Mau presságio
1 Capítulo 1
Aquele era o dia mais feliz de Lucas, 24 anos, casado com uma mulher linda, e uma filha de 3 anos mais linda ainda, era seu aniversário do vigésimo quinto dia de seu nome naquela meia noite. Realizava o melhor churrasco da sua vida com sua família, saíra pra comprar mais pão para a "noitada", era dez e meia da noite e já estava escuro, mas voltava com a comida já na sacola, ainda sorridente por tudo aquilo estar acontecendo.
Passava debaixo de uma casa que trazia mais sombra ainda para o ambiente, e assim que ultrapassou uma fera pequena o derrubou no chão, mordendo seu pescoço com uma força descomunal. Lucas sentiu sua carne e seu sangue queimarem, enquanto a criatura ainda o mordia, com força, segurou o pescoço do animal e o jogou pra frente, não havia maneira de fugir, pois seu corpo já estava fraco o suficiente pra não o deixar se mexer por aquele tempo.
Socara a criatura sem parar, com raiva e com temor, enquanto ela gemia de dor como ele, o arranhava com suas garras dos pés no rosto e mordiscava sua mão
—Morra logo!— Exclamava nervoso, sempre foi alguém medroso, mas dessa vez não iria deixar qualquer coisa acontecer.
O animal desferiu as garras em seu peito, o machucando ainda mais, arrancando seus olhos de pouco em pouco. Lucas o estrangulou com toda força que podia, que não era muita devido a todos os seus ferimentos. Enquanto fraquejava cada vez mais, voltou a socar a criatura, e subitamente, quando olhou para a esquerda, só viu dois faróis vindo em sua direção, era ali que iria morrer. Mas... Se não fosse aquele ser do inferno, ele estaria vivo com sua família, então o continuaria a tortura-lo até não poder mais. Recuperou sua força, na verdade, não recuperou, mas produziu força de tanto ódio que tinha sobre o ser misterioso, ele queria aproveitar mais a vida, queria morrer mais para frente, queria passar mais tempo com sua mulher, queria ver sua filha crescer e ter uma vida boa com uma figura de um herói que o seria, queria acordar cedo por causa da alegria da filha e brincar com ela numa manhã de natal. Sentir sua esposa mais uma vez, ver aquele velho sorriso de sua mãe, queria fazer tanta coisa... Mas não podia. Por culpa daquela maldição que o diabo enviara.
Um choque veio em sua espinha, o carro tinha passado por cima, mas ao invés dele ter jazido morto ali, na verdade, despertou na cama. Nove anos antes desse seu suposto futuro, com 16 anos, Lucas estava ofegante, com suor escorrendo pelo seu corpo, a camiseta e a coberta jogados no chão, o lençol espalhado, o mesmo de joelhos e um travesseiro sendo esmurrado.
Quando recordou de vez, olhou em volta, com seu olhar pesado, pairando sobre o quarto, desabou o corpo sobre a cama, as lagrimas quase desceram aos seus olhos. Apertou o próprio pescoço, onde a criatura tinha mordido no sonho. Apertou com mais força ainda, com o medo que tinha de tudo aquilo acontecer.
—A dor ainda é a mesma— Deu um sorriso triste e dormiu mais uma vez, naquela hora torcendo pra não morrer de novo nos sonhos
E longe dali, uma ave negra o observava com seus olhos vermelhos.
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