disse ele estendendo o embrulho para mim. — E-espero que goste.
Sem nenhuma cerimônia abri o embrulho, arregalando os olhos ao finalmente descobrir o produto contido. Um Olympikus Dynamic. Perfeito para praticar dança e criar coreografias.
— Hobi! Nossa, muito obrigada! Eu queria muito esse tênis! Eu nem sei como te agradecer.
— Mas eu sei como, S/N.
Hoseok foi se aproximando de mim e eu não recuei. Mas era diferente dessa vez. Eu não queria recuar e sem grandes esforços, ele selou nossos lábios mais uma vez. Um dos erros que eu havia cometido no inicio foi ser minuciosa quanto ao seu beijo, querendo analisá-lo como se ele fosse algum tipo de organismo novo para mim. Nunca permiti que fosse algo como uma dança lenta e doce dentro das nossas bocas, em um perfeito compasso e ritmo. Nos separamos devido à falta de ar e o olhei profundamente, acariciando seus cabelos.
— Hobi, me perdoa. Eu não devia ter te tratado daquela forma quando você apareceu na minha vida. Eu sempre quis que você chegasse. Eu deveria ter dado mais atenção a você e deixado de ser tão egoísta. E me perdoa por tentar achar que você seria uma válvula de escape para os meus problemas. Você não é minha segunda opção. Nunca foi. Eu realmente te amo.
Hoseok abriu o sorriso mais doce desde que o havia conhecido. Era calmo e sereno, porém brilhava de dentro para fora. Era como se ele estivesse esperado a vida toda para ouvir aquilo.
— S/N. Você disse que me ama?!
Sua voz estava falha, mas mesmo assim, o sorriso não saía de seus lábios.
— É. Disse. Eu disse que eu amo você, Jung Hoseok.
Hoseok se levantou do sofá e começou a dançar de forma engraçada enquanto repetia:
— Dancinha da vitória, ela disse que me ama, yay!
Eu ria, até que o maior me pegou no colo e me girou pela sala.
— Hoseok, me coloca no chão, seu maluco! — Gritei. — Pode quebrar alguma coisa.
— É verdade. — Disse, me colocando no chão e em seguida segurou em minha cintura. — E agora?
Entrelaçei meus braços em seu pescoço.
— Agora somos nós dois.

Notas finais
Até que enfim, Brasil! Agora é só alegria