Maternidade
3 Nascendo
Notas iniciais
Respirei fundo, sentindo uma pontada em minha barriga, tentando acalmar os meus nervos. Estava sentada na varanda da pequena casa a qual Sasuke alugou para que eu passasse minha gravidez. Não era enorme como a nossa, em Konoha, mas era aconchegante e tinha um ar familiar. Era envolta por arvores enormes, que não facilitavam a luz do sol passar por entre seus ramos e copas. Eu gostava dali. Mas apesar disso, sentia falta da vila, da movimentação, das pessoas e, principalmente, do hospital.
Desde que contei para Sasuke que estava gravida, minha vida mudou ainda mais do que eu esperava. Ele assumiu um instinto protetor ao qual nunca sequer imaginei que teria. Pensei que passaria toda a minha gestação sozinha, mas Sasuke passara cada segundo comigo, tirando uma licença das missões, ao que Kakashi prontamente aceitou. Porém, não foi só isso. Um belo dia, enquanto eu podava minhas plantinhas, ele chegou e disse:
“Sakura, vamos mudar.”
Podem imaginar que o olhei como se fosse louco, não é? E quando ele confirmou aquilo, bati o pé no chão, não querendo mudar toda a minha vida só por estar gravida. Erro meu. Obvio que minha vida mudaria totalmente. Começou a mudar no momento em que eu disse “aceito” para o pedido desajeitado de Sasuke, e me tornei oficialmente uma Uchiha. Esse nome era um peso... Uchihas eram conhecidos em todo o mundo, principalmente um herói de guerra, como Sasuke era. E com conhecimento, vem amigos e inimigos. E era isso que Sasuke temia.
No fim das contas, acabei aceitando, se Tsunade- sama concordasse em fazer o meu parto, mesmo longe de Konoha. E ela aceitou. Com isso, saímos de Konoha na surdina, dizendo que eu viajaria por uns tempos. Apenas alguns amigos, como Ino e Sai, e meus pais, sabiam disso. Nem mesmo Naruto, que estava em um retiro sendo treinado como futuro Hokage, sabia. Apagamos todo e qualquer indicio de que eu estava gravida.
– Hum...- resmunguei ao sentir outra pontada. Logo seria a hora. Eu podia sentir as contrações aumentando, e com meu chakra eu procurava monitorar o neném, que logo estaria em meus braços.
Era uma sensação boa e ruim; saber que finalmente teria minha filha em meus braços me fazia ansiosa, nervosa e incrivelmente radiante. Mas também estava temerosa, por isso passei todo o tempo, desde o início das contrações, de manhã cedo, até agora, um pouco depois de meio-dia, com as mãos cheias de chakra, pressionados sobre o meu ventre arredondado.
– Sakura. – ouvi a voz de Tsunade- sama, que chegara ali logo que descobrira que eu estava tendo contrações. Veio até o meu lado, me extendendo uma xicara com um liquido fumegante. – Tome, é para te acalmar.
Assenti, bebendo o chá lentamente. Tsunade sentou-se ao meu lado, suspirando.
– As contrações aumentaram? – perguntou, e eu meneei a cabeça, tirando outro suspiro dela. Nem precisei olha-la para saber que sua testa estava enrugada, sinal claro de preocupação.
– Obrigada, shishou, por estar aqui comigo. – disse, tomando outro gole de chá. Ela assentiu e ficamos em silencio.
Senti outra pontada, e mordi o lábio. Aquela tinha sido violenta. Me mexi desconfortável na cadeira de madeira; estava começando a ficar com dor nas costas, e a barriga grande demais parecia que iria explodir a qualquer momento.
– Tudo bem? – Tsunade perguntou, colocando suas próprias mãos sobre minha barriga, para verificar.
– Sim. – respondi, sorrindo. – Ela só está impaciente para sair, não é neném? – passei a mão em minha barriga, num carinho que sempre fazia. Tsunade assentiu rígida, e eu ri. – Tsunade, não precisa ficar tão preocupada, ok? Vai dar tudo certo.
A antiga Hokage me fitou, para depois passar a mão sobre o rosto cansado – por ter ficado a noite toda em claro bebendo e apostando-, e suspirando.
– Só não confio nela. Tsk, só o Uchiha mesmo para trazer alguém que era apaixonado por ele, para ajudar no parto da filha dele. – soltei uma risada, atraindo o olhar da minha shishou sobre mim novamente.
– Não se preocupe com Karin. Eu confio nela. – disse, apesar não ser tão verdade assim. Afinal, a ruiva, ex-companheira de time de Sasuke, ainda era apaixonada por ele. Podia ver claramente em seus olhos vermelhos, toda vez que o olhava.
Se eu sentia ciúmes? Por que deveria? Eu era a mulher de Sasuke, ele me pedira em casamento, e agora teríamos nosso primeiro filho. Eu só sentia um pouco de pena dela, por saber o que é sofrer por um amor não correspondido. Também era grata, pois por causa desse amor que ela estava fazendo aquilo.
~~
A noite já caia no céu quando finalmente as contrações estavam insuportáveis. Estava deitada na cama de casal, mordendo os lábios fortemente, tentando ao máximo não gritar de dor. Porque sim, doía muito. O quarto estava silencioso, e minha respiração pesada era o único som a ser ouvido. Além das dores, sentia meu corpo fraco, meu chakra estava sendo consumido, sendo passado para meu bebê.
Tsunade monitorava tudo, suas mãos com o chakra verde investigando todo o meu corpo, tendo certeza de que tudo daria certo. Ao meu lado, na cama, estava Sasuke. Ele me olhava, com aqueles olhos negros, usando seu sharingan para também monitorar o bebê; e do outro lado do quarto, escorada na parede, com os olhos voltados para o chão, estava Karin. Não dizia uma palavra, nem mesmo se movia.
– Urgh.- senti outra pontada, dessa vez mais forte, atraindo o olhar preocupado de Tsunade. Fiz o máximo para sorrir e passar conforto, mas fui mal sucedida quando outra pontada veio, me fazendo murmurar alto.
– O bebê já está na posição. – disse Tsunade, encarando Sasuke agora. – Sasuke, consegue ver?
Meu marido assentiu, sem nem olha-la. Ele parecia entretido em minha barriga, e eu imaginava o que ele estaria vendo.
– Bem, vamos começar então. – Tsunade mandou um olhar para Karin, e lentamente a ruiva caminhou para a minha direção. – Prestem atenção. Sakura está fraca, não consegue controlar o seu chakra, que está indo inteiramente na direção do bebê. Sasuke, não tire os seus olhos do corpo dela. E Karin, dê seu braço para ela morder.
E assim, com todos aos seus postos, comecei a fazer o trabalho de parto. É engraçado que, apesar de ser conhecida como uma kunoichi com força sobre-humana, com controle de chakra preciso, e discípula da Godaime Hokage, eu me sentia uma mulher comum agora. Meu corpo não estava tão forte, me sentia molenga e dolorida, mas mesmo assim fiz força. Empurrei, sentindo meu corpo dilacerando, com toda a força possível.
Meus olhos encheram de lagrimas, minha testa suava, e eu estava tensa. Mesmo assim, empurrei. Sasuke apertou minha mão, seus olhos agora preocupados olhando em minha direção, mas logo mudaram de foco ao ouvirem um “foco, Uchiha”, de Tsunade.
Não sei quanto tempo passou, pareceram dias, horas infindáveis de muita dor, mas finalmente eu ouvi. Ouvi o som mais lindo de todo o mundo.
Minha filha chorando, em seu primeiro sopro de vida. Olhei para o neném nos braços de Tsunade, que a encarava abobalhada, com lagrimas nos olhos; vi os cabelos negros ralos, a pele ainda rocha e melada, o rosto contorcido por não saber o que estava acontecendo. Lentamente, Tsunade trouxe-a para mim, já embalada em uma manta.
Peguei o neném com o maior cuidado do mundo, observando o rostinho choroso, com a boca aberta aos berros; aos pequenas mãos estavam fechadas, e seu corpo tremia. Passei a ponta do dedo em sua face, sentindo a pele macia e fina. Sorri. Chorei. Sorri de novo.
Senti alguém se remexendo ao meu lado, tinha me esquecido completamente de Sasuke. Meu marido, o antigo vingador, ex- nukenin, até algumas horas atrás o único Uchiha vivo, encarava nossa filha em meus braços com pura adoração. Seu semblante, sempre tão fechado e inexpressivo, era sereno. E, vejam só, tinha um belo sorriso no rosto. Provavelmente era inconsciente.
Não vi Tsunade, tampouco Karin, saindo do quarto, nos deixando a sós naquele momento único, tanto para mim quanto para ele. Agora éramos pais, responsáveis por uma vida. Uma vida que já era amada imensamente, desde o momento em que descobri que estava gravida.
– Bem- vinda, Sarada. – disse, enquanto era abraçada por Sasuke.
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