Maxwell Richardson E A Batalha Infernal
2 Más notícias do exterior e do inferior.
Notas iniciais
O instinto de Max não costumava enganá-lo, principalmente em situações ruins que são de certo modo a especialidade dele. Ele caminhava pesadamente assim como tudo à sua volta, o mar que jogava ondas fracas e sem vida na areia, e no céu viajavam com grande pressa nuvens negras e densas empurradas pelo vento que soprava fortemente.
Ele então continuou seu caminho até chegar à varanda da casa grande, onde uma grande quantidade de pessoas, algumas falando demais, outras de menos e outras nada estavam, mas todas demonstrando grande desespero. Quando ele entrou pôde ver o motivo disso, lá dentro a sala de estar do enorme casarão do acampamento, teve seus móveis retirados dos devidos lugares abrindo espaço para... Os feridos. Maxwell não sabia o que se passava ali, como já dito antes ele se mantinha fora dos assuntos do acampamento ao máximo que podia, mas não precisava ser um gênio ou a pessoa mais bem informada para ter ideia do que acontecia ali, pois viu as três macas no chãopróximas à lareira, tendo nelas um garoto asiático inconsciente, uma garota de pele pálida e cabelos exageradamente coloridos agonizava do outro lado, e após ela havia um campista acordado, mas... Mas sem o braço esquerdo, ele então soube que aquela fora uma missão extremamente mal-sucedida. E algo lhe dizia que o que estava mal ainda iria piorar, resolveu afastar-se um pouco.
Os filhos de Apolo e alguns outros campistas ajudavam no máximo que podiam, e Max não queria atrapalhá-los. Ele se sentou no sofá que estava mal colocado com os outros no fundo da sala, ficando como sempre apenas quieto no seu canto até que lhe fosse solicitada a fala. Ele avistou o centauro Quíron, diretor de atividades do acampamento, entrando na sala com uma expressão extremamente séria numa forma disfarçada de humano, com duas pernas numa cadeira de rodas. Os campistas curandeiros se aproximaram dele provavelmente explicando a situação e provavelmente pelo desespero não seguraram o tom de voz, de modo que Max pôde ouvir em partes, mesmo contra sua vontade.
— Eu não sei Quíron... Eles estão recuperando a consciência aos poucos, mas pode ser que não... — Dizia uma garota pequena com o cabelo preso em um coque e as mãos em luvas brancas de borracha. Outro campista a interrompeu.
— Você tem que ouvi-los falar Quíron! Nós demos o nosso melhor aqui, agora temos que esperar pelo que vier... — Disse parecendo tentar ser firme, mas assim como todo o resto que ali estava, não conseguiria.
Quíron fez um gesto com a mão como um aceno, pedindo para que todos se afastassem e ficassem quietos. Ele se aproximou mais dos campistas que aos poucos iam se recuperando e deu uma olhada rápida para Max, ainda estava sério, mas parecia que queria lhe dizer alguma coisa. O centauro então se voltou para os campistas feridos. Max olhava aquela cena, mas não se comovia, isso era para ele uma qualidade e ao mesmo tempo um defeito, pois de diferentes pontos de vista ele poderia ser considerado firme ou por outros insensível, não que ele se importasse.
Os curandeiros então se retiraram e Max não tinha certeza, mas pensou ouvir um deles chorando. Ao vê-los saindo, os conselheiros de chalé entraram na sala em completo silêncio. Havia dentro da sala, dez pessoas no total, pois apenas cinco conselheiros entraram lá para ver, isso sem contar Max.
O campista que perdeu um braço tentava segurar a dor, o que sobrou de seu braço já estava enfaixado e os curandeiros fizeram um bom trabalho estancando o sangue. Quíron olhou para uma garota e movimentou sua cabeça como que a chamando, ela assentiu ao centauro e então se aproximou do único ferido consciente, ajoelhou-se ao seu lado e falou calmamente com ele.
— Olá... Eu sei que a situação é muito ruim, mas preciso que me responda algumas perguntas, tudo bem? — Ele assentiu devagar com a cabeça, estava resistindo bem até agora. A garota suspirou. — Certo... Quem é você? —
— Derek Mason, filho de Nemesis. —
— Derek, eu sou Alexandra. Pode me dizer o que aconteceu com vocês três?— Ela falava calmamente, por algum motivo ela parecia tão convincente que por um momento até Max queria lhe contar o que havia acontecido, ele então balançou a cabeça por um momento e se recompôs. Max se deu conta do por que disso, aquela era Alexandra Sonenclar conselheira do chalé de Afrodite. A distração de Maxwell foi derrubada pela resposta de Derek.
— Nós fomos para Los Angeles numa missão de reconhecimento para checar se eram verdadeiros os relatos sobre manifestações estranhas de monstros... — Ele tossiu e se contorceu um pouco, claramente devido à dor. — Passaram-se dois dias e nada, nós procuramos até que lutamos com uma esfinge que nos atacou, mas não era ela a fonte do problema nós sabíamos disso e ela nos deu uma informação em troca de clemência... Um endereço, e tudo se complicou depois disso... Nós lutamos... Defendemos a honra do acampamento até o final... — Ele parou de falar, apenas encarava o teto da sala, mas não estava realmente olhando para nada, seu olhar estava ficando vazio. Alexandra não disse mais nada. — Foram tantos cães infernais... Não pudemos resistir, os reforços chegaram tarde... — Alexandra se levantou, olhou para ele com tristeza ao mesmo tempo em que com um olhar que tentava confortá-lo, mas não aguentou e se afastou, retirando-se da sala. Seria muito mais que injusto desvalorizar a utilidade dos filhos de Afrodite, mas seus sentimentos são fortes e isso era algo a se respeitar.
Vendo aquilo, todos ficaram calados e mesmo Quíron não sabia o que falar. Maxwell diante daquilo e do que estava para acontecer não se conteve e passando pelas pessoas que lá estavam foi até Derek, ajoelhando-se e pondo a mão em seu ombro.
— Você lutou bravamente, sua honra está intacta e poderá passar pela... — Max queria acalmar o campista, mas algo estranho aconteceu, os olhos que estavam fechados como os de alguém que caia em um calmo sono se abriram e olharam apreensivamente para Max, diretamente para seus olhos por baixo das lentes escuras dos óculos ray ban. Derek segurou sua mão com força e dizia com desespero.
— O portal! O portal! Termine o que começamos, por favor! Eu... Eu deixo esse dever em suas mãos... — E então a mão suada que segurava com força a de Max perdeu sua força e ficou fria, os olhos que o encaravam se fecharam e a voz que lhe suplicava ser ouvida perante o ultimo suspiro de seu autor, cessou. Um zunido rápido passou aos seus ouvidos e ele, antes que soltasse a mão de Derek percebeu que havia algo em sua mão, um papel que ele passara a Max em seus últimos momentos, imaginando a importância e o fato de que ele não falou ou entregou isso a mais ninguém, devia ser importante. Maxwell colocou aquilo no bolso de sua jaqueta mesmo sem saber o que era e se levantou, se deparando com todos naquele lugar olhando para ele. Ele não sabia bem o que fazer, mas foi salvo pelo gongo, ou nesse caso pelo Quíron.
— Tudo bem, já não há mais nada para fazer aqui! Todos dispensados para seus chalés e estejam prontos para o funeral de Derek amanhã ao por do sol! — E todos em silêncio foram indo, porém Maxwell ainda sentia a atenção geral voltada para si próprio, e não gostava nada disso. Ele ia sair também, mas Quíron o segurou pelo braço.
— Max... Por favor, tome cuidado. Eu sei que todos, mas principalmente você, já deve ter uma leve ideia da gravidade da situação. — Quíron era de fato uma boa pessoa, ou centauro, enfim ele era o que era. Max assentiu com a cabeça sem falar nada. Quiron suspirou e continuou.
— Amanhã após o funeral haverá uma reunião com os conselheiros, espero que compareça. — Quíron dizia, mas alguns diriam que por sua voz, era mais um pedido que um aviso.
— Sim, não se preocupe. — Maxwell ia partir mas se interrompeu ao ver um homem na porta interior da sala. Um homem baixinho, gordo, de cabelos pretos até demais, uma extravagante camisa amarela com estampa de manchas de onça e uma lata de coca diet na mão. O diretor geral do acampamento e também deus olimpiano do vinho, Dionísio. Ele olhou para os feridos e o falecido no chão da sala e deu um risinho sínico.
— Hehehe, pelo menos uma coisa para animar meu dia. Menos trabalho para mim e menos heróis para estragar o mundo! — Ele olhou para Maxwell, sem tirar o riso do rosto. — Não acha Mark? — Ele errava o nome de Maxwell e não era a primeira vez, apesar de Max não expressar emoções de reação aquilo ele respondeu calmamente.
— Como sempre respeitoso Sr.D... Mesmo com os mortos... Devo concordar que algumas mortes são necessárias. Mas o valor dado a elas é o mais importante. — Max então se preparava para se retirar.
— Hey! Eu não tenho tempo para me preocupar com mortos, isso já é jurisdição de outro... — Dionísio tentava parecer sarcástico, mas não tendo tempo para isso Max saiu andando pelo porta, ou ao menos tentou antes de ser novamente interrompido. Assim que saiu pela porta foi parado por uma garota que pelo visto estava escondida ali, ela parecia nervosa, ao surpreender Maxwell ela o puxou para o canto onde não seriam vistos pelos diretores do acampamento.
— Hey, você é o tal Max? — Maxwell reparou bem nela, tinha um longo cabelo loiro escuro com mechas vermelhas nas pontas, era um tanto baixinha e tinha pele um pouco morena, pelo que ela conseguia ver, parecia de origem latina. O que mais atraiu a atenção de Max foi seu olhar, o olhar dela expressava muita coisa ao mesmo tempo, esperteza, perigo, e muitos pensamentos simultâneos, entre outras coisas mais. E o maior destaque, ela tinha heterocromia, seus olhos eram de cores diferentes, um era castanho esverdeado e o outro era cor de mel. Max encarou-a por alguns momentos até que ela começou a estalar os dedos para chamar sua atenção. Ele piscou duas vezes e se recompôs.
— Ah, s-sim sou eu. Apesar de que normalmente as pessoas se apresentam antes de perguntar o nome de outras. — E ele conseguiu voltar à sua postura original, com uma resposta fazendo jus à pessoa. Ouvindo o que Max disse ela sorriu por um instante.
— Ainda não querido, relaxe, hihihi... Então, pode me dizer o que tá rolando? — Max olhou bem para ela, estaria ela apenas curiosa ou teria outro interesse no assunto? Por enquanto poderia ir pela primeira opção.
— Uma missão mal sucedida, por que a pergunta? — Se ela queria informação seria justo também, informar, ou pelo menos nisso Maxwell acreditava. Ela olhou para os lados e voltou a falar com ele.
— Ah, sem brincadeirinhas ok? Mas tudo bem, eu sou conselheira, só que eu tava... Estava ocupada, quando chamaram os conselheiros nessa reunião. Agora, eu não tenho saco de escutar bronca do Sr.D ou me explicar pro Quíron então é melhor me informar por fora entendeu? Mas fica entre nós! Hihihi — Ela levou o dedo aos lábios indicando que Max não devia falar para mais ninguém sobre aquela conversa, o que não faria diferença já que ele não falava com ninguém.
— Certo então, os três que saíram nessa missão foram derrotados em batalha e salvos pelos reforços, mas um não resistiu e os outros estão em estado grave. — A garota se espantou, seus olhos se abriram com o susto e chamaram ainda mais atenção.
— Quem?! Qual o nome?! —
— Derek Mason — Ela se tranquilizou.
— Ah, puxa! Não me assusta assim... Mas é meio triste, o Derek era meio certinho e tedioso mas era legal, mais ou menos... — Max não via mais necessidade de continuar naquela conversa e saiu andando. Precisava de descanso e paz e seu chalé parecia o melhor, senão o único, lugar para isso. Enquanto andava, a garota o acompanhou por uns momentos e continuou falando.
— Aliás, eu nunca vi você antes. Só ouvi o Quíron te chamar pelo nome lá dentro e o o Tio Dí errando hihihi, quem é você? Ah, está bem eu digo primeiro, me chama de Lucinda, filha de Hermes, sua vez! Hihi — Maxwell não desacelerou o passo ou olhou para o lado, apenas disse.
— Sou Maxwell Richardson... filho de Hades! — A garota então parou espantada, provavelmente surpresa ao saber que as histórias que contavam não eram apenas boatos e um filho de um dos três grandes realmente vivia ali. Ela lá ficou enquanto Max ia para seu chalé, o chalé 13, o chalé de Hades.
. . .
Por algum motivo Maxwell não conseguia dormir, estava deitado em seu quarto. Ouvia o ronco das três cabeças de Etairos e isso já o tranquilizava, mas não o bastante para lhe garantir o sono. Seus óculos estavam no criado mudo ao lado de sua cama e por mais que quisesse não poderia dormir com eles.
Por um momento que ele fechasse os olhos, lembranças e mais lembranças vinham na sua visão. E então ele abriu novamente seus olhos escuros como uma noite sem estrelas, olhando em volta para seu chalé. O chalé de Hades era grande e bem decorado, a decoração dava um ar de morte e obscuridade, mas ao mesmo tempo classe. Afinal, Hades era o deus rico, seu chalé deveria fazer jus à alcunha.
Ao longo do chalé de paredes de pedra obsidiana negra e chão de mármore também negro, várias colunas gregas escuras sustentavam o local, mas não exatamente elas, pois no final das mesmas, esqueletos feitos inteiramente de bronze estavam ajoelhados com o teto do chalé apoiado nas costas enquanto com suas mãos o seguravam, mas pelo visto faziam um bom trabalho pois o teto nunca desabou ou ao menos balançou. A decoração da parede do chalé eram quadros, quadros de homens imponentes, com faces firmes, frias, sérias e algumas até cruéis, eram todos semideuses que nunca estiveram no acampamento meio-sangue por não serem bem-vindos lá na época. Eram todos meio-irmãos de Max, filhos de Hades de diversas épocas, entre eles Joseph Stalin, Grigori Rasputin e o próprio Adolf Hitler, todos enquadrados em bronze, com muita elegância. A grande cama com tamanho para um casal e cobertas negras de seda, juntas ao tapete de pele de lestrigão para Etairos ficavam bem no final. O que mais impressionava naquele chalé era seu teto arqueado de pedra preta onde haviam várias pedras preciosas de diferentes cores, tamanhos e formatos, todas translúcidas e através delas a luz exterior entrava no chalé. A posição das pedras fazia com que a luz viesse de fora em diferentes raios de luz multicoloridos e se voltasse para um único ponto que era uma fonte. Sim, pode parecer estranho, mas havia dentro do chalé 13 um chafariz muito bem feito que tinha três estátuas de cães do inferno cujas bocas abertas jorravam água do rio estige, durante o dia era o bastante para iluminar o chalé inteiro, e durante a noite o chalé era dominado pela escuridão.
E por isso Max estranhou o chalé não estava escuro como deveria, algo brilhava lá dentro e isso chamou sua atenção. Ele se sentou na cama esfregando os olhos e viu que uma névoa estranha, frígida e misteriosa saía do chafariz de água do estige. De onde vinha também uma luz do mesmo aspecto que irradiava por todo o chalé, deixando-o ainda mais sinistro que o normal. Ele se levantou da cama, mesmo com sua simples roupa de dormir (uma camisa preta velha e surrada com um samba canção estampado com pequenas caveiras) e se aproximou da fonte. Enquanto andava tinha a impressão de que a névoa o puxava enquanto a luz o hipnotizava para se aproximar. E aos poucos a sua fonte a luz e a névoa foram se juntando em apenas uma área no ar e nisso formavam uma imagem, algo que surpreendeu e praticamente paralisou Maxwell.
Ele viu através de um grande circulo em pleno ar, a sala do trono do palácio de Hades, do palácio de seu pai! E lá estava ninguém mesmo que ele próprio, Hades. Estava em pé com uma expressão que apesar de muito semelhante à de Max (afinal eram pai e filho), era enormemente mais fria, rígida, obscura e cruel, como as imagens de seus filhos através da galeria sombria do chalé 13. Ele não olhava para Max, parecia estar prestando atenção em outra coisa, ou outra pessoa. Maxwell tentou falar algo, mas as palavras não saíam. Afinal eram tantas coisas, era apenas a vez que via seu pai durante toda a sua vida, e pelo visto por ações do próprio Hades, coisa que no fundo ele achava muito bom, mas sabia que não fazia sentido. Dentre tanto que tinha para falar, Max tentou pronunciar alguma palavra falhosamente.
— Ah... — Mas foi interrompido, seu pai que não o olhava de repente estendeu a mão para frente, na qual começou a se juntar um tipo de energia negra que ele sabia ser muito perigosa, mas mesmo assim não apontava para Maxwell, o olhar de seu pai era cada vez mais cruel. Ele não entendia nada, até que seu pai por algum motivo pareceu se surpreender com alguma coisa, seus olhos se arregalaram por um momento e ele se virou para Max finalmente notando-o pelo que parecia.
De repente a expressão de seu pai mudou, mudou para algo que surpreendeu Maxwell ainda mais. Ele podia jurar que seu pai o olhou, mesmo que por míseros três segundos, ele via preocupação no olhar de Hades e pôde ler nos lábios do Senhor dos mortos o que sua voz não pronunciava: "Não!". Nesse momento a expressão de Hades voltou a ser a mesma de sempre, mas ele estava enfurecido como Max nunca pensaria em querer ver.
— Como ousa?! — Gritou o deus, quase que rugindo. Nesse momento Max pôde sentir o chão do seu chalé estremecer, afinal aquele lugar tinha uma ligação com Hades, fora feito em homenagem ao próprio. Etairos gania alto e latia com medo seja lá do que estava acontecendo. Max olhou para cima e para os lados esperando que nada ali caísse sobre ele. Novamente ele olhou para seu pai que depois de um último olhar em sem filho, lhe apontou a mão e quando Max se deu conta toda a água, névoa e ar à sua frente explodiram diante dele com uma força tão grande que lhe jogou longe, mas quando se chocou com o chão (logo depois da parede) já estava desacordado.
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