Mavericks

3 Surf, conversas e notícias.


Notas iniciais
Então, deu um pouco de trabalho para fazer esse capítulo, porque eu me deparei com a minha primeira crise de criatividade, não conseguia escrever nada, mas eu me esforcei para fazer esse capítulo o mais rápido possível, então, é isso, boa leitura.

Depois de toda aquela emoção na casa da Rukia, tudo que eu queria era relaxar os nervos, já tava até vendo como o irmão dela ia ser um pé no saco, eu vesti o meu sleeve, peguei a minha prancha e comecei a passar a parafina nela, quando eu terminei, eu desci as escadas e avisei a minha mãe que eu estava indo surfar um pouco enquanto ainda tinha tempo antes da aula com o Kisuke.

Saí de casa e fui até a praia, eu morava a um quarteirão da praia, então eu cheguei bem rapidinho lá, o mar tava pequeno, como as previsões tinham dito, mas dava pra aproveitar.

Quando eu passei da arrebentação e cheguei no pico das ondas, eu encontrei Chad por lá, ele me disse que já estava lá fazia algum tempo, então já tava cansado, por isso tava só relaxando um pouco antes de sair da água.
Como eu só tinha ido para relaxar e não queria ficar cansado, já que eu tinha treino com o Kisuke mais tarde, então eu só fiquei deitado na prancha, ouvindo o som das ondas e esquecendo do resto do mundo, depois de algum tempo eu resolvi pegar algumas ondas e assim foi, eu fiquei uma meia hora surfando, o mar tava pequeno, mas deu pra se divertir e curtir um pouco, afinal, só de estar em cima da prancha eu já me sinto mais vivo, mais realizado, como se a razão da minha existência fosse estar numa prancha e eu não precisasse de mais nada para viver, só daquilo ali, pro resto da minha vida.

Quando eu comecei a sentir que o meu corpo estava começando a ficar cansado, eu resolvi sair da água, já que eu tinha que conservar minhas energias para o treino com o Kisuke, então eu só deixei uma onda me levar até as águas rasas, quando eu cheguei por lá, eu só me levantei e fui saindo da água, quando eu me deparo com Rukia me observando da areia, resolvi ir lá para ver porque ela estava lá.

– Oe, Rukia, você tá fazendo o que aqui ?

– Ahh, eu terminei de arrumar o meu quarto e resolvi vir dar um passeio aqui na praia, então eu vi você surfando e resolvi ficar observando um pouco.

– Hum, você já tá aqui faz quando tempo ?

– Uns 20 minutos, você surfa bem.

– Você acha ? Valeu.

– Sim. Me diz, dá muito medo de ficar em cima dessas ondas tão altas ?

– Altas ? Rukia, hoje o mar tá pequeno, aquelas ondas são as menores ondas que você vai ver nessa praia.

– Sério ? Nossa, eu podia jurar que aquelas ondas estavam enormes.

– Não, estavam pequenas mesmo, mas então, você ainda vai ficar por aqui ?

– Acho que vou, eu ainda quero dar uma olhada aqui na praia, eu ainda quero aproveitar essa praia mais um pouco.

– Hum, se importa se eu te fizer companhia ? Daqui a pouco eu vou me encontrar com um amigo meu aqui na praia, então eu nem vou voltar pra casa.

– Tudo bem, na verdade eu até gosto de ter companhia.

– Certo, então, por que a sua família se mudou pra cá ?

– Negócios, meu irmão está começando a expandir a empresa que ele criou, então nós viemos pra cá pra fazer companhia para ele.

– Ahh.

– E a sua família ? Por que saíram do Japão ?

– Meu pai é médico, ofereceram para ele um emprego melhor do que o que ele tinha lá no Japão, então nós viemos pra cá e estamos aqui desde então.

– Você surfa faz quanto tempo ?

– Desde que eu tinha quatro anos de idade, meu pai sempre surfava, lá no Japão, então eu sempre estive no mundo do surf, eu sempre fiquei maravilhado ao ver as pessoas flutuando em cima das ondas e fazendo aquelas manobras iradas, quando eu era criança, a minha mente via tudo isso como uma coisa mágica.

– Legal.

– Sim. Mas e quanto a você, Rukia ? Nunca pensou em começar a surfar ?

– Não, mas foi só por nunca ter passado pela minha cabeça mesmo, eu até poderia aprender algum dia desses.

– Ok, está combinado então.

– O que ? Como assim ?

– Eu vou te ensinar a surfar – Rukia ficou meio assustada quando eu falei isso, a cara de espanto dela foi totalmente impagável.

– Mas assim, tão de repente ? Eu não tenho prancha e nem esse negócio que você tá usando, como você vai fazer para me ensinar ?

– Ahh, isso é fácil, é só eu pegar uma prancha e um sleeve das minhas irmãs menores, vocês devem ser do mesmo.

– Como você pode ter certeza que esse um sleeve das suas irmãs vai caber em mim ?

– Eu tenho certeza, as minhas irmãs só tem 12 anos de idade, então vai ficar perfeito em você – depois que eu disse isso a Rukia ficou uns dois minutos processando a informação, a cara que ela começou a fazer quando ela começou a entender, foi engraçada, uma mistura de psicótica com ‘’corre’’.

– Ichigo, você acabou de insinuar que eu sou baixinha, ao mesmo tempo em que dizia que eu tenho o corpo de uma garota de 12 anos ?

– Não sei, eu disse ?

– Ichigo.

– Que ?

– Corre.

– Como assim ? Por que ?

– Eu disse, CORRE !!! – e depois que ela me disse essas últimas palavras, ela não me deu mais nenhuma chance de escapar, ela só pulou em cima de mim e começou a me socar, Deus, como aqueles bracinhos finos conseguem ser tão fortes ? Os socos dela estavam realmente doendo.

– Ai, Rukia, para, tá doendo.

– EU SÓ VOU PARAR, QUANDO VOCÊ RETIRAR O QUE VOCÊ DISSE !!!

– Mas retirar o que ???

– VOCÊ ME CHAMOU DE BAIXINHA !!! RETIRE ISSO JÁ !!!!!

– Ok, ok, eu retiro o que eu disse ! Eu nunca chamei você de baixinha ! – parece que a Rukia tinha gostado de me bater, porque mesmo depois de eu ter falado isso, ela continuou em cima de mim e não parou de me socar que nem uma louca.

Depois de mais uns cinco minutos me batendo, Rukia começou a cansar e os socos dela foram ficando mais fracos, finalmente vi a oportunidade de parar com aquela loucura, na primeira chance que eu tive, eu segurei os braços dela e finalmente aquilo tudo parou.

– Que droga Rukia, pra que fazer isso ?

– Você me chamou de baixinha, você mereceu.

– Eu posso até ter chamado, mas depois que eu fiz, eu retirei o que eu tinha dito, você não precisava ter perdido o controle, droga, meu peito tá todo dolorido.

– Tudo bem, eu confesso que posso ter perdido um pouco o meu controle, mas a culpa foi sua, ninguém mandou me chamar de baixinha – foi só depois que ela disse isso, que finalmente percebemos a posição em que estávamos, Rukia estava sentada em cima de mim e eu estava deitado na areia, no mesmo momento eu pensei o que é impossível de não se pensar quando se está assim com uma pessoa e parece que Rukia pensou a mesma coisa, em vista de que ela ficou parecendo um tomate, de tão vermelha que estava, e pelo fervor do meu rosto, eu estava igualzinho a ela.

Não precisamos pensar muito para sairmos daquela posição constrangedora, depois que ela saiu de cima de mim, nós ficamos sentados na areia olhando para o mar, sem falar absolutamente nada, estávamos muito constrangidos para falar qualquer coisa.

Quando eu finalmente criei coragem para falar qualquer coisa, tudo o que saiu foi um ‘’hum, ahn ?’’, é, eu sei, patético, mas eu não tinha costume em ficar em posições tão constrangedoras com garotas, ainda mais quando eu tinha acabado de conhecer essa garota e essa garota era incrivelmente bonita como Rukia era.

– Hum, ei, Rukia, como vão as coisas lá no Japão ? Eu era muito novo quando me mudei, então não me lembro de muitas coisas – eu finalmente consegui dizer palavras que fizessem algum sentido, mas ainda assim, era uma pergunta meio idiota, eu nunca tinha me preocupado muito com o Japão, eu lembrava de bem poucas coisas de lá, mas foi só uma tentativa de tentar quebrar o clima ruim que estava acontecendo naquela hora.

– Bem, as coisas continuam como sempre foram no Japão, só que aconteceu aquele tsunami alguns anos atrás, você deve ter visto nos noticiários – Rukia estava tão sem graça quanto eu, ela estava com o corpo rígido e parecia que iria sair correndo a qualquer minuto.

– É, eu vi, você morava perto do lugar aonde aconteceu ?

– Não, na verdade eu morava do outro lado do país, não afetou o lugar onde eu morava.

– No que o seu irmão trabalha que o fez querer expandir a empresa pra cá ?

– Ele tem uma firma de seguros, a firma cresceu bastante lá no Japão, nesses últimos tempos, então ele decidiu expandir para novos países e como os Estados Unidos são a maior potencia mundial, a gente veio pra cá.

– Pelo menos ele escolheu a Califórnia para começar, se ele tivesse escolhido um lugar como o Arizona ou o Texas, você estaria meio ferrada.

– Por que ?

– Digamos apenas que esses lugares são meio estranhos quando você é alguém de fora, acredite, minha família foi viajar para esses lugares uma vez, nunca nos arrependemos tanto de ter feito alguma coisa, não deveria haver vida em lugares como esses.

– Nossa, então ainda bem que a gente veio pra cá, aqui é ótimo, o clima é bom, o lugar é calmo e pra melhorar tudo, tem essa praia perfeita – Rukia parecia finamente estar ficando a vontade de novo, ela estava olhando para o mar e estava sorrindo, parecia em paz, eu não sei como a vida dela era antes de vir pra cá, mas parece que só esse pouco tempo aqui já estava começando a acalmar a consciência dela.

– Ei, Rukia, vamos dar uma volta pela praia ?

– Ahn ? Ahh, sim, claro – ela parecia pensativa, como se a mente dela não estivesse aqui, mas sim em algum outro lugar, eu pensei em perguntar no que ela estava pensando, mas achei melhor não, as vezes é melhor deixar as pessoas com os seus próprios pensamentos.

– Ok então, vamos, eu te ajudo a levantar – eu me levantei e logo depois ajudei a Rukia a fazer o mesmo, depois ficamos mais uns vinte minutos caminhando pela praia, eu mostrei para ela os lugares importantes e o que tinha pelos arredores da praia, foi um passeio calmo, não aconteceu mais nenhuma seção de espancamento de Ichigos. Depois disso, Rukia disse que já queria voltar para a casa dela, então eu levei ela até a porta e nós nos despedimos, mas quando eu já estava voltando para a calçada, a Rukia me chamou e me disse:

– Ichigo, obrigada por me fazer companhia hoje, nós nos conhecemos hoje de manhã, mas você já tem sido um grande amigo para mim, muito obrigada.

– Ahh, que isso, eu só fiz isso porque você é legal, Rukia, é bom ficar conversando com você – quando eu disse isso, ela enrubesceu um pouco, eu só não sei o porque de isso ter acontecido.

– Enfim, – ela perecia como um coelhinho querendo escapar de uma situação perigosa, como se eu fosse um predador e ela estivesse começando a ser hipnotizada por mim – obrigada pelo ótimo passeio na praia, até amanhã na aula.

– Ok, até.

Dito isso, nós nos despedimos e ela entrou na sua casa, eu voltei para a praia, pois já eram uma e vinte da tarde e eu iria me encontrar com o Kisuke uma e meia, então eu fiquei mais um tempo esperando ele chegar, até que eu vi a caminhonete dele virando uma esquina para vir até a praia, quando ele chegou, eu fui até o lugar aonde ele tinha estacionado a caminhonete dele e já fui colocando a minha prancha na caçamba e pegando aquele stand up dele que era quase uma canoa e coloquei o meu leash nela, quando o Kisuke saiu do carro, eu fui cumprimentar ele e ele estava com aquele chapéu verde e branco que ele só tirava quando estava no mar.

– Ei, Kisuke, de boa ?

– Sim Ichigo, na verdade, tá tudo ótimo – Kisuke sempre tinha um sorriso no rosto, na maioria das vezes era um sorriso meio sarcástico, só que dessa vez, era um sorriso de verdade, um sorriso sincero, resolvi perguntar o motivo daquilo.

– Ei, Kisuke, aconteceu alguma coisa para você estar feliz desse jeito ?

– Sim, Ichigo, aconteceu uma coisa ótima – ele aparentava estar mais feliz a cada palavra que falava.

– Então, o que foi ?

– Eu vou ser pai novamente, Ichigo, pai.

– Nossa, parabéns Kisuke, a Yoruichi deve ter feito uma festa para te contar isso, não fez ?

– Ela fez exatamente isso, Ichigo, ontem a noite, quando eu cheguei do trabalho, a Yoruichi estava dando uma festinha na nossa casa, aquela mulher é única – ele deu uma pequena risada quando disse aquelas palavras, como se ele estivesse se lembrando de alguma coisa boa.

– Realmente, Kisuke, ela é uma mulher única e é única para você, parabéns, Kisuke, desejo felicidades a sua família.

– Muito obrigado, Ichigo, você não faz idéia de como a sua amizade e a do seu pai, são importantes para mim – ele falou isso para mim ao mesmo tempo em que passou o braço por cima do meu ombro e começou a dar alguns leves tapas nas minhas costas, tudo isso sem tirar aquele sorriso do rosto.

– Valeu cara, mas então, vamos lá ?

– Vamos então – ele pegou outro stand up que tinha na caçamba da caminhonete e nós começamos a andar até a água – mas Ichigo, não ache que eu vou pegar leve com você só por causa disso, o treino vai ser duro como sempre, pode ser que seja até um pouco mais difícil, só de farra.

– De boa Kisuke, o meu humor também está ótimo hoje, estou com bastante energia.

– Posso perguntar o motivo de todo esse bom humor ?

– Claro.

– Então tá, qual o motivo disso ?

– Hoje eu conheci uma garota, sei lá, mas ela pareceu diferente de todas as outras, nós conversamos com tanta naturalidade desde o momento em que nos vimos, sei lá Kisuke, mas ela parece ser única – eu nem havia me dado conta das coisas que eu disse sobre a Rukia para ele, só fui perceber quando já tinha dito.

– Isso é bom, Ichigo, mas tome cuidado para não se apaixonar por ela, você conhece os perigos que existem quando se tem um sonho igual ao seu – e, de fato, eu sabia, surfar Mavericks era uma das coisas mais perigosas que existiam, se você caísse da prancha e levasse toda aquela água na sua cabeça, você poderia morrer na hora e, se sobrevivesse, ainda teria que prender a respiração por até quatro minutos até poder voltar para a superfície, sem contar os perigos de ser jogado contra as pedras da costa e do fundo do mar, realmente, era uma coisa perigosa, Kisuke havia parado de fazer isso pois agora ele tinha uma família para cuidar e não podia se arriscar tanto assim, ele sempre me treinou e pediu para eu ter isso sempre em mente, o perigo que existia e a possibilidade de morrer e deixar uma família sem o pai ou coisa do tipo, por isso ele me dizia para ter cuidado e não me apaixonar por ninguém, pensando no que essa pessoa sentiria se eu morresse numa onda.

– Sim Kisuke, eu sei muito bem e eu não vou me apaixonar por ela, nós vamos ser somente amigos – eu acho que eu estava dizendo aquilo mais para mim, do que para ele.

– Sabe, eu costumava dizer a mesma coisa sobre a Yoruichi e veja como estamos agora, casados, com um filho e esperando outro.

– Sei Kisuke, eu vou tomar cuidado para isso não acontecer.

– Tome mesmo, tome muito cuidado, porque para se apaixonar por alguém, não demora nem um segundo, mas o que vem depois disso, é catastrófico.

– Huhum – quando eu disse isso, nós já estávamos com os pés na água.

– Ok, antes de entrarmos na água, eu quero que você olhe para o mar e me diga o que você vê – então eu fiquei uns instantes observando o mar e disse :

– Hum, eu vejo ondas.

– Mas alguma coisa ?

– Bem, todas elas quebram no mesmo lugar.

– Exatamente, isso acontece porque é naquele lugar que está o recife de coral, as ondas batem nele e quebram ali, quando se está surfando ondas normais, você tem que ultrapassar aquele ponto para poder pegar as ondas como se deve fazer, agora, quando são Mavericks, o negócio é diferente, você tem que ir muito além do que aquele ponto para poder chegar no ponto certo, você vai precisar remar por até meia hora sem parar, e o mar ainda vai te puxar para a costa, se você não tomar cuidado, é por isso que nós temos feito exercícios de remada durante todo esse tempo, para fortalecer os seus braços e a sua resistência.

– E por que você me diz isso só agora ?

– Bom, Ichigo, isso é porque finalmente tem um el nino se aproximando da costa, deve chegar por aqui em mais ou menos um ano, eu temo que você ainda não esteja totalmente preparado para isso, Ichigo.

– Bem, Kisuke, eu vou dar o meu melhor para conseguir.

– É isso que eu gosto de ouvir, isso mesmo Ichigo, agora vamos ?

– Vamos.

Eu estava mais determinado do que nunca a me preparar para as Mavericks, se eu só tinha um ano para estar pronto, eu ia fazer esse ano contar e eu com certeza estaria pronto para elas.

Então fomos para mais um dia de treinamento, remadas, treino de fôlego, mergulho, tudo o que Kisuke achava ser necessário para eu sobreviver às Mavericks que me aguardavam em pouco tempo. Eu havia jurado para mim mesmo que um dia eu pegaria Mavericks e eu estaria pronto para elas quando chegassem e mesmo que eu não estivesse pronto, eu morreria tentando, pois eu não iria desistir disso por nada nessa vida.

Notas finais
Então, gostaram ? Espero que sim, se gostaram, comentem, se não gostaram, fiquem a vontade para comentar, seu apoio é muito importante pra eu saber se eu estou agradando alguém com a minha história, então, até o próximo
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