Mata Virgem

14 ESPERANÇA DO RE-VIVER // DOR


Notas iniciais
ESPERANÇA DO RE-VIVER e DOR são os poemas deste capítulo.

ESPERANÇA DO RE-VIVER

A vida acabou de acabar.

Cansou de gritar, de lutar...

A vida parou de parar,

De correr, sonhar, cantar, amar...

A vida chorou pela vida.

Chorou pelo ar.

Tudo o que nela existia

Morreu em um único olhar.

A vida parou de pensar, sorrindo.

Parou de chorar...

A vida matou a vida.

Matou a esperança de re-viver

Em paz.

DOR

A dor é inexplicável.

Dói ao cego, ser cego;

Ao mendigo, ser mendigo;

Ao desamado, não ser amado.

Ao homem, dói sentir sua existência,

Não poder evitá-la.

Não há ciência, nem inteligência,

Nem filosofias e escapismos

Que abrandem, evitem a dor.

O que ela é? O homem não sabe.

Quem é?

Porque existe? O que quer?

Onde termina sua obscuridade?

O homem não procura conhecer essa senhora grandiosa.

Grandiosa porque esperança, oportunidade.

A dor é dor porque o homem é homem.

Existirá... Ele não se metamorfoseou em amor.

O sofrimento o engrandece como Ser.

Não sabe... confecciona seu próprio sofrer.

Sua dor não é maior, nem mais forte,

Nem mais pesada que ele.

Conheça-te, homem!

Saiba sofrer.

Seja feliz.