Mata Virgem

12 LUA MINGUANTE // CONSCIENTIZAÇÃO


Notas iniciais
O capítulo possui dois poemas: LUA MINGUANTE e CONSCIENTIZAÇÃO.

LUA MINGUANTE

Se um dia olhar em seus olhos,

Bem lá no fundo deles e, de mansinho,

Como quem não quer nada, te der um beijo;

Perdoa... e saiba que foi o meio que encontrei

De dizer: te amo.

Se um dia eu te telefonar,

Depois sumir por bom tempo,

Sem que alguém saiba onde estou,

Não te assustes, fui tentar te esquecer.

Mas se quando voltar

Ainda procurar o fundo de teus olhos

Como quem, perdida, busca uma luz,

E te abraçar, como a reter nas mãos um cristal,

Tem certeza... não pude deixar de te amar.

Se numa noite de lua cheia,

Sob tempestade, em soluços, te disser adeus,

Certo, a lua que me pulsa a vida, mingua de amor

Na escuridão da tua ausência tão presente.

E por amar tua felicidade, não viver sem ela,

Não me olho. Não me sinto. Não existo.

Tu és um pássaro... Voa livre, alto.

Na luz. E uma montanha...

Impossível escalar.

CONSCIENTIZAÇÃO

De repente não mais que de repente

Transformou-se em vivente desistente

Descontente indolente de repente

De repente o ser humano inconsciente.

De repente não mais que de repente

A fome alargou-se se ramificou

E o já sofredor desestruturou-se

Desequilibrado conscientizou-se.

De repentemente o homem gritou.

Berrou o berro dos réus condenados

Inocentes na vida são acuados

Rapidamente então ele despertou.

Dolorosamente o homem consciente

Existente inteligente teimoso

Exigente coerente criterioso

Possuidor de si, responsavelmente.