Mata Virgem

11 METADE // NAUFRÁGIO


Notas iniciais
Foi posto neste capítulo os poemas METADE e NAUFRÁGIO.

METADE

A vida perdeu a vida.

Você se foi...

Tudo ficou sem motivo.

Não sei mais porque o sol brilha,

A chuva cai...

Não tem mais beleza um botão de rosa.

Estou morta.

Perdi meu sentido.

O mundo tinha cor, luz.

Meu espaço era infinito.

As ondas do mar, mãos calmas,

Não açoitavam a areia.

O vento era mais forte, manso.

Pássaros cantavam.

A terra era mais piedosa, tranquila.

Sou minha metade.

NAUFRÁGIO

Você grita, você ri,

Você chora, promete o que não pode cumprir;

Você joga.

Você é louco.

O mundo é dos loucos, sabemos.

Cuidado... há séculos que é dos loucos...

O mundo gira. Pode girar... querer mudar...

Estar nas mãos de outros,

Dar-lhes o poder.

Você joga com sofismas.

Promete o que não poderá cumprir,

Também o que não quer... não lhe é conveniente!

Cuidado!, pretendendo o triplo do poder que tem,

Pode naufragar sem volta,

Em águas profundas.

Ah, loucos poderosos, sofistas do mundo!,

Nem enxergam que estão no fim,

De olhos vedados... no fim...

No fim do seu reinado.

Assisto esse belo naufrágio, de camarote.

Não há sobreviventes.

Você grita, ri, chora.

Você joga com tudo, com todos,

Sempre, a qualquer momento, a qualquer hora.

Agora é o mundo que joga.

Você não percebe.

O barco naufraga.