Mata Virgem
7 DEMOCRACIA CENSURADA // EXISTÊNCIA SUFOCADA
Notas iniciais
DEMOCRACIA CENSURADA
Minhas mãos estão frias.
O sangue jorra como cachoeira.
O grito é mudo.
A dor é surda.
Tenho vergonha desse fluxo.
Parece sujo, velho...
Estragado talvez.
O vermelho ficou marrom,
Não tem vida.
Será que ainda vivo?
Vivo, vivo sim.
Vivo me arrastando,
Ruminando a minha dor.
Assim, nos arrastamos todos!
Este mundo me consome,
Me exige tudo!
Censura minha vida,
Meus sentimentos...
Tanto, que já censuro até a obscura
Democracia dos meus sentimentos.
EXISTÊNCIA SUFOCADA
Vivemos sufocando a dor no peito;
Sufocando sentimentos, sofrimentos...
Esculpimos a cada manhã
A esperança do dia,
Que se quebra ao cair da noite.
Sufocamos nossas emoções por medo...
Medo de nós mesmos,
De perdermos o que mais amamos...
Medo de sofrermos.
É por medo do sofrimento que acabamos
Sofrendo a causa do medo.
Sufocamos as palavras acumulando-as
Na garganta, no coração, na mente.
Sufocamos os olhares, as amizades,
O amor, a fé...
Todas as esperanças perdidas.
Sufocamos a razão, o corpo, a alma;
As loucuras certas, as certas loucuras...
A vida.
Temos é medo de viver!
Sufocamos nosso ser mais íntimo,
A essência da existência.
Causamos a ruptura da própria existência da vida.
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