May - Especial
4 Não quero perder você
Notas iniciais
Senti uma mão passar em minha cintura. Me assustei e já virei rapidamente com as garras prontas para matar. Quando vi que era Logan respirei aliviada.
— Te assustei? — ele disse de forma um tanto sombria.
— Sim, não esperava você chegar nesse horário — eu disse ainda meio sonolenta. — E também estava tendo péssimos sonhos — ele fez carinho em meu rosto e parecia analisar meu rosto com os olhos. — O que foi? Aconteceu alguma coisa?
— Acho que terei que viajar por um tempo.
Fiquei sentada na cama velha. Eu estava apenas de camiseta fina.
— O quê? Por que?
— Peguei uma viagem grande que vão pagar muito bem. O suficiente pra sairmos daqui e ter uma vida melhor.
Aquilo me preocupou, muito. Ele então me beijou e o beijo durou um longo tempo e então eu entendi, era um beijo de despedida. Despedida para se preparar para um longo tempo sem nos vermos. Eu peguei sua nuca para grudá-lo mais em mim. Comecei a tirar a camisa dele, na verdade eu queria prolongar a sua partida. Na verdade eu não queria perdê-lo, não quero mais perder pessoas. Jhon... Max... Pietro... não posso suportar a ideia de perdê-lo também.
Por fim ficamos abraçados, sem nossas roupas e debaixo das cobertas.
— Logan, me promete que vai voltar? — o olhei nos olhos.
— É claro. Claro que eu vou voltar — ele disse fazendo carinho em meu rosto. — Prometo que você não vai me perder.
— Por acaso você ainda ouve minha mente? — suspeitei.
— Não — ele riu. — Eu só te conheço muito bem. Sei como você é e já compartilhei a mente com você durante anos.
— Não demora também não, tá bom?
Ele sorriu, fez carinho em meu rosto e me beijou. Ele se levantou, colocou sua roupa de motorista e eu fiquei na cama observando-o. Eu não queria levá-lo até o carro para se despedir, quero que ele volte. Volte pra mim. Ele me beijou mais uma vez e saiu.
Pela manhã escuto um carro entrar em nossa "propriedade". Troquei olhares preocupados com o Esquisito, pois Logan estava fora e o carro estava bem mais rápido que o de costume. Eu saí correndo na frente, o Esquisito começou a colocar sua roupa protetora do sol: chapéu, óculos protetores e panos enrolados até a boca.
Assim que saí vi Logan saindo do seu carro.
— Logan? — me surpreendi. Ele estava mancando em direção a uma portinha. — Logan, o que houve? E a sua viagem?
— Deu alguma coisa errada? — perguntou o Esquisito chegando logo atrás de mim.
— A viagem já começou errada — ele respondeu sem nos olhar e de modo sério. Ele entrou numa sala que até então me dei conta de que nunca havia entrado lá.
O Esquisito foi andando em direção ao carro e pegou uma pequena bola laranja de dentro do porta malas que estava aberto. Ele cheirou e olhou pra mim procurando por respostas. Mas eu também não fazia a menor ideia do que pudesse ser.
— Logan? — ele gritou. — Logan! — ele gritou de novo quando pegou a mochila jeans que estava completamente suja.
— O que foi? — ele perguntou voltando a onde estávamos.
Será que... será que era...
— De quem é isso aqui? — o Esquisito perguntou ao Logan.
Logan pegou os itens da mão dele e parecia tão perdido quanto nós dois. Eu não conseguia me mover, eu só pensava na possibilidade daquilo pertencer a....
— Quem está vindo aí? — o Esquisito perguntou olhando em direção à estrada.
Um carro grande, preto e estranho entrou pelo portão.
— Pensei que você visse a merda de longe — disse Logan.
— Eu rastreio mutantes, sou um mero farejador e não vidente — disse o Esquisito.
— Entra lá e controla o Charles. Vai! Entra! Já! — o Esquisito obedeceu. — vai você também May! Vai!
Eu queria ir, mas eu não conseguia. Eu não poderia, não se aquilo pertencesse a ela. Se fosse ela eu precisava estar ali...
O carro parou e de dentro dele saiu alguém que me era bem familiar. Ele tinha os cabelos curtos e loiros, óculos escuros vermelhos e usava uma jaqueta marrom meio suja. Ele tinha um dente de ouro ridículo e uma mão robótica patética. Meus instintos felinos ativaram, meus caninos começaram a crescer, mas controlei minhas garras, qualquer deslize seria fatal com esse idiota.
— Pode dar meia volta babaca, aqui é propriedade particular — disse Logan nervoso. Provavelmente eles se encontraram em alguma noite. Isso explicaria o nervosismo recente de Logan.
— É, eu sei. Acho que pertence a uma empresa siderúrgica de Xangai — sua voz era grave e ele tinha uma pose e atitudes de um ser superior. Minha vontade era de enfiar minhas garras em seus olhos e rasgar sua garganta, mas eu tinha que me controlar para não trazer problemas a eles. — vejo que está com a turma toda aqui, não é mesmo? A "melhor mamãe do mundo" está aqui — ele disse olhando pra mim com um sorriso patético. — E... onde você esconde o velhote? Ele está ali? — ele olhou para enorme caixa d'água, que era exatamente onde o Careca estava — Seria inteligente. Eu queria conhecê-lo. A Segurança Nacional classifica o cérebro dele como arma de destruição.
— Ele está morto há um ano — disse Logan.
— E falando em morte, você devia estar morta, não? — ele olhou pra mim. — Ah que coisa, encontrada pelo grande amorzinho da sua vida, é uma história romântica, não é? Eu achava o máximo vocês dois como casal, mas acho que seu amor não era correspondido Mayzinha — ele riu. — Foi o que li nas revistinhas pelo menos. mas pelo menos o amor não correspondido trouxe um incrível mutante ao mundo, o Max Maximoff, neto de Eric Maximoff, mais conhecido como o poderoso Magneto. Você é bem espertinha, hem? Ele foi um dos mais intrigantes mutantes para se trabalhar no laboratório, o gene dele é magnifico. Uma pena ter aberto mão do fator de cura, seria um melhor cadáver — ele queria me tirar do sério, mas eu precisava me controlar. Meu sangue estava fervendo de ódio por ele.
— O que você quer? — disse Logan interrompendo-o.
— Eu quero a garota.
— Que garota?
— A que vem junto com a bola que está segurando.
— Não tem nenhuma garota aqui.
— Ah não? Mas a mamãe ursa está aqui e eu sei que você foi ao motel.
— Me ligaram de lá. Não tinha garota, era só a mulher.
— "Só a mulher". Então quer dizer que você viu a Gabriela, mas não me ligou... — ele disse num tom decepcionado. Gabriela, então era ela mesma que estava com ela. Laura... — Pôxa... você não atirou na coitada não, atirou?
— Não. Foi você.
Gabriela estava morta? Ai não... Não...
— Ah perguntei primeiro — ele cantarolou em tom de brincadeira.
— Não gosto de armas — disse Logan.
— Eu sei... devia ter ligado Logan, como eu pedi — ele deu uns tapas no ombro dele com a mão mecânica e Logan ficou surpreso com ela. — Viu? Vocês não foram os únicos que foram melhorados.
— Rá!! — escutei um grito e de repente um cano voou na cabeça do Babaca. Logan e eu olhamos surpresos para a direção de onde veio o grito.
Ela jogou outro cano, dessa vez em Logan e ele segurou rápido. Logan tentou atacá-la.
— Logan! — eu e o Careca gritamos ao mesmo tempo, pois ele havia acabado de chegar sozinho em sua cadeira de rodas.
— Essa é a Laura! — disse o Careca animado, chamando pelo Esquisito. — Caliban, venha! É dela que eu venho falando pra vocês! Estávamos esperando por você. Estávamos esperando por ti! Venha, vem cá.
Ela encarava Logan de forma constante, até que finalmente olhou pra mim. Fiquei ainda mais em choque. Quanto tempo fiquei no deserto? Será que ela se lembra de mim? Ela foi até Logan e pegou sua mochila de modo grosseiro. Ela então voltou em minha direção e olhou em meus olhos. Eu a peguei pelos braços e a coloquei no meu colo. Ela me abraçou forte e com uma das mãos eu a abracei de volta. Ela não parou de me abraçar e eu também não queria parar. Era a primeira vez que eu a carregava no colo depois de crescida.
— Venham, venham! — chamou o Careca.
Tomei forças e comecei a andar com ela em meu colo. Olhei rapidamente para Logan e percebi que ele estava completamente confuso, da mesma forma que o Careca e o Esquisito.
— Você pode trazer ela aqui, é seguro.
Entramos em casa e então ela se afastou e me olhou nos olhos ainda com seus braços ao redor do meu pescoço. Eu ainda não conseguia acreditar que finalmente estava com ela em meus braços.
— Ela deve estar com fome — disse o Careca me acordando de meus pensamentos.
— Sim, eu vou pegar alguma coisa pra ela comer. Está tudo mui bien — eu disse a ela tirando do meu colo e colocando-a na mesa.
— May, então você a conhecia? — ele me perguntou enquanto eu fazia para ela um cereal com leite.
Ela se sentou, colocou a mochila de frente para ela e começou a comer. Me sentei ao seu lado e com cuidado passei a mão em seus cabelos. Uma sensação maravilhosa que só pude sentir poucas vezes. Como seu cabelo preto era bonito, estava do tamanho do meu agora, um pouco abaixo dos ombros. Seu rostinho era mistura minha e do pai dela. Ela era tão séria e tão brava, assim como eu era, assim como provavelmente o pai dela foi. Ela de repente largou tudo e pegou a mochila para evitar que Logan a pegasse dela.
— Logan! — o Careca alertou.
— Ei, ei — eles começaram a puxar a mochila de uma lado para o outro, como se fosse um cabo de guerra. — Eu vou devolver depois de descobrir no que você e sua mãe nos meteram — eu o olhei. "Sua mãe"?
— Não Logan...
— O quê? — ele perguntou nervoso.
— Eu acho que não era...
Ele soltou a mochila nervoso e Laura escondeu a mochila para si.
— Logan, a mulher que conheceu, não era a mãe dela... — disse o Careca e meu estômago começou a embrulhar.
— E ela fala? — ele perguntou nervoso.
— Nós nos comunicamos...
— "Comunicação"... toma isso aqui, agora — Logan entregou os remédios para o Careca e ele tomou rapidamente para continuar a falar. — Olha, temos que sair daqui, não é mais seguro e você não pode dar defeito lá fora, ouviu?
— Tá bem, mas ela é a mutante de quem eu tinha falado — disse o Careca.
— E a Gabriela não é a mãe dela — eu disse por fim e ele me olhou, provavelmente já sabendo dessa informação. — Eu sou a mãe dela.
Logan me olhou, parecia decepcionado de certa forma. Ele então saiu da sala nervoso e eu fechei meus olhos e levei a mão à cabeça. Como dizer a ele?
— May — o Careca se aproximou. — May, você tem que contar a ele.
— Como? Como vou dizer isso?
— Era por isso que não queria falar comigo? Não queria me dizer que você e Logan tem uma filha?
— É mais complicado que isso, Charles! — eu gritei nervosa.
— O que é complicado?
— Eu não... é complicado, só isso — eu disse por fim.
— Mama? — disse Laura procurando o meu olhar.
— Estoy bien. Estou aqui agora — sorri para ela e passei a mão em seus cabelos. — Estamos bien.
A casa balançou e Laura se assustou.
— Não precisa se preocupar, é o "tchu-tchu", o trem que passa aqui. "Tchu-tchu". Locomotora.
Laura se tranquilizou e voltou a comer. Poucos minutos depois começou a balançar de novo. Dessa vez não poderia ser o "tchu-tchu" do Careca, não era o tempo certo.
— Não, Charles. Dessa vez não é "tchu-tchu" — disse Logan interrompendo a explicação do Careca e completamente preocupado.
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