May - Especial
1 Vida ou Morte
Tum-tum, tum-tum, tum-tum...
Que barulho é esse? Não enxergo nada... Isso é... meu coração?
Tento levar minha mão até o lugar onde se localiza o meu coração, mas tenho dificuldade, minha mão parece pesar uma tonelada, assim como o restante do meu corpo, tento respirar, mas dói muito. Quero parar de respirar, mas não consigo, não posso... Não posso parar, não posso...
Tento abrir meus olhos, mas as pálpebras pesam muito, muito, quero fechar meus olhos pra sempre, mas não posso... abra-os!
Ai!
Claridade! Meu Deus, como é claro aqui. É quente, queima meus olhos, mas eu preciso continuar. Me dê forças, preciso ter forças, quero chegar até você de novo. Quero chorar, mas já não tenho mais lágrimas para isso. Deixe-me chorar, só um pouco. Preciso de água. Água, o que é isso? Nem sei mais... Levante-se May, você precisa seguir em frente.
Jogo meu corpo para o lado e sinto a areia em meus dedos. Me apoio e faço força para me levantar. Maldito adamantium! Porque pesa tanto? Não me lembrava de ser tão pesado assim. Que dor, respirar agora queima, pesa, arde. Tossir, não, não! "Cof, cof, COF, COF!" Ai... sangue... já estou cansada de ver sangue quando eu tusso.
Consigo ver minha mão esquerda suja de sangue, na verdade minhas mãos já murcharam, estão tão finas e cheia de feridas que tenho medo de ver o meu rosto ou o restante do meu corpo. Quando isso vai acabar? Não vai acabar, tenho fator de cura que não me deixa morrer. Ainda bem, porque não posso morrer... ainda não...
Me esforço mais e consigo me colocar de pé. Ai, minhas pernas doem, mas eu preciso seguir. Dou um passo e caio, um dos meus joelhos encosta na areia no chão, mas preciso seguir. Consigo caminhar, é como andar numa panela quente, onde eu sou a carne, lutando para sair dessa panela.
Uma estrada? Seria uma miragem? Será real? Será que eu estar acordada é real ou finalmente estou pagando pelo mal que fiz no limbo? Eu só quero te ver de novo... poder te abraçar, por favor, venha até mim...
Perdi as forças das pernas e caí de joelhos no chão, minhas mãos pararam meu corpo e esse baque fez meu peito doer. Ah não, aí vem a tosse. Segure... Um carro? Cheguei na estrada? Estrada? Me atropele, termine com isso... será possível? Ai, minha cabeça dói, cansei de pensar. A tosse chegou e dessa vez veio ainda mais sangue. Chega! Por favor! Eu imploro...
Vejo um par de sapatos se aproximando de mim. Minha cabeça está muito pesada para olhar pra cima. Não consigo, meus olhos estão fechando. Não, por favor, só quero ver você mais uma vez...
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Sinto um balançar... meu corpo está balançando? Como? Abro os olhos com dificuldade, já não está tão quente e não está tão claro, onde estou? Quero perguntar, mas minha voz não sai, não sei mais usar minhas cordas vocais, nem sei mais mexer a minha boca. O clima está bom, mas sinto frio, muito frio. Estou tremendo de frio? Minha boca está tremendo. O balançar para, escuto um ruído, a claridade entra no ambiente e dela sai uma sombra, a sombra de um homem e quando a porta se fecha eu consigo vê-lo. Cabelos começando a ficar grisalhos, barba, um olhar cansado e uma pele gasta. Esse rosto é familiar... ou estou louca?
— May? — ele pergunta. Conheço essa voz. Quero falar com ele, quero falar com ele mas meu peito dói. Vou começar a tossir. — Hey, não. Fique quieta — ele olha pra trás e volta com uma garrafa, é... água!? Água! Meu coração acelera, sinto mais dor, quero provar a água.
Ele me entrega a garrafa, estico a mão para pegar, mas minha mão treme muito, não consigo chegar até a garrafa. Ele percebe que nunca alcançarei a garrafa e abre pra mim. Ele leva a água até a minha boca. Meu Deus! Que sensação deliciosa de alívio, meu corpo arrepia, consigo sentir minha garganta, meu estômago, tudo onde a água encostou eu posso sentir agora. Quero chorar de alegria, mas ainda não tenho lágrimas para isso.
Ele tira o casaco e coloca ao meu redor.
— Isso vai te aquecer — ele disse dando um meio sorriso pra mim.
Logan? Logan... quero falar com você, mas não sei mais usar minha voz...
— Já, já chegamos em casa... beba um pouco mais — ele disse levando a água delicadamente à minha boca. Dessa vez ele me deixou beber por mais tempo. Como era deliciosa, poderia bebê-la para sempre.
Então percebi que estávamos num carro, um carro bem grande e espaçoso, devia ser uma limusine ou algo do tipo. Alguns minutos depois ele parou o carro e veio me buscar, me carregando em seus braços. Ele teve dificuldade, afinal, o adamantium é muito pesado.
Um homem careca de olhos fundos se aproximou. Onde estou? Num hospital?
— Quem é essa? — perguntou o careca bizarro.
— É a May. Não se parece com ela agora, mas identifiquei pelo colar — eu devia estar realmente horrível, Logan teve que me reconhecer pelo colar...
— É a mutante felina?
— Isso mesmo. Charles deve ficar feliz de saber que a encontramos... — ele dizia num tom sério.
— Sim, ele disse que estava encontrando um sinal...
— Sinais... esses sinais tem que parar, daqui a pouco ele acha algo que não deve — Logan pareceu irritado. — May — ele tocou em meu rosto e me fez olhar pra ele -, vamos te dar água, comida e uma roupa confortável ok? Em breve seu fator de cura vai acabar com essas feridas do sol e você voltará a ser você.
Quero agradecer, quero mesmo, quero dizer seu nome, Logan...
— Não se esforce. Cada coisa a seu tempo, ok?
Ele pegou um prato de comida e se aproximou de mim. Que cheiro bom, não me lembrava que existia cheiro tão bom. Ele levou uma colher até a minha boca. Demorei a acertar a colher na boca e demorei ainda mais para mastigar, já não sabia mais mexer meu maxilar. Olhei nos olhos dele e agradeci — em minha mente — por me encontrar.
— Tem gente te perseguindo? — ele perguntou.
Balancei a cabeça negativamente e ele respirou fundo, provavelmente aliviado.
Eu só sabia ficar sentada e deitada, mas agora respirar doía menos. Quero falar com Logan, tanta coisa tenho pra contar, será que devo contar? Quero abraçá-lo, quero tocar seus cabelos e contar a ele tudo, mas será que devo contar?
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May está de volta pois não resisti em fazer a versão May do filme "Logan". A história chega como continuação da Parte VII.
Mas também é possível entender e acompanhar a parte Especial de May sem ter acompanhado a saga.
E se você ainda não conhece a saga May, não perca oportunidade de conhecer essa personagem original do universo X-Men em: May — Parte I a personagem que surgiu em meados de 2012 e que veio crescendo e amadurecendo durante 2 anos.
Obrigada a todos pelo carinho com a May e estou feliz de trazê-la de volta nesse contexto. Muita coisa vem por aí.
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