Match Point
7 ARCO 1 VOE! - Capítulo 7 – Novos Ares
Notas iniciais
O ginásio estava vivo naquela manhã, irradiando um dinamismo que parecia quase contagiante. O som das bolas batendo no chão e dos tênis deslizando na madeira ecoava em harmonia com as risadas e conversas dispersas. Era como se o espaço tivesse sido imbuído de uma energia renovada, uma vibração que convidava cada um a fazer parte dela. Charlie atravessou as portas do ginásio com passos firmes, absorvendo o ambiente ao seu redor de maneira diferente daquela que ele estava acostumado. O cheiro familiar de resina e suor ainda estava lá, mas, dessa vez, parecia menos opressivo — quase reconfortante.
Ele percebeu os feixes de luz que desciam pelas janelas altas, brincando de forma preguiçosa pelo chão polido. A visão o fez sorrir sem querer. Não era como se tudo estivesse resolvido dentro dele, mas havia algo diferente naquela manhã — um espaço interno onde antes só havia aperto. O peso das semanas passadas não tinha desaparecido, mas estava mais leve, mais manejável, como se ele estivesse começando a entender como equilibrá-lo.
Caminhando em direção à quadra, Charlie deixou que seus olhos percorressem o ambiente. Cristian estava no canto, ajustando as joelheiras enquanto contava algo que claramente fazia Nick rir alto. Tao estava jogado em um banco próximo, mexendo no celular, mas ainda atento ao que acontecia ao seu redor. A energia do lugar não era avassaladora como costumava ser — na verdade, era quase... convidativa.
O olhar de Charlie encontrou o de Nick, que, no meio de sua risada, acenou com um gesto simples, mas caloroso, como se dissesse: Ei, você pertence aqui. Aquilo fez algo dentro de Charlie mudar — pequeno, mas significativo. Ele apertou a bola em suas mãos, sentindo sua textura familiar. Era um gesto automático, mas que de alguma forma o conectava ao momento. Ele respirou fundo e murmurou para si mesmo: “Tudo bem, vamos lá.”
Nick não perdeu tempo. Assim que Charlie chegou mais perto, ele jogou uma bola em sua direção com um sorriso fácil. “Olha só quem está com outra energia hoje,” comentou, o tom leve, mas cheio de curiosidade.
Charlie pegou a bola com facilidade e sorriu de volta, sem esforço. “É... acho que estou. Nada miraculoso, mas... melhor.”
“Melhor já é um bom começo,” Nick respondeu, piscando para ele antes de voltar para sua posição. “Você parece pronto para hoje.”
O som das bolas quicando e as risadas abafadas preenchiam o ginásio quando a treinadora Singh saiu de sua sala, prancheta em mãos. Ela parou no centro da quadra e bateu palmas.
"Todos aqui, agora," chamou, a voz firme, mas sem perder a habitual autoridade tranquila.
Os jogadores se agruparam rapidamente, formando um semicírculo. Murmúrios curiosos surgiram entre eles ao notarem a expressão séria de Singh.
"Antes de começarmos, tenho algumas novidades importantes," ela começou, sua voz cortando o barulho como uma faca. "Três novos integrantes vão se juntar ao nosso time."
Os olhares se cruzaram, misturando surpresa e curiosidade. Nick, no centro, inclinou ligeiramente a cabeça, atento. Charlie, ao lado, segurou a bola com força, sentindo um nervosismo que não conseguia explicar.
Singh olhou para eles antes de anunciar: "Quero que deem as boas-vindas a alguém especial. Ele é o nosso capitão do ano passado, retornando depois de uma lesão que o afastou. Daichi."
Os jogadores viraram-se para a porta da sala da treinadora, onde Daichi apareceu, caminhando com confiança. Seu sorriso acolhedor iluminou o espaço, e sua presença quase instantaneamente trouxe uma nova energia ao grupo. Ele não era o mais alto, mas sua postura irradiava liderança.
Nick foi o primeiro a atravessar o grupo para cumprimentá-lo, tirando a braçadeira de capitão enquanto caminhava.
"Seja bem-vindo de volta," disse Nick, estendendo a braçadeira para Daichi com um gesto de respeito.
Mas Daichi apenas sorriu e balançou a cabeça. "Não, Nick. Você fez um excelente trabalho. Por enquanto, isso é seu."
Nick hesitou, mas aceitou o gesto, claramente tocado. O sorriso de Daichi parecia selar o momento, uma espécie de passagem de confiança que todo o time reconheceu.
Singh esperou a comoção se acalmar antes de continuar. "Nosso próximo integrante vem de outro colégio do Japão. Este é Tsukishima."
Uma figura alta e magra entrou na quadra. O cabelo loiro curto brilhava sob as luzes, e os óculos que ele ajustou rapidamente davam-lhe um ar levemente condescendente. Ele parou ao lado de Singh, lançando um olhar avaliador ao time.
"Espero que consigam acompanhar," disse ele, com um sorriso que parecia mais uma provocação do que uma saudação. Alguns franziram a testa, mas ninguém respondeu.
Cristian, quase sem pensar, murmurou: "Ele é alto."
Charlie concordou mentalmente. Tsukishima era intimidador apenas por estar ali.
Singh sorriu brevemente, interrompendo a tensão. "E, finalmente, nosso último novo membro: Tao Xu."
Antes que Tao pudesse dizer algo, Singh comentou com uma leve ironia: "Ele me convenceu com argumentos... persuasivos." A frase arrancou risos, enquanto Tao, um pouco desconfortável, apenas deu de ombros.
"Eu só disse que seria um desperdício me deixar de fora," brincou Tao, os olhos brilhando com um humor descontraído.
Charlie não conseguiu conter a surpresa. "Tao? O que você está fazendo aqui?"
"Te protegendo, óbvio," Tao respondeu, lançando um olhar direto para Charlie. "Não vou deixar ninguém mexer com você enquanto eu estiver por perto."
O rosto de Charlie ficou vermelho, dividido entre a gratidão e o constrangimento.
"Eu não mereço você," murmurou ele.
Antes que mais algo pudesse ser dito, Harry interveio, revirando os olhos. "Eles estão se multiplicando," comentou, com o tom característico de provocação.
Tao virou-se para ele, os olhos estreitando. "Você tem algum problema com isso?" perguntou, com uma intensidade que fez Harry recuar um passo.
Singh levantou uma mão, encerrando o momento antes que algo mais acontecesse. "Tao pode não ser o mais técnico, mas tem garra. E o que ele traz de mais valioso é algo que vocês deveriam observar: lealdade."
Charlie sorriu, genuinamente dessa vez, enquanto o grupo se dispersava para o treino. Singh, do canto do ginásio, notou o brilho renovado nos olhos dele, mas guardou a observação para si."
Agora que as apresentações foram feitas," concluiu Singh, "quero que mostrem aos novos jogadores porque o Karasuno é um time que merece respeito. Vamos ao trabalho!"
O apito da treinadora Singh ecoou pelo ginásio, cortando o ar carregado de expectativa. Os jogadores se espalharam pela quadra, assumindo suas posições. As bolas começaram a quicar, criando um ritmo que rapidamente tomou conta do ambiente.
No centro da quadra, Daichi já demonstrava porque era tão respeitado. Durante um exercício de recepção, ele mergulhou para salvar uma bola que parecia perdida, esticando o braço no último segundo. A bola subiu limpa, caindo perfeitamente nas mãos de Nick.
"Boa, Daichi!" Cristian gritou, enquanto Daichi se levantava com a mesma calma de sempre. Ele apontou para a lateral direita. "Eles estão explorando muito esse lado," disse a Cristian, com a voz firme, mas sem perder o tom encorajador.
Cristian assentiu, ajustando-se rapidamente. Era isso que fazia Daichi tão especial — ele não precisava gritar ou impor sua presença. Cada movimento e palavra vinham com um peso natural, como se fossem parte da estrutura do time.
Do outro lado, Tsukishima parecia um gigante na rede. Durante um exercício de ataque, Harry tentou um corte rápido e baixo, mas Tsuk nem hesitou. Ele saltou, os braços longos bloqueando a bola com uma precisão que fez Harry aterrissar com uma careta.
"Foi sorte," Harry murmurou, mas Tsuk apenas ergueu uma sobrancelha. "Se quiser, eu faço de novo," disse ele, com um sorriso provocativo que arrancou risadas de Cristian.
"Esse cara é um muro ambulante," comentou Cristian, balançando a cabeça.
Tsukishima, alheio aos comentários, continuava sua performance precisa. Ele se movia como se antecipasse os ataques antes mesmo de eles acontecerem, fechando os espaços com uma eficiência que parecia automática. Sua postura confiante deixava claro que ele sabia exatamente o impacto que causava.
Mais ao fundo, Tao se destacava de outra maneira. Durante uma sequência de saques, ele lançou a bola ao ar com confiança. O som do impacto ecoou pelo ginásio, e a bola atravessou a quadra com força, pegando o líbero adversário desprevenido.
"Isso aí, Tao!" exclamou Nick, batendo palmas enquanto a bola quicava longe. Tao, visivelmente orgulhoso, devolveu um sorriso tímido, mas satisfeito.
Ele ainda cometia erros, especialmente em posicionamento, mas compensava com esforço incansável. Quando falhava, voltava ao jogo com mais determinação. Após quase salvar uma bola difícil, ouviu a voz de Daichi.
"Boa tentativa," disse ele. "Você está no caminho certo. Continue assim."
Nick, por sua vez, parecia comandar a quadra com uma graça quase natural. Ele ajustava os levantamentos com precisão, moldando cada jogada ao estilo dos atacantes. Durante uma jogada rápida, ele ergueu a bola para Tsuk, que acertou um corte potente, passando entre dois bloqueadores.
"Excelente, Tsuk!" gritou Nick, o sorriso radiante iluminando o ginásio.
Cristian, sempre uma presença segura no fundo da quadra, parecia um borrão enquanto mergulhava para salvar bolas impossíveis. Em uma jogada particularmente tensa, ele se jogou no último segundo, erguendo a bola com uma manchete precisa.
"Você melhorou muito desde o ano passado!" falou Daichi, admirado.
Cristian apenas riu, enxugando o suor da testa. "Alguém tem que salvar a bagunça de vocês, não é?"
A treinadora Singh observava tudo à distância, anotando em sua prancheta enquanto analisava os movimentos de cada jogador. Não era apenas um treino — era um teste. E todos ali sabiam que precisariam dar o melhor de si.
Conforme o treino avançava, Charlie sentia a intensidade do jogo tomar conta do ginásio. O ritmo era acelerado, mas, desta vez, ele não sentia o peso esmagador que tantas vezes o fazia hesitar. Ele sabia que não acertaria todas, mas algo dentro dele dizia que era capaz de seguir em frente, independentemente dos erros.
Durante um dos exercícios ofensivos, Charlie atrasou ligeiramente o corte, e a bola caiu na quadra do Karasuno com um impacto seco. O som ecoou pelo ginásio, e ele percebeu os olhares do time se voltarem para ele. Em outros tempos, aquilo o teria paralisado, mas agora, ele respirou fundo e se reposicionou, pronto para a próxima jogada.
“Concentração, Charlie!” gritou a treinadora Singh. Sua voz era firme, mas havia encorajamento ali. Ele acenou com a cabeça e ajustou a postura. Um erro não seria o fim do treino — ou do mundo.
Cristian, sempre atento, passou por ele e bateu de leve em seu ombro. “Só mais uma bola, cara. Bora lá,” disse, com um sorriso que era mais um lembrete de que todos estavam no mesmo barco. Charlie assentiu, sentindo-se firme no chão, tanto física quanto emocionalmente.
Do outro lado da quadra, Harry não perdeu a oportunidade de provocar. “Boa, Charlene! Continua assim, que o outro time vai pedir pra você jogar por eles,” disse ele com sarcasmo, arrancando risadas exageradas de Ben.
Charlie sentiu as palavras chegarem até ele, mas, desta vez, algo mudou. Ele pensou em retrucar, em jogar as mesmas farpas de volta, mas decidiu que não seria assim que responderia. Seu olhar endureceu, as mãos apertaram a bola com mais força, e ele deixou que o silêncio falasse por ele. Se eles queriam uma resposta, ele daria — em quadra.
“Cala a boca, seu babaca,” disse Tao, com a voz firme, cortando o ar do ginásio e surpreendendo a todos.
Harry virou-se para Tao, os olhos estreitados “Vai defender o seu namorado agora?”
“Namorado?” Tao riu, balançando a cabeça com desdém. “É sério? Esse é o seu melhor insulto? Pelo amor de Deus, Harry.”
O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Alguns jogadores começaram a rir, enquanto Harry, claramente pego de surpresa, abriu a boca para responder, mas não encontrou palavras.
Ben, percebendo que a situação poderia piorar, puxou Harry pelo braço. “Deixa pra lá,” murmurou, tentando afastá-lo da confusão.
Enquanto os dois se retiravam, Charlie olhou para Tao, que deu de ombros, como se não fosse nada demais. Mas, para Charlie, foi mais do que isso. Tao tinha se colocado no meio da situação sem hesitar, e a postura confiante do amigo trouxe uma faísca de energia que ele não sabia que precisava.
Enquanto tudo isso acontecia, Nick observava à distância. Ele viu Charlie errar, viu as provocações, mas o que realmente chamou sua atenção foi a reação do garoto. Charlie, que tantas vezes se fechava em si mesmo, agora estava mais firme. Não havia aquela sombra de tristeza que costumava rondá-lo. Havia algo novo — mais forte, mais presente.
Nick passou ao lado de Charlie, bagunçando seu cabelo de leve. “Próxima bola é sua,” disse, se posicionando a seu lado.
Charlie olhou para ele, confuso, mas acabou sorrindo. Ele pegou a bola, ajustou a respiração e voltou para a posição, sentindo o calor de algo que não era exatamente alegria, mas também não era dor. Talvez fosse apenas a vontade de continuar — e isso já era o suficiente.
. “Ei” Nick começou, a voz baixa, mas irrefutável. “Vamos tentar aquele ataque rápido.” Ele lançou a bola para Charlie, o movimento cheio de uma certeza inabalável, como se estivesse depositando nela não apenas uma jogada, mas uma promessa.
Charlie encarou a rede, os pensamentos alinhados como nunca. Não era mais um obstáculo intransponível, mas um desafio que ele sabia que poderia superar. Ele respirou fundo, ajustando sua postura, e a tensão habitual deu lugar a algo mais leve — uma determinação silenciosa.
Nick estava a poucos passos, observando-o com atenção. Não disse nada, mas o olhar dizia o suficiente. Havia uma expectativa ali, mas não era pesada. Era como se ele acreditasse que Charlie tinha tudo de que precisava para voar, e isso bastava.
Quando Nick levantou a bola, o movimento foi impecável, fluido como sempre. Charlie se deslocou para o ataque, sentindo o ritmo do momento se alinhar com o seu. Ele sabia que todos os olhos estavam sobre ele — Harry, Ben, até Tao na lateral da quadra. Mas, ao invés de hesitar, ele deixou que a bola fosse seu foco.
Charlie saltou e do outro lado da rede, Tsukishima ergueu seus longos braços, o bloqueio posicionado com a precisão calculada de um jogador experiente. Charlie, no entanto, não viu. Ele não precisava. Sem hesitar, desferiu o golpe com os olhos fechados. Não por nervosismo, mas por uma confiança tão absoluta em Nick e em seu levantamento que ele sabia que a bola estaria exatamente onde deveria estar.
O impacto foi devastador. A bola atravessou o bloqueio de Tsuk e cravou no chão frente a Ben com uma força que fez o som ecoar por todo o ginásio. Por um instante, o tempo parecia congelado. O mundo pareceu parar, e todos os olhares estavam fixos no lugar onde a bola havia tocado o chão.
O coração de Charlie disparou, mas não com nervosismo ou medo. Era euforia pura, um alívio quase físico, como se todo o peso que ele carregava tivesse sido deixado para trás naquele golpe. Ele olhou para Ben de relance. Ele em silêncio agora, com olhos arregalados de surpresa, dando alguns passos para trás. Aquele corte, aquele momento, era mais do que um ponto: era uma declaração. Você não pode me ferir. Não mais.
Charlie respirou fundo e se virou de volta para a quadra, dando as costas para Ben. Ele não era mais o garoto tímido que carregava a dúvida no peito. Ele era alguém que estava aprendendo a voar, alguém que sabia que as barreiras que antes pareciam intransponíveis agora podiam ser superadas. Ele sentiu isso em cada fibra de seu corpo.
Seus olhos encontraram os de Nick novamente, e ali havia algo que não precisava ser dito. Uma conexão, uma compreensão. Nick, com aquele sorriso de orgulho e confiança, parecia dizer: Eu sabia que você conseguiria.
Do outro lado da quadra, Tsukishima ajustou os óculos, os olhos analisando Charlie com mais interesse do que de costume. Ele então olhou para Nick, o tom neutro, mas com um respeito contido. “Ele cortou de olhos fechados,” comentou, quase como quem tenta decifrar um enigma. “Corajoso.”
Nick sorriu, mas havia algo diferente em seu sorriso — uma mistura de orgulho e fascinação. “Ele confiou em mim completamente,” murmurou, como se falasse mais para si mesmo do que para Tsuk. Por um instante, Nick sentiu o peso daquela confiança de forma tangível, quase como se pudesse segurá-la nas mãos.
Aquilo não era apenas uma jogada. Era um momento. Um laço silencioso que se formava entre eles, algo que transcendia o jogo. O calor que subiu ao peito de Nick não era apenas satisfação profissional. Era algo mais. Admiração. Talvez até algo mais profundo. Mas, enquanto observava Charlie voltando à posição, o coração acelerado, ele percebeu que essa conexão não era apenas com o time. Era com ele.
Quando o treino terminou, Charlie começou a guardar as bolas e equipamentos. Apesar de sentir o cansaço no corpo, havia algo diferente no ar. O peso habitual, que ele tantas vezes carregava sozinho, parecia mais leve, quase inexistente. Enquanto finalizava, avistou seus amigos do lado de fora do ginásio. Tao, Elle, Tara e Darcy estavam no pátio, e os sorrisos deles eram tão brilhantes quanto o sol que começava a se pôr.
Tao foi o primeiro a se aproximar, com as mãos nos bolsos e um sorriso travesso. “Então, o pequeno grande Charlie hoje destruiu egos, hein?” disse ele, levantando as sobrancelhas. “Não vou mentir, fiquei impressionado. Só um pouco, claro. Vou fingir que já sabia que você era incrível.”
Charlie soltou uma risada curta, balançando a cabeça. “Que generosidade sua, Tao. É sempre bom saber que você não tem expectativas altas,” respondeu, a voz cheia de sarcasmo.
Elle chegou logo depois, segurando a mão de Charlie com carinho. “Ignore ele, porque foi mais que incrível,” disse, os olhos brilhando com orgulho. “Você arrasou, Charlie. De verdade.”
“E olha, sem nem precisar de um cartaz motivacional ainda,” Darcy emendou, erguendo as mãos como se estivesse visualizando algo. “Mas já tô planejando um com glitter, sabe? Algo que diga ‘Charlie: Mestre Supremo das Cestas!’”
Tara revirou os olhos, mas o sorriso entregava que ela estava adorando a ideia. “É vôlei, Darcy. Não é um concurso de mágica.”
“E daí? Glitter cabe em qualquer lugar,” Darcy retrucou, fazendo um gesto dramático com as mãos. “A quadra não vai saber o que atingiu!”
Charlie riu, dessa vez mais solto, sentindo o calor das brincadeiras aliviar qualquer resquício de tensão do treino. “Vocês são uma bagunça,” disse ele, ainda rindo. “Mas eu amo vocês mesmo assim.”
Tao cruzou os braços, fingindo estar ofendido. “’Mesmo assim’? Olha o desrespeito. Nós somos um pacote completo de apoio moral e, às vezes, caos criativo.”
Elle deu um leve empurrão em Tao e olhou para Charlie com um sorriso cúmplice. “A gente só quer garantir que você saiba que estamos aqui. Sempre.”
Darcy se aproximou e passou um braço pelos ombros de Charlie, com um sorriso travesso. “Você vai arrasar no campeonato. E mesmo se mandar mal, ainda te acharei ótimo, como sempre. Vou aplaudir bem alto, mesmo se você levar um tombo e estragar tudo.”
“Darcy!” reclama Tara
Elle ergueu a mão, como se estivesse prometendo solenemente. “E eu vou gritar tão alto que talvez você queira pedir pra me tirar de lá. Mas não vou parar.”
Charlie olhou para cada um deles, sentindo um calor no peito que nenhuma palavra podia descrever. Não era só o apoio, mas a certeza de que ele nunca mais precisaria enfrentar as coisas sozinho. “Vocês são incríveis, de verdade,” disse, com um sorriso que iluminava seu rosto. “Obrigado.”
Tao deu um leve soco no ombro de Charlie. “Não precisa agradecer, cara. Faz parte do contrato de amizade: apoiar você, te zoar um pouquinho e, de vez em quando, gritar como loucos no ginásio.”
Eles riram juntos enquanto começavam a caminhar para fora do ginásio, o sol descendo no horizonte. Charlie sentia o peso dos últimos dias desaparecendo, como se, por estar cercado de pessoas que realmente se importavam, as coisas finalmente tivessem ficado mais leves. Ele ainda tinha desafios pela frente, mas, agora, tinha certeza de uma coisa: não enfrentaria nada sozinho.
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