Materfamilias

1 Summus amor in mundo renascentiae comitatur


Notas iniciais
Heyy, como estão amores? ♡ Primeiro, quero desejar um feliz dia das mães a todas as mamães que estão lendo essa one. Seja as mães que tenham filhos, ou as que são como mães para alguém. Hoje, trago essa história que eu sempre quis escrever; uma centric de uma das minhas personagens favoritas da vida; Sam Puckett! Eu a escolhi porque ela é uma personagem muito complexa e eu amo explorar essa complexidade. Mas também, porque ela tem uma relação complicada com a mãe, que é muitas vezes mencionada durante iCarly, mas pouco explorada. Me inspirei nisso e quando eu dei por mim, a história já estava se escrevendo. Bom galera, antes de liberá-los para a leitura, eu peço para que leiam as notas finais, é muito importante porque deixei informações cruciais nela que ajudam a entender algumas coisas relacionadas a one. E também peço para que deixem suas opiniões nos comentários, não dói nada e é algo muito importante para todos nós escritores; o feedback! Agora sim, tenham uma boa leitura! ♡♡

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.’

–Clarice Lispector

Há impossibilidade de ser além do que se é – no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio, sou mais do que eu quase normalmente –; tenho um corpo e tudo o que eu fizer é continuação de meu começo.

–Clarice Lispector

Algum dia em qualquer parte, em qualquer lugar indefectivelmente te encontrarás a ti mesmo, e essa, só essa, pode ser a mais feliz ou a mais amarga de tuas horas.

–Pablo Neruda

E desde então, sou porque tu és

E desde então és

sou e somos...

E por amor

Serei... Serás... Seremos…

–Pablo Neruda

Samantha não havia nascido para ser mãe.

Desde que se conhece por gente já sabia disso, era um fato mais do que concretizado para ela, que odiava com todas as forças a maternidade e tudo relacionado a isso.

É claro que essa não é uma certeza que se espera vindo de alguém tão nova, mas como todos aqueles que carregam armaduras e máscaras de carnaval, Samantha também tinha inúmeros motivos para pensar dessa forma e conviver com essa certeza até o presente momento.

Sua mãe, Pam Puckett, nunca havia sido uma mãe presente. Desde que John, seu pai, nunca mais voltou para a casa após ter saído para ir ao mercado, -quando ela e sua irmã gêmea ainda eram bebês de um ano-, Pam havia mudado, tentou criar as filhas até onde deu, mas como Samantha, ela também não havia nascido para ser mãe. Então, fez o que quis fazer e a única coisa que conseguia naquele momento.

Passava a maior parte do dia fora de casa; eram boates, bares, ruas, casas de amigas e casas de namorados. Às vezes também passava em lojas, restaurantes e lanchonetes. O que desse para fazer fora de casa, ela faria.

Quanto às meninas… seu irmão, Carmine, a ajudava de vez em quando. Ela as deixava em sua casa e elas ficavam lá sempre que dava. E quando não dava, bem…ela tinha que dar um jeito de arrumar vizinhos para cuidarem das pequenas ou então, quando sua mente não respondia por si, as deixava sozinhas em casa. Apenas parou com essa prática quando uma vizinha ameaçou denunciar para a polícia o que estava acontecendo. Pam quis se livrar das filhas, as enviar para um abrigo tiraria um enorme peso de suas costas, mas, e se nesse abrigo resolvessem separá-las? E se… acontecesse algo com elas?

De jeito nenhum, ela não podia permitir isso.

Então fez um acordo com a vizinha, de que ela cuidaria de suas filhas quando estivesse fora e em troca teria as unhas feitas toda semana. A vizinha, que estava procurando um marido rico há tempos, aceitou, é claro.

E assim Sam e Melanie foram crescendo… até a idade em que já podiam ficar sozinhas em casa. Mas isso também não durou muito, logo após um tempo Melanie foi aceita em uma escola de elite em Massachussets, com bolsa integral e tudo.

Após isso… a vida de Sam apenas piorou. A mãe começou a fazer inúmeras comparações entre ela e a irmã, enchendo a boca para falar do quanto Melanie agora seria a esperança da família; a primeira Puckett a entrar para uma universidade, a ter um futuro decente. Mas, será que Pam não se lembrava de que se Melanie havia conseguido esse feito, não havia sido por conta dela? A menina lutou sozinha para isso, contando com a ajuda apenas da irmã, que apesar da pouca idade de dez anos e pouco entendimento de exatas, a ajudava a repassar as matérias, a segurar a lanterna quando faltava luz, a fazer todo o serviço da casa quando a mãe estava fora. E, claro, a entrar sorrateiramente nas bibliotecas à noite para pegar “emprestado” um monte de livros didáticos. Nem sempre podia levar tantos, então contava às vezes com a ajuda do tio Carmine, e de uma enorme bolsa que ele havia dado a ela de aniversário.

“Infelizmente Sam, você não terá uma vida fácil. E é por isso que eu quero que se acostume com as malas, porque, apesar de parecerem algo inútil, elas são bem úteis para quem precisa se virar sozinho. Um dia, você vai entender melhor, Pequena.”

Ele disse, após entregar o presente e ver a carinha de decepcionada da garotinha ao ver do que o embrulho se tratava.

Quando Melanie recebeu a notícia, através do diretor da Ridgeway, Sam foi a primeira a saber, e as duas mataram aula para irem se divertir no parquinho. E no dia da despedida, choraram muito enquanto se abraçavam, prometendo uma à outra que escreveriam e ligariam todos os dias.

Melanie havia ido embora, e Sam, apesar de muito orgulhosa dela, sentia-se triste, a irmã sempre fora sua melhor amiga, e tudo o que ela mais queria era um abraço, um colo, alguém dizendo que tudo ia ficar bem e que Melanie logo estaria de volta para as férias.

Esperou e desejou muito receber esse tipo de atenção e carinho de sua mãe, mas, quando chegaram em casa, nem ao menos parecia que era a própria filha de Pamela a ter embarcado naquele avião, ela parecia feliz e não era uma felicidade normal pela conquista da pequena, mas sim, uma felicidade de alívio…

Mas, ela não percebia que ainda tinha outra filha que precisava dela e estava lutando com todas as suas forças para conseguir o mínimo de atenção da mãe?

Será que Pam não percebia o quanto era amada por Samantha?

Quando chegou a adolescência, Sam simplesmente deu-se por vencida e parou de implorar, de cobrar… agia como se não se importasse pela forma como a mãe a tratava, apesar de se importar, e muito.

Sempre quando chegava em casa após um dia exaustivo de escola e de trabalho no webshow, sentia vontade de chorar desesperadamente ao ver a mãe ora bêbada, ora beijando outro cara no sofá… isso quando não ouvia coisas piores vindo do quarto da mais velha assim que colocava os pés para dentro da sala. Nesses momentos, apenas revirava os olhos e ia dormir na casa da melhor amiga. É claro que não contava os detalhes mas… achava que Carly tinha uma ideia dos motivos que levavam a garota a ir até sua casa tão tarde da noite.

Pamela não era uma mulher fácil de se conviver e nem um pouco agradável de se estar perto.

Mas, o pior, e o que fez com que o limite de Sam se estourasse e sua moto tomasse rumo para outro estado, foi o dia em que Pam a agrediu.

Não verbalmente, como sempre fazia, mas, fisicamente.

A garota havia acabado de chegar em casa após ter se despedido de mais uma pessoa importante em sua vida que embarcaria naquela mesma noite; Carly. Quando abriu a porta, a primeira coisa que viu foi a mãe fazendo strip-tease para dois caras seminús no meio da sala. E o pior; havia droga por toda a parte; carreiras de pó na mesa que Pam estava em cima, baseados usados no chão, um monte de garrafa de bebida alcoólica em todos os cantos e uma agulha com seringa pronta para injetar heroína em qualquer um que estivesse ali. Isso sem falar nas camisinhas usadas, mas isso não era nada em comparação com as outras coisas que ali estavam.

Sentiu lágrimas grossas descerem de suas íris azuis. Uma fúria incontrolável dentro de si, nunca havia se sentido assim antes!

O que aconteceu com sua casa? Ela nem havia ficado tanto tempo fora…

O que aconteceu com sua mãe? Por que ela agia assim? Qual foi o erro que cometeu como filha para que Pam agisse assim?

Após engolir em seco e respirar fundo, bateu a porta, chamando a atenção dos presentes ali.

Um dos caras riu ao ver Sam e o outro a chamou de gracinha. Pam apenas olhava para a filha com aquele olhar mortal, nem ao menos se preocupou em vestir uma blusa, ou a defender dos caras.

O embrulho que Sam sentia no estômago apenas aumentou, mas se manteve firme.

Ela expulsou os dois caras com sua meia de manteiga e quando um deles tentou avançar para revidar e com isso, a beijar, ela simplesmente acertou as partes baixas dele e jogou uma das garrafas vazias em sua cabeça, o fazendo sentir tontura. A essa altura o outro já havia corrido para fora, tremendamente assustado pela força da garota.

Quando ficaram as duas sozinhas, Pam acertou um tapa no rosto de Sam, mas ela não desistiu. Falou tudo o que sempre sentiu nesses anos todos. Xingou a mãe, expôs a predileção por Melanie e todas as vezes em que ela as deixou sozinhas. Das vezes em que sofreu assédio de seus namorados calada porque sabia que a mãe não iria acreditar nela e preferir eles. E por falar em relacionamentos, se abriu sobre a insegurança que desenvolveu ainda muito pequena e que só fazia crescer a cada ano.

Pam não tinha filtro quanto a seus relacionamentos, todos eles duravam muito pouco e ela mesma dizia não acreditar no amor. “Pra que amar só um quando eu posso gozar e mamar vários?” ela dizia.

Sam não era nem um pouco moralista e puritana, mas, ver a mãe com um cara diferente a cada semana e falando essas coisas… a fez duvidar da veracidade do amor, das relações, de tudo que envolvesse esse tema. E por isso passou a acreditar que não encontraria nunca alguém que a amasse e quisesse um relacionamento com ela, sendo sério ou não.

Por isso teve tantas dificuldades com Freddie… não soube lidar com os sentimentos que tinha por ele, não conseguia se livrar da insegurança que sentia quanto aos sentimentos dele, não conseguia se abrir muito, preferindo focar nos toques físicos, mas também não conseguia passar disso. Apesar de querer muito, não conseguia se entregar a ele e sempre que o clima esquentava, ela dava um jeito de fugir. E Freddie percebeu isso, ele sempre percebia, não estava forçando-a a nada, estava disposto a esperar por ela o tempo que fosse, e ela sabia disso, e se culpava ao perceber que ele se culpava.

“Eu estou indo muito depressa, Sammy? Eu fiz alguma coisa que te chateou? Fala comigo, se tem alguma coisa te incomodando, você pode e deve se abrir com o seu namorado. Eu estou aqui por você e para você!”

Ela só conseguiu chorar e o abraçar fortemente após essa declaração.

Apenas se sentiu preparada para se entregar completamente, na noite em que terminaram. Na noite em que se declararam e resolveram que até a meia noite, ainda seriam um casal. Aconteceu no quarto dele, e foi… maravilhoso, muito melhor do que Sam jamais pensou, nem em seus sonhos se sentiu tão bem e tão feliz como quando estava nos braços dele, que a fez se sentir a garota mais linda, mais amada e desejada do mundo.

Mas então… quando o relógio virou a meia noite, tudo isso acabou. Era como despertar de um sonho perfeito. Seu coração sangrava, não queria deixá-lo, mas sabia que era melhor assim, Freddie não merecia carregar o peso de namorar alguém cheia de problemas.

Quando terminou de desabafar, sua voz era pura agonia, seu rosto denunciava as emoções que saíam de si, e seus olhos estavam vermelhos, tão vermelhos que já os podia sentir pesados. Suas mãos tremulavam, nunca havia se sentido assim, então respirou fundo, fechou os olhos por um instante ou dois, e então voltou a olhar para a mãe, cuja expressão estava monstruosa, sua raiva havia se transformado em algo maior que Sam não conseguia identificar.

Na verdade, ninguém.

Pam apenas deu três passos à frente, ficando mais próxima da filha, e então, desferiu mais um tapa. Ao ver que Sam não demonstrou nada, a agarrou pelos cabelos, pressionou uma de suas mãos no pescoço da garota e então a prensou contra a parede. Sam se assustou, e suas expressões foram tomadas pelo terror que sentia. Tentava gritar por socorro, mas as mãos da mais velha em seu pescoço não permitia. Tentava se debater mas se sentia fraca, pela primeira vez em anos se sentiu assim, e então fechou os olhos, tentando mentalizar qualquer coisa que a fizesse sair daquela realidade por alguns instantes.

Pam emitia palavras duras, xingamentos, entre outras coisas das quais uma mãe não deveria dizer para uma filha.

“SUA INGRATA!”

“SUA VAGABUNDA, PENSA QUE PODE ME DAR UMA LIÇÃO DE MORAL E FICAR POR ISSO MESMO?”

“SOU SUA MÃE MOCINHA, VOCÊ QUEIRA OU NÃO, E TEM A OBRIGAÇÃO DE ME RESPEITAR!”

“É POR ISSO QUE NEM AQUELE ENGOMADINHO TE QUIS, VOCÊ NÃO PASSA DE UMA VADIA INGRATA, QUE SÓ SABE ATRAPALHAR A VIDA DOS OUTROS. VAI FICAR SOZINHA PRA SEMPRE, POR CULPA SUA!”

“OUÇA BEM, SAMANTHA, VOCÊ FOI A PIOR COISA QUE ACONTECEU NA MINHA VIDA, UMA VERDADEIRA DESGRAÇA!”

Quando sentiu a cabeça doer pelas substâncias que havia ingerido, parou de falar, usou a mão que antes estava no pescoço da garota, para desferir-lhe mais um tapa, dessa vez mais dolorido do que os outros. Soltou o corpo fraco da filha, o deixando cair em cima de alguns cacos de vidro originários de garrafas de cerveja. Vestiu a blusa e bateu a porta de casa; dessa vez iria demorar muito mais tempo para voltar.

Samantha estava quase desmaiando naquele chão. Suas lágrimas saiam de forma silenciosa como cascatas, seu corpo todo doía e ela podia sentir um pouco de sangue saindo de sua coxa.

Não sabia quanto tempo ficou estendida naquele chão, mas sabia que havia sido por muito tempo. Pensou em chamar alguém mas, achou melhor não, como sempre.

Com muita dificuldade, se levantou do chão, e apoiando-se nos móveis e nas paredes, conseguiu chegar até o banheiro, onde fez um curativo em sua coxa, lavou o rosto, e passou uma pomada em seu pescoço. Depois, foi para o quarto e puxou a mala enorme que o tio Carmine havia lhe presenteado, anos antes, a mesma mala que usava para roubar livros da biblioteca para que Melanie estudasse.

Parecia que finalmente havia descoberto a utilidade das malas e o valor delas.

Enquanto dirigia sua moto até a saída de Seattle em uma velocidade admirável para alguém cujo corpo ainda pedia socorro pelas dores, a mente de Sam estava a mil, e ela torcia para que não se distraísse ao ponto de sofrer um acidente.

Mas no fundo, ela sabia que isso não aconteceria, afinal, já estava longe de Pam, e jamais voltaria a ver, o que havia acontecido naquela noite fora o bastante para romper os laços, que de certa forma, jamais existiram para além do sangue.

Se sentia tão livre sentindo aquele vento em seu cabelo, e concluiu que queria para sempre se sentir assim; leve como o vento, e feliz como uma criança na noite de Natal.

Iria fazer diferente de sua mãe. Teria um emprego decente, um lar confortável, uma ficha mais limpa, e nunca, jamais, teria filhos. Não havia nascido para isso, e se tivesse filhos, correria o risco de cometer o mesmo erro. Nenhuma das mulheres de sua família haviam nascido para ser mãe então, por que com ela seria diferente?

E era por isso que, quatro anos depois, sentada no banheiro de seu apartamento em Los Angeles, encarava com expressão assustada aquele teste em suas mãos.

Não podia ser.

Por que logo com ela, por que?

Fechou os olhos por milisegundos e respirou fundo, passou as mãos nos cabelos como forma de tentar aliviar o choque, e então abriu novamente os olhos.

Sentiu uma cascata de lágrimas lhe invadir no exato segundo em que seu olhar encontrou novamente os dois risquinhos;

positivo.



{...}



Cinco horas se passaram.

No entanto, o choque ainda era visível nas expressões e presente nos sentimentos de Sam, que andava de um lado para o outro no quarto, enquanto pensava no que faria daqui pra frente.

Sabia que não queria essa criança, mas, será que teria coragem de fazer um aborto ou entregá-la para a adoção? Nunca havia pensado nisso porque só a ideia de ser mãe, ter uma criança, lhe era inconcebível.

E… como aquilo foi acontecer? Sempre se preveniu, e seus parceiros (que não eram muitos) também.

Fechou os olhos em lamentação ao constatar um fato que lhe passou despercebido desde que a suspeita de gravidez lhe atingiu.

Quando acordou naquele quarto de hotel com Freddie, estavam ambos nús e com pelo menos duas garrafas de cerveja no carpete. Não se lembravam de nada mas era certo que havia acontecido; o fato de estarem sem roupa e os corpos marcados por chupões e unhas comprovavam isso. Com a adrenalina e a irracionalidade por efeito do álcool, podiam muito bem ter se esquecido de se prevenir. Mas, é claro que nenhum deles havia constatado aquilo na época, acordaram tão assustados que não conseguiram dizer nada (por mais que quisessem) e Sam apenas se vestiu enquanto deixara Freddie lá, tão assustado quanto ela.

Havia sido uma recaída, que em hipótese nenhuma deveria ter acontecido… por mais que ela quisesse, e muito, desde que terminaram aquele dia no elevador.

Parou de andar e se sentou na cama, se sentindo muito tonta.

Passou as mãos pelo cabelo e respirou fundo.

– Burra… Como você foi burra, Samantha!

Repreendeu a si mesma, antes de se deixar cair de costas naquele colchão macio, caindo na inconsciência segundos depois; não havia conseguido parar de pensar desde que vira o resultado do teste, e sua mente implorava por um descanso, apesar de nem ao menos ter percebido.



{...}



– E o que você vai fazer? -perguntou Jade, enquanto bebericava seu chá.

Já era noite quando a morena chegou no apartamento que dividia com a amiga. Se surpreendeu ao ver Sam tão quieta e com uma aparência de quem tinha dormido a tarde inteira. Sabia que a loira não andava muito bem, mas, quando viu o estado dela naquela tarde, se preocupou mais ainda.

Ela insistiu para que Sam a dissesse o que estava acontecendo, e a Puckett apenas respondeu que após o jantar ela explicaria, e Jade percebeu que o que quer que tivesse afligindo a amiga, não era algo banal.

E realmente, quando ouviu Sam dizer sobre o teste, arregalou os olhos e levou as mãos a boca, tamanha a surpresa. Apenas conseguiu esboçar alguma outra emoção além dessa quando Sam começou a chorar e ela resolveu fazer um chá para acalmá-la, ela também estava precisando, mas a amiga ainda mais.

E agora, estavam as duas sentadas no sofá de frente para a outra com suas canecas de chá de camomila fumegantes. Sam já havia se acalmado, mas ainda estava com a angústia presente no olhar.

– Eu não sei… -suspirou. -E isso é que está me preocupando ainda mais.

Jade franziu levemente o cenho, e suspirou.

– Olha… você sabe que esses testes de farmácia não são confiáveis, né? -Sam assentiu, concordando- Então… por que você não marca um exame de sangue? O laboratório do meu pai atende por ordem de chegada e eu posso pedir para ele não cobrar nada de você. Podemos ir amanhã mesmo, assim que as aulas acabarem.

– Sério? Jade, eu não quero abusar…

– Não vai abusar nada!

Sam suspirou, dando-se por vencida. Sabia que não iria adiantar argumentar, e também, sinceramente, qualquer chance de esse resultado ser um alarme falso lhe era bem vinda.

Precisava se agarrar a qualquer tipo de esperança, por menor que fosse.

– Tudo bem… mas só vou aceitar porque estou desesperada.

– Beleza. Vai dar tudo certo, você vai ver!



{...}



O teste ficou pronto dois dias depois de Sam tê-lo realizado. E a primeira coisa que fez naquela manhã de quarta-feira após ter lido o email do laboratório, foi correr até a biblioteca da universidade, a fim de pedir para imprimir o resultado “dane-se a aula de cerâmica!” pensou.

À medida que a impressora ia empurrando o papel para fora, o coração de Sam ia pulando cada vez mais, seu destino inteiro estava pra mudar em poucos segundos e ela realmente esperava que fosse pelo lado bom.

Quando a bibliotecária lhe entregou a folha, a primeira coisa que ela fez foi agarrá-la, e então começou a passar os olhos feito uma louca por aquelas letrinhas, torcendo pelo negativo.

Mas… tamanha foi a decepção quando “positivo” apareceu mais uma vez diante de seus olhos.

Sentiu suas pernas fraquejarem e se sentou na primeira cadeira que encontrou no ambiente. Respirou fundo e então leu novamente o papel, estava de dez semanas, exatamente o tempo daquela festa…

Amassou o papel e o guardou no bolso de sua calça jeans. Queria chorar, esgoelar, bater em alguém… mas não podia.

Então fez a única coisa que seu estado emocional lhe permitia naquele momento.

“Me encontra nas escadas de entrada do campus. É urgente!”



{...}



Jade chegou em menos de meia hora, e quando viu a amiga chorando em silêncio com as mãos sob o rosto, se sentou ao seu lado e a abraçou imediatamente. Não precisava de palavras para saber que o teste da farmácia estava certo, afinal.

Passados alguns minutos Sam parou de chorar e de tremer. Saiu dos braços da amiga e a encarou.

– Vai ficar tudo bem. -A morena disse, enquanto limpava as lágrimas da loira com o polegar.

– Como? Jade, eu tenho vinte e três anos, estou no penúltimo ano de faculdade, fico o dia inteiro fora por causa das aulas e do estágio e do nada descubro que eu estou grávida. Como vai ficar tudo bem? Eu não tenho condições de cuidar nem de mim no momento, que dirá de uma criança que vai precisar de mim pra tudo…

Jade suspirou, em compreensão.

– Eu sei… mas, olha, essa responsabilidade não é só sua.

– O que quer dizer com isso?

– Sam… você precisa contar para o Freddie! Essa responsabilidade é dele também, e se ele foi capaz de fazer, também vai ser de assumir.

Os olhos azuis se arregalaram.

– Não, de jeito nenhum!

– E por que não? Sam, é direito dele…

– Eu sei, mas eu ainda não decidi o que eu vou fazer, e se eu resolver não ter essa criança? Vou contar pra ele que ele vai ser pai só pra depois dar um banho de água fria dizendo que eu vou abortar? Não, é melhor eu pensar primeiro, tirar uns dias pra pensar até tomar a minha decisão… e aí, dependendo do que eu decidir, eu conto…

– Tudo bem… eu entendo a sua forma de pensar. E olha, independente do que você decidir, saiba que eu vou te apoiar, ok?

Sam abriu um meio sorriso e abraçou a amiga.

– Obrigada, West.

– Não é nada, Puckett. Você me fez virar um ser humano empático agora aguenta.

As duas riram.



{...}



Após uma semana, Sam já conseguia pensar com um pouco mais de clareza sobre a situação, apesar de ainda não ter totalmente certeza do que faria com a gestação.

Mesmo assim, decidiu que Freddie precisava saber, e o quanto antes, melhor. A única pessoa que sabia de sua condição era Jade e ela não diria nada a ninguém mas, ainda assim, não podia arriscar ele acabar sabendo por outra pessoa.

Respirou fundo e se sentou na cama, pegando o celular da mesa de cabeceira em seguida. Seu peito subia, indicando os batimentos cardíacos acelerados… não falava com Freddie desde o dia em que acordaram juntos… não sabia como começar essa conversa agora…

E quando ele atendeu, jurou que seu coração havia pulado para fora da boca.

“Alô? Sam?” -o tom de voz dele indicava uma emoção contagiante a loira, e ela o imaginou sorrindo do outro lado da linha- “Nossa, quanto tempo…”

Houve alguns segundos de silêncio, ela sentia falta da voz dele.

“Oi Freddie…”

“Tá tudo bem? Sua voz está um pouco estranha.”

Ela engoliu em seco.

“Está tudo bem sim… eu só, queria marcar uma conversa com você. É importante!”

Dessa vez o silêncio momentâneo veio por parte dele, cuja respiração era a única coisa que se ouvia durante um minuto ou dois.

“É… tudo bem… pessoalmente?”

“Sim.”

“Tudo bem… eu vou estar aí em L.A esse final de semana, aí a gente marca com calma.”

“Ok. Tchau Freddie, eu tenho que ir agora.”

“Espera Sam, tá tudo bem mesmo?

As íris azuis marejaram, era incrível a forma como ele a conhecia tão bem.

“Tá sim, por que não acredita em mim? -bufou- Olha… eu tenho mesmo que desligar, tenho que apresentar um trabalho importante amanhã.”

“Tudo bem então… boa sorte lá.”

“Obrigada.”

E desligou.



{...}



Era um dia de sol, ondas quebravam enquanto surfistas faziam suas manobras e crianças brincavam montando castelinhos de areia. Sam estava sentada em um banco, observando o movimento e sorrindo; adorava fazer isso, e essa era uma de suas praias favoritas em Los Angeles… Dockweiler Beach é o nome.

Marcou de encontrar Freddie naquele lugar porque… se sentia bem lá e não achava que era uma conversa pra se ter em um lugar fechado, como seu apartamento, ia precisar respirar e aquela praia a proporcionava isso; paz pra respirar em paz e ter a tranquilidade necessária para seguir aquela conversa.

Temia pela reação dele… tudo bem que Freddie não era o tipo de rapaz que foge das responsabilidades como seu pai fizera mas, ele ainda era um homem, e um homem jovem, com uma carreira brilhante pela frente… por que arriscaria isso para criar um bebê?

Respirou fundo e fechou os olhos, não era justo pensar assim, ela confiava nele e sabia, desde que eram crianças, que ele era digno de sua confiança, caso contrário nem ao menos teria aceitado namorar com ele e nem se entregaria tanto.

Sentiu alguém se aproximar e arregalou os olhos ao perceber que o moreno já se encontrava ao seu lado. Por um instante sentiu vontade de sorrir; ele estava ainda mais lindo do que da última vez em que o viu. O sol batia em sua pele bronzeada iluminando os olhos castanhos, e seus lábios estavam curvados em um meio sorriso… aquele sorriso, tão clássico que ela tanto amava. As mãos nos bolsos apenas era o gran-finale da aparência de bom moço que fazia parte dele.

Engoliu em seco… o que estava pensando? Não podia desviar do foco!

– Oi Sam. -o sorriso aumentou, e a loira podia jurar que se ela não estivesse sentada, certamente suas pernas bambeariam. — E então, sobre o que queria falar comigo?

Ela suspirou, e fez um gesto para que ele se sentasse ao seu lado, o que foi prontamente atendido.

Tomou fôlego e então encarou as íris castanhas. Era agora!

– Freddie… olha, eu sei que a gente não se falou mais desde aquele dia, mas eu acho que chegou a hora.

O sorriso e a expressão tranquila de antes deu lugar a uma expressão levemente preocupada; cenho franzido e o olhar atento.

– Tudo bem… eu também acho que já está na hora… eu… não parei de pensar em você desde aquele dia.

Sam engoliu em seco.

– Então… então por que não me procurou?

– Porque a situação em si já tinha sido constrangedora demais e eu achei que você quisesse um tempo… eu sei como você fica quando algo te assusta, falar comigo ou me ver só pioraria a situação.

Era realmente inacreditável como Freddie Benson conhecia Sam Puckett… até nos mínimos detalhes, e ela não podia evitar não odiá-lo um pouco por isso às vezes.

Limpou a garganta, retomando o fôlego e a postura.

– Tudo bem… você tem razão. -Fez uma pausa e fechou os olhos por milissegundos- Olha, eu não vou fazer rodeios… te chamei aqui porque o que eu tenho pra falar, é sério!

Antes que Freddie pudesse falar qualquer coisa, ela puxou do bolso do shorts o papel do teste de sangue e o do teste de farmácia. O moreno engoliu em seco, e sentiu seus batimentos acelerarem.

Ela respirou fundo e então voltou a olhar nos olhos do rapaz a sua frente, que já se encontravam levemente arregalados.

– Freddie… eu estou grávida!

Ergueu os objetos em sua mão e os entregou. O rapaz arregalou ainda mais os olhos quando viu o teste com os dois risquinhos… se sentia completamente paralisado, nunca em sua vida imaginou ser pai tão jovem. E depois abriu o papel do teste de sangue onde estava escrito em letras garrafais e em negrito o resultado positivo, de dez semanas. Uma explosão de sentimentos lhe atingiu… era alegria, medo, tristeza, surpresa… tudo ao mesmo tempo.

Quando se recuperou do choque, dobrou o papel e pegou as duas mãos de Sam, olhou profundamente em seus olhos e então a puxou para um abraço.

A loira se surpreendeu com o gesto, mas o retribuiu. Fechou os olhos e se deixou cruzar os braços no pescoço do moreno, que apertava sua cintura com uma firmeza natural e amorosa, que emocionou Sam, como ela sentia falta dele!

Ficaram bons minutos abraçados, absorvendo juntos a notícia. Os sentimentos estavam sendo manifestados ali, apenas como um lembrete de que eles jamais foram embora, apenas adormeceram por um tempo, até que se vissem novamente.

Quando o gesto foi cessado, Freddie se ajoelhou no chão e suspendeu um pouco a blusa de Sam, beijando sua barriga em seguida, algo que divertiu a loira, que deixou escapar uma leve gargalhada.

– Freddie, para com isso, as pessoas estão olhando.

Mas ele nem deu ouvidos, agora fazia carinho na -ainda rasa- barriga, acariciava de leve e seus olhos estavam marejados. Sam se surpreendeu muito positivamente pela reação dele, achou que ele iria entrar em pânico assim como ela… “mas talvez seja só momentâneo” disse uma voz chata em sua cabeça.

Após um minuto ou dois ele enfim se levantou, e Sam abaixou sua blusa novamente.

Freddie se sentou outra vez ao seu lado e tomou novamente as mãos da moça.

– Eu achei que você ia surtar… -ela disse, em tom de desabafo.

– Bom, eu não posso negar que estou sim assustado, mas surtar não ia resolver nada, então… -deu um sorrisinho- E eu estou muito feliz! Você sabe que eu sempre quis ser pai, vai ser incrível viver isso, ainda mais com você!

Samantha não pôde deixar de se sentir feliz com as palavras dele, e sorriu. No entanto, ainda tinha aquela outra questão…

– Freddie, você não sabe como me deixa aliviada ouvir isso mas… eu ainda não decidi o que eu vou fazer, se é que me entende… -o observou franzir o cenho e seu olhar cair- Olha, eu nunca quis ser mãe, nem ao menos nasci pra ser uma. E você criaria essa criança sozinho? Não. -Suspirou.

O moreno franziu o cenho, nervoso e até um pouco bravo.

– Sam, você não pode falar isso… até parece que não me conhece, sabe que eu não sou esses filhos da puta que some deixando a responsabilidade no colo da mulher! Eu vou estar junto com você, do início ao fim da gestação. E quando a criança nascer, vamos dividir juntos as responsabilidades. Eu não vou te deixar sozinha!

Sam queria protestar, queria mesmo. Queria dizer que não importa o que ele pense ou fale, o corpo era dela, seria ela quem iria sentir as dores do parto e ficar com o peito dolorido após amamentar. Mas ela simplesmente não conseguiu.

Talvez porque… estava se sentindo um pouco culpada por ter sido injusta com Freddie… é claro que ele não ia fugir, é claro que ele não a iria deixar sozinha. Ele não era assim! Afinal também havia crescido sem um pai; Leonard Benson o abandonou ainda criança deixando a responsabilidade apenas para Marissa, que por estar sozinha para criar o filho, acabou se tornando protetora demais.

Era incrível o contraste… enquanto a mãe dele exagerava no zelo, a sua simplesmente chutou o balde.

Balançou a cabeça, não iria pensar nisso agora.

Mas… ainda assim, tinha medo… um medo irracional que a impedia de acreditar cem por cento nas palavras de Freddie. E não entendia porque nem ao menos esse medo lhe permitia dizer tudo que queria…

Talvez por que, no fundo, ela não quisesse dizê-las? Pelo menos não naquele momento?

Não iria ter a resposta agora.



{...}



Duas horas haviam se passado. Sam e Freddie estavam em um restaurante almoçando juntos após o moreno fazer o convite e a loira aceitar. A tensão de mais cedo se atenuou e as conversas descontraídas começaram a se fazer presentes.

Sam contava como estava amando as aulas deste semestre, como ela sentia que havia nascido para ser do ramo das artes plásticas e o sorriso de Freddie ao ouvi-la apenas aumentava ainda mais.

Quando já estavam na sobremesa, o Benson teve coragem para trazer a tona um assunto que há muito queria discutir com Sam, então antes que desse tempo para que os pensamentos ansiosos e pessimistas surgissem, ele largou a colher de seu mousse de chocolate e tomou a mão desocupada da loira, que o olhou de forma indagativa.

– Sam… você, quer namorar comigo, mais uma vez? -os olhos dela se arregalaram e ele engoliu em seco- Podemos morar juntos assim que eu terminar a faculdade, daqui há alguns meses. Eu posso me mudar pra cá, e assim você não teria que pedir transferência, e eu também não seria egoísta de pedir para que você fosse para Stanford sabendo o quanto você ama essa cidade e tudo o que construiu aqui. E daremos um lar seguro e estável para o bebê, estaríamos juntos para cuidar dele… o que me diz, Cuteness?

Havia uma esperança comovente nos olhos castanhos, que aguardavam uma resposta positiva. O coração de Sam se encheu dos melhores sentimentos ao ouvir as doces palavras que lhe foram proferidas e ela não pôde deixar de sorrir. No entanto, quando estava prestes a responder, um pensamento lhe surgiu a mente e ela não conseguiu ignorá-lo.

E se Freddie apenas estivesse pedindo-a em namoro apenas por conta da gravidez? Ele teve tantas outras oportunidades para fazer esse pedido, há tanto tempo, que ela poderia enumerar as oportunidades. Como quando uma vez ele lhe perguntou se ela queria voltar a namorar com ele, no dia em que ela o ligou para contar sobre o plano da Carly ir ao baile. Ou quando ele foi visitá-la em Los Angeles por pensar que ela tinha se acidentado e eles passaram o final de semana juntos. Até mesmo no dia daquela festa…

Fechou os olhos por milissegundos, agora era muito conveniente para ele pedi-la para reconciliarem, não é?

Ao abrir novamente os olhos, percebeu que as expressões de Freddie haviam mudado para uma expressão assustada; talvez a sua própria não estivesse muito boa.

– Você… você pensa que eu sou idiota? -ela perguntou, em um tom tão baixo que mais pareceu um sussurro, mas o moreno ouviu, e suas sobrancelhas arquearam.

– O… o-o'que? -gaguejou- Como assim?

– Você só quer ficar comigo agora porque eu estou grávida! Pensa que eu sou idiota, Freddie? Você teve tantas outras oportunidades pra me pedir isso, por que agora?

Fredward se sentiu atingido por uma explosão de sentimentos negativos. Não era possível que isso realmente estava acontecendo… não depois de todos esses anos de convivência.

Passou as mãos no rosto, buscando equilíbrio para continuar aquele diálogo.

– Sam… eu não estou te entendendo! Olha, nem um de nós somos crianças mais, nós dois sabemos o quanto nós nos amamos, você sabe o quanto eu te amo! Há muito tempo eu quero te pedir para voltar a ser minha, porque eu sempre fui seu! -bufou- Me desculpa se eu apenas tive coragem agora, me desculpa se o medo de você me rejeitar me paralisou durante todo esse tempo… Quando você me ligou pra falar que precisava conversar comigo, eu disse que eu estaria em Los Angeles esse final de semana e você não me perguntou o porquê, quer saber agora? -ela apenas deu de ombros e ele revirou os olhos- Eu estava decidido a te procurar! A conversar sobre aquele dia e a te pedir em namoro! Porque aquela manhã pode sim ter sido constrangedora e chocante, mas se aquela situação me deu uma clareza, Samantha Puckett, foi a de que eu nunca, jamais, vou conseguir te esquecer, e que por causa disso eu preciso de você na minha vida! Será que você não entende? Será que… -sua voz vacilou e ela engoliu em seco- Será que mesmo depois de todos esses anos de convivência você não me conhece de verdade?

Houve um silêncio no ambiente após Freddie terminar de falar.

Sam desviou o olhar para qualquer ponto naquele ambiente que não fosse o rapaz e fechou os olhos, não queria que a conversa marcada chegasse a esse ponto. Não mesmo!

Quando enfim voltou a encará-lo, ele estava com o olhar perdido e uma expressão pensativa, como se estivesse fora de órbita, em outra dimensão. Era claro o quão barulhenta sua mente estava agora.

– Você não vai jogar a culpa em cima de mim, não mesmo! -Ela disse, chamando a atenção dele- E quer saber de uma coisa, Freddie? Não, eu não acredito em você, simplesmente porque não consigo acreditar! E para de fazer planos de família feliz porque eu nem me decidi ainda se vou ter essa criança!

Ela se levantou, e Freddie fez o mesmo, o medo pairando em seu ser.

– Não Sam, não vai embora. -ele disse, ao segurar o braço dela.

– Eu faço o que eu quiser! -se desvencilhou do toque- Vai a merda, Freddie.

E sem olhar pra trás, ela foi embora.

Freddie fechou os olhos, como forma de absorver os recentes acontecimentos. Seu dia fora do céu ao inferno em questão de horas… e a dor que começara a sentir era forte demais para ser curada tão cedo.




{...}



Durante duas semanas não houve outra coisa que não povoasse os pensamentos de Samantha tanto quanto o reencontro com Freddie, a reação dele e a discussão que tiveram. Haviam sido semanas turbulentas na universidade; provas se aproximando, seminários para fazer e palestras para assistir. O trabalho no estágio estava exaustivo e ela não via a hora de acabar logo com isso. Os sintomas da gravidez piorando e vizinhos chatos que não se cansavam de fazer barulho. No entanto, nada disso parecia ter tanta importância quanto aquela discussão.

Havia sido dura demais com Freddie, sabia disso, as palavras que o dissera… não as queria ter proferido, ele não merecia. Agora, pensando com mais clareza, ela conseguia ver isso… quando disse aquelas coisas foi cem por cento pelo calor da emoção, as emoções a fizeram agir de forma irracional e agora ela se arrependia.

Ainda não havia decidido se iria ter ou não a criança, mas do jeito que as coisas iam… parecia que ia mesmo levar a gravidez a diante. Jade havia marcado a primeira consulta dela à obstetra, disse que estava fazendo isso porque sabia que Sam estava com a cabeça cheia e acabaria esquecendo desse detalhe. Fora que, uma vez que você conquista a amizade de Jade West, é pra valer! A garota era uma das pessoas mais leais que Sam já tivera o prazer de conhecer e ela se sentia realmente muito grata e muito sortuda por tê-la em sua vida.

Ao sair da palestra sobre Renascentismo que havia sido obrigada a assistir durante quase duas (torturantes) horas, pegou o celular no bolso da calça e se dirigiu até um lugar mais tranquilo, precisava falar com o pai de seu bebê, já havia passado da hora de voltarem a ter contato.

Se não fosse por eles, então que fosse pela criança!

“Alô, Sam?”

Era perceptível a surpresa na voz do rapaz, certamente não esperava que ela o ligasse.

“Freddie, preciso falar com você… -fez uma pausa a fim de tomar fôlego- Olha, me desculpa, pela forma como eu falei com você naquele dia, eu não estava bem… na verdade, continuo não muito bem, mas pelo menos as coisas estão indo.”

Ela ouviu um suspiro do outro lado da linha, e o imaginou dando aquele sorriso discreto sempre que se alegrava com algo.

“Tudo bem, Sammy… eu não estou bravo com você. Eu também pensei bastante durante essas duas semanas e percebi que eu fui muito precipitado, não deveria ter te pedido em namoro daquela forma, no calor da emoção. Você se assustou e é compreensível.”

Dessa vez fora ela quem sorriu.

“Que bom ouvir isso. Olha, essa sexta eu tenho a primeira consulta na obstetra, quer ir junto?”

“E você ainda pergunta? É claro que sim! Estou louco para ver nosso bebê. Que horas você marcou?”

“Na verdade foi a Jade quem marcou pra mim, ela marcou para às quatro e meia, já que eu saio do estágio às quatro.”

“Beleza, então me passa o endereço do lugar que você faz estágio por mensagem que eu te busco, aí vamos juntos.”

“Tudo bem.”



{...}



– Uau, por que eu ainda me espanto com a pontualidade? -ironizou Sam, ao sair dos portões do Centro Comunitário de Los Angeles e encontrar Freddie encostado no carro.

Ele sorriu.

– Nerd sendo nerd. -deu de ombros- Então é aqui que você faz estágio? -Ela assentiu- Legal!

– É mesmo… mas eu não vejo a hora de terminar!

Ele deu uma risadinha.

– Entendo… vamos?

Ela assentiu e ele abriu a porta do passageiro, para que ela entrasse. Segundos depois ele também entrou no veículo e deu partida.

A sala de espera do consultório não estava muito cheia e logo o nome de Sam foi chamado. Entraram juntos e notando o nervosismo da loira, Freddie agarrou sua mão, que imediatamente parou de tremer.

– Boa tarde, sejam bem vindos. -a gentil Doutora os recepcionou. -Eu sou a Doutora Eleanor Evans, prazer em conhecê-los. -Apertaram as mãos em cumprimento- Bom… como essa é a primeira consulta, entendo caso estejam nervosos, principalmente você, Samantha. Eu também fui mãe bem jovem e sei que não é fácil… mas, pense que o pai do bebê está junto com você, o que faz toda a diferença. -Virou o olhar para o moreno- Como é o seu nome, rapaz?

– Fredward.

A mais velha franziu o cenho, confusa, e Sam sentiu vontade de rir. Era sempre assim quando Freddie dizia aos outros qual era seu nome completo… já estava acostumado com as reações.

– Bom, Fredward eu não vou parabenizá-lo por estar com a mãe do seu filho no momento em que ela mais precisa porque bem, isso é algo que não deveria ser considerado extraordinário na sociedade. Mas, preciso dizer que admiro caras como você, que não fogem da responsabilidade e que acompanham a mulher na primeira consulta. Essa é a mais importante de todas porque é nela que a gestante vai começar o processo do pré-natal, as informações e as recomendações vão surgindo, o que por si só já causa muita tensão, mas que devido aos hormônios da gravidez, apenas pioram. Então é muito bom que ela não esteja sozinha.

Os jovens se entreolharam e assentiram para a Doutora quando voltaram a encará-la.

A primeira etapa da consulta foram apenas perguntas e respostas. Sam disse que a gravidez era de treze semanas, que descobriu a três semanas atrás, mostrou o teste de sangue que fizera e também mencionou o que estava sentindo. Freddie segurava a mão dela o tempo todo, passando confiança e apoio.

A segunda etapa foi a que sem dúvidas Sam estava mais nervosa e Freddie mais ansioso. Eleanor entregou uma camisola (que nem ao menos poderia ser chamada de camisola) para Sam vestir e assim que disse que já estava pronta, Eleanor e Freddie chegaram para que começassem o ultrassom.

A loira não gostava nem um pouco do modo como estava deitada, mas aquele gelzinho frio que estava sendo deslizado por sua barriga e a mão de Freddie segurando a sua, a ajudavam a não pensar muito nisso.

Em poucos minutos apareceu algo na tela; uma criaturinha deitada que mais parecia uma mancha, de tão pequena. Samantha sentiu os olhos marejarem e os fechou; não queria chorar e não queria gostar daquela situação. Freddie apertou a mão dela mais forte e ela percebeu que ele estava se debulhando em lágrimas ao seu lado, abriu os olhos e olhou para ele, que ao notar seu olhar, sorriu para ela.

– Esse é o bebê de vocês… -a voz da Doutora Evans os tirou da bolha em que estavam- Aqui é o pézinho, as mãozinhas, a cabecinha e a barriguinha. No momento ainda não dá pra ver nada além disso, mas dá pra ouvir o coraçãozinho, querem?

Eles apenas assentiram, ainda muito emocionados.

E então ela ligou o som, e as lágrimas que Sam tentava com todas as forças guardar para si, caíram como cascatas de seus olhos. Não conseguiu se conter, seu choro era alto, forte e muito, muito emocionado. Freddie imediatamente a abraçou, ele também chorava mas de uma forma mais contida, considerando que não havia segurado o choro. Sam imediatamente correspondeu o abraço e de forma inconsciente, levou uma de suas mãos à barriga.

– Nosso bebê, Freddie, nosso bebê…




{...}



Na noite seguinte, Sam decidiu aproveitar que iria ter o apartamento só pra ela durante dois dias, considerando que Jade fora viajar com o namorado naquele final de semana, para maratonar sua série favorita e se esbaldar de guloseimas.

Terminou de fazer a pipoca e praticamente pulou no sofá, dando play em seguida. Deu inúmeras risadas nas cenas de comédia, e ficou feliz por estar conseguindo se divertir pela primeira vez desde que tudo aconteceu. De alguma forma, o fato de estar sozinha e as aventuras do grupo de amigos de Dawson 's Creek a distraía e fazia com que não pensasse tanto nos problemas.

No entanto, duas horas depois, quando a segunda temporada já estava no final, e o sono já batia em sua porta, aquela sensação ruim lhe atingiu novamente.

O som frenético do coraçãozinho de seu bebê ainda martelava em sua mente e ela se pegava sorrindo toda vez que pensava nele. Já não estava mais conseguindo negar o quão eufórica estava começando a ficar com a gravidez… estava começando a gostar do fato de estar gerando um serzinho tão inocente em seu ventre.

Mas quando se permitia pensar demais sobre isso, o medo surgia novamente, a lembrando da terrível criação que tivera, da terrível mãe que tivera… e a certeza que sempre teve de que não havia nascido para ser mãe.

Desde que chegou a adolescência e tomou mais consciência do ambiente a sua volta, jurou que teria uma vida completamente diferente da de Pam, e estava conseguindo cumprir este juramento com êxito, pelo menos, até agora. O fato de ter engravidado tão nova a fez se sentir de uma forma melancolicamente nostálgica… como se estivesse repetindo a história de sua mãe, da qual lutou tanto, mas tanto, para que fosse diferente.

Não podia se permitir repetir essa história… não podia permitir ser uma péssima mãe pra essa criança… não podia permitir que mais alguém passasse pelo mesmo que ela.

E sendo torturada pelos pensamentos, foi impossível que não caísse em um choro copioso, enquanto implorava para que esses pensamentos a deixassem em paz.




{...}



Ainda dominada pelas fortes emoções, Sam se levantou do sofá e correu até o quarto. Em uma velocidade admirável já estava de roupa trocada e dirigindo sua moto. Não se importou pelo horário já ser avançado, estava grávida, mas continuava sendo Sam Puckett e ainda sabia se defender como ninguém!

Quando chegou ao seu destino, tirou o capacete e o colocou dentro do baú da moto. Ficou encarando aquele edifício de quatro andares, pensando se entrava ou não. As luzes amarelas que brilhavam dentro dele pareciam tão acolhedoras e eram chamarizes para fugir daquele frio do lado de fora.

Fechou os olhos, e suspirou. Quando os abriu, caminhou decidida até os portões. Mas assim que colocou a mão naquela maçaneta fria, prestes a empurrá-la, sentiu algo se mexer em sua barriga.

Algo não, alguém.

E então… parou. Todos aqueles pensamentos turbulentos e ruins, pararam de povoar sua mente, se transformando em uma névoa cinzenta que se dissipava aos poucos. Piscou os olhos e recolheu a mão, a tirando da maçaneta, a levou até sua barriga e então sentiu de novo; uma cinesia emocionante dentro de si.

Era a primeira vez que acontecia… e ela deixou que as lágrimas silenciosas saíssem como cascatas de seus olhos. Mas dessa vez, as lágrimas não carregavam nem um pingo de tristeza ou medo, eram lágrimas de pura felicidade, e ao constatar isso, se deu conta de como queria aquela criança. Se deu conta de que já a amava, independente de como ela fosse, ou de seu passado turbulento.

Se deu conta de que estava disposta a fazer diferente, e se agarrando a isso, sorriu.

– Ei, Bebê… a mamãe está aqui.

Mais uma vez, se mexeu, e ela entendeu que seu bebê havia respondido ao seu cumprimento.

Porque da mesma forma que ela já o amava, ele, ou ela, também já a amava!




{...}



As semanas seguintes foram tensas devido as preparações para as provas, e quando elas finalmente acabaram, o alívio se estampou nas expressões de todos os alunos, que agora poderiam voltar a dormir uma noite inteira sem sentir nem um tipo de angústia ou ansiedade.

Sam e Jade decidiram reunir algumas amigas no apartamento delas para comemorar, estavam precisando disso e não apenas pela semana exaustiva que tiveram. Jade disse que precisavam comemorar a gravidez de Sam, da qual já estava dando sinais aparentes; a barriga da loira já podia ser notada ainda que de forma discreta. E também, havia mais outro motivo para comemorarem; o contrato que Jade havia assinado com um streaming para roteirizar e dirigir um filme slasher. A morena havia realizado essa conquista há dois dias e Sam se alegrou imensamente pela amiga, desde que a conheceu, essa era uma das maiores metas de Jade.

Eram oito horas da noite.

Sam, Jade, Cat e Tori estavam sentadas em círculo no tapete da sala jogando cartas enquanto uma música da Taylor Swift ecoava pelo ambiente. Haviam também salgadinhos, refrigerantes, sucos e doces por perto. Seria uma noite e tanto!

– E… GANHEI! -anunciou Sam, pela terceira vez naquela noite e Cat bateu a mão na testa.

– Ah, Sam, não é possível… de novo? -A ruiva choramingou,e a loira riu.

– Deixa de besteira, Cat, sabe que eu sempre jogo pra vencer.

– É, mas ninguém nunca tinha vencido de mim ou da Jade em tão pouco tempo. -disse Tori, enquanto reorganizava o baralho.

– É verdade. Nós somos as melhores nesse jogo! -Jade levou um punhado de salgadinhos à boca.

– Bom, agora não são mais! -tomou um gole de seu refrigerante.

Foi inevitável que as três não rissem.

– E então, Sam, como está sendo a gravidez? -perguntou Tori.

– Agora está sendo mais tranquila, as primeiras semanas foram tão difíceis que mais pareciam um filme de terror sem final, mas agora já está tudo bem. Não estou enjoando mais e a sensibilidade nos seios está melhorando com a pomada que a médica receitou.

– Que bom. -sorriu.

– E como é carregar um bebê na barriga? -perguntou Cat, enquanto enrolava uma mecha de cabelo nos dedos, algo que sempre fazia quando estava muito curiosa. Sam deu uma risadinha, Cat era mesmo uma figura.

– Ah Cat… é um pouco confuso, às vezes é bom, às vezes é ruim… Às vezes é estranho, mas no final do dia eu sempre me pego acariciando a barriga e tentando imaginar como vai ser o bebê.

– E como você acha que vai ser?

– Pior que eu não sei… mas desde que venha com a minha coragem e a inteligência do Freddie, tá de boa.

As amigas riram, e quando estavam prestes a começar mais uma partida de cartas, a campainha tocou.

Ding-dong!

– Cat, você não precisa imitar a campainha sempre que alguém a toca! -Jade reclamou, enquanto se levantava, e a ruivinha abaixou a cabeça.

Ao abrir a porta, a morena arregalou os olhos, Sam não havia dito nada sobre possíveis visitas.

– Oi Freddie.

– Oi Jade, a Sam tá aí?

– Tá sim. Entra.

Ao entrar, Sam, que já havia ouvido o nome da pessoa por trás da porta, já estava de pé e caminhando até o moreno, que a abraçou assim que a viu.

– Oi.

– Oi, Freddie. Eu não estava te esperando… aconteceu alguma coisa?

Se desvencilharam do abraço e ela percebeu que ele estava sorrindo, suas íris brilhando.

– Eu sei, mas eu precisava falar com você e achei melhor vir pessoalmente.

– Tudo bem, vamos para o meu quarto.

Sam fechou a porta e fez um gesto para que Freddie se sentasse na cadeira de sua escrivaninha, ao passo que ela se sentou na cama, em frente.

– E então?... Pode falar.

Ele suspirou, como quem estivesse buscando as palavras.

– Olha, antes de tudo, eu quero deixar claro que não estou te pressionando a nada. -ela assentiu, e ele continuou- Sam eu, eu decidi que vou manter aquela ideia de me mudar para Los Angeles quando eu terminar a faculdade. Faltam apenas três meses, então eu já posso começar a me organizar. -Tomou as mãos dela- Eu quero e preciso estar perto de você e do bebê, vocês precisam de mim e eu de vocês. Não aguento mais ficar longe, esse é o momento em que você está mais vulnerável e eu me sinto culpado por estar deixando a mãe do meu filho, ou filha, aqui, sozinha.

Ela deu um leve sorriso.

– Mas eu não estou sozinha, Freddie… você viu ali na sala, estou rodeada de amigas e amigos que sempre estão aqui por mim, não se preocupa.

– Eu sei, meu am- Sam, -suspirou e fechou os olhos por milissegundos, não podia chamá-la assim, não ainda. -Mas, no final do dia a pessoa que tem a mesma responsabilidade que você não está aqui pra te ajudar, pra te acompanhar nas demais consultas, fazer planos para o enxoval e dividir junto com você essas sensações tão maravilhosas. Sam, eu sou o pai, é meu dever, e a minha maior vontade estar com você!

Os olhos azuis estavam inundados de água à medida que Freddie falava e ela imediatamente as limpou quando elas começaram a sair em forma de lágrimas. Freddie sempre soube como atingir o seu íntimo, mas nos últimos tempos ele estava indo ainda mais além, e se mostrando um ser humano ainda melhor do que ela pensava que ele fosse.

Fez um gesto para que ele se sentasse ao seu lado na cama, e quando ele o fez, ela o abraçou, sendo inebriada por aquele perfume amadeirado tão característico e que sempre a deixava extasiada.

– Obrigada. -fez carinho nos cabelos da nuca dele- Não sabe o quanto significa pra mim ouvir isso, eu te am-… eu gosto muito de você e você sabe.

Sentiu ele plantar um beijo em sua nuca e se arrepiou, cessou o gesto e o encarou nos olhos. O sorriso dele havia aumentado desde que chegara lá, e a felicidade que ele sentia era perceptível.

– Aonde você está ficando?

– Na casa do Robbie. Por que?

– Se você quiser pode vir pra cá, a minha cama é do tipo bicama então é de boa.

– Mas… você está recebendo as suas amigas.

Ela balançou a cabeça.

– Eu sei… mas nesse momento eu quero ficar com o pai do meu filho, ou filha, e contar pra ele tudo o que eu tenho pensado sobre esse serzinho.

Dessa vez eram os olhos de Freddie que estavam marejados, e ele não aguentou segurar a vontade de acariciar aquele rosto, então foi o que fez. Iniciou uma trilha de carícias com o polegar pela testa, nariz, bochecha e lábios da mãe de seu filho, ou filha. E então, se aproximou mais, deixando um casto e cálido beijo na testa da loira, que de olhos fechados sorriu.

Instantes depois o sorriso que enfeitava os lábios de Sam se alargou e ela levou a mão à barriga.

– O que foi? -Freddie perguntou, um pouco confuso.

– Mexeu…

Os olhos do moreno se arregalaram e ele levou as mãos à boca, como forma de tentar conter um grito de comemoração.

Sam pegou uma de suas mãos e a levou à sua barriga, o fazendo sentir aquela sensação tão mágica, e quando o bebê mexeu novamente, e logo depois chutou, os dois caíram em uma gargalhada emocionada, da qual apenas mães e pais entendem.




{...}



Três meses depois:

– Sam, dá pra tirar essa música ridícula? -reclamou Freddie, enquanto dirigia pelas curvas das movimentadas ruas de Los Angeles.

– Claro que não! Essa é a minha música favorita do Paramore. Você deveria saber disso, Freddork!

– Eu sei, mas é ridícula.

Ela revirou os olhos e continuou se movimentando no ritmo da música.

Havia acabado de entrar no sexto mês de gestação, o que significava que a curiosidade quanto ao sexo do bebê já poderia ser sanada. Era uma sexta-feira à tarde e Freddie havia chegado em Los Angeles há umas duas horas. Passou no shopping para comprar algumas coisas para o enxoval e depois foi buscar Sam, que se encantou com o ursinho, sapatinhos vermelhos e a mantinha.

Quando enfim chegou a vez de Sam ser examinada, a ansiedade de ambos os pais aumentou e só conseguiam pensar no resultado daquela ultrassonografia. Não que o sexo do bebê fizesse diferença, iriam amar e cuidar daquela criança independentemente de como e do que ela fosse. Mas, ainda assim, era inegável o nervosismo ao saberem que agora iriam parar de se falar “filho ou filha” para falar apenas uma dessas palavras.

Era a certeza da identidade da criança, que não apenas seria uma criança, mas uma pessoinha com gênero e nome. Após isso, só faltava ver o rostinho quando nascesse.

Freddie segurou a mão de Sam e a Doutora começou a passar o gelzinho, aos poucos a imagem do bebê apareceu na tela. Sorriram.

– Olha só, está ainda maior do que no último mês, -disse a mais velha e os mais jovens riram- parabéns papais, a cria está cada vez mais saudável!

– Obrigada, estou seguindo à risca todas as recomendações. -disse Sam- Mas, vai mesmo dar pra ver o sexo hoje?

– Bom, se ele ou ela abrir as perninhas… vai sim. Querem que eu fale?

– Por favor, Doutora, estamos muito ansiosos. -disse Freddie, animado.

– Tudo bem.

Foi um pouco difícil para que esse acontecimento se concretizasse, considerando que o bebê estava dormindo desde o início da consulta. Passou-se vinte, trinta minutos, e nada. Até que, quando estavam quase desistindo, de repente o bebê se mexeu, e com o movimento que fez, Eleanor conseguiu ver o que tanto queriam. Sorriu.

– O que aconteceu, Doutora? Por que está sorrindo? -perguntou Sam, confusa.

– Abriu as perninhas!

Sam e Freddie se entreolharam e sorriram.

– E então?... -o moreno se manifestou, apertando a mão da loira ainda mais forte.

Eleanor passou o mouse na tela mais algumas vezes até ter certeza do que estava vendo, e então se virou para os jovens pais, sorrindo.

– Meus parabéns mamãe e papai, vocês terão uma linda menina!

Dessa vez fora Sam quem apertou a mão de Freddie com mais força, e eles se abraçaram, emocionados.

– Nossa menininha, Sammy… nossa princesinha.

– Uma menina Freddie… tem uma menininha dentro de mim.

Se afastaram do abraço e ele depositou um beijo demorado em sua testa. Em seguida, abaixou a cabeça e beijou a barriga, já grande, da loira, sem nem se importar com aquele gel que ainda estava ali.

– Ei Princesinha, é o papai. -acariciou- Eu te amo muito, muito. Vem logo!

Sam riu com a cena e fez um carinho nos cabelos do moreno.

Quando ele se afastou, ela levou as duas mãos à barriga e a acariciou.

– E aqui é a mamãe, meu amor, minha Princesinha. Te amo muito!

Ela se mexeu mais uma vez, e as lágrimas nos olhos dos jovens pais aumentaram, ao passo em que se abraçaram novamente.

Uma menina.

Seriam pais de uma menininha.

Era uma emoção que apenas crescia e se tornava mais forte!



{...}



Mais tarde, Sam organizou uma reuniãozinha com as amigas a fim de comemorar o resultado da ultra. Ela estava planejando ser no dia seguinte, mas devido ao fato de que Freddie precisava voltar para Stanford ainda no mesmo dia por causa de algumas pendências a serem resolvidas na Universidade, adiantou para a noite.

Cada uma havia levado um presentinho para a bebê; Jade, um vestidinho preto escrito “xodó da mamãe”. Cat, um kit de Sylvanian Families para a decoração do quartinho. E Tori, um móbile de borboletas rosa super delicado. Sam amou todos eles e agradeceu imensamente as amigas. Mal podia esperar para mostrar à Freddie!

Agora, as quatro estavam dentro de uma cabana feita de edredons e lençois -ideia de Cat- enquanto conversavam. Os assuntos estavam sendo variados e descontraídos desde o início da noite. Cat havia comentado sobre seu namoro com Robbie, que ia cada vez melhor. Tori, sobre o fato de estar morando sozinha e de como isso era tudo o que ela precisava para finalmente ter paz. Jade, sempre que tinha a oportunidade, falava sobre o processo de escrita do roteiro que estava fazendo. E Sam, não escondia o quanto estava feliz com a gravidez e com as suas conquistas na Universidade; havia passado com honras para o próximo período e seria uma das alunas homenageadas no final do ano.

Nunca em sua vida, ela imaginou que algo assim aconteceria consigo.

– E então, Sam, -disse Cat, com aquele ar malicioso que elas já conheciam muito bem- como estão as coisas entre você e o Freddie? Percebi que estão bem próximos ultimamente…

A loira revirou os olhos.

– Isso é porque vamos ter uma filha juntos, cabeça de fogo!

– Ah, foi mal amiga, mas eu vou ter que concordar com a Cat. -Jade se manifestou- Existe uma grande diferença entre estar próximos por causa de uma obrigação e responsabilidade em comum, e estar próximos porque querem e gostam!

– É verdade, -Tori concordou- Você tá sempre suspirando por ele, e os olhos de vocês dois brilham quando se vêem. Amiga, não dá pra fingir isso!

Sam suspirou e abaixou a cabeça.

Às vezes tinha raiva do quanto suas amigas sempre tinham razão.

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Ela amava Freddie com todas as forças, sempre o amou! E o que mais queria era correr para os braços dele e aceitar aquele pedido de namoro, construir uma vida junto a ele e ser feliz.

Mas, sempre que sentia coragem para quebrar a barreira que a impedia de fazê-lo, aquelas sensações terríveis de medo e angústia tomavam conta de si e a paralisavam, a fazendo recuar.

Estava cansada disso!

– Tá bom… eu confesso; eu amo ele! Satisfeitas? -as amigas sorriram e assentiram.

– Então… por que você não diz isso a ele, Sammy? -perguntou Tori.

– Porque não é tão simples assim…

– Mas vocês dois se amam! Não é tão complicado quanto parece. -disse Cat.

– Na verdade é sim, Cat. -suspirou- Eu estou tendo que lidar com tanta coisa… esses meus sentimentos pelo Freddie, estar grávida sendo tão nova e ainda estudando… -engoliu em seco- É simplesmente muita coisa para dar conta, não sobra tempo pra pensar em relacionamento amoroso, mesmo que seja com o amor da minha vida e pai da minha filha!

Sem que percebesse, as lágrimas começaram a descer, de forma silenciosa. E a preocupação era visível nos rostos das três amigas, nenhuma delas queria que aquela conversa provocasse tais emoções em Sam.

– E, eu confesso para vocês… eu estou sim, muito melhor do que meses atrás, quando descobri a gravidez, me sinto verdadeiramente feliz. Mas, ainda assim, é inevitável para mim não sentir que eu estou repetindo a história da minha mãe. -Fez uma pausa, para secar as lágrimas- Ela também foi mãe bem jovem, aos vinte anos, e ela criou a mim e a Melanie sozinha porque o meu pai fugiu na primeira oportunidade. Só que, a criação que ela nos deu foi simplesmente terrível! Ela nunca estava em casa e quando estava, fazia da nossa vida um verdadeiro inferno. Deixava faltar comida, não pagava as contas… muitas vezes a gente ficava sem luz e sem água por causa disso. Pelo menos a Melanie conseguiu se libertar, ela foi embora aos dez anos quando conseguiu uma bolsa de estudos em Massachusetts, mas eu tive que aguentar tudo isso até a adolescência… -respirou fundo- Eu jurei pra mim mesma que eu jamais teria o mesmo destino da minha mãe, e isso inclui principalmente não ter filhos e bom… olha pra mim agora. -apontou para o próprio rosto e a própria barriga, enquanto lutava contra as lágrimas. -Vocês não imaginam o medo que eu estou de ser uma péssima mãe pra essa criança, da mesma forma que a minha mãe foi pra mim…

Sentiu as amigas a abraçarem de forma protetora e acolhedora, e ela retribuiu, deixando que as lágrimas silenciosas molhassem as roupas delas. Era tudo o que ela precisava!

As jovens sabiam que esse momento estava sendo delicado para a amiga, mas jamais imaginaram que a delicadeza continha uma profundidade desconhecida e torturante. Se arrependeram de terem começado aquele assunto, e a acolheram em seus braços não apenas como forma de demonstrar apoio, mas também como forma discreta, pedir desculpas.

Ficaram bons minutos assim; abraçadas, apenas ouvindo as respirações umas das outras e o coração de Sam, que começara a se acalmar. Quando a loira se sentiu bem novamente para quebrar o contato, Cat foi a primeira a se pronunciar.

– Me desculpa, Sam, eu não deveria ter começado tudo isso. Eu sinto muito.

– É, me desculpa também, eu não devia ter dado corda pra essa maluquinha. -disse Jade.

– Desculpa, amiga… eu também me empolguei. -emendou Tori.

Sam deu um meio sorriso.

– Tudo bem, vocês não fizeram por mal, se eu estivesse no lugar de vocês eu também embarcaria no assunto. Relaxem!

Ela sorriu e as amigas a acompanharam.

Após segundos de silêncio enquanto se perguntava se deveria se pronunciar, Cat decidiu se arriscar. Sentia que a amiga precisava ouvir as palavras que tinha guardadas naquele momento, e não conseguiria guardá-las por mais tempo.

Chegou mais perto e segurou a mão da loira, que retribuiu o carinho.

– Sammy… você não está repetindo a história da sua mãe! -A Puckett franziu o cenho, confusa, e ela continuou- A história de vocês são completamente diferentes. E não é porque você também está sendo mãe jovem, que você está repetindo algo que ela fez, isso simplesmente acontece e é a coisa mais normal do mundo. Você não foi a primeira e nem vai ser a última a engravidar com essa faixa de idade, ainda haverão muitas outras que passarão por isso, tendo ou não casos assim na família. Você vai ser uma mãe incrível, Sammy… na verdade, já está sendo! Você fala da sua menininha com tanto amor e carinho, já começou a preparar a malinha da maternidade mesmo que ainda falte três meses para o nascimento dela… você só precisa confiar mais em você e no seu potencial! Essa menininha já é muito sortuda só pelo fato de você ser a mãe dela! Pensa nisso, amiga.

Deu um beijo no rosto da loira, que sorriu e a abraçou, como forma de agradecer.

E as palavras da ruivinha haviam surtido um efeito dentro de si.. Se sentiu bem as ouvindo, e teve a certeza de que iria precisar refletir melhor sobre elas quando estivesse sozinha.




{...}



Na sexta seguinte, Sam bateu o pé e insistiu que iria até Stanford após Jade praticamente brigar com ela dizendo que não era bom que viajasse nesse estado, principalmente quando a viagem em questão tinha cinco horas de duração. Mas no final, a morena foi vencida pelo cansaço mas insistiu para que ao invés da amiga pegar um táxi ou ônibus, comprasse uma passagem de avião. E ainda fez questão de ir junto caso a loira precisasse de alguma coisa. Sam aceitou, não queria admitir mas no fundo estava um pouco apreensiva de viajar sozinha.

O motivo da repentina viagem é que precisava conversar com Freddie e precisava que fosse pessoalmente. Dessa vez achou melhor que ela fosse até Stanford ao invés de ele ir até Los Angeles porque… queria.

Ela simplesmente queria fazê-lo uma surpresa, ficar com ele aquele final de semana no apartamento todo nerd dele e respirar novos ares.

Precisava disso.

As cinco horas de viagem foram tranquilas. Sam e Jade assistiram Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, comeram guloseimas e dormiram. A única coisa que a jovem gestante sentiu foi uma vontade incontrolável de ir ao banheiro a cada duas horas, mas fora isso, não houveram problemas.

Ao aterrissarem, Jade chamou um táxi para as levarem até o campus da Stanford University; Freddie morava em um dos alojamentos, o melhor deles, diga-se de passagem. E quando o motorista parou em frente ao local, ambas as amigas saíram e começaram a caminhar. O cheiro das árvores encantou Sam e ela sentiu que era tudo o que ela precisava após aquelas longas horas dentro do avião.

Foi um pouco difícil conseguir autorização para que entrassem na sessão de alojamentos, mas quando Sam mostrou mensagens e ligações dela para Freddie, o fiscal se deu por vencido e liberou o acesso para as meninas

– Muito bem, Senhorita Teimosa, está entregue! -Jade disse quando chegaram à porta do alojamento que abrigava Freddie. Tirou a mochila de Sam de suas costas e entregou para ela- Qualquer coisa, não se esqueça de me ligar. Eu vou estar na casa da minha prima e passear pela cidade nesses dois dias, ok?

Sam imitou um sinal de continência em tom irônico.

– Pode deixar, Capitã West.

Jade fez uma careta mas em seguida riu junto com a amiga.

Se despediram com um abraço e um beijo no rosto, e quando a morena já estava longe o bastante, Sam bateu na porta. Estava ansiosa, nervosa e muito, muito feliz só de pensar que o veria novamente.

Quando a porta foi aberta, Sam sentiu vontade de rir pela expressão de surpresa que estava estampada no rosto de Freddie.

– Sam… nossa, que, que surpresa… eu não estava te esperando. E por que você está aqui? Você não deveria ter viajado nesse estado, sua barriga está enorme… -se aproximou, e começou a tocar nela, checando se a moça estava bem- Você está bem?

Sam deu uma risadinha.

– Eu estou bem sim, relaxa, a Jade veio comigo e a viagem foi super tranquila. Eu vim porque, eu quis.

– Mesmo assim, você não deveria ter se arriscado, Sammy… apesar de eu estar muito feliz em te ver, eu estava com muitas saudades de você e da nossa Princesinha.

Ela sorriu e ele segurou em sua mão, a levando para dentro do apartamento.

Sam olhou em volta e se sentiu acolhida. O apartamento que Freddie ocupava era muito quentinho, bem espaçoso e nem ao menos parecia um alojamento de faculdade. Há um tempo atrás Freddie havia lhe explicado que por ele ter entrado com honras na Universidade, tinha direito ao alojamento plus que nada mais era do que um apartamento com sala, dois quartos, cozinha, banheiro e lavanderia própria. E ele não precisava ter um colega de quarto, a menos que quisesse, o que era bom considerando que por ter sido filho único desde sempre, não gostava muito de ter que dividir seu espaço com estranhos.

Sam reparou que o apartamento era bem nerd mesmo; pôsteres de Galaxy Wars nas paredes, funkos do Darth Vader e de personagens de Harry Potter na rack da televisão. Sentiu vontade de rir, se a sala era assim imaginava o quarto.

– Apartamento legal Nerd, gostei.

– Que bom. -Sorriu- Senta aí no sofá, fica a vontade, vou fazer um lanche pra gente.

– Hum, mamãe curtiu isso!

Ele deu uma risadinha



{...}



Meia hora depois estavam ambos sentados nas banquetas da ilha da cozinha. Freddie havia preparado sanduíches de presunto e queijo e uma limonada para acompanhar. As conversas estavam sendo divertidas e prazerosas, Sam havia soltado uma sincera gargalhada quando o moreno disse a ele sobre um projeto que ele havia feito para a aula de engenharia de software e que deu errado porque um dos colegas da equipe fez o algoritmo baseado em uma letra de uma música do Nirvana, e que por conta disso precisaram refazer porque o professor não havia entendido.

Em algum momento as risadas foram cessadas e quando a loira pegou o copo para tomar mais um gole da limonada, Freddie mudou o assunto.

– E então Loirinha, o que você queria falar comigo?

Sam olhou para ele e colocou o copo novamente na mesa. Ficou em silêncio por alguns segundos enquanto reunia coragem, e então segurou em uma de suas mãos, estendidas na mesa.

– Freddie, eu tenho pensado muito nos últimos dias sobre tudo isso, mas principalmente sobre você e a vida que vamos ter quando a nossa filha nascer, e… eu percebi que estou cansada de lutar contra os meus sentimentos. -Suspirou- Eu decidi que eu aceito namorar com você, -sorriu- mas só depois que você se mudar, acho que assim vai ser bem melhor para nós dois.

Freddie sorriu, um sorriso que quase rasgava sua boca de tão amplo. Apertou mais a mão de Sam na sua, e a levou até os lábios, beijando. Sentia uma emoção imensa, da qual não poderia ser declarada em palavras. Então fez o que conseguiu, o que suas emoções o permitiam fazer no momento.

Se levantou e foi até Sam, que também se levantou quando ele segurou em sua mão. Acariciou o rosto dela, que fechou os olhos, colocou uma mecha dourada atrás da orelha, e então, se aproximou. Foi difícil dizer qual dos dois teve a iniciativa, mas quando deram por si, já estavam com os lábios unidos em um beijo apaixonado e calmo.

– Eu te amo tanto, Samantha, tanto! -declarou, quando separaram os lábios por um milésimo a fim de tomarem fôlego.

– Eu também Fredward, te amo muito!



{...}



Dois meses depois:

O ambiente do Stanford Stadium estava iluminado e enfeitado com as cores da Universidade. As arquibancadas abarrotadas de familiares, amigos e outros convidados dos formandos, ao passo que a plataforma no centro estava repleta de professores e membros da equipe pedagógica.

Na segunda fileira da arquibancada do lado direito, estava Sam, Jade, Cat, Robbie, Spencer, Gibby e Marissa, que segurava uma câmera analógica a fim de registrar todos os momentos em contraste com a maioria, que usava o próprio celular para fazê-los.

A entrega dos certificados aos alunos do curso de Ciência da Computação havia começado há dez minutos e faltava pouco para que o nome de Freddie fosse chamado. Os convidados do jovem estavam em pura ansiedade e felicidade contagiantes.

– E agora, gostaríamos de chamar Fredward Karl Benson! -anunciou a mestre da cerimônia, uma das professoras mais requisitadas do corpo docente.

Os olhos de Sam estavam repletos de lágrimas e ela levou as mãos à boca quando o amado apareceu na plataforma; todo lindo com aquele topete clássico e a beca verde, cor da Universidade. Quando ele pegou o canudo, virou o olhar para a arquibancada e seus olhos encontraram os dela. Ambos sorriram e ele sussurrou de forma silenciosa as letras até que formassem as palavras “eu te amo”.

Sam sorriu e deixou que as lágrimas descessem de seus olhos, e da mesma forma que ele fizera, sussurrou “eu te amo”.



{...}



– Robbie, vai devagar com essa caixa, a minha coleção de Galaxy Wars tá aí!

– Pode deixar, Chefe. -ironizou.

Sam riu da cena, enquanto passava um pano úmido na rack da televisão, sendo ajudada por Cat, que fazia as tarefas que exigiam esforço, algo que a amiga estava impossibilitada de fazer devido a enorme barriga de oito meses.

Freddie havia se mudado naquela manhã, e agora contava com a ajuda da amada e dos amigos para organizar tudo. O apartamento que alugou ficava em Venice, mesmo bairro em que Sam morava com Jade, e era bem amplo; contendo três quartos, sala, banheiro e cozinha. Havia escolhido um com três quartos na intenção de um ser de Sam, ou dele, caso ela não se sentisse bem ainda para dividir quarto e cama com ele. Mas caso ela estivesse bem quanto a isso, poderia usar como escritório.

O quarto que seria da bebê já estava ocupado com todo o enxoval dela. Assim que o apartamento estivesse todo organizado, Sam e Freddie se dedicariam cem por cento na montagem do quartinho, e estavam ansiosos para isso.

Cerca de duas horas depois, todos foram embora e Sam ficou com Freddie, que a havia convidado para passar a noite lá, e ela aceitou.

– Se eu não estivesse grávida, estaríamos comemorando com champanhe. -Ela disse, quando Freddie tirou da geladeira uma garrafa de refrigerante blue dog soda, o favorito de Sam.

Ele balançou a cabeça e despejou o líquido azul em duas taças.

– Não esquenta com isso, Amor, sabe que eu sempre fui fraco para bebidas.

Ele entregou a taça a ela, e juntos fizeram o brinde.

– Eu sei. -A loira respondeu, ao terminar o primeiro gole- Até hoje eu lembro do vexame que você deu na festa de dezoito anos da Carly!

Ela começou a rir e o rubor tomou conta das bochechas de Freddie.

– Ei! Em minha defesa eu não tinha comido o suficiente antes de ingerir aquela cerveja, tá? -se defendeu, mas não conseguiu evitar não rir junto.

Quando as risadas se acalmaram, ele a abraçou por trás e depositou um beijo no ombro da amada, acariciando sua barriga em seguida.

– Sabe o que eu estava pensando?

– Diga, Nerd.

– Que agora que eu já me mudei, já posso te chamar de namorada, não é?

Sam sorriu e se virou para encará-lo. O abraçou pelo pescoço e deu um selinho rápido em seus lábios.

– E você ainda pergunta? Namorado! -Deu mais um selinho. A propósito, aonde eu vou dormir?

– Bom, se você quiser, tem o quarto de hóspedes

Ela franziu o cenho.

– Nada disso, senhor Benson, eu vou dormir com você!

–Mas… você está enorme, Amor, precisa de mais espaço pra dormir… e você se sentiria bem dormindo comigo? Tipo, já?

– Aww, Baby, sendo doce como sempre. -Fez um carinho no rosto dele, que sorriu- Mas eu me sinto bem, não estou mais tendo problemas para dormir. Fora que a sua cama é enorme… o que poderia ser melhor para mim e a nossa menininha se não a companhia do pai dela?

Ele sorriu e beijou a testa da amada.

– Tudo bem então, mas se você se sentir incomodada, me avisa que eu vou para o quarto de hóspedes.

Ela revirou os olhos, de forma divertida e apertou mais o abraço em seu pescoço.

– Que se foda o quarto de hóspedes!

E mais uma vez, se pendurou nos lábios de seu namorado.



{...}



Uma semana se passou. Sam havia se mudado para o apartamento de Freddie há três dias, embora Jade tenha deixado bem claro que o seu apartamento sempre estará de portas abertas à ela e que lá sempre seria o cantinho das duas. A loira se sentiu imensamente agradecida e abraçou a melhor amiga, mas sentia que o melhor seria viver com seu namorado e pai de sua filha, seria a melhor forma de construírem juntos a estabilidade que toda criança precisa.

Enquanto se ocupava em tomar sua vitamina de banana com aveia e cereais, Sam observava Freddie pintar as paredes do quarto da Pequena. A cor escolhida era um rosa bebê e depois viria um papel de parede de ursinhos para a parede do berço, junto com algumas pastilhas brancas como detalhe.

Seria um quartinho de princesa, Sam havia deixado bem claro que queria que sua filha tivesse tudo o que ela não teve e isso inclui um quarto lindo e próprio.

Era impossível não sorrir com a cena… se perguntava como e por que Freddie ficava ainda mais atraente e lindo quando fazia alguma atividade braçal ou doméstica. Riu do próprio pensamento, e levou mais uma vez o canudo à boca, sugando mais um pouco do líquido.

Dois dias depois as paredes estavam prontas e os móveis haviam acabado de serem montados no início da tarde. Sam agradeceu imensamente por finalmente ter chegado a hora em que ela poderia fazer algo para ajudar na decoração. Enquanto Freddie organizava o guarda-roupas, ela montava o móbile do berço. Em seguida, decorou a mesa da cômoda com o kit de Sylvanian Families e uma luminária que ajudaria ela e Freddie na hora de trocar as fraldas; considerando que a mesa da cômoda também seria o trocador, uma vez que acharam bem mais prático fazer desse modo. Pelo menos até a banheira dois em um que vira trocador da qual a vovó Marissa encomendou, chegasse.

A loira olhou em volta e quando seu olhar caiu sobre a poltrona de amamentação… sorriu, imaginando os momentos que passaria ali…

Se aproximou e colocou a almofada com o desenho de um anjinho, no estofado da poltrona. Depois, pegou a manta branca que Freddie lhe estendeu, e a colocou ao lado da almofada, de forma que enfeitasse o estofado.

Quando terminou, se deu conta de que a decoração havia acabado de ser finalizada. Não pôde evitar que uma lágrima silenciosa descesse de seus olhos; estava realmente acontecendo… ela realmente teria uma filha e não faltava muito para que a conhecesse.

Se virou para Freddie e o abraçou. O moreno sussurrou palavras lindas em seu ouvido, o que só a fez sorrir, ainda mais.



{...}



Meia hora depois, ambos se deliciavam com um sorvete de morango enquanto conversavam e absorviam a emoção de terem finalmente terminado o quartinho da filha. Freddie riu quando Sam disse a ele que sentia vontade de agarrá-lo sempre que ele fazia algum tipo de atividade assim, e ela riu por ele ter admitido que a ideia do móbile de Galaxy Wars fora terrível e que não ia combinar em nada com o ambiente.

Quando as risadas e os sorvetes acabaram, Sam se sentou no sofá de uma forma que ficasse de frente para Freddie, que até então estava ao seu lado, e olhou bem para ele.

– Amor, essa mini diva aqui não deve demorar mais do que duas ou três semanas para nascer… acho que precisamos decidir logo o nome dela!

O moreno arregalou os olhos e coçou os cabelos da nuca, em um claro sinal de confusão.

– Caramba, é mesmo… eu me esqueci completamente.

Ele estava tão atrapalhadinho e Sam achou tão fofo, que apenas riu e deu um selinho rápido nele.

– Relaxa, Baby, foram muitas coisas para providenciar em pouco tempo, acontece.

– Verdade… mas eu concordo, Lindinha, você já tem algum em mente?

Ela sorriu e levou uma das mãos à barriga, acariciando (Céus, ela estava amando fazer isso, certamente sentiria falta de fazê-lo depois que a bebê nascesse).

– Na verdade, eu tenho sim… Lily!

Freddie sorriu e em seu olhar estava estampado o encantamento que sentia, do qual se alastrou por todo o seu semblante.

– Eu… eu amei esse nome, Sammy. Na real eu sempre achei lindo mas, nunca pensei em colocá-lo em uma filha minha. Mas agora com você falando… se encaixa perfeitamente!

O sorriso da loira aumentou e ela tombou a cabeça para o lado; feliz demais para se conter.

– Então, você concorda em batizarmos ela como Lily?

Sentiu suas duas mãos serem levantadas e beijadas pelo amado.

– É claro, Amor.

Se encararam por alguns segundos antes de selarem o momento com um beijo apaixonado, para que em seguida se abraçassem.

Riam, choravam… essa estava sendo a rotina desde que descobriram a gravidez, a existência da Pequena no ventre. Mas… essa emoção estava sendo diferente de todas as anteriores, pois era a certeza do começo da identidade de uma nova pessoa, a formação dela, e isso era algo grande demais para ser explicado, apenas… sentido.

Lily Puckett Benson estava chegando!



{...}



Os dez últimos minutos de aula passaram de forma lenta e entediante para Sam, que não estava conseguindo, de forma nenhuma, se concentrar na aula de metodologia visual. Havia acordado se sentindo estranha, um cansaço além do comum para uma gestante e com as mãos e os pés inchados.

Esse final de gestação estava sendo torturante, e mais do que nunca ela não via a hora de ter a filha nos braços!

Quando o sinal finalmente bateu, agradeceu imensamente aos Céus pela dádiva e guardou suas coisas na velocidade da luz, se dirigindo para a porta da sala em seguida.

Havia combinado de se encontrar com Jade no saguão do prédio delas; o de artes. A morena iria dar uma carona à loira até o apartamento que agora dividia com Freddie, uma vez que ele agora não mais podia buscá-la, considerando que havia começado no trabalho no início da semana.

Enquanto estava dentro das portas metálicas, sentiu uma forte pontada no ventre e respirou fundo, nervosa. E pela cara que Jade fez quando a viu, podia jurar que seu semblante não estava nem um pouco bom, assim como ela desde que acordou naquele dia.

– Meu Deus, amiga você está pálida! -Exclamou, surpresa, enquanto colocava as mãos sob os ombros de Sam em sinal de apoio. -Você está bem? Nossa, que pergunta idiota, é claro que não!

A Puckett tentou rir da fala de sua amiga repreendendo a si mesma, mas não conseguiu. Apenas fechou os olhos e respirou fundo.

– Eu tô estranha desde cedo… a médica disse que eu poderia sentir coisas assim quando chegasse a hora, entende?

Os olhos pretos da amiga se arregalaram, e ela aumentou o aperto nos ombros da loira, tentando de alguma forma ajudar, ainda que esse gesto não ajudasse em nada.

No entanto, toda a paralisia que sentia se dissipou quando acompanhou o olhar de Sam que de repente havia caído até o chão.

Tamanho foi o susto de ambas quando perceberam o que era aquele líquido.

– A bolsa… Jade, a bolsa estourou! -respirou fundo, tentando se acalmar.

– Sim, ai meu Deus… vem, eu vou te levar para o hospital. EI, GALERA, SERÁ QUE ALGUÉM AQUI PODE ME AJUDAR A LEVAR A MAIS NOVA MAMÃE ATÉ O CARRO? Logo, surgiu um rapaz do último período de Direito. Ele pegou Sam no colo enquanto Jade vinha atrás, segurando a própria mochila e a mochila da amiga, ao passo que também discava o número de Freddie

"Freddie, corre pro hospital agora! A minha sobrinha vai nascer!"



{...}



As próximas horas foram resumidas a puro caos.

Mas quando Lily Puckett Benson deu seu primeiro chorinho, anunciando sua chegada ao mundo, Sam e Freddie só conseguiram chorar tamanha a felicidade que sentiram. O moreno apertou a mão dela durante o parto inteiro, e só soltou quando aquele som encantador ecoou pelo ambiente. Se entreolharam e ele beijou a testa dela de forma cálida e casta, ao passo que ela acariciou o rosto dele, enquanto enxugava as lágrimas que desciam de suas íris castanhas.

Em poucos segundos uma enfermeira colocava a Pequenina enrolada em um paninho rosa, como um verdadeiro e adorável embrulhinho, no colo de Sam, que imediatamente a acomodou em seus braços e sentiu suas lágrimas aumentarem de tamanho, o sorriso quase rasgando a sua boca.

– Freddie… ela é tão linda!

Ele apenas assentiu, acariciando a cabecinha clarinha da filha.

– Seja bem vinda ao mundo, Lily. Meu amor! -disse ele, enquanto secava algumas lágrimas, sem parar o carinho na Pequena.

Sam fechou os olhos por alguns segundos e abaixou um pouco mais a cabeça, a fim de aspirar o perfume de recém-nascida da bebê.

– Bem vinda ao mundo, minha Lily… meu maior amor!

Nunca, em hipótese alguma, poderiam imaginar que o momento seria assim, tão único, tão surreal.

Naquele instante uma família surgiu; não apenas uma bebê nasceu, como também seus pais, que por terem sido agraciados com o título, tiveram a certeza de que jamais seriam os mesmos de antes.

Para além do nascimento, era um renascimento.



{...}



Eram nove horas da manhã do dia seguinte. Lily havia acordado às cinco horas e voltado a dormir meia hora depois de mamar. Sam se sentia cansada, suas olheiras estavam profundas, mas ela nunca se sentira tão feliz como naquelas poucas horas de vida de sua filha. Queria ela ao seu lado o tempo todo, e no pouco tempo em que a Pequena saía do quarto para que as enfermeiras dessem banho, ela inevitavelmente se sentia vazia.

Estava sozinha naquele quarto, a Pequenina dormindo no bercinho ao lado, e se sentia bem. Eram nesses momentos em que estavam apenas as duas, que Sam mais conseguia relaxar. Uma vez que as enfermeiras estavam sempre dando recomendações e querendo pegar a bebê no colo o tempo todo. Freddie, não a deixava fazer nada, até banho ele insistia em dar nela com a desculpa do repouso. E Jade, apoiava Freddie no que Sam considerava loucura. “Será que esses dois não entendem que eu sou adulta e estou sem pontos?” pensava.

Sorriu, enquanto fazia um carinho no rostinho da bebê, que após acordar e sentir o toque da mãe em sua sensível pele, soltou um chorinho. Sam curvou um pouco os braços e a pegou do bercinho, acomodou Lily em seu colo enquanto abaixava a camisola e abria o sutiã de amamentação com a mão livre. Colocou a filha para mamar e ela logo se acalmou, enquanto se alimentava. Os pequenos olhinhos castanhos a fitavam com tanta ternura, que era impossível não sorrir. Pegou uma das mãozinhas e sentiu seu dedo ser apertado por ela, deu uma risadinha. Acariciou-a com o dedão e em instantes levou aos lábios, dando um beijinho nela.

Lily era tão perfeita… em cada mínimo detalhe, parecia de fato uma escultura, uma pintura feita pelos mais célebres artistas, da qual deveria estar em um museu. Sua cabecinha era coberta por pequenos fiapos loirinhos que ainda demorariam para se tornarem de fato uma cabeleira. Os olhinhos, tão pequenininhos eram castanhos mas quando refletidos na luz do sol, notava-se um pequeno brilho verde misturado à cor original. O narizinho… era tão vermelhinho que mais parecia um moranguinho, e tão pequenininho quanto um botão de rosa. As bochechinhas eram gordinhas e também rosinhas. As mãozinhas e os pézinhos… ah, sem dúvidas eram onde toda a fofura ganhava o seu auge!

Enquanto admirava a filha, Sam pensava no quão era louco o fato de ter passado anos de sua vida negando esse amor, uma vez que agora já não se imaginava sem Lily em sua vida. Mas, não era culpa dela de qualquer maneira, a razão para isso se devia a coisas muito maiores… os traumas que carregava eram muitos e era impossível de não serem sufocantes também. E ela sabia disso.

No entanto, observando sua filha amamentando de forma tão serena, um lampejo de luz passou por sua mente;

Havia quebrado o ciclo da família!

Lily teria tudo que Sam, Melanie, Pam, e tantas outras mulheres da família Puckett não tiveram. E jamais, em nenhuma hipótese, passaria pelo mesmo que elas passaram.

Sam seria uma mãe muito melhor do que a que tivera. Lily teria um pai, um lar seguro, estável, feliz e amoroso, uma família presente que sempre estaria ali por ela, e todas as oportunidades para ser quem quisesse ser e fazer o que quisesse fazer. Fora que, Sam não estava sozinha, ela tinha um companheiro de vida que a amava e a respeitava, e os amigos maravilhosos que tinha por perto. Todos eles eram a sua família: Freddie, Jade, Cat, Tori, Robbie, Beck, Spencer, Gibby, Carly, e até Marissa. O lar que sempre sonhou, e um futuro emprego que amava eram as cerejas do bolo, e ela não podia estar mais feliz!

Quando deu por si, uma lágrima escorria de seu olho direito. Lágrima essa que ao descer, caíra em cima da mantinha rosa e quentinha que Lily usava. A Pequenina já havia terminado de mamar havia poucos minutos, mas ainda mantinha os olhinhos bem atentos a sua mamãe. Samantha beijou a cabecinha da bebê, e sorriu para ela.

– Minha filha, eu prometo a você que você será muito feliz! E eu juro, que vou me esforçar todos os dias para ser para você, a mãe que eu sempre quis ter. Você é a melhor coisa que já me aconteceu meu bem, a Mamãe te ama muito, você é o amor da minha vida, Lily!

A bebê apertou o dedo da mãe ainda mais forte, de alguma forma, entendendo as palavras que lhe foram proferidas. Ela podia não possuir nem um tipo de noção ainda, mas a linguagem do amor não precisa de razão, e é com ela, que Lily passaria a entender todos os tipos de gestos que lhe seriam destinados, a partir daquele momento.

Notas finais
Bom meus amores, como dito acima, preciso explicar algumas coisinhas então, aí vai: 1) O título “Materfamilias” é uma expressão em latim que é o termo que se dá para famílias matriarcais; onde a cabeça é a mulher. Eu me inspirei em um dos meus episódios favoritos de The Crown, o Paterfamilias; que é um dos episódios da segunda temporada. A premissa dele é muito parecida com a que eu queria trazer nessa one então percebi que o título não poderia ser diferente. Fui pra internet e pesquisei sobre o feminino desse termo, e o que apareceu para mim foi que esse termo não tem um “feminino propriamente dito” mas, como a corvina que sou, pesquisei outra vez trocando o “pater” para “mater” e apareceu a definição que eu expliquei ksksks. 2) Eu não explorei muito Seddie nessa história porque era para ser algo totalmente focado na Sam e nos traumas que ela carregava. Logo, não sobrou muita função para o Freddie além dele ter feito tudo diferente do que o pai da Sam fez. Mas apesar disso, eu imagino que mesmo que o Freddie não assumisse a criança, ou se a Sam tivesse engravidado de outro, ainda assim ela conseguiria quebrar esse ciclo, eu só não quis que ela tivesse ficado sozinha porque bem… ela já sofreu demais, não é?. {...} Infelizmente os caracteres do +Fiction não me permitiram dar todas as informações nessas notas finais então, caso estejam interessados em saber quais foram as outras informações, vão na minha página do Spirit e do Wattpad, nas notas da história lá! :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.