Notas iniciais
Gente! Esse é o penúltimo capítulo da história! Buuuááá! Ao invés de fazer quatro capítulos, eu estou juntando pra ficar só em dois. E também pra eles ficarem maiores. Leiam com muito amor ♥

Eu o respondi com um sorriso e de repente, dançávamos juntos e o auditório inteiro vibrava com isso. Um dos jurados batia o pé no chão, marcando o tempo da música. Outros dois batiam palmas junto com o auditório. Emilly escancarou um sorriso de ponta a ponta e Martha... Ela parecia surpresa e confusa em ver Hoseok. Finalmente, a música havia acabado e finalizamos a coreografia com a posição final: Hoseok e eu insinuávamos um beijo. Os aplausos foram imediatos, até que o inesperado por mim aconteceu. Hoseok inclinou um pouco mais sua cabeça, selando nossos lábios. De aplausos, o auditório foi a gritos estridentes. Eu deveria ter me preocupado com Emilly e Martha que pensavam que Hoseok era meu primo. Ou com meus pais que nunca haviam o visto. Mas eu já não estava mais ali, eu não ouvia mais a gritaria e nem os aplausos. O selar durou poucos segundos, mas foi o suficiente para que tudo ao meu redor se apagasse e surgisse uma sensação de paz e tranquilidade. Esse era um dos efeitos que Jung Hoseok causava em mim. Olhei para seus olhos, sorrindo e em seguida olhei para o auditório, que ainda estava agitado. Kayla, seu namorado, S/I, Laura, Bia e a vovó demonstravam uma grande felicidade após aquela cena. Meus tios e o vovô não entenderam muito bem, mas ainda sim estavam felizes. Meu pai fez uma expressão de espanto, assim como Emilly e Martha. Minha mãe era a única que estava como o auditório: aos berros. Leo estava ao lado de Martha, inexpressivo. Até que o mestre de cerimônias surgiu no palanque, acalmando o público.

— Muito bem, pessoal! Essa foi uma grande performance. Parabéns a S/N e... — O menino parou e se pôs a ler o papel que estava em sua mão. — Hoseok! — A multidão voltou a vibrar. — Lembrando que Hoseok não é um candidato e sim, parceiro de performance autorizado, certo jurados? — Os jurados assentiram. — Certo! Faremos uma pausa de 5 minutos e já já voltamos com o grande vencedor!

Enquanto alguns se deslocavam para fora do auditório, minha família foi em direção a mim e a Hoseok. Minha mãe passou a frente de todos e mal esperou eu descer do palanque. Ela me agarrou com todas as suas forças.

— Meu amor! Você foi maravilhosa! Eu sabia que você iria dar um show! — Antes que eu pudesse agradecer, ela deslocou seus olhos em Hoseok. — E você, rapaz? Foi surpreendente! Que talento, que atuação! Eu realmente amei!

— Muito obrigado, sra. S/S. Mas não...

— Mas é claro que eu tenho que elogiá-los. — Disse minha mãe, cortando Hoseok. Um dos defeitos da minha mãe que irrita a família inteira, é que quando ela está empolgada ou animada com algo, vira um gravador com defeito: não para de falar e ainda interrompe os outros. — Vocês foram incríveis. S/N, essa vaga é sua!

— MÃE! — Gritou S/I. — Será que você pode levar Laura e a tia Rosa no banheiro? Elas não conhecem a escola.

— Mas eu também não conheço.

— Não se preocupe, tia. — Bia indagou. — Eu levo todas vocês lá. É melhor nós irmos logo antes que encha. — Minha mãe ia se recusar a ir, mas Bia foi mais esperta. — Lembre-se que a senhora tem problema nos rins e que não pode segurar. Fora que a senhora bebeu duas garrafas de água seguidas porque estava nervosa pela S/N.

Minha mãe fez bico, mas assentiu Bia e as três a seguiram para o banheiro. Olhei de relance para Hoseok que parecia tentar entender a frase que minha mãe havia falado. Após toda minha família me parabenizar, todos saíram exceto S/I e a vovó.

— Minha irmãzinha arrebentou hoje! — Disse S/I batendo de leve nos meus ombros.

— Realmente, querida. Você é muito talentosa. Você também foi mais que excelente, Hoseok.

— Obrigado. Me desculpem, mas será que eu posso falar com a S/N?

S/I e a vovó fizeram uma expressão de preocupação.

— É claro, querido. Falta pouco tempo para voltarmos para o resultado final. Nos vemos depois, meu amor.

Vovó e S/I acenaram e voltaram aos seus lugares, aguardando o fim do intervalo. Hoseok segurou minha mão, mas antes que pudesse me levar a coxia, Martha parou em sua frente.

— Hoseok! O que você está fazendo aqui? A S/N disse que você havia ido embora.

— Pois é, Martha. — Hoseok disse sorrindo e sinceramente, senti ciúmes. — Mas eu precisei voltar.

— Veio ajudar sua "prima", né? — Martha disse com um certo desdém. O que havia dado nela para agir assim? — Deu para ver que vocês são bem próximos mesmo.

Hoseok abaixou a cabeça. Martha direcionou seu olhar para mim.

— Eu queria entender o porquê de você não confiar em mim, S/N. Além de mentir, você me magoou. Se gostava dele, era só me dizer que eu ficava fora do caminho de vocês.

— Como assim, Martha? Você... Gostava de mim?

— É, Hoseok. Eu gostava. Disse bem. — Martha disse pegando a bolsa da cadeira. — Espero que vocês sejam felizes. Se possível, sem mentiras.

Martha virou de costas e saiu do auditório a passos firmes. Hoseok se virou para mim e eu olhei para o chão. Uma pequena mentira fez com que Martha parasse de confiar em mim.

— O que foi isso, S/N? Você sabia disso?

Antes que eu pudesse responder, o mestre de cerimônias voltou ao palanque.

— É isso aí, galera. Tomem seus assentos, vamos dar prosseguimento. Viram? Até rimou. Estamos em total sintonia!

— Eu tenho que ir. — Disse, soltando minha mão. — Conversamos depois. Prometo.

— Eu tenho certeza que você vai ganhar. — Disse Hoseok, dando um beijo na minha testa. — Mas eu não tenho muita certeza se eu quero que você ganhe esse "concurso". — Disse o maior fazendo aspas com os dedos.

Meu maior pesadelo e sonho estava prestes a começar. Subi ao palanque junto com Leo. Eu estava à esquerda, Leo à direita e o mestre de cerimônias no meio. Deslocava meu olhar para ver se encontrava Hoseok em meio a platéia. Ele havia sumido mais uma vez.

— É agora, auditório. O momento mais aguardado da tarde. — O auditório permaneceu em silêncio. — Vamos ouvir nossos jurados.

Uma mulher magra, loira de cabelos curtos, que aparentava ter uns 40 anos tomou o microfone.

— Boa tarde, auditório. Boa tarde, candidatos. Meu nome é Victoria Hudson. Sou docente na Juilliard School e professora de balé contemporâneo. Não se espantem com meu sotaque. Eu sou canadense, mas sou fluente em 4 línguas, inclusive o português. Tanto que hoje serei intérprete dos meus colegas. — Victoria olhou para nós dois. — Vocês foram muito bem. Foi uma coreografia bem elaborada, com riqueza de detalhes. Mas o que realmente faz toda a diferença em uma dança, além de toda uma técnica, são as expressões corporais e faciais. E eu pude notar isso na S/N. Suas expressões faziam parecer que seu parceiro de dança sempre esteve ali com ela, só que invisível, entendem? De qualquer forma, a aparição dele foi muito bem pensada e foi, de fato, surpreendente. Meus parabéns.

O auditório aplaudiu e de repente minha mãe grita.

— É A MINHA FILHA! ESSA É A MINHA FILHA!

O auditório riu. Logo após, um homem tomou seu microfone. Ombros largos, cabelos lisos e castanhos. Seu rosto se assemelhava ao de um adolescente, mas sua expressão era intimidadora. Ele falou por alguns segundos, enquanto Victoria prestava atenção para traduzir ao auditório.

— Ele disse: "Boa tarde. Meu nome é Charlie Park. Sou professor de popping e hip hop e um dos coordenadores de dança na Juilliard School. Sou coreano e moro nos Estados Unidos há 10 anos. Apesar de nenhuma das propostas apresentadas aqui ser o estilo com o qual eu trabalho, devo dizer que minhas expectativas em relação a vocês dois foram alcançadas. Porém, a técnica que o Leonardo usou foi a ideal. Posso dizer que é a que mais se aproximou do nível que eu espero para entrar nessa academia. Mas não se enganem: vocês tem muito o que aprender."

Então estava assim: empatado. O último voto decidiria nosso futuro. Dava para sentir a tensão da platéia. Minha mãe não parava de roer as unhas. Minha família estava toda muito focada.

— Um voto para S/N. Um voto para Leonardo. — O MC disse em um tom de suspense. Esse cara daria em um ótimo apresentador de programa de TV. — Agora é a hora, auditório. Quem será que vai ganhar a tão esperada bolsa de estudos para a Juilliard School e ingressar em uma das melhores academias de artes do mundo? — Ele abaixou o tom de voz, tornando tudo mais tenso. — Auditório: mãos para cima. Vamos liberar coisas positivas para nossos candidatos. O momento chegou. O próximo e último jurado.

O último jurado tinha cara de ser o mais carrasco dos três. Sua vestimenta era totalmente social. Tinha olhos negros e puxados, assim como o Charlie. Aparentava estar na faixa dos 35 anos, mas mesmo assim, parecia novo. E diga-se de passagem: apesar de parecer carrasco, era bem bonito. Meu coração batia de forma descompassada. Olhei de relance para Leo, que estava sério e de segundo em segundo secando o suor da testa com as costas da mão. Ele pronunciou algumas palavras no microfone, porém em japonês. Após alguns segundos, Victoria suspirou e traduziu, séria.

— Ele disse: "Boa tarde a todos. Meu nome é Hiroshi Watanabe. Sou docente, coordenador de artes cênicas e membro da reitoria da Juilliard School. Me perdoem estar pronunciando minhas palavras na minha língua nativa, o japonês. Mas era necessário para que não houvesse pessoas tentando adivinhar o que eu falaria em inglês, já que muitos também são fluentes nessa língua." — Ele pronunciou mais algumas palavras. Victoria traduziu. — "Vocês podem estar se perguntando o que um coordenador de artes cênicas está fazendo em um corpo de jurados de uma audição de dança. E eu explico: Ex-pres-são."

Assim que Victoria falou isso, todo o auditório voltou a gritar, mas dessa vez não gritavam várias palavras aleatórias ou simplesmente berravam.

— S/N! S/N! S/N!

Eles estavam gritando meu nome repetidamente. O japonês falou mais algumas palavras e Victoria traduziu com um sorriso no rosto.

— "Ao contrário dos meus colegas, eu não vim aqui com muitas expectativas, mas me impressionei ao ver um belo teatro em forma de uma bela dança. Meus parabéns, S/N. São desafiadores do incomum como você que queremos aprimorar na nossa academia."

Os espectadores só não soltaram rojões porque o local não permitia. Mas a energia era intensa. Muitos gritos, pessoas pulando e sorrindo. Alguns alunos tiraram seus casacos, girando-os pelo ar. Outros se abraçavam, pulando. Mas eram todos da minha sala de aula. Demorou alguns segundos para minha ficha cair, mas quando aconteceu, eu me ajoelhei no chão, chorando de felicidade. Não estava acreditando que eu havia conseguido!

— E S/N é a vencedora da grande audição da Juilliard School! Meus parabéns, S/N! Você ganhou uma bolsa de estudos para o curso de artes corporais da Juilliard School!

Assim que ele falou, vários balões caíram do céu e alguns fotógrafos começaram a registrar o momento. Emilly correu até o palanque, se ajoelhou do meu lado, me abraçando.

— Meus parabéns, minha linda! Você conseguiu! Você merece!

Minha família subiu também, na base da gritaria e todos praticamente se jogaram em cima de mim.

— MINHA FILHA VAI ESTUDAR EM NOVA IORQUE! QUE ORGULHO!

— Meus parabéns, meu amor. — Meu pai e meu avô me abraçaram.

— Você é muito esforçada, S/N! — Disse minha tia, me abraçando. — Você vai crescer muito.

— É isso aí. — Meu tio completou. — Voe alto, menina.

— Arrasou! — Bia e Laura disseram uníssonas. As abracei fortemente.

Mas estava faltando algo. Me inclinei para a vovó.

— Cadê o Hoseok?

— Está lá fora. Ele não entrou depois do intervalo.

Eu saí correndo, o procurando. Fui até o terraço da escola, que dava uma linda vista para o mar, mesmo que fosse de longe. Fui até ao muro, apoiando meus braços, olhando para o mar.

— Aonde você foi parar, Hobi?

— Atrás de você, pequena.

Me virei e Hoseok estava com um enorme buquê de flores nas mãos e ajoelhado. Ele esbanjava seu melhor sorriso.

— Acho que já estava na hora de eu fazer isso. — Disse ela, olhando para o chão e depois fitando nos meus olhos. — S/N, quer namorar comigo?

Notas finais
Eu vou tentar postar o último capítulo nessa semana. Já que na semana que vem começam minhas provas. Beijos, unicórnios ♥