Match Point
21 ARCO 2 DOMINE! – Capítulo 20 – A Força do Veterano
Notas iniciais
NICK
O impacto foi imediato, atingindo Nick com a violência de um raio. Seus músculos travaram e suas pernas estremeceram, quase cedendo sob o peso daquela humilhação. O ginásio ao redor desapareceu, o rugido ensurdecedor da torcida se tornando um zumbido abafado, como se ele estivesse submerso em águas profundas.
Seus olhos fixaram-se no placar, mas tudo o que realmente via eram flashes de uma memória que há muito havia tentado esquecer:
A final do juvenil.
A lembrança invadiu sua mente com a precisão cortante de uma lâmina. Ele se viu novamente sentado naquele mesmo banco, com olhos ardendo em fúria e vergonha, enquanto seu treinador lhe dava as costas, e seus companheiros seguiam em frente, como se ele nunca tivesse existido. A impotência voltou com força total, acompanhada da mesma sensação angustiante de traição. De ser insuficiente. De ser descartável.
O ar em seus pulmões tornou-se denso, pesado demais para respirar. Sua garganta se fechou num nó sufocante, enquanto os gritos da torcida se confundiam com a voz impiedosa de seu pai, que nunca cessava de ecoar em sua mente:
"Os últimos de pé são os vencedores. Apenas os mais fortes. Se você quer ser um deles, então FIQUE FORTE!"
Mas ali, fora da quadra, ele não podia sacar. Não podia levantar. Não podia atacar. Ele não era ninguém. Era apenas um espectador inútil, um peso que agora precisava ser removido.
Seu corpo se recusava a responder, os pés enraizados ao chão como se feitos de chumbo. Porém, ele precisava sair dali. Precisava sair agora, antes que desmoronasse completamente.
Com um esforço monumental, Nick deu o primeiro passo. Era pesado, doloroso, carregado por culpa e vergonha. Cada passo subsequente era ainda mais difícil. Sentia os olhares queimando suas costas. Sabia que todos estavam vendo — vendo ele, Nick Nelson, sendo retirado da quadra como se não fosse nada.
Cada metro que percorria em direção à lateral parecia uma punhalada, dilacerando pouco a pouco o que restava da sua dignidade.
Nick finalmente alcançou a linha lateral, encontrando-se frente a frente com Suga. O olhar do veterano não trazia superioridade ou pena—apenas compreensão. Mas Nick não precisava disso. Não queria compreensão, queria jogar, queria vencer. Queria provar que era capaz. Ele estendeu a mão para pegar a placa com seu número e realizar a substituição, mas antes que pudesse dar outro passo, sentiu a mão de Suga pressionar levemente seu peito, impedindo-o de seguir em frente.
Suga inclinou-se discretamente, falando baixo perto do seu ouvido:
“Não fica pra baixo. É só pra mudar o ritmo um pouco.”
A voz dele era suave e gentil, quase reconfortante, mas para Nick, as palavras pareciam cortantes. Ele sentiu os olhos arderem, a garganta apertando-se ainda mais.
“Me desculpa.” Sua voz saiu fraca, quase um sussurro, carregada por uma vergonha que não queria sentir. Ele não queria pedir desculpas, não queria estar ali. Queria voltar para a quadra e apagar tudo o que havia acontecido.
Nick virou-se lentamente, os passos arrastados, mas então uma voz o fez parar.
“Nick.” Era a treinadora Singh. Ele hesitou, mantendo o olhar baixo, incapaz de encará-la imediatamente. “Avalie a situação de fora da quadra e aproveite para se acalmar,” continuou ela com firmeza, porém sem rigidez. Não era um castigo—embora para Nick parecesse exatamente isso. “Observe como seu veterano joga.”
Nick assentiu em silêncio, a mente ainda presa no que havia deixado para trás. Sentou-se ao lado da treinadora, as mãos cerradas sobre os joelhos, tentando controlar o tremor quase imperceptível que ameaçava dominá-lo. De fora da quadra, ele viu Suga cumprimentar cada um dos jogadores do Karasuno com uma naturalidade que parecia impossível. Um soquinho leve para Cristian, um high-five com Charlie e Harry, um aperto de mão sólido e reconfortante para Daichi. Suga conhecia cada um deles profundamente, entendia suas nuances, suas necessidades individuais, e fazia com que todos se sentissem parte de algo maior.
A visão daquela conexão profunda entre Suga e o time pesou no peito de Nick. Ele estava fora disso agora, observando algo que deveria ser dele também.
E essa sensação o consumia por dentro.
OIKAWA
Os olhos de Oikawa permaneciam fixos em Niko, analisando cada microexpressão, cada reação, cada detalhe quase imperceptível. Ele precisava ter certeza de que o Rei da Quadra ainda estava lá dentro, mesmo que escondido. Durante todo o set, Oikawa havia notado mudanças. Niko não exibia mais aquela arrogância de antes; sua postura já não transmitia aquela confiança excessiva de quem esperava que o jogo inteiro gravitasse ao seu redor. Mas seria isso autêntico? Ou era só uma máscara, outra camada cuidadosamente construída para esconder o verdadeiro Rei da Quadra?
Agora, diante dele, acontecia algo que nunca havia imaginado presenciar: Niko, o prodígio, o intocável, o gênio absoluto, sendo substituído e caminhando para o banco. Oikawa sentiu algo estranho apertar seu peito. Não era satisfação, nem pena. Apenas surpresa pura e simples.
As palavras ditas por Niko, anos atrás, voltaram à sua mente como fantasmas persistentes da Quadra do Rio:
"Somente os fracos vão para o banco."
Naquele dia, essa frase tinha sido uma lâmina cravada profundamente no orgulho de Oikawa. A certeza inabalável de Niko, o desprezo implícito pelos jogadores que não possuíam seu talento natural—tudo aquilo fez seu sangue ferver. Ele odiou cada sílaba proferida por Niko naquela tarde distante.
Mas agora, vendo Niko se retirar da quadra daquela forma, algo havia mudado. Os ombros antes erguidos agora estavam tensos e baixos; seus passos eram pesados, como se estivesse arrastando um peso muito maior que o jogo em si. Aquele não era mais o garoto arrogante que um dia pronunciara aquelas palavras afiadas. Era alguém diferente. Talvez alguém quebrado.
Oikawa piscou rapidamente, afastando aquele pensamento incômodo. Ele não tinha tempo para nostalgia ou reflexões. Precisava se concentrar na partida. Ainda havia um jogo a ser vencido.
Oikawa virou seu olhar em direção ao novo desafio que o Karasuno havia colocado em quadra: o Carinha Revigorante. Seus olhos atentos analisaram rapidamente o levantador reserva. Ele era educado, sério, técnico. Não tinha a mesma altura ou explosão física de Niko, mas havia algo nele que capturava a atenção imediatamente. Talvez fosse sua postura tranquila, segura.
"Veterano, com certeza," Oikawa murmurou baixinho para si mesmo, estreitando os olhos em análise. "Iwa," ele chamou suavemente, e imediatamente Iwaizumi já estava ao seu lado, pronto para ouvir. "O bloqueio deles vai ficar mais baixo agora, bem onde o Carinha Revigorante entrou. É um bom lugar para atacar."
"Beleza," respondeu Iwaizumi com um aceno firme, os olhos já fixos na quadra.
Enquanto isso, Oikawa voltou a focar toda a sua atenção. O Carinha Revigorante conversava com o Gigante de Óculos, os dois estrategicamente de costas para evitar qualquer leitura labial ou dicas sobre a próxima jogada. “Espertos.” Oikawa rosnou baixinho em frustração.
"Ele não é um amador," concluiu mentalmente. "Está aqui por um motivo."
O saque do Seijoh foi direto e agressivo, mas Daichi, o Capitão do Karasuno, o recebeu com uma calma que beirava a perfeição. Ele entregou uma bola limpa e fácil ao levantador. Oikawa manteve o foco absoluto no Carinha Revigorante, tentando prever seus movimentos. O levantamento veio logo em seguida: simples, limpo, extremamente preciso. A bola foi rapidamente para o Tagarela Irritante, que saltou num ataque explosivo, cravando a bola com violência na quadra do Seijoh.
Porém, Watari estava perfeitamente posicionado e fez a recepção com uma facilidade irritante. Oikawa já estava saltando, antecipando-se ao momento em que a bola tocou nas mãos do líbero. Ele encontrou a bola no ar com maestria e, com um toque elegante e preciso, fez um levantamento perfeito para Iwaizumi. Mirando o espaço próximo ao Carinha Revigorante, Iwaizumi subiu com potência, preparado para fechar o ponto.
"Droga!" escapou dos lábios de Oikawa.
O Gigante de Óculos, que parecia fora de posição até o último instante, se ergueu no ar como uma muralha, como se tivesse esperado exatamente aquele segundo para surpreender o ataque do Seijoh. A bola bateu fortemente no bloqueio, desviando-se diretamente para o chão, marcando o ponto para o Karasuno. Oikawa sentiu seu maxilar se apertar em frustração; ele havia sido claramente enganado.
"Foi mal," Iwaizumi murmurou com um leve suspiro, pousando ao lado dele.
"Tá de boa," respondeu Oikawa quase automaticamente, mas seus olhos não saíram do Carinha Revigorante, que agora comemorava discretamente com seu time.
Eles tinham mudado a posição do bloqueio no último momento. Aquilo não era acaso nem sorte; havia estratégia ali. O placar agora marcava 22x16 para o Seijoh, e pela primeira vez naquela partida, Oikawa sentiu um alerta acender-se em sua mente.
Suga chamou o Tampinha para perto e trocaram algumas palavras novamente, ambos estrategicamente de costas. De novo, Oikawa observava a cena com atenção quase obcecada. O que vocês estão tramando agora? Ele rangeu os dentes, sentindo a ansiedade tomar conta de seu corpo.
O saque do Gigante de Óculos veio preciso e perigoso. O Seijoh conseguiu receber bem, e a bola subiu diretamente em direção a Oikawa. Por uma fração de segundo, ele hesitou. O que eles tinham planejado? Com receio de cair numa armadilha, decidiu optar pela jogada mais segura e levantou para Kindaichi.
Nesse exato momento, tudo ficou claro. O Tampinha saltou com uma impulsão surpreendente—mais alto do que Oikawa esperava, talvez mais alto do que ele sequer imaginava possível para alguém daquele tamanho. O bloqueio veio certeiro e a bola voltou rápida, quase cruel. Oikawa piscou, absorvendo rapidamente o que havia acontecido.
"Foi isso!" ele resmungou baixo, finalmente compreendendo.
O Carinha Revigorante havia instruído o Tampinha a atrasar seu salto, esperando pacientemente para surpreender o ataque do Seijoh. Oikawa apertou os punhos, sentindo a adrenalina pulsar por suas veias. Aquele novo levantador do Karasuno não tinha metade do talento natural de Niko, mas sua imprevisibilidade e leitura de jogo eram interessantes, e perigosas.
22x17 para o Seijoh.
O Gigante de Óculos se posicionou novamente para sacar. Não era um saque potente, mas era cruelmente preciso, voando baixo em uma linha perfeita que desafiava a defesa do Seijoh. Watari tentou receber, lançando-se ao chão, mas o toque saiu desajeitado, subindo torto num arco imprevisível que não chegou diretamente nas mãos de Oikawa.
"Iwa!" gritou Oikawa imediatamente, girando o corpo com agilidade, assumindo o controle da situação em um instante. Com perfeição técnica, ele ajeitou a bola num levantamento preciso para Iwaizumi, que avançava rápido pela direita, o braço armado como uma catapulta pronta para disparar.
O golpe veio seco, agressivo, mas Daichi estava atento, concentrado. Ele se esticou até o limite, recebendo a bola de forma impecável. A recepção subiu em um arco limpo e ideal para o Carinha Revigorante, que agora tinha o domínio da jogada nas mãos.
Oikawa fixou seus olhos nele, analisando cada pequeno movimento. Com Niko fora da quadra, Oikawa concluiu rapidamente que ataques rápidos não seriam uma ameaça imediata.
"Não é o Niko, então não terá ataques rápidos!" Oikawa avisou seu bloqueio com firmeza, convicto da própria análise.
Mas foi aí que o Tampinha disparou. Com velocidade surpreendente e silenciosa, ele percorreu a lateral da quadra, sem aviso, sem gritos—rápido como um relâmpago, mortal como um predador que ataca de surpresa. Oikawa buscava pistas desesperadamente, tentando prever o movimento, mas nada aconteceu como ele esperava. As palavras "aqui" ou "passe" não foram pronunciadas. Apenas silêncio estratégico. O Carinha Revigorante fez o levantamento; não foi tão explosivo quanto o de Niko, mas foi perfeito, calculado e precisamente alinhado ao salto assustadoramente sincronizado do Tampinha.
Oikawa percebeu o perigo tarde demais. Seus olhos mel se arregalaram num instante de choque absoluto, enquanto a bola passava a centímetros de seu rosto, cortando o ar feito uma lâmina afiada. O impacto foi devastador. A bola explodiu no chão do Seijoh, rápido demais para qualquer reação.
Charlie aterrissou firme, os olhos imediatamente travados em Oikawa. Por um instante, ambos se encararam num silêncio carregado. O olhar do garoto transmitia uma mensagem clara, afiada como seu próprio corte:
"Eu ainda tô aqui."
Oikawa sorriu levemente, um sorriso travesso e admirado surgindo em seus lábios. Assentiu discretamente com a cabeça, reconhecendo a qualidade daquele ataque. Suga ergueu a mão em direção a Charlie, e ele respondeu com um high-five firme, o som das palmas ecoando pelo ginásio como uma declaração de resistência.
Oikawa respirou fundo, seus olhos rapidamente varrendo toda a equipe do Karasuno enquanto reconsiderava rapidamente sua própria estratégia.
O placar agora marcava 22x18 para o Seijoh. O Karasuno havia diminuído a distância de forma alarmante.
"Bora acabar com isso," Oikawa falou para seus companheiros, com a voz mais baixa e muito mais séria do que antes. O brilho em seus olhos já não era apenas de confiança.
Aquilo havia deixado de ser um simples jogo—tinha se transformado em uma batalha de estratégias, e o Carinha Revigorante, com seu jeito quieto e imprevisível, estava tornando tudo cada vez mais complicado, e perigosamente interessante.
CHARLIE
O set havia alcançado um momento crítico. O placar estampava 22x18 para o Seijoh e, para piorar, o saque era de Oikawa. O ginásio parecia prestes a explodir de tanta tensão, a torcida fazendo vibrar o chão, cada grito reverberando pelo corpo do Karasuno como um trovão implacável. Charlie sabia exatamente o que viria a seguir, e isso fazia seu peito se apertar ainda mais. Oikawa era perigoso em qualquer parte da quadra, mas, quando estava na linha de saque, ele era simplesmente mortal.
Com movimentos lentos e calculados, Oikawa caminhou até a linha de fundo, segurando a bola com firmeza. Seu olhar era afiado, estudando cada jogador do Karasuno como se estivesse decifrando um código invisível. Ele ergueu a bola lentamente até a altura do rosto e fechou os olhos por um segundo, visualizando com absoluta precisão o ponto que ainda nem existia, já planejando a comemoração.
Então, com um movimento fluido e impecável, lançou a bola ao ar. Um breve silêncio tomou conta do ginásio. Todos prenderam a respiração. Oikawa saltou com uma perfeição técnica que parecia esculpida à mão, seu corpo alinhado numa postura impecável, elegante e devastadora. O impacto seco da sua mão contra a bola ecoou alto pelo ginásio, e o saque veio violento como um disparo de canhão.
"Minha!" gritou Harry imediatamente, se colocando em posição para receber.
"Deixa comigo!" Cristian avançou rapidamente, ajustando a defesa com olhos fixos na trajetória traiçoeira da bola.
Mas nenhum deles conseguiu alcançá-la. A bola passou exatamente pelo espaço vazio entre os dois jogadores, curvando-se bruscamente no último segundo, numa trajetória impossível de prever. O impacto contra o chão do Karasuno veio forte e decidido, marcando um Ace implacável.
23x18 para o Seijoh.
O silêncio que tomou conta da quadra logo após o ponto foi quase mais assustador que o barulho da bola atingindo o chão. Charlie sentiu seu peito apertar ainda mais, conhecendo bem aquela sensação amarga. Oikawa não era apenas técnico ou excepcionalmente talentoso; ele possuía uma leitura sobrenatural do jogo. Ele não apenas reagia—ele antecipava. Calculava com precisão milimétrica cada momento em que a defesa adversária demonstrava fraqueza.
Agora, ele tinha o Karasuno exatamente onde queria. Com um sorriso leve, quase debochado, Oikawa girou a bola entre os dedos, saboreando aquele momento de domínio absoluto. E então seus olhos encontraram os de Charlie.
Por mais que Charlie não quisesse admitir, havia algo fascinante em Oikawa. Não era só a habilidade técnica ou o quanto ele tinha treinado — era a obsessão pela perfeição, a maneira como ele lia cada movimento, cada jogador, como se o jogo fosse uma equação complexa que ele resolvia em tempo real. Tudo isso, segundo Nick, não vinha de sorte ou dom natural. Era fruto de horas intermináveis de treino, suor e obstinação. Charlie nunca havia visto alguém jogar com aquele controle absoluto. Cada saque, cada levantamento, cada decisão parecia parte de um plano maior. Oikawa não só jogava — ele dominava a quadra.
E havia algo mais.
Charlie não conseguia tirar os olhos de Oikawa. A confiança que ele transmitia era quase palpável—não uma arrogância comum, mas algo mais sutil, calculado, magnético. Era como se ele tivesse plena consciência do poder que exercia sobre as pessoas e estivesse disposto a usá-lo sem hesitar.
Charlie odiava aquilo... mas ao mesmo tempo não conseguia parar de olhar.
Cada toque de Oikawa na bola era um espetáculo à parte, impossível de ignorar. O jeito como saltava, o timing impecável em cada levantamento, os olhos varrendo a quadra em busca de brechas que ninguém mais parecia enxergar... Tudo isso era absolutamente hipnotizante.
E profundamente irritante.
Charlie sacudiu a cabeça, tentando expulsar aqueles pensamentos intrusivos. Precisava manter a concentração, não podia perder o foco admirando o adversário.
"Foi mal, mano, quase consegui pegar," Harry disse ofegante, dirigindo-se a Cristian com uma expressão frustrada.
"Relaxa, essa bola era indefensável," Cristian respondeu calmamente, já se recompondo e voltando à posição defensiva, atento para o próximo lance.
Mas Charlie ainda estava preso na figura de Oikawa. Observou-o novamente girar a bola com absoluta naturalidade entre os dedos, seus olhos brilhantes calculando silenciosamente o próximo movimento.
Por um breve instante, Charlie sentiu uma pontada amarga de inveja. Não do talento em si, mas daquela segurança que Oikawa exalava. Era a presença que Charlie sempre desejara ter, uma energia que atraía a atenção naturalmente, que fazia tudo parecer girar ao redor dele.
Admirável e detestável ao mesmo tempo.
Charlie respirou fundo novamente, afastando esses pensamentos. Ele já tinha preocupações demais para lidar.
Oikawa agora girava a bola novamente entre os dedos com uma tranquilidade desconcertante, cada movimento meticulosamente calculado. Ele a ergueu lentamente até a altura dos olhos, como se estivesse visualizando toda a jogada que se seguiria, vendo o futuro em detalhes perfeitos antes mesmo que ocorresse.
E então lançou a bola para o alto.
A defesa do Karasuno estava pronta, cada jogador assumindo uma posição tensa, preparados para uma bola violenta e destrutiva que parecia inevitável. Cristian se abaixou mais, ajustando a postura defensiva, Harry inclinou o corpo pronto para mergulhar, todos com olhos fixos no ataque iminente.
Mas o ataque nunca veio.
Oikawa sacou suavemente, quase sem força, numa jogada inesperada que ninguém conseguiu prever. A bola flutuou lentamente pelo ar, seguindo uma trajetória curta e traiçoeira. Por um instante, todo o Karasuno congelou, sem entender o que estava acontecendo.
"Na frente!" A voz de Nick, vinda do banco, cortou o ar como um alarme desesperado.
Charlie, Daichi, Harry e Cristian se lançaram ao mesmo tempo em direção à bola, braços esticados, dedos quase se tocando no ar, desesperados para evitar aquele ponto.
Tarde demais.
A bola tocou suavemente no chão, exatamente no espaço vazio entre eles.
Outro Ace. 24x18 para o Seijoh. Set point.
O ginásio explodiu em gritos ensurdecedores da torcida do Seijoh, um rugido vibrante e dominante, ecoando ferozmente contra as paredes e atingindo o coração do Karasuno com força avassaladora.
Cristian fica de joelhos na quadra, os olhos arregalados encarando o ponto onde a bola havia tocado o chão. "Como...?" murmurou ele, incrédulo.
Harry também estava atônito, fitando a bola ainda quicando suavemente no piso encerado, como se tivesse sido pessoalmente traído por ela. "Isso foi… isso foi um saque?"
Charlie permaneceu estático, a respiração pesada e o coração acelerado. Mal podia acreditar no que acabara de testemunhar. Aquilo não havia sido apenas um saque; fora algo próximo à genialidade pura. Oikawa não só tinha lido a formação defensiva do Karasuno—ele havia manipulado cada jogador, criando uma falsa sensação de segurança antes de atacá-los exatamente onde estavam mais vulneráveis.
Do banco, Nick sentiu o coração se comprimir. Esse era o Oikawa que ele conhecia tão bem. Sempre um passo à frente, sempre capaz de transformar a jogada mais improvável em realidade.
Na linha de fundo, Oikawa exibia um sorriso discreto, girando tranquilamente a bola entre seus dedos enquanto observava o Karasuno.
"Set point," parecia dizer seu olhar. "Estão preparados para perder?"
O Karasuno se reuniu no centro da quadra. Um silêncio breve tomou conta até que Daichi, sempre calmo, quebrou a tensão com firmeza.
"Isso ainda não acabou. Vamos buscar cada bola."
Cristian assentiu, tentando recuperar o controle da respiração.
"Isso mesmo. Eles não vão fechar esse set tão fácil."
Charlie olhou novamente para Oikawa, sentindo o sangue pulsar fortemente em suas têmporas. Cada batida ecoava como um tambor em seu peito. Havia algo nele que transformava cada lance em algo pessoal. Cada ponto parecia uma declaração de guerra, visceral e intensa.
O próximo ponto decidiria tudo. Set point para o Seijoh.
Quantos pontos o saque desse cara marcou hoje?, a pergunta martelava incessantemente na mente de Charlie.
Oikawa se preparou para sacar novamente, olhos concentrados, calculando cada espaço da defesa. Lançou a bola para cima e saltou com precisão, desferindo o golpe com uma força controlada. O som seco do impacto ecoou como um tiro, enviando a bola como um míssil direto ao fundo da quadra.
"É minha!" Daichi gritou, se jogando com tudo para trás, braços estendidos ao máximo.
A bola bateu em seus antebraços e subiu, descontrolada, mas ainda viva. Suga correu rapidamente, ajustando o corpo com destreza, e fez um levantamento impecável para Asahi. O Ace do Karasuno saltou com determinação absoluta, os olhos travados no vazio da defesa adversária. Seu golpe foi devastador. A bola explodiu contra o peito do líbero do Seijoh e subiu girando desordenadamente no ar, como se estivesse presa numa dança caótica.
Ela caiu suavemente de volta ao lado do Karasuno.
Era a oportunidade perfeita.
Charlie observou a bola descer como se o tempo tivesse desacelerado. Sentiu seu coração bater violentamente contra o peito.
“Eu vou cortar!” gritou a voz em sua mente.
"Charlie!" a voz de Nick cortou o ginásio, alerta, direta do banco. Ele também percebera o momento ideal.
Charlie disparou para o ataque, saltou com toda energia que ainda possuía, olhos travados na bola. Porém, em vez de um corte violento, decidiu por uma largada cuidadosa e precisa, mirando o ponto exato no chão adversário.
Por um breve segundo o tempo pareceu congelar.
Mas Iwaizumi, movido por puro instinto, lançou-se desesperadamente ao chão e ergueu a bola milagrosamente com o pé, mantendo-a viva.
"Não!" murmurou Charlie, já voltando correndo para sua posição defensiva, olhos arregalados de incredulidade.
Oikawa não desperdiçou o momento. A bola voltou até ele como se tivesse sido atraída por um ímã. Em fração de segundos, fez um levantamento perfeito para Kindaichi.
Charlie lembrou das palavras que Suga havia dito minutos antes.
"Espere um pouco... e então, pule."
Ele esperou um segundo além do normal e então saltou com todas as suas forças. A bola chocou-se violentamente contra suas mãos, a vibração percorrendo seus braços até os ombros. A bola voou direto para o fundo da quadra adversária, fora do alcance de todos os defensores.
Watari se jogou em desespero absoluto, corpo esticado até o limite, mas a bola tocou o chão antes que pudesse alcançá-la.
Por um breve instante, houve um silêncio total.
Charlie prendeu a respiração, olhos fixos na bola, aguardando o apito do juiz.
O apito ecoou pela quadra, seguido pelo levantar da bandeira do árbitro.
O bloqueio de Charlie havia saído. Fora da quadra.
Ponto para o Seijoh.
25x18. Aoba Jōsai vence o primeiro set.
O ginásio explodiu num frenesi, a torcida do Seijoh rugindo ensurdecedoramente, fazendo as paredes vibrarem com sua celebração.
Charlie permaneceu parado no meio da quadra, peito subindo e descendo aceleradamente, tentando processar tudo o que havia acabado de ocorrer. Tão perto... tão dolorosamente perto.
Daichi se aproximou, dando-lhe um leve tapinha no ombro, reconfortante. "Foi uma ótima tentativa. Vamos nos preparar pro segundo set."
Charlie assentiu silenciosamente, mas o peso daquele momento ainda esmagava seus ombros. Seu olhar cruzou novamente com o de Oikawa, que girava tranquilamente a bola nos dedos, ostentando um sorriso discreto e satisfeito.
Nick assistia a tudo do banco, mandíbula tensa. Conhecia aquele sorriso muito bem.
Aquilo estava longe do fim. A batalha apenas começava.
OIKAWA
O ginásio estava pulsando, o ar denso, carregado de adrenalina e expectativa. A torcida do Seijoh rugia como uma maré crescente, seus gritos ensurdecedores ecoando pelas paredes, cobrindo quase completamente a voz dos poucos torcedores do Karasuno. A quadra parecia um campo de batalha — as linhas no chão marcavam o território, cada jogada era uma luta, cada ponto, uma conquista arrancada à força.
O chão brilhava com o reflexo das luzes intensas, pequenas marcas de suor e movimento espalhadas pelo piso de madeira, testemunhas silenciosas de uma partida brutalmente equilibrada.
“Troquem de quadra!” o juiz apitou, sinalizando o fim do primeiro set.
Oikawa respirava fundo, o suor escorrendo pela lateral de seu rosto, mas seus olhos mel permaneciam afiados, calculando tudo ao redor. Sua mente estava sempre trabalhando, ajustando estratégias, reformulando o próximo passo. Mas, naquele momento, ele não podia ignorar o incômodo crescendo dentro de si.
Iwaizumi se aproximou, os passos rápidos, o rosto levemente tenso. "Eles acertaram o nosso tempo," disse, baixando a voz. Havia preocupação em seus olhos, mas também uma confiança inabalável em Oikawa.
"Eu também percebi, Iwa, e isso é irritante," Oikawa respondeu entre os dentes, a voz baixa, quase um sussurro de frustração. Seus olhos seguiram Suga, o "carinha revigorante" do Karasuno. "Desde que ele entrou, aquele time que se movia por instinto está pensando antes de agir."
Iwaizumi inclinou-se ligeiramente, a voz provocadora e carregada de intimidade. "Não vai perder o controle agora, bobo-Kawa."
Oikawa sorriu de canto, um brilho malicioso nos olhos. "Eu nunca perco o controle."
Iwaizumi se aproximou mais, o suficiente para que só ele ouvisse. "Não vejo a hora desse jogo acabar pra te beijar muito... Adoro quando você fica nervoso durante o jogo."
Por um segundo, Oikawa riu baixinho, o rosto relaxando levemente, mas o brilho competitivo nunca desaparecia completamente.
"Relaxa," disse ele, girando a bola nos dedos com confiança absoluta. "Esse set vai ser o último!"
Iwaizumi sorriu, cruzando os braços. Ele confiava plenamente em Oikawa. Sabia que, nervoso ou não, ele sempre entregava o que prometia. O juiz apitou novamente, chamando os jogadores para o segundo set. O rugido do Seijoh voltou com força total, mas, dessa vez, os gritos da torcida do Karasuno também se elevaram, pequenos, mas ferozes.
Oikawa respirou fundo uma última vez, ajustou a munhequeira e lançou um olhar rápido para Iwaizumi. A guerra recomeçava, e ele estava pronto para comandar a tempestade.
NICK
O Karasuno estava tenso, mas mais unido e mais motivado do que nunca. A entrada de Suga no final do primeiro set trouxe equilíbrio e calma ao time, permitindo que cada jogador respirasse melhor e encontrasse seu ritmo. Por mais que Nick não quisesse admitir, o banco lhe fez bem.
Dali, ele pôde ver tudo com uma clareza que não tinha quando estava em quadra. Ele observou Oikawa com atenção redobrada, reparando não apenas nas jogadas perfeitas, mas no jeito como ele lia o jogo, como guiava o Seijoh com precisão cirúrgica. Nick também viu o Karasuno com outros olhos — cada jogador era diferente, cada um tinha um talento único que ele poderia explorar melhor quando voltasse para a quadra.
"Vamos continuar assim no segundo set!" A voz firme da treinadora ecoou pelo ginásio.
Para Nick, aquelas palavras foram como um golpe. Elas significavam que Suga continuaria em quadra. Que ele permaneceria no banco.
Fraco.
A palavra ecoou em sua mente como um veneno antigo, tentando se agarrar a ele. Nick balançou a cabeça com força, tentando espantar o pensamento, mas o peso ainda estava ali, apertando o peito. O movimento chamou a atenção de Charlie. Charlie virou-se suavemente para ele, os olhos serenos, sempre tão atentos a Nick, como se pudesse ler o que ele estava sentindo. Sem dizer nada, ele estendeu a mão e agarrou o mindinho de Nick com o seu.
"Tô com saudade de você," disse Charlie, sem emitir som, apenas movendo os lábios e olhando diretamente para ele.
Aquilo foi fofo e devastador ao mesmo tempo. Mas, acima de tudo, foi revigorante. Nick sentiu o coração se aquecer, uma onda de conforto tomando conta dele, afastando a nuvem escura que havia se formado. Ele apertou o dedinho de Charlie com força, segurando-o como se fosse uma âncora naquele momento.
Então, discretamente, ele mandou um beijo invisível para Charlie. Charlie sorriu pequeno, mas o brilho em seus olhos era tudo que Nick precisava para lembrar que ele não estava sozinho.
“Já que o mais problemático é o saque do Oikawa” a treinadora diz com um tom preocupado “Vamos otimizar a defesa com poucos jogadores.” A treinadora pega a prancheta “Daichi e Cristian ficaram responsáveis pela defesa dos saques do Oikawa!”
Suga se aproxima de Nick. “Tinha esquecido como era a pressão de um jogo eliminatório!”
“É só não pensar demais que vai estar tudo bem. Cada segundo perdido em quadra pode custar um ponto.”
“É verdade, mas minhas jogadas não são tão rápidas como as suas Nick”
“E é por isso que vocês fizeram vários pontos no final” Nick admite
“Nós” corrige Suga “Nós fizemos”
Nick sorri “Obrigado, mas eu sou consciente que so atrapalhei do primeiro set.”
“Você é o titular, mas se ficar de moleza eu vou pegar teu lugar” Suga o repreende
“Eu não vou deixar!” Nick diz mais confiante “Nós temos que se recuperar no segundo set, mas para isso é fundamental parar o saque do Oikawa”
“Eu sei” Suga diz sério “Eu vou dar meu melhor e espero que você faça o mesmo” Suga encara Nick “Assim vamos derrotar o Seijoh!”
SUGA
O segundo set estava prestes a começar, e o Seijoh iniciava com o saque. Matsukawa lançou a bola com precisão para o fundo da quadra. Cristian reagiu rapidamente, recebendo a bola com firmeza e enviando-a diretamente para as mãos seguras de Suga.
Suga rapidamente analisou a formação defensiva do Seijoh. Com um toque suave e decidido, levantou para Tsukishima, que saltou com determinação e cravou a bola na quadra adversária com força.
"Boa, Tsuk!" exclamou Suga com um sorriso largo, encorajando o companheiro.
Tsukishima ajeitou os óculos, com um pequeno sorriso nos lábios. "Valeu."
Enquanto o Karasuno comemorava, Oikawa pegou a bola e se dirigiu lentamente para a linha de saque, seus olhos fixos em Suga, um sorriso travesso brincando em seu rosto. Um arrepio desconfortável percorreu a espinha de Suga. A pressão era palpável.
Suga observou a nova formação do Karasuno com ansiedade. Ele percebeu imediatamente que Oikawa já havia notado a mudança: apenas Cristian e Daichi estavam posicionados para receber o saque. Suga sabia que não podiam permitir que Oikawa encontrasse novamente seu ritmo devastador.
"No primeiro set, ele conseguiu vários pontos só com o saque," pensou Suga. "É fundamental que a gente quebre essa sequência agora. Ele não pode engrenar de novo."
"Pode vir!" ouviu Cristian gritar atrás dele, confiante e pronto.
Oikawa lançou a bola para o alto e saltou com elegância e força, desferindo um saque brutal, como um tiro certeiro em direção ao fundo da quadra do Karasuno.
"Daichi!" a treinadora Singh gritou da lateral, o comando claro e direto.
Daichi reagiu imediatamente, mergulhando com determinação e realizando uma recepção impecável.
"Isso!" comemorou Suga, sentindo o alívio momentâneo pela jogada perfeita do capitão.
A bola subiu lentamente em direção às mãos de Suga, como se estivesse se movendo em câmera lenta. Sua mente acelerou, buscando a melhor opção naquele instante crítico. "Quebrar a sequência do Oikawa logo no primeiro saque é crucial. Não posso errar. Este ponto vai ditar o ritmo do restante do set."
Ele avaliou rapidamente seus companheiros. Quem estaria com mais determinação naquele momento? Quem poderia devolver aquela confiança ao Karasuno e calar Oikawa?
Seus olhos pousaram em Harry.
Sem hesitação, Suga fez o levantamento preciso, enviando a bola diretamente para as mãos firmes de Harry. O ponteiro saltou com fúria, decidido a recuperar cada ponto perdido, cada erro cometido até ali. Ele queria silenciar aqueles saques que tanto haviam abalado o Karasuno.
Harry cortou com uma força extraordinária. A bola explodiu contra o bloqueio triplo do Seijoh, fazendo com que as mãos dos bloqueadores recuassem violentamente pela potência do ataque. Incapaz de resistir à força, a bola caiu com estrondo no chão da quadra adversária.
Ponto do Karasuno. 2x0.
O time explodiu em comemoração, a emoção tomando conta de cada jogador. Eles haviam parado a sequência implacável de Oikawa já no primeiro saque. Isso era mais do que motivo suficiente para comemorar.
Reunidos no centro da quadra, o Karasuno se abraçou fortemente, erguendo as vozes num grito sincronizado:
"VOE!"
Suga olhou na direção de Oikawa e viu, com satisfação, o sorriso presunçoso do adversário desaparecer por um breve instante. Aquilo era tão reconfortante—calar um rei. Suga não pôde evitar abrir um sorriso, leve e desafiador, encarando diretamente o capitão adversário.
Do outro lado, para sua surpresa, Oikawa apenas bateu duas palmas, em um gesto de reconhecimento tanto a Suga quanto ao Karasuno.
Naquele momento, Suga sentiu a emoção inundar seu peito. Ele queria aquilo mais que tudo—estar ali, na quadra, enfrentando desafios, lutando lado a lado com seus companheiros corvos.
Suga olhou rapidamente para o banco e viu Nick. Seus olhos estavam fixos na quadra, concentrados em cada movimento, analisando meticulosamente cada jogada, cada toque e cada detalhe estratégico. Seus punhos estavam cerrados com força, refletindo uma ansiedade evidente. Suga percebeu claramente: ele queria voltar ao jogo. Porém, naquele momento, Suga também não desejava sair.
O set continuava de maneira intensa e equilibrada, com ambos os times disputando ponto a ponto. Cada ataque, cada defesa era executado com precisão absoluta. O placar mostrava 14x13 a favor do Karasuno, um cenário apertado e imprevisível. O bloqueio do Seijoh estava sólido, antecipando bem as jogadas e impondo dificuldades. Mas o Karasuno estava determinado, motivado pela energia positiva que fluía entre os jogadores, alimentando a vontade de manter aquela vantagem a todo custo.
OIKAWA
“O Carinha Revigorante realmente mudou o estilo deles,” murmurou Oikawa para Iwaizumi, os olhos fixos na quadra, avaliando cada jogador adversário com precisão cirúrgica.
“Sem os gritos de 'AQUI' e 'PASSA' ficou mais difícil prever os movimentos,” concordou Iwaizumi, ajustando sua posição, atento à próxima jogada.
Oikawa abriu um sorriso confiante. “Ele não é um levantador fraco,” disse calmamente. “Mas ele é certinho demais. Não faz jogadas imprudentes, nem arriscadas. Ele sempre escolhe a opção mais segura.”
“O que isso quer dizer?” perguntou Iwaizumi, curioso.
Oikawa ergueu as sobrancelhas com uma expressão travessa. “Significa que ele é previsível.” O capitão chamou imediatamente todo o time para perto dele, formando um círculo apertado e atento.
“Escutem aqui!” sua voz saiu clara e firme, exigindo atenção imediata. “O ataque básico dos Corvos é realmente sólido. Mas já enfrentamos muitos times que jogam exatamente assim. Eles têm boas habilidades, mas seguem padrões claros. Confiem em mim, observem meus sinais durante as jogadas e vamos abrir vantagem agora!”
Iwaizumi ergueu o punho com intensidade. “DOMINE A QUADRA!” gritou, e o restante do time repetiu em uníssono antes de voltar às suas posições, mais determinados e alinhados do que nunca.
Àquela altura da partida, Oikawa já tinha reunido informações suficientes sobre cada jogador do Karasuno. Sua mente trabalhava em alta velocidade, calculando, antecipando movimentos. Sua estratégia estava clara: ele manipulava a quadra com a precisão de um maestro conduzindo uma orquestra. Bastava um olhar rápido para que seus companheiros soubessem exatamente o que fazer.
“Bloqueio triplo na ponta!” ordenou ele, e o trio de bloqueadores subiu no momento exato, a bola explodindo com violência na quadra adversária.
“Direcione o saque no número 2!” Matsukawa atendeu ao comando e a recepção de Suga saiu torta, facilitando a defesa do Seijoh.
“No fundo!” Watari, já posicionado antecipadamente pela orientação precisa de Oikawa, se lançava ao chão, defendendo bolas quase impossíveis com uma facilidade irritante para o Karasuno.
A estratégia de Oikawa estava funcionando como uma engrenagem bem lubrificada. Sua capacidade de prever os passos do adversário começava a sufocar o Karasuno aos poucos.
O placar agora mostrava claramente essa mudança: 16x15 para o Seijoh, assumindo uma liderança crítica em um momento decisivo do segundo set.
SUGA
A pressão começava a tomar conta do peito de Suga. A bola veio rápida e precisa, e ele tentou imediatamente um ataque rápido com Charlie pelo meio. Charlie saltou com agilidade, cortando com força, mas a bola encontrou o bloqueio sólido de Kindaichi, um bloqueio simples, feito por apenas um jogador. A bola ricocheteou violentamente e explodiu no chão do Karasuno, arrancando um suspiro frustrado de Suga.
A torcida do Seijoh explodiu em gritos e aplausos ensurdecedores. Agora, a vantagem do adversário aumentava para dois pontos.
"Foi mal, Charlie," disse Suga com a mão atrás da cabeça, desapontado. "Acho que nosso ataque rápido não saiu tão rápido assim."
"Relaxa," respondeu Charlie com um sorriso leve, encorajando o levantador. "Na próxima a gente acerta."
Do canto dos olhos, Suga viu a treinadora chamando Nick para conversar, e um pensamento passou por sua mente: Acho que só tenho mais uma jogada.
Nesse instante, ele sentiu uma presença firme ao seu lado. Era Asahi, com um olhar sério e determinado.
"Sugawara," chamou o Ace com convicção, "me manda a próxima bola. Eu vou marcar!"
Suga sorriu, sentindo-se contagiado pela confiança do veterano. "Tá bom," respondeu ele, acenando em aprovação. "Como no ano passado…"
O saque do Seijoh veio como um tiro, mas Daichi o recebeu com maestria absoluta, lançando a bola diretamente para Suga. Na mesma hora, Harry disparou pela esquerda e Charlie correu pelo meio, ativando a defesa adversária. Mas a bola não foi para eles. Suga virou o corpo, lançando a bola para trás, diretamente para o Ace do Karasuno, posicionado perfeitamente para um ataque surpresa.
"É um pipe!" gritou Oikawa, mas era tarde demais.
Asahi saltou, golpeando a bola com uma força devastadora, que explodiu contra o bloqueio desesperado de Kindaichi, fazendo suas mãos serem arremessadas violentamente para trás. A bola tocou o chão do Seijoh com um impacto implacável. Kindaichi massageava as mãos, ainda atordoado com a força absurda do corte de Asahi.
"AHHHHHHHH!" gritaram Daichi, Suga e Asahi, vibrando intensamente.
"Boa, veteranos!" exclamou Charlie, batendo palmas e animado pelo ponto crucial.
Suga ergueu o olhar para o placar. 17x16 para o Seijoh. O Karasuno ainda estava vivo, respirando e lutando. Mas então o apito soou, chamando sua atenção. Ele virou a cabeça e viu Nick segurando a placa com o número 2. Era o fim do seu tempo na quadra.
Suga assentiu suavemente, sorrindo, enquanto caminhava lentamente para a lateral. De repente, todo o time do Karasuno começou a aplaudi-lo espontaneamente, pegando-o completamente de surpresa. Logo a torcida do Karasuno seguiu o gesto, um coro de aplausos calorosos envolvendo o ginásio inteiro. Suga sentiu um nó na garganta e os olhos se encherem de lágrimas. Ele jamais havia enfrentado um time tão forte como aquele Seijoh. Mas, acima de tudo, ele se sentia realizado.
Ao se aproximar da lateral da quadra, suas mãos se tocaram brevemente com as de Nick.
"Você jogou muito, Suga," disse Nick sinceramente.
"Obrigado," respondeu Suga, sentindo as bochechas esquentarem. Mesmo sendo o mais velho, ele admirava Nick, um levantador mais jovem, porém excepcionalmente talentoso. Era difícil admitir aquilo, mas necessário. "É difícil dizer isso, mas... para vencermos este jogo, Charlie precisa estar a 100% o tempo todo. E o único capaz de fazer isso é você."
Nick encarou Suga, depois voltou o olhar para Charlie. Suga percebeu imediatamente o brilho intenso que tomou conta dos olhos de Nick — não sabia ao certo se era pela chance de retornar ao jogo ou simplesmente pela oportunidade de levantar para Charlie novamente. Talvez a última.
"Bora vencer!" exclamou Nick com confiança renovada.
"Bora vencer!" repetiu Suga, tocando com firmeza as mãos do colega.
Suga caminhou até a treinadora Singh, que o recebeu com um sorriso sincero. "Bom trabalho," disse ela, calorosamente. "Você jogou em igualdade com um dos melhores times da região. Meus parabéns!"
"Todos nossos jogadores deram o máximo," respondeu ele com modéstia.
"Na próxima vez, você pode ser mais agressivo e aproveitar melhor o centro," continuou ela, animada. "Vamos treinar mais isso!"
Na próxima vez... Suga repetiu mentalmente, sentindo um sorriso genuíno surgir em seu rosto. Na próxima? A treinadora realmente estava considerando mantê-lo em quadra, mesmo com um prodígio como Nick à disposição. Uma felicidade genuína e inesperada tomou conta de seu peito.
"Obrigado, obrigado mesmo," disse Suga, quase sem acreditar.
Aquele "na próxima" significava mais para ele do que qualquer pessoa poderia imaginar. Ele acreditava profundamente que o Karasuno poderia derrotar o Seijoh, mas tinha a certeza de que, para isso, Nick e Charlie precisariam estar juntos na quadra.
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