Notas iniciais
Espero que gostem.

Olhei indiferentemente para aquela casa. Papai estacionava o carro na garagem, e mamãe já estava lá dentro. Olhei mais uma vez. A casa tinha dois andares, era uma construção perfeita, uma divindade antiga. O portão era preto e possuía alguns detalhes. Os muros eram de pedra. Tinha uma árvore nos fundos da casa. No interior da casa possuía uma sala de jantar e de estar, uma cozinha e um banheiro no fundo. Uma lareira na sala de estar também. Tudo parecia antigo naquela casa, principalmente os lustres e o chão de madeira. A escada dava a um corredor com manchas de quadros nas paredes. Dois quartos, um no inicio do corredor, e outro no fim. Ao caminhar escutava-se o barulho da madeira antiga no chão. Rangendo. Caminhei até a ultima porta. Aquele quarto dava a uma sacada para o fundo da casa. Era médio, eu não diria grande, mas era perfeito para mim e para minhas tralhas. Mamãe apareceu atrás de mim, na porta.

- Gostou do quarto, meu ursinho¿ — perguntou ela, com um sorriso hipócrita no rosto.

- É legal. – sussurrei indiferente. Joguei minha mochila no chão, e fui até uma janela, que dava a tal sacada. Debrucei-me no apoio. Olhei para baixo, e cuspi. Os móveis já estavam em seus devidos lugares, eu acho, desde uma semana atrás. Voltei para o corredor e desci as escadas. Mamãe e papai conversavam na cozinha, sai pela porta. Fui até a calçada da rua. A vizinhança era tão irritante quanto a antiga. Velhas, cachorros sarnentos, crianças. Irritantes. Alguém se aproximava de mim. Olhei para tal pessoa, e vi um garoto. Devia ser um pouco mais velho que eu. Sendo que eu tenho 15. Ele sorriu. Aquele sorriso era irritante.

- Deve ser a nova vizinha. – disse ele, parando em minha frente.

- Não, eu sou a nova prostituta da vizinhança. – falei ironicamente.

- Hahaha. Me chamo Kurt Lindemann. – sorriu mais uma vez.

- Uli. Uli Steiner. – não o olhei.

- Prazer, Uli. – estendeu a mão para um cumprimento amigável. Não fiz nada. Kurt tinha cabelos típicos alemães. Loiros. Parecia cor de areia de praia, como os meus. Kurt deveria ter 1.70 de altura, por ai. Mamãe me chamou para o jantar. Kurt se despediu. Mamãe fez carne para o jantar. Típico dela. Ela e o papai conversavam e riam, enquanto eu continuava com a minha expressão tediosa no rosto.

- Till, precisamos achar uma escola aqui perto para Uli.

- Tem razão, querida. Amanhã eu providencio isso.

- O que você acha, ursinho¿ — de novo não.

- Tanto faz. Mas seria da minha preferência não estudar mais.

- Uli, nós já conversamos sobre isso! Se você não estudar vai acabar... – o interrompi.

- Indo morar na rua, uma inútil da vida. Eu já sei. – ri sarcasticamente. Ninguém falou nada. Terminei de jantar e fui para meu quarto.

- Preciso de um gato. – falei pra mim mesma. – Amanhã eu procuro um vira-lata qualquer por ai. — Me joguei na cama e adormeci. Deviam ser 9 da manhã, e minha mãe escutava música gospel a todo volume. Isso me irritava muito. Me levantei e sai do quarto, de mal humor, enquanto minha mãe cantava alegremente em seu quarto. Fui até o banheiro e tomei banho. Voltei a meu quarto, e abri meu guarda-roupas. Uma blusa preta, calça jeans, meias, roupas intimas, casaco preto. Vesti. Puxei meu coturno que estava de baixo da cama, e o calcei. Penteei meus cabelos loiros e lisos, que iam até o ombro. Ajeitei a franja para o lado. Me maquiei. Lápis de olhos, pó branco, rímel, sombra preta. Meu piercing bolinha brilhava contra a luz em minha boca. Coloquei minhas luvas, que só tinham a metade dos dedos. Fechei meu quarto. Desci as escadas e minha mãe estava na cozinha.

- Vou dar uma volta.

- Meio dia quero você aqui, meu ursinho. – Vá pro inferno com esse urso filho de uma puta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.