Match Point

24 CAPÍTULO EXTRA – In the End


Notas iniciais
Esse capítulo extra é, acima de tudo, uma carta aberta ao que significa tentar. Àqueles que se levantam mesmo quando tudo ao redor parece empurrar de volta. In the End não é só sobre vôlei, é sobre fracassos que moldam, silêncios que gritam, e vitórias que não aparecem no placar, mas ficam gravadas no coração. Oikawa sempre foi um personagem que me ensinou sobre resiliência — e escrever esse episódio final do Intercolegial foi como colocar ponto-final em uma história que carrega dor, orgulho e superação. Espero que cada frase te toque como me tocou escrevê-la. Que você sinta a quadra pulsando, o peso de cada saque, e principalmente, a alma de quem nunca desistiu mesmo tendo todos os motivos pra isso. Boa leitura, Com carinho, Bia 🧡

GINASIO DO SHIRATORIZAWA

Oikawa cruzou lentamente a porta do ginásio do Shiratorizawa, cada passo ecoando firme e decidido sobre a superfície lisa e brilhante do corredor. Porém, o impacto do ambiente sobre ele foi instantâneo, quase sufocante, uma pressão invisível, mas esmagadora, que parecia querer dobrá-lo desde o primeiro instante.

O ar ali dentro era pesado, quase palpável, carregado de expectativas silenciosas, de memórias antigas que permaneciam impregnadas nas paredes e nos bancos gastos das arquibancadas. Respirar naquele espaço era um desafio; cada inspiração trazia não apenas oxigênio, mas o cheiro marcante da madeira recém encerada misturado ao suor acumulado de incontáveis batalhas anteriores. Um aroma de esforço, vitória e derrota, entrelaçados como fios indivisíveis.

As luzes frias dos refletores no teto projetavam um brilho duro e implacável sobre a quadra. Imaculadamente polida, ela parecia menos um espaço esportivo e mais um palco solene, pronto para algo maior do que apenas um jogo. Ali não se disputariam apenas pontos ou troféus, mas um ajuste de contas com o próprio passado, um encontro direto com fantasmas que habitavam em suas lembranças.

Ele já conhecia bem aquele lugar já estivera ali antes, muitas vezes, desde a infância. Naqueles tempos, Oikawa não passava de um espectador encantado, um garoto com olhos brilhando de admiração e esperança, assistindo do alto das arquibancadas aos jogos do Shiratorizawa, sonhando um dia pisar naquela quadra como protagonista. Mas agora, a realidade era diferente, esmagadoramente real. Dessa vez, ele era o protagonista. Era o finalista. Era o homem sobre quem a responsabilidade repousava com o peso da história, o peso das expectativas, o peso de todos os olhos voltados para cada movimento seu.

E principalmente, do outro lado da quadra, havia Ushijima Wakatoshi já não mais a figura distante e inatingível que ele admirava. Agora, Ushijima estava ali como um rival direto, humano e real, alguém que podia ser enfrentado, talvez vencido. Não havia mais um abismo entre eles, apenas uma rede estendida que poderia ser cruzada. Pela primeira vez, Oikawa precisava acreditar, com cada fibra de seu ser, que ele era capaz. Que estava ali não apenas para encarar um adversário, mas para confrontar seus próprios limites e provar que finalmente eram iguais. Ou, pelo menos, era nisso que ele precisava acreditar naquele momento, enquanto seu coração acelerava diante do palco que definiria quem ele realmente era.

Mas o passado não se apagava tão facilmente.

Como lâminas afiadas, as palavras de Washijō retornaram lentamente à superfície da sua mente, penetrando suas defesas com uma crueldade silenciosa, cortando em pedaços sua concentração, deixando-o exposto diante das lembranças que preferia esquecer.

"O Shiratorizawa não é lugar para jogadores medianos."

"Você não tem talento. Nem aptidão. Vôlei não é para você."

"Vai desistir, garoto?"

Cada frase ecoava claramente nas paredes frias do ginásio, reverberando em seus ouvidos como assombrações antigas, presas no tempo. Oikawa podia ouvir novamente as risadas abafadas dos outros garotos durante o teste de admissão, aquele som zombeteiro e cruel, que tentara silenciar tantas vezes. Mas a memória era teimosa, insistia em voltar com força total, dolorosa e inevitável.

Pior ainda eram as lembranças físicas — as boladas duras e frias disparadas por Ushijima, calculadas com precisão mecânica, quase desumana. Cada golpe parecia ter sido cuidadosamente desenhado para lembrá-lo de seu lugar, no chão, indefeso, humilhado. Mas dentre todas aquelas memórias, uma ainda o marcava profundamente: o terceiro corte. O mais brutal. O mais devastador. Aquele que o jogou violentamente ao chão, fazendo-o bater a cabeça e sentir o nariz arder, até o sangue quente escorrer pelo rosto e pingar sobre a madeira polida da quadra.

Oikawa nunca esqueceu aquele vermelho vivo, escorrendo pelo queixo, marcando-o como uma cicatriz invisível. Nunca esqueceu o rosto frio e indiferente de Washijō, parado à margem, observando tudo com um desdém quase desprezível, ordenando, sem emoção, que alguém trouxesse uma toalha — como se Oikawa não fosse nada mais do que uma falha, algo descartável, um número a menos no papel.

Mas havia algo que Washijō não percebeu naquele dia, algo que ninguém viu. Mesmo sangrando, mesmo humilhado, Oikawa se levantou. Ele sempre se levantava. Não importava quantas vezes fosse derrubado, não importava quantas vezes ouvisse aquelas palavras cruéis ecoarem dentro de si. Ele sempre encontrava forças para ficar de pé novamente.

E agora ali estava ele outra vez, em pé, firme, no centro da fortaleza roxa que tentara destruí-lo anos atrás. Mas desta vez, não era um garoto anônimo submetido ao julgamento de outros. Não era um número perdido em fichas descartadas. Era Oikawa Tooru — capitão do Aoba Jōsai, finalista do Intercolegial, um jogador construído por suas próprias mãos e por seu próprio suor.

Respirou fundo, deixando o ar seco aquecido pelos refletores invadir lentamente seus pulmões. O silêncio do ginásio ainda predominava, mas aquela ausência de sons trazia consigo uma eletricidade viva, a promessa de uma tempestade prestes a começar.

Esta era a sua chance. Não de provar seu valor a Washijō, ou a Ushijima, ou ao público. Mas de deixar claro, de uma vez por todas, que ninguém — ninguém mesmo — tinha o poder de decidir quem ele era, até onde poderia ir, o que poderia conquistar.

Nem mesmo Washijō, com sua frieza implacável.

Nem mesmo Ushijima, com sua força esmagadora.

Nem mesmo o destino, com sua crueldade silenciosa.

A quadra estava pronta, à sua frente, limpa e silenciosa, aguardando o momento decisivo.

E ele também estava.


PRIMEIRO SET

Ele ergueu lentamente os olhos, sentindo o coração acelerar, e ali estava ele.

Ushijima Wakatoshi.

Parado do outro lado da quadra como uma estátua esculpida em pedra sólida, imponente e inalcançável. Seus ombros largos, postura reta e rígida como uma lança enterrada profundamente no chão, sustentavam um corpo que não parecia humano — mas uma máquina moldada exclusivamente para vencer. Cada músculo era preciso, frio, impecável, como aço forjado nas chamas da perfeição. Seu rosto, impassível como sempre, não exibia emoção alguma, apenas os olhos fixos, penetrantes, duros como diamantes lapidados para cortar qualquer resistência.

Mas algo estava diferente naquele instante.

Pela primeira vez em toda sua vida, Oikawa percebeu que Ushijima o encarava diretamente. Não mais como um vulto no fundo da quadra, não mais como um rosto indistinto entre tantos outros. Pela primeira vez, aquele olhar de aço trazia consigo algo além de desprezo ou indiferença — havia reconhecimento. Ushijima finalmente o via. Finalmente percebia que Oikawa havia chegado longe demais para ser simplesmente ignorado, muito longe para ser subestimado.

Um estalo suave, quase imperceptível, soou dentro de Oikawa. Seus dedos se fecharam lentamente, instintivamente, como se estivessem ativando algo profundo em sua alma. E nesse instante, seu olhar desviou-se momentaneamente de Ushijima, pousando na figura que ocupava o banco do Shiratorizawa.

Lá estava ele. Washijō, o treinador que tanto desprezara Oikawa no passado, sentado de maneira implacável, analisando friamente cada movimento. Seu olhar era afiado, crítico, severo, esperando pacientemente pelo instante em que Oikawa vacilaria, o momento em que fraquejaria diante daquela pressão esmagadora. Aguardando pelo momento em que ele retornaria, humilhado, ao lugar que Washijō acreditava ser o seu por direito: ao chão, derrotado e esquecido.

Mas, em vez de medo ou submissão, algo muito antigo e poderoso despertou dentro do peito de Oikawa naquele momento.

Fogo.

Não uma chama simples de raiva ou revolta, mas algo mais puro, mais intenso, que vinha das profundezas de quem fora ferido, rejeitado, derrubado inúmeras vezes, mas que sempre encontrava forças para se levantar. Era a mesma chama que ele usara para derrotar Niko, para provar a si mesmo que o esforço obstinado podia sim vencer o talento nato. Mas ali estava o obstáculo final, a última sombra a enfrentar: a figura imponente de Ushijima Wakatoshi, sua muralha mais alta, a mais difícil, a mais dolorosa de escalar.

Se ele queria realmente apagar os fantasmas do passado, libertar-se do peso daquela rejeição cravada em suas costas desde a adolescência, precisava vencer agora. Não apenas por um troféu, não apenas pela glória superficial de um título, mas por si mesmo, pela sua alma, por sua história.

Inspirou profundamente, sentindo o coração vibrar dentro do peito, como um tambor de guerra, poderoso, constante e vivo.

E então, lentamente, ele sorriu.

"Se for bater, bata até quebrar."

Ele repetiu aquelas palavras dentro de si, como um mantra, com a certeza absoluta de quem havia treinado a vida inteira para esse exato momento.

O ginásio do Shiratorizawa pulsava em uma energia brutal. Uma avalanche de roxo e branco ocupava cada assento das arquibancadas, tremendo com um frenesi de torcida fanática. Os tambores ressoavam com força e ritmo militar, ecoando como preparativos para uma batalha épica. As cornetas erguiam-se num grito metálico, elevando a tensão ao máximo. Oikawa sentia-se no centro exato de um campo de batalha — e, como sempre, o Shiratorizawa vestia sua armadura de vitória: invencível, intocável, poderoso.

Mas naquela tarde, algo no ar anunciava uma mudança inevitável.

Era a vez dele. A vez de Oikawa Tooru.

Ele atravessou a quadra lentamente, peito aberto, ombros erguidos, passo decidido. Sua arrogância habitual — aquela que encantava muitos e irritava outros tantos — ainda estava presente, mas desta vez revestida por uma nova e eletrizante intensidade. Seus olhos âmbar brilhavam com um brilho feroz, afiados como lâminas prontas para desafiar o impossível — olhos que já tinham conhecido a humilhação, o fracasso, o chão frio, e escolhido erguer-se apesar de tudo.

Naquele momento, ele não estava mais ali apenas para competir.

Estava ali para vencer.

Para finalmente escrever seu nome na história do Aoba Jōsai.

Para destruir a supremacia do Shiratorizawa.

Para derrubar Ushijima Wakatoshi.

Era o início da maior batalha da sua vida, e ele sabia disso com cada fibra do seu corpo.

Hoje, ele não perderia.

Ele caminhou até a rede com o restante de sua equipe, sentindo a firmeza do chão sob seus tênis e absorvendo cada som, cada pulsação, cada gota de suor impregnada no ar. Do outro lado, o Shiratorizawa já aguardava — organizados e impassíveis, alinhados como soldados em posição de combate. Impecáveis. Frios. Mortais.

Oikawa parou diante do time adversário, e o ar entre os dois lados vibrou em uma tensão quase física. Como eletricidade pairando no ar, a expectativa fazia o coração acelerar e os músculos enrijecerem. Lentamente, os cumprimentos começaram. Mãos se tocaram com brevidade e firmeza, num gesto que carregava respeito ou uma hostilidade velada. Kindaichi olhava diretamente nos olhos adversários, com um fogo inquieto. Watari permanecia firme e confiante, e Iwaizumi, como sempre, era uma rocha silenciosa, inabalável, jamais desviando o olhar.

E então chegou a vez dele.

Ushijima Wakatoshi.

O capitão do Shiratorizawa deu um passo à frente, atravessando a curta distância até a rede como uma presença colossal, quase sobrenatural. Alto. Sólido. Intimidante. Sua calma era aterradora, e seus olhos frios eram dois pedaços de aço puro, avaliando Oikawa do alto, como quem contempla algo já derrotado. Não havia arrogância em seu olhar; havia algo pior — a absoluta certeza de sua superioridade.

Oikawa estendeu a mão.

Mas ela permaneceu ali, estendida no vazio. Ushijima não fez qualquer movimento, não ergueu a mão, não deu um aceno ou sinal de respeito. Apenas o encarava, imperturbável, sem emoção, como se Oikawa sequer merecesse aquele gesto mínimo de reconhecimento. Um silêncio cortante caiu entre os dois, alongando-se desconfortavelmente.

Oikawa manteve a mão estendida por mais tempo do que precisava, esperando por algo que não viria — uma resposta, um gesto mínimo. Nada. Seus dedos fecharam-se lentamente, como se recolhesse uma ferida aberta, e a mão caiu ao lado do corpo. Sua expressão externa não mudou: o mesmo sorriso tranquilo, a postura elegante e confiante, mas por dentro, um incêndio havia se acendido.

Aquela rejeição, aquele desprezo silencioso. Ushijima já o havia desprezado uma vez, já o havia humilhado e ignorado. E agora, novamente?

Seu coração pulsava violentamente no peito, mas ele sustentou a compostura. Não seria ali, diante de todos, que perderia o controle. Apoiou-se em seu orgulho, na raiva cuidadosamente contida, na promessa silenciosa que havia feito a si mesmo anos atrás.

Inclinou-se levemente à frente, mantendo os olhos fixos nos de Ushijima, e murmurou com uma voz calma e precisa:

"Espero que esteja preparado, Ushijima."

O capitão do Shiratorizawa respondeu imediatamente, sem emoção, como se apenas repetisse uma verdade óbvia:

"Jogadores fracos não vencem o Shiratorizawa."

A frase atingiu Oikawa como uma sentença. Sentiu um arrepio subir pela espinha e precisou conter a vontade imediata de explodir. Quis rir, gritar, quebrar tudo, mas se controlou. Soltou um riso baixo, sutil, quase irônico, como quem já havia escutado aquilo inúmeras vezes e ainda estava ali, de pé, pronto para provar o contrário.

Mas em seus olhos havia algo diferente — eles gritavam em silêncio.

Ele voltou lentamente para seu lado da quadra, sentindo cada passo como a contagem regressiva para uma batalha inevitável. Sua mente fervilhava com uma única determinação:

Se for bater, bata até quebrar.

Hoje, Oikawa não aceitaria menos do que quebrar o Shiratorizawa.

O apito soou forte e claro pelo ginásio lotado, e o rugido das torcidas explodiu das arquibancadas. De um lado, a onda azul e branca do Aoba Jōsai agitava bandeiras e gritava seu nome. Do outro, o imponente Shiratorizawa, disciplinado e feroz como uma fortaleza inexpugnável. A quadra parecia pequena demais para conter aquela rivalidade monumental. Oikawa apertou os punhos. Sabia que aquele jogo não seria como os outros. Sabia que Ushijima não era como os outros.

E o primeiro ponto deixou isso claro. O Seijoh começou forte. Oikawa distribuía levantamentos perfeitos — bolas rápidas, precisas, imprevisíveis. Cada jogada era uma demonstração de técnica impecável, confundindo o bloqueio adversário ao alternar habilmente entre Kunimi, Kindaichi e Iwaizumi.

Mas não importava quantos pontos o Seijoh conquistasse, Ushijima estava ali para responder imediatamente. Seu primeiro ataque foi brutal, avassalador, como o golpe seco de um martelo. Ushijima saltou, seu corpo erguendo-se acima do bloqueio triplo de Kunimi, Kindaichi e Iwaizumi. Por um instante, todos pensaram que conseguiriam pará-lo.

Mas foi inútil. A bola atravessou as mãos do bloqueio com força esmagadora, explodindo contra o chão do Seijoh.

1x0 para o Shiratorizawa.

A jogada seguinte foi ainda mais cruel. Oikawa levantou rápido para Iwaizumi, que atacou com toda sua força, mas o bloqueio do Shiratorizawa devolveu a bola com violência. Oikawa mergulhou desesperado numa defesa reflexiva, salvando milagrosamente a bola. Ela subiu alta e torta, oferecendo ao adversário a posição perfeita para um contra-ataque mortal.

Ushijima novamente se projetou pela quadra como uma máquina programada para vencer. Todos sabiam o que viria, todos se prepararam — mas saber não bastava. O ataque veio seco, preciso, imparável. Oikawa saltou tarde demais, a bola já atravessando a quadra com precisão cirúrgica.

2x0 para o Shiratorizawa.

O set prosseguiu com domínio absoluto. Para cada ponto do Seijoh, Ushijima respondia com dois. Oikawa fazia levantamentos impossíveis, defendia bolas improváveis, corria, lutava, respirava determinação. Mas o Shiratorizawa não cometia erros. Ushijima não hesitava. Ele era implacável, castigando cada falha adversária com golpes certeiros e devastadores.

No meio do set, Oikawa tentou um último recurso. Chamou Iwaizumi com confiança:

"Prepara, vem na paralela!"

Levantou com perfeição, Iwaizumi atacou firme, mas encontrou apenas as mãos sólidas de Ushijima em um bloqueio perfeito. A bola caiu violentamente contra o chão do Seijoh.

18x10.

Oikawa respirou fundo, sentindo os músculos arderem e os pulmões implorarem por ar. Ele sabia que seu time começava a fraquejar, mas se recusava a desistir. Resistiu a cada ponto, a cada rally exaustivo, salvando bolas impossíveis, levantando jogadas milagrosas.

No último rally do set, o Seijoh lutou com todas as forças. Oikawa distribuiu com perfeição, Kunimi atacou, o Shiratorizawa defendeu. A bola voltou para Ushijima, e naquele instante, todos souberam que estava acabado. Ushijima saltou novamente, pairando no ar com uma força devastadora. Oikawa e Iwaizumi tentaram um último bloqueio desesperado, mas não havia como pará-lo.

A bola explodiu em suas mãos e desviou-se para fora.

25x15. O Shiratorizawa venceu o primeiro set com autoridade esmagadora.

Oikawa fechou os olhos brevemente. Sentia o corpo exausto, tremendo, mas não demonstrou fraqueza. Ao abrir novamente os olhos, viu seus companheiros. Ainda estavam na final. Ainda havia jogo pela frente.

E ele não deixaria terminar daquele jeito.


SEGUNDO SET

O placar do primeiro set ainda ecoava na mente de todos: 25x15 para o Shiratorizawa. Um verdadeiro massacre. No entanto, quando o Seijoh voltou à quadra, algo estava visivelmente diferente. Algo havia despertado dentro de Oikawa.

Ele respirou profundamente, encaixando as munhequeiras firmemente nos pulsos. Ao levantar o olhar, a expressão frustrada do primeiro set desaparecera por completo. Não havia mais raiva, nem desânimo. Oikawa estava diferente — energizado, decidido, elétrico.

Um leve sorriso surgiu em seus lábios, carregado de uma confiança afiada como lâmina. Por um instante, o Shiratorizawa hesitou. Aquele sorriso desestabilizou, por um breve momento, a armadura do gigante roxo.

"Se for bater, bata até quebrar." e ele ainda não havia quebrado.

O segundo set começou tão brutal quanto o primeiro. Ushijima avançou como um colosso, saltando acima do bloqueio e cravando a primeira bola com força devastadora. Os bloqueadores do Seijoh eram como crianças tentando impedir uma avalanche.

1x0 para o Shiratorizawa.

Mas Oikawa sequer piscou. Ele apenas pegou a bola do chão calmamente, girou-a entre os dedos e sorriu com calma absoluta, sua voz firme ressoando pela quadra:

"Kunimi, fica atento. Iwaizumi, pode confiar."

O saque seguinte veio feroz, mas Watari mergulhou para receber com precisão. Antes mesmo que a bola atingisse seu ponto máximo, Oikawa já estava em movimento, deslizando pelo piso encerado com a graça e a precisão de um maestro. Ele não precisou olhar, apenas sentiu a quadra como uma extensão do próprio corpo. O levantamento saiu impecável, flutuando perfeitamente para as mãos de Iwaizumi, que cortou com uma violência renovada.

Ponto. 1x1.

O rugido da torcida do Seijoh ecoou forte, injetando energia nos jogadores. A partir daquele instante, Oikawa iniciou seu espetáculo particular.

Cada levantamento parecia desafiar as leis da física, tornando-se uma demonstração de talento e genialidade.

Um levantamento de costas para Kunimi, sem olhar.

Um levantamento em suspensão, no limite da linha dos três metros, quase tocando o chão.

Um toque perfeito com a ponta dos dedos, a bola suspensa no ar como um desafio à gravidade.

E os atacantes correspondiam com vigor renovado. Kunimi, antes tímido, agora cravava pontos ágeis e confiantes. Kindaichi, antes hesitante, quebrava bloqueios sólidos. Iwaizumi atacava com uma fúria quase primal.

O Shiratorizawa sentiu o impacto do maestro que orquestrava aquele jogo.

10x8 para o Seijoh.

Oikawa respirou profundamente, controlando o ritmo do próprio corpo, sentindo cada músculo pulsar de energia. Mas o Shiratorizawa não aceitava facilmente ser dominado. Sem um único comando do técnico Washijō, Ushijima tomou o controle como uma tempestade imparável.

O primeiro ataque destruiu a defesa do Seijoh.

O segundo destroçou o bloqueio de Iwaizumi.

O terceiro fez Watari se lançar inutilmente ao chão.

14x14.

O jogo tornou-se uma guerra de resistência física e mental. No rally seguinte, a bola permaneceu no ar por mais de um minuto, em uma sequência insana de ataques, bloqueios e defesas. Oikawa cobriu a quadra inteira, mergulhando desesperadamente, salvando bolas impossíveis, levantando jogadas inconcebíveis.

Mas o Shiratorizawa era uma fortaleza impenetrável. Ushijima surgiu novamente, poderoso e implacável, encerrando o ponto com uma força esmagadora contra as mãos erguidas de Oikawa. A bola saiu, e Oikawa caiu de costas, sentindo os pulmões arderem enquanto ofegava pesadamente.

Ao abrir os olhos, viu o placar:

19x18 para o Seijoh.

Ele sorriu mais uma vez, determinado. Ainda estavam à frente. A vitória ainda era possível.

O jogo prosseguiu feroz e implacável, um ponto após o outro, nenhuma das equipes cedendo espaço.

21x21.

22x22.

23x23.

Cada ataque do Seijoh era respondido por uma jogada brutal de Ushijima. O ponto decisivo estava próximo.

E chegou.

24x23. Set point para o Seijoh.

O Shiratorizawa não podia falhar. O saque veio potente, mas Watari recebeu com firmeza. A bola subiu perfeitamente até Oikawa, que tinha uma fração de segundo para decidir.

Kunimi estava pronto na ponta.

Iwaizumi aguardava com determinação.

Kindaichi estava posicionado para o ataque rápido.

Oikawa viu todas essas opções com clareza absoluta, mas não escolheu nenhuma delas. Ele escolheu surpreender.

Saltou com perfeição, fingindo um levantamento alto. O bloqueio do Shiratorizawa se ergueu, mas tarde demais percebeu a manobra.

Em um movimento genial, Oikawa executou uma largada sutil de segunda, e a bola flutuou lentamente, quase em câmera lenta, até tocar suavemente o chão adversário.

O ginásio explodiu.

25x23. O Seijoh venceu o segundo set.

Oikawa caiu imediatamente de joelhos, sentindo os ombros subirem e descerem rapidamente. Seu peito queimava, os músculos gritavam, mas naquele instante ele não ouvia nada — nem os gritos ensurdecedores da torcida que clamava seu nome.

Ele ergueu os olhos lentamente, e do outro lado da quadra encontrou Ushijima encarando-o diretamente, com respeito silencioso, porém inabalável.

Agora era tudo ou nada. E Oikawa Tooru estava determinado a ir até o fim.


TERCEIRO SET

O rugido das torcidas era ensurdecedor. O ginásio parecia vivo, pulsando com uma intensidade que ia além dos limites físicos e emocionais. A quadra tremia sob os pés exaustos dos jogadores, tomada pela energia bruta do confronto entre o Seijoh e o Shiratorizawa. Cada ponto era um ato de sobrevivência; cada saque, um desafio; cada ataque, uma aposta desesperada. O suor pingava do rosto dos jogadores, os pulmões ardiam com cada respiração curta e pesada. Mas ninguém desistia. Ninguém ousava desistir.

Oikawa sentia o peso esmagador daquela partida sobre seus ombros, como uma corrente invisível que se apertava lentamente. Seus músculos clamavam por descanso, suas pernas tremiam sempre que ele saltava para mais um levantamento impossível. Porém, parar não era uma opção. Ele havia treinado incansavelmente para chegar ali. Cada erro cometido, cada saque imperfeito, cada noite sem dormir o trouxe até aquele exato instante. Quando olhava ao redor, via seus companheiros dando absolutamente tudo o que tinham. Iwaizumi, com o rosto marcado pelo esforço, lutava como se cada ponto fosse o último. Kunimi e Kindaichi, embora exaustos, obedeciam a seus comandos com uma precisão e uma confiança que antes não possuíam.

O Seijoh jogava no limite porque Oikawa os fazia acreditar. Ele sempre os fizera acreditar.

Desde aquele dia solitário na Quadra do Rio, desde os primeiros erros que cometeram juntos, desde a rejeição dolorosa do Shiratorizawa, ele prometera a si mesmo que jamais deixaria que alguém definisse seu valor novamente. Mas, ali, diante da muralha impenetrável que o Shiratorizawa representava, Oikawa sentiu algo doloroso se infiltrar em seu coração — uma dúvida profunda e inquietante.

Será que tudo aquilo realmente importava?

O jogo se desenrolava em uma sequência desesperada de golpes ferozes. O Shiratorizawa atacava com uma brutalidade quase selvagem, e o Seijoh respondia com inteligência estratégica e técnica precisa. Era um duelo intenso entre a força bruta de Ushijima e a habilidade meticulosa de Oikawa.

O placar avançava lentamente:

5x5.

10x10.

15x15.

Oikawa já não sentia as pernas. Seus músculos protestavam a cada movimento, seus pulmões imploravam por ar, mas não havia tempo para pensar nisso. Seu corpo agia por instinto. Cada levantamento era milimétrico, cada toque exato. Oikawa conduzia sua equipe como um maestro conduzindo uma sinfonia desesperada, seus dedos determinando cada jogada.

Kunimi atacava na diagonal, fora do alcance adversário.

Kindaichi enganava o bloqueio, quebrando defesas sólidas.

Iwaizumi cravava bolas impiedosas, levantando o ânimo da equipe.

O Seijoh estava no auge. Porque Oikawa estava ali, lutando ao lado deles.

Mas Ushijima permanecia inabalável.

Cada bola que ele recebia era um ponto garantido. Cada ataque seu carregava o peso do inevitável. E Oikawa sentia isso a cada vez que o Shiratorizawa recuperava a vantagem.

20x20.

23x23.

O set se arrastava como uma batalha titânica, e a confiança de Oikawa começava a fraquejar. Seus companheiros estavam esgotados. E ele também.

Ergueu o olhar e viu Ushijima do outro lado — sereno, invencível, quase como se o resultado já estivesse decidido antes mesmo de começarem. Como se não importasse o esforço que fizessem, a vitória fosse inevitável para ele.

26x26. O Deuce.

Cada ponto agora era uma punhalada no corpo e na alma.

E então, a bola voltou às mãos de Oikawa para o saque decisivo. Seus dedos tremiam. Ele respirou fundo, tentando controlar o caos que inundava sua mente. Era só mais um saque. Apenas mais um. Mas lá no fundo, ele sabia que não era.

Ergueu os olhos mais uma vez e encarou Ushijima. O adversário não parecia cansado, nunca parecia cansado. Era uma força da natureza, inevitável, imparável.

Oikawa engoliu em seco.

Se fosse bater, bateria até quebrar. Lançou a bola ao alto e fez um saque perfeito. Rápido, venenoso, preciso. A recepção do Shiratorizawa falhou, e a bola subiu torta, fora do ideal. Era a chance que esperaram por todo o jogo.

Mas ainda assim... ainda assim, o destino da bola era inevitável.

Ushijima.

Oikawa viu o movimento antes mesmo que acontecesse, tudo se desenrolando lentamente em câmera lenta diante de seus olhos. O braço de Ushijima subiu alto, poderoso, devastador. Oikawa quis gritar, alertar a defesa, mas era tarde demais. O ataque desceu como uma tempestade, brutal, incontrolável.

O impacto ecoou pela quadra como um trovão.

Watari saltou desesperado, mas não alcançou.

A bola tocou o chão.

Silêncio absoluto.

A ficha demorou a cair. O ginásio inteiro parecia imóvel, em choque. Era o ponto final. A vitória definitiva do Shiratorizawa.

Oikawa ficou paralisado, os olhos fixos no chão onde a bola ainda girava lentamente, zombando dele, confirmando sua derrota. Seu corpo pesava toneladas, seu coração martelava furioso no peito. A respiração estava curta, entrecortada.

Sem forças, ele caiu de joelhos.

Ao redor, o rugido da torcida do Shiratorizawa explodiu em celebração. Ushijima era cercado pelos companheiros, exaltado como o herói que era. O vencedor. O imbatível.

E Oikawa... Oikawa sentia-se preso em um ciclo interminável de esforço inútil. Tudo que fizera, cada madrugada, cada treinamento exaustivo, cada gota de suor derramada, cada erro que corrigira, tudo fora insuficiente.

Lágrimas quentes escorreram silenciosas por seu rosto, incapazes de serem contidas.

O que ele havia feito de errado dessa vez? Ele ultrapassara todos os seus limites, jogara no auge de sua capacidade, fizera levantamentos milagrosos, entregara cada jogada perfeita aos seus companheiros, superara seu próprio corpo. Mas, mesmo assim, o final era o mesmo.

Ele olhou para Ushijima novamente. Aquela diferença nunca fora apenas técnica ou física. Era algo intangível, algo inalcançável que sempre separou Oikawa dos grandes talentos naturais. Algo que ele jamais conseguiria superar, não importa quanto tentasse.

A ironia queimava profundamente. Tantos esforços, tantos sacrifícios, e ainda estava ali, no chão, enquanto Ushijima permanecia inabalável, como se nada tivesse mudado.

Oikawa cerrou os punhos com o pouco de energia que restava. Com enorme esforço, forçou as pernas a se erguerem. Seu corpo inteiro protestava, mas ele não permitiria se abater ali, na frente de todos.

Porque ele era Oikawa Tooru. E mesmo derrotado, jamais desistiria.

Caminhou lentamente até Ushijima e estendeu a mão. Não havia nada a ser dito. Não havia desculpas. Apenas o peso insuportável da derrota entre os dois.

O talento natural vencera mais uma vez.

E pela primeira vez na vida, Oikawa não tinha absolutamente nada a dizer.


A PREMIAÇÃO

O ginásio ainda tremia com a energia intensa do jogo enquanto a cerimônia de premiação começava. No centro da quadra, o Shiratorizawa estava alinhado com postura impecável, aguardando as medalhas douradas que mais uma vez coroariam sua vitória absoluta. O troféu reluzia sobre a mesa, imponente e simbólico, refletindo as luzes do ginásio com uma aura quase inalcançável.

À distância, Oikawa observava tudo com um peso profundo nos ombros, o corpo ainda trêmulo, exausto após o esforço monumental. Ao seu lado, seus companheiros do Seijoh mantinham-se de cabeça erguida, tentando esconder o gosto amargo da derrota. Mesmo abatidos, todos respeitavam aquele momento, aceitando silenciosamente o resultado.

O som claro do microfone cortou o ar vibrante do ginásio:

"E agora, vamos premiar os destaques do torneio!"

A primeira categoria anunciada não surpreendeu ninguém:

"O prêmio de melhor jogador do Intercolegial vai para Ushijima Wakatoshi, capitão do Shiratorizawa!"

O ginásio explodiu em aplausos entusiasmados. Era justo. Desde o primeiro momento em quadra, Ushijima dominara com a força e precisão de um jogador excepcional. Ele caminhou calmamente até a mesa, o rosto impassível como sempre, aceitando o prêmio com uma serenidade que parecia natural.

A cerimônia continuou sem surpresas:

"O prêmio de melhor Ace também vai para Ushijima Wakatoshi!"

Novamente, o ginásio estremeceu com os gritos e aplausos dos torcedores. O Shiratorizawa saudou seu capitão com orgulho genuíno, e Ushijima aceitou o segundo prêmio sem demonstrar surpresa. Tudo estava exatamente como esperado.

Oikawa baixou o olhar, o peito apertado por uma sensação familiar. Ele sempre soube que havia limites que talvez jamais superasse. Mas antes que sua mente pudesse aprofundar aquela dor antiga, a voz do mestre de cerimônias voltou a chamar sua atenção:

"E agora, o prêmio de melhor levantador do torneio."

Por um instante, Oikawa pensou em outro nome. Alguém do Shiratorizawa, talvez. Não ele. Nunca ele. Ele nunca fora reconhecido, nunca fora destacado. Mas então, as palavras soaram claras e decisivas no ginásio lotado:

"O prêmio de melhor levantador do Intercolegial vai para... Oikawa Tooru, do Aoba Jōsai!"

O silêncio inicial se rompeu numa explosão ensurdecedora de aplausos. Torcidas adversárias, companheiros de equipe, técnicos, até mesmo jogadores do Shiratorizawa se levantaram, reconhecendo o talento e o esforço de Oikawa.

Por alguns segundos, ele ficou parado, sem reação. Será que havia ouvido certo?

Ele nunca fora escolhido. Nunca havia recebido nenhum reconhecimento. Sempre foi o garoto sem talento, sem aptidão natural para o vôlei, que precisava lutar três vezes mais que os outros apenas para ser notado.

E agora… agora ele era chamado para receber um prêmio que, no fundo do coração, sempre acreditou estar longe demais para alcançar.

Sentiu um toque firme em seu ombro. Ao olhar para trás, viu Iwaizumi, o rosto iluminado por um orgulho silencioso, sorrindo discretamente:

"Vai lá, Bobo-kawa," disse com carinho, empurrando-o suavemente.

Oikawa respirou fundo, sentindo um calor desconhecido invadir seu peito. Seus passos pareciam incertos ao atravessar a quadra, mas à medida que caminhava, os aplausos aumentavam ainda mais, encorajando-o a seguir em frente. Os jogadores do Shiratorizawa aplaudiam com respeito genuíno. Até mesmo Washijō, parado ao lado da mesa de premiação, batia palmas lentamente, com um olhar indecifrável, mas claramente respeitoso.

O técnico que um dia dissera que ele jamais teria talento agora estava ali, reconhecendo publicamente seu valor.

Ao chegar ao centro, Oikawa sentiu o olhar penetrante de Ushijima sobre si. O adversário, segurando suas próprias conquistas, observava-o em silêncio. E então, algo surpreendente aconteceu: Ushijima assentiu lentamente, em um claro gesto de respeito pelo que Oikawa havia conquistado.

As mãos de Oikawa tremiam ao receber a placa reluzente com seu nome gravado:

Melhor Levantador do Torneio

Seus olhos se encheram imediatamente de lágrimas, não pela tristeza da derrota, mas pela emoção avassaladora do reconhecimento. Pela primeira vez na vida, alguém realmente enxergava o esforço por trás de cada jogada, cada madrugada, cada gota de suor. Aquela simples placa representava tudo pelo que ele lutara. Era a prova concreta de que ele era digno de estar ali, entre os melhores.


De repente, seus companheiros de time correram até ele: Iwaizumi, Kunimi, Kindaichi, Watari, Matsukawa… todos cercando-o em um abraço apertado, sorrindo e celebrando aquela conquista única e merecida. Iwaizumi envolveu-o num abraço forte, sem dizer uma palavra sequer — porque não precisava. Eles haviam chegado juntos até aquele momento, e ele sabia o quanto significava.

Com o coração acelerado, Oikawa olhou novamente para a placa brilhante em suas mãos, sentindo um orgulho que nunca havia sentido antes.

Sim, ele havia perdido para Ushijima. Não vencera aquele jogo decisivo. Mas naquele instante, pela primeira vez, ele percebeu que havia vencido algo muito maior: o reconhecimento do seu esforço. A certeza de que, sim, ele era alguém. Não mais o garoto rejeitado ou desprezado.

Ele era Oikawa Tooru, o melhor levantador do Intercolegial.

E essa era uma vitória que ninguém jamais poderia tirar dele.

A SALA

Os corredores do Instituto Shiratorizawa eram longos e vazios, iluminados por luzes frias que lançavam reflexos suaves sobre o piso encerado, criando uma atmosfera impessoal e austera. As paredes lisas e silenciosas pareciam guardar memórias de inúmeras batalhas travadas ali dentro, testemunhas silenciosas das derrotas e vitórias acumuladas ao longo dos anos.

Oikawa caminhava lentamente por aquele corredor, os passos ecoando num ritmo pesado, cada um mais difícil que o anterior. Seu coração ainda batia acelerado, reverberando dentro do peito com uma dor profunda. O gosto amargo da derrota permanecia em sua boca, sufocando qualquer alívio que pudesse sentir pelo reconhecimento que havia acabado de receber.

De repente, ele percebeu uma figura imóvel à sua frente, destacando-se no centro do corredor como uma estátua inabalável. Era Ushijima, braços cruzados, olhar frio e impassível, como sempre. Oikawa não diminuiu o ritmo. Quando seus olhares finalmente se encontraram, um choque quase tangível cruzou o espaço entre eles.

Eram polos opostos: o fogo da determinação de Oikawa e o gelo implacável de Ushijima.

"Você se daria bem no Shiratorizawa," disse Ushijima, sua voz profunda, calma, carregada com a certeza absoluta que sempre o definiu.

Oikawa ergueu a cabeça, a mandíbula contraída de indignação. Sua resposta veio rápida, carregada por anos de convicção:

"Eu não jogo para um jogador só. Eu jogo para um time."

Um silêncio pesado pairou entre eles. Ushijima não hesitou antes de responder, seu tom cortante como uma sentença já estabelecida:

"Então você sempre será medíocre como o Seijoh."

Antes que Oikawa pudesse reagir, Ushijima já havia se afastado, caminhando pelo corredor com uma calma devastadora, deixando-o para trás sem olhar para trás.

Oikawa sentiu o sangue ferver. A raiva acumulada ao longo dos anos, a dor das constantes rejeições, a luta para ser visto e reconhecido como um jogador digno, tudo aquilo se misturou em seu peito. Lágrimas de frustração escorreram por seu rosto enquanto ele continuava caminhando, cada passo ecoando mais forte, até que sua mão, quase involuntariamente, acertou uma porta com força, fazendo-a abrir-se violentamente.

Era a sala do técnico Washijō.

Por um instante, Oikawa ficou congelado, surpreso pelo ambiente repentino. A sala era simples e organizada, impregnada por uma autoridade silenciosa. Havia troféus brilhando nas prateleiras, fotografias antigas e pranchetas cuidadosamente alinhadas sobre a mesa. Atrás dela estava o técnico Washijō, concentrado em suas anotações, que imediatamente levantou os olhos, surpreso pela interrupção.

"Desculpe..." murmurou Oikawa, desconcertado.

Washijō não pareceu perturbado. Pelo contrário, observou-o com interesse, reparando na placa brilhante ainda nas mãos do garoto:

"Belo prêmio" comentou com um leve tom curioso.

A raiva em Oikawa era tão forte que ele não conseguiu se conter:

"Nada mal para quem não tem talento nem aptidão para o vôlei, né?"

Washijō soltou um breve riso seco e balançou a cabeça lentamente, num gesto inesperado de reconhecimento:

"Eu mereci essa" admitiu com serenidade. "Em todos esses anos como treinador, nunca vi um jogador tão resiliente e dedicado como você."

Essas palavras, ditas por aquele treinador em particular, atingiram Oikawa como um golpe. Seu corpo se enrijeceu por um instante, enquanto absorvia o peso daquele reconhecimento inesperado.

"Obrigado..." respondeu, quase sem fôlego.

Washijō se inclinou levemente para frente, seu olhar penetrante examinando cada detalhe da expressão de Oikawa.

"Eu estava errado," continuou calmamente, "e se você quiser, há um lugar para você aqui no Shiratorizawa."

Oikawa sentiu seu coração disparar. Por um breve instante, tudo pareceu sumir: as dores, as derrotas, a provocação de Ushijima no corredor. Aquela era a oferta que ele desejou por anos. Era tudo que ele havia almejado desde que pisara pela primeira vez numa quadra de vôlei.

Sua garganta secou. Mas quando finalmente falou, sua voz saiu clara e firme:

"Isso foi o que eu quis minha vida inteira..."

Washijō assentiu com um leve sorriso, satisfeito:

"Perfeito, então."

Mas Oikawa respirou fundo, erguendo o olhar com firmeza renovada:

"Mas não posso jogar em um time que só joga para uma pessoa."

Washijō manteve a expressão neutra, como se já esperasse por aquela resposta:

"Ushijima, como você viu, é um prodígio. Tem talento para jogar na seleção nacional," afirmou, como se aquilo encerrasse qualquer discussão.

Oikawa estreitou os olhos, determinado:

"Um levantador não pode ficar preso a um só jogador."

Washijō permaneceu em silêncio por alguns instantes antes de sorrir levemente, resignado:

"Parece que estamos em um impasse."

"Não é um impasse," corrigiu Oikawa com convicção. "Eu não vou jogar no Shiratorizawa."

O técnico suspirou pesadamente, balançando a cabeça com um desapontamento sincero:

"Isso é um erro, garoto," disse com um tom grave.

Oikawa permitiu-se um sorriso cansado, porém convicto:

"Talvez eu nunca esteja no nível do Ushijima ou do Shiratorizawa, mas eu nunca estive tão certo na minha vida, treinador," afirmou com segurança, olhando para a placa em suas mãos. "O Seijoh me levou ao meu auge."

Washijō respirou profundamente, finalmente encarando Oikawa com um olhar mais sério e intenso:

"Está me dizendo que chegou ao limite das suas habilidades?" perguntou, o olhar afiado penetrando a alma do jovem. "Mesmo que sua técnica, corpo e psicológico não estejam completos?"

Oikawa abaixou ligeiramente a cabeça, reconhecendo a verdade daquelas palavras.

Washijō levantou-se lentamente, caminhando até ele e apontando para as fotos de Ushijima em sua estante, troféus reluzindo em triunfo:

"Gente que tem alguma característica superior à sua..." disse com firmeza, voltando o olhar para Oikawa, "é diferente desde o nascimento. Não tem como mudar isso. Por mais que você se esforce, por mais que planeje e também não importa quem são seus colegas."

Com delicadeza inesperada, Washijō ergueu suavemente o queixo de Oikawa com um dedo, obrigando-o a encará-lo:

"Você só pode desistir ou reclamar disso depois que fizer tudo o que for possível!" disse com uma intensidade quase paternal.

Os olhos de Oikawa se arregalaram de surpresa.

Washijō recuou lentamente, sentando-se novamente em sua cadeira, com uma seriedade profunda:

"Em vez de entrar em desespero e quebrar portas de homens velhos ou desistir porque não nasceu com talento, acredite que sua força não se limita a isso e continue trilhando seu caminho," afirmou com convicção. "É um caminho inóspito e implacável... mas um dia ele vai florescer."

Oikawa ficou parado, absorvendo cada palavra com uma sensação profunda no peito. Sentiu um arrepio atravessar seu corpo, entendendo plenamente que aquele desafio era maior do que ele mesmo.

Respirou fundo, assentindo lentamente, agradecendo em silêncio pela lição que jamais esperara receber daquele treinador. Sem dizer mais nada, ele virou-se com firmeza e deixou a sala.

Dessa vez, quando caminhou pelo corredor silencioso do Shiratorizawa, seus passos não ecoaram pesados nem frustrados. Pela primeira vez, caminhava com um sentimento diferente: não de derrota, mas de compreensão e esperança.

Talvez ele jamais fosse como Ushijima ou os grandes prodígios. Mas ali, naquele corredor frio, Oikawa finalmente entendeu que não precisava ser igual a ninguém.

Ele só precisava ser Oikawa Tooru. E isso, agora, lhe parecia mais que suficiente.

Notas finais
Obrigada por terem lido até o fim esse capítulo tão especial pra mim. In the End foi mais do que um extra: foi um mergulho profundo na alma de Oikawa, nas dores que ele carrega em silêncio e na força que ele constrói com cada queda. Escrever isso foi intenso, exaustivo e extremamente recompensador. Se você sentiu alguma coisa durante a leitura, então valeu cada palavra. No momento, estou trabalhando com todo carinho no Arco 3 de Match Point — e, se tudo der certo, talvez ele comece a ser postado já no mês que vem! Vamos torcer juntos para que as coisas se encaixem como as engrenagens do nosso Karasuno. 🌕🏐 Mais uma vez, obrigada por estarem aqui, acompanhando, sentindo e torcendo junto. Sem vocês, nada disso teria sentido. Com afeto, Bia