Match Point
4 ARCO 1 VOE! - Capítulo 4 – Voe
Notas iniciais
Charlie chegava ao ginásio enquanto o céu ainda clareava, banhando tudo com uma luz tênue e cinzenta. As arquibancadas vazias pareciam observar silenciosamente enquanto ele caminhava até o centro da quadra. O ginásio, com seu piso de madeira polida e o cheiro familiar de resina, tinha uma aura quase solene naquele horário. Era o único lugar onde Charlie sentia que podia ser verdadeiramente livre, longe dos olhares críticos e das risadas maldosas.
Na parede oposta, uma bandeira negra estava estendida, imponente e solitária. Um corvo gigantesco com asas abertas ocupava o centro, as penas detalhadas como se estivessem em pleno voo. Acima dele, em letras brancas e ousadas, estava o lema do time: VOE.
Charlie sempre olhava para aquela bandeira. Algo nela parecia chamá-lo, um lembrete constante de algo que ele ainda não tinha alcançado. Ele se perguntava se um dia conseguiria "voar" como os outros jogadores. Hoje, porém, ele decidiu que tentaria. Ajustou a rede com cuidado, marcando o ponto onde queria alcançar, e se posicionou na linha. A quadra parecia maior e mais vazia do que nunca, mas isso não o intimidava.
Ele se agachou, respirou fundo e saltou com toda a força que tinha. Seus pés deixaram o chão, e por um breve instante ele sentiu que podia flutuar. O som do impacto ao aterrissar ecoou pelo ginásio, mas ele não parou. Continuou saltando, ajustando a posição das mãos, calculando a força e o ângulo do corte. Cada salto era mais um passo em direção ao impossível.
Enquanto ele se preparava para mais um movimento, uma voz familiar ecoou, quebrando o silêncio.
“Impressionante. Não sabia que você treinava tão cedo.”
Charlie girou nos calcanhares, o coração batendo descompassado. Nick estava parado perto da porta, encostado no batente com um sorriso curioso. A luz suave do amanhecer iluminava seu rosto, e Charlie teve que lutar para não desviar o olhar.
“N-Nick!” exclamou, o nervosismo claro em sua voz. “Eu... eu só estava treinando um pouco.”
Nick deu alguns passos para dentro, os tênis chiando levemente contra o piso. Ele olhou para a rede ajustada e depois para Charlie, com um sorriso mais suave. “E parece que está valendo a pena. Você pula bem alto, Charlie.”
Charlie sentiu o rosto esquentar, e as palavras pareceram travar na garganta. Ele tentou falar, mas tudo o que conseguiu foi um gaguejo. “O-obrigado. Eu... estou tentando melhorar.”
Nick inclinou a cabeça ligeiramente, como se analisasse cada movimento de Charlie. “Sabe, a maioria das pessoas não se esforça assim. A essa hora, está todo mundo dormindo. Mas você está aqui, saltando como se sua vida dependesse disso.”
Charlie deu um sorriso tímido, desviando o olhar para a quadra. “É que... eu sei que não sou tão alto quanto os outros. Preciso compensar de algum jeito.”
Nick franziu a testa e deu um passo mais perto, a expressão mais séria agora. “Charlie, não é sobre já ser bom ou alto. É sobre acreditar que você pode chegar lá.”
Charlie levantou o olhar para Nick, seus olhos refletindo um misto de dúvida e esperança. “Você acha que eu consigo?”
Nick colocou a mão no ombro de Charlie, apertando levemente. “Eu sei que você consegue. Já está voando. Só precisa perceber isso.”
Os olhos de Charlie desviaram para a bandeira novamente, o corvo com as asas abertas parecendo maior, mais imponente, como se o estivesse chamando. Ele respirou fundo, tentando absorver as palavras de Nick.
“Acredito em você, Charlie,” disse Nick, com um sorriso encorajador.
As palavras ecoaram na mente de Charlie como uma força nova, algo que ele nunca tinha sentido antes. Ele olhou para a rede, depois para Nick, e finalmente para a bandeira. Talvez ele ainda não tivesse alcançado o céu, mas agora sabia que podia.
Naquele momento, sob a luz suave da manhã e as asas abertas do corvo na bandeira, Charlie sentiu que podia realmente voar.
Dentro do vestiário, o ar parecia sufocante, carregado de tensão antes mesmo que Charlie cruzasse a porta. O som de seus passos ecoava no espaço vazio, e ele sabia que Ben estava lá. Sabia porque sentia o olhar dele queimando em sua direção antes mesmo de encará-lo. Quando finalmente ergueu os olhos, viu Ben encostado na parede, braços cruzados e o rosto marcado por uma expressão sombria. Os olhos dele, fixos em Charlie, eram como lâminas afiadas.
“Você acha que eu sou burro?” Ben começou, a voz baixa, mas carregada de uma raiva gelada que fez Charlie estremecer.
“Não—eu, não foi isso...” Charlie tentou, mas as palavras se enrolaram em sua língua, saindo trêmulas, sem força.
“Não foi isso, é?” Ben deu um passo à frente, os músculos tensos, como um predador prestes a atacar. “Então o que foi? Você rindo, sorrindo como um idiota enquanto o Nick, o ‘Sr. Perfeição’, te elogiava? Você acha que eu não vi?”
“Ben, por favor, não foi nada,” Charlie tentou, o pânico crescendo em seu peito. “Ele só estava falando do treino. Só isso.”
Mas Ben não parecia disposto a ouvir. Em um movimento rápido, ele agarrou Charlie pela camiseta, puxando-o tão perto que suas respirações se misturavam. “Não importa o que ele disse ou o que você acha que isso significa,” rosnou Ben, os olhos brilhando com uma mistura de ciúme e fúria. “Você é meu. Entendeu? Meu.”
O tom possessivo de Ben fez o estômago de Charlie se revirar. Ele tentou afastar as mãos de Ben, mas o aperto era firme. “Ben, solta,” sussurrou, a voz falhando.
Ben o encarou por mais um momento, a raiva pulsando em cada linha de seu rosto, como uma onda prestes a romper. Charlie sabia que o confronto estava longe de terminar, mas não esperava o que veio a seguir. De repente, Ben o soltou, mas não com gentileza. O empurrão foi brusco, e Charlie tropeçou para trás, o chão escapando debaixo de seus pés. Ele caiu com um baque surdo, o som ecoando pelo vestiário vazio como um tiro.
O impacto no chão foi mais do que físico. A dor que percorreu suas costas não era nada comparada ao que ele sentiu por dentro. Era como se todas as partes frágeis de sua dignidade tivessem se estilhaçado no momento em que ele atingiu o piso frio. Por um segundo, o mundo ficou em silêncio, mas dentro de sua mente, pensamentos se atropelavam, caóticos e cruéis.
"Por que eu deixo isso acontecer? Por que eu nunca consigo me defender? Eles me veem assim, tão... fraco." A vergonha queimava em seu peito como um fogo impossível de apagar. Cada vez que tentava se levantar, parecia que algo dentro dele o puxava para baixo, um peso que o prendia ao chão.
Quando o som das risadas começou, foi como se alguém tivesse cravado uma faca em sua alma. Ele ouviu a voz de Harry primeiro, sarcástica e venenosa, lançando insultos que cortavam mais fundo do que ele admitiria. “Olha só quem resolveu descansar,” Harry disse, e Charlie sentiu o rosto esquentar, uma mistura de humilhação e raiva. Era sempre assim. Eles riam, eles provocavam, e ele... simplesmente existia, sem força para revidar.
As palavras seguintes foram ainda piores. “Talvez você esteja treinando o jeito certo de se ajoelhar para os outros jogadores.” O insulto veio como um soco no estômago, cada palavra carregada de desprezo. Charlie sentiu seu corpo ficar tenso, mas ele não conseguiu responder. A voz de Harry parecia ecoar dentro de sua cabeça, misturada com as risadas de Ben. Ben. Ele ainda estava lá, rindo com os outros, como se nada tivesse acontecido.
"Como ele pode? Como ele pode fazer isso depois do que acabou de dizer? Depois de... depois de tudo?" A traição doía quase tanto quanto os insultos, um lembrete cruel de que ele estava sozinho, sempre sozinho.
Charlie finalmente forçou seus músculos a se moverem, cada parte de seu corpo tremendo. Ele não olhou para ninguém enquanto se levantava. Não queria ver os rostos deles, não queria dar a eles a satisfação de ver suas lágrimas prestes a cair. Mas, por dentro, ele sentia cada fragmento de si mesmo se desfazer, como se estivesse se despedaçando em um milhão de pedaços pequenos demais para juntar novamente.
"Você nunca vai ser como eles. Nunca vai ser forte o suficiente, alto o suficiente, bom o suficiente." As palavras não foram ditas em voz alta, mas ecoavam dentro de sua mente, mais cruéis do que qualquer coisa que Harry pudesse ter inventado.
Ele correu até a parte de trás das arquibancadas, onde a luz fraca do amanhecer mal alcançava. O espaço parecia apertado, mas, ao mesmo tempo, era o único lugar onde ele podia respirar. Charlie encostou-se na parede fria, o peito subindo e descendo descontroladamente. As lágrimas que ele tentou segurar finalmente caíram, quentes contra sua pele. Ele se sentia pequeno, invisível, como se nunca fosse bom o suficiente. O lema estampado na bandeira preta, “VOE”, parecia mais distante do que nunca. Como ele poderia voar se mal conseguia ficar de pé?
O som de passos o fez prender a respiração. Ele olhou para cima, assustado, esperando encontrar Harry ou Ben, prontos para mais humilhação. Mas era Nick.
O capitão parou a alguns passos de distância, a expressão séria e carregada de preocupação. “Charlie,” ele chamou, a voz baixa, quase gentil. “Você está bem?”
Charlie tentou se recompor, mas era inútil. “Por que você está aqui?” murmurou, a voz embargada. “Não devia ter vindo.”
Nick deu um passo à frente, depois outro, até estar ao lado de Charlie. Ele se agachou, ficando na mesma altura que ele. “Eu vi o que aconteceu. E... eu não fiz nada. Não devia ter deixado eles falarem assim com você.”
Charlie desviou o olhar, a vergonha queimando sua pele. “Não importa. Eles sempre fazem isso,” sussurrou. “Eu já devia estar acostumado.”
Nick franziu a testa, o maxilar apertado. “Isso não está certo. Não é algo com que você deva se acostumar.”
Charlie olhou para ele, os olhos brilhando com uma mistura de raiva e desespero. “Por que você se importa? Eu sou só o assistente. Eles nem me veem como parte do time.”
Nick respirou fundo, claramente tentando encontrar as palavras certas. “Porque você merece ser tratado com respeito, Charlie. E, mais do que isso... você é parte do time. Você tem mais potencial do que eles imaginam. Do que você imagina.”
Charlie baixou os olhos, sua respiração pesada e seu peito ainda apertado com a dor das palavras que ouvira no vestiário. Ele queria acreditar em Nick, mas a dúvida ainda era uma sombra difícil de dissipar.
Nick estendeu a mão, firme, mas com gentileza, e ajudou Charlie a se levantar. Com o olhar determinado, ele apontou para a bandeira preta na parede, onde o corvo de asas abertas parecia quase vivo sob a luz fraca. “Você sabe o que aquele lema significa?”
Charlie olhou para a bandeira, seu olhar vazio. “Significa que você precisa ser forte, ser como eles...”
Nick balançou a cabeça lentamente, seus olhos fixos em Charlie. “Não. O corvo não é forte porque é como os outros. Ele é forte porque ele voa, Charlie. Ele abre as asas e enfrenta o vento, não importa quão alto ou longe ele esteja. É isso que o lema significa. Não é sobre ser como eles; é sobre ser você, e encontrar a sua força para abrir suas asas.”
Charlie franziu a testa, ainda hesitante, mas os olhos de Nick brilharam com uma convicção que o fez prestar atenção. “O corvo voa porque acredita que pode,” continuou Nick. “Não porque alguém disse que ele devia ou porque ele é o maior ou o mais forte. Ele voa porque o voo é parte de quem ele é. E isso é o que eu vejo em você, Charlie.”
As palavras pairaram no ar, enchendo o silêncio com algo que parecia quase tangível. Charlie olhou de volta para a bandeira, e pela primeira vez, o corvo parecia diferente para ele. Não era apenas uma figura na parede; era um símbolo de tudo o que ele queria ser. As asas abertas do corvo não significavam perfeição. Significavam luta, resiliência, a coragem de enfrentar o vento e ir além, mesmo quando o chão parecia mais seguro.
“Você acha que eu consigo?” perguntou Charlie, sua voz baixa, quase como se temesse a resposta.
Nick sorriu, um sorriso encorajador, mas com a firmeza de quem acreditava no que estava dizendo. “Eu não acho, Charlie. Eu sei. Você já está voando. Só não percebeu ainda.”
Charlie desviou o olhar para a quadra, o peso das palavras de Nick ressoando em sua mente. Ele queria acreditar, queria sentir aquilo em si mesmo. Pela primeira vez, uma faísca de algo diferente—esperança, talvez—começou a acender.
“Voe, Charlie,” disse Nick, sua voz baixa, mas carregada de significado. “Mostre a eles, e a você mesmo, do que você é capaz.”
As palavras de Nick ecoaram em sua mente como um chamado, um empurrão gentil em direção ao desconhecido. Quando Charlie voltou a olhar para a bandeira, o corvo parecia mais do que uma figura inatingível. Ele era um lembrete de que o voo não começava perfeito; começava com um salto, com o bater desajeitado das asas, e, acima de tudo, com a decisão de não permanecer no chão.
“Vamos voltar para a quadra, então?” sugeriu Nick, com um sorriso encorajador. “Não deixe que eles te façam desistir.”
Charlie assentiu lentamente. Quando voltaram para a quadra, a atmosfera era tensa. Nick foi direto até Harry, a expressão mais dura do que o normal. “Você deve desculpas ao Charlie,” disse, sua voz firme e carregada de autoridade.
Harry cruzou os braços, sorrindo de canto. “Ah, é mesmo? E por quê? Só fiz uma piada. Se o Charlene não aguenta brincadeira, talvez devesse ficar longe dos garotos de verdade.”
Sem hesitar, Nick deu um passo à frente e empurrou Harry com força. “Isso não foi uma piada. Foi cruel e desrespeitoso. Não vou tolerar esse tipo de comportamento.”
Harry, visivelmente irritado, devolveu o empurrão. “Está defendendo o namorado agora, é?” provocou ele.
Antes que pudesse avançar mais, a treinadora Singh surgiu rapidamente, colocando-se entre os dois. “Chega!” gritou ela. “Vocês dois, para o banco, agora!”
Charlie ficou parado, o rosto vermelho de vergonha e raiva, enquanto via Nick se afastar para o banco. Ele se culpava por ter causado aquele tumulto, mesmo que soubesse que não era justo.
Após o término do treino, Charlie permaneceu na quadra, o silêncio tomando conta de tudo ao seu redor. O vazio no peito parecia uma onda prestes a afogá-lo, e ele olhava para a porta, esperando algum sinal de Ben, qualquer coisa que mostrasse arrependimento. Mas, desta vez, o silêncio foi absoluto, implacável, deixando Charlie com nada além de sua própria companhia e os ecos das palavras que ouviu naquele dia.
Ele pegou uma bola de vôlei que estava esquecida no canto. A textura áspera do couro roçou seus dedos, e ele a segurou firme, sentindo a tensão acumular-se em seus braços. Sem pensar, arremessou a bola contra a parede com força. O impacto foi seco, reverberando pelo ginásio vazio, e o som parecia preencher o espaço ao seu redor. Charlie respirou fundo e lançou novamente, desta vez colocando mais força no movimento. Cada vez que a bola voltava para ele, parecia que estava enfrentando algo maior, algo invisível que o sufocava.
"Voe, Charlie," as palavras de Nick voltaram à sua mente, ecoando como um sussurro em meio ao barulho da bola batendo na parede. Ele parou por um instante, o suor escorrendo por sua testa, e olhou para a bandeira preta na parede. O corvo de asas abertas parecia observá-lo, quase desafiando-o.
"O corvo não é forte porque é como os outros. Ele é forte porque voa. Ele abre as asas e enfrenta o vento."
Charlie fechou os olhos, segurando a bola com mais força. Ele nunca tinha pensado nisso dessa forma. Sempre achou que precisava ser mais alto, mais forte, mais parecido com os outros para ser aceito. Mas as palavras de Nick começaram a mudar algo dentro dele, um pensamento que crescia como uma chama tímida. Talvez ele não precisasse ser como os outros. Talvez ele só precisasse encontrar sua própria força.
Ele abriu os olhos e ajustou a posição das mãos na bola. Inspirou profundamente, sentindo seus músculos cansados protestarem, e lançou a bola novamente. O corte foi mais rápido, mais preciso. O som da bola batendo na parede parecia diferente agora, mais forte, mais definido.
"Eu posso voar," pensou Charlie, um calor inesperado tomando conta de seu peito. Ele cortou novamente, desta vez com toda a força que conseguiu reunir. O impacto percorreu seu braço, mas, em vez de dor, ele sentiu algo diferente. Uma espécie de força, como se, a cada movimento, ele estivesse se livrando de algo pesado que o mantinha preso.
"O corvo voa porque acredita que pode," ele repetiu para si mesmo, enquanto lançava a bola contra a parede mais uma vez. As palavras de Nick não eram apenas um consolo; eram um chamado. Um desafio para abrir suas asas e enfrentar o vento, independentemente do que os outros dissessem.
A bola voltou com velocidade, e Charlie a segurou no ar, o peito subindo e descendo rapidamente. O suor pingava de seu queixo, mas ele não parou. Continuou cortando, cada vez mais forte, cada vez mais rápido, até que os ecos de seus movimentos se tornaram um ritmo constante, quase hipnótico. Com cada golpe, ele sentia a dor, a raiva e a humilhação sendo expulsas, substituídas por algo novo. Algo poderoso.
Quando finalmente parou, Charlie estava exausto, as pernas tremendo, os braços latejando. Ele deixou a bola cair e olhou novamente para a bandeira. O corvo com as asas abertas não parecia mais um símbolo inatingível. Ele era um lembrete de que o voo não era sobre perfeição ou sobre ser como os outros. Era sobre coragem. Sobre decidir não ficar no chão.
Charlie enxugou o rosto com a manga da camisa, um sorriso pequeno, mas sincero, surgindo em seus lábios. Pela primeira vez, ele sentiu que talvez pudesse, de fato, voar.
“Vai acabar quebrando a parede,” disse a treinadora Singh, interrompendo o som repetitivo.
Charlie parou imediatamente, virando-se para ela com os olhos ainda marejados. “D-desculpe,” gaguejou, sentindo-se pequeno.
Ela se aproximou, com o olhar firme. “Você tem mais força do que imagina, Charlie. Não deixe que esses garotos te façam duvidar disso,” disse ela, em um tom severo, mas encorajador. “Sei que você tem talento. Vi você treinando cedo, e não é a primeira vez.”
Charlie arregalou os olhos, surpreso por ela ter notado. “Você... viu?”
“Sim. E gostei do que vi,” ela disse, pegando uma camiseta do Karasuno com o número 9 e entregando-a a ele. “Isso é para quando você decidir que está pronto para parar de se esconder e mostrar o jogador que é de verdade.”
Charlie olhou para a camiseta em suas mãos, o peso do tecido parecia carregar mais do que ele podia suportar, mas também trazia uma nova esperança. Talvez ele realmente pudesse se tornar parte do time e provar a si mesmo que merecia estar ali.
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