Notas iniciais
Olá pessoas, tudo bem? Demorei BEM MAIS que o normal, não é? Desculpem, fiquei meses dividida entre dois plots que dariam rumos completamente diferentes pra história e foi bem difícil escolher um. Começamos de vez um novo arco, espero que gostem! É provável que até o final do ano eu continue neste ritmo de tartaruga porque meu notebook já era hehehe Só estou com o computador do trabalho agora, então só escrevo quando coincide de eu estar inspirada e com tempo para escrever. Boa leitura!

Yukino observava as ondas quebrando nos rochedos da península em completo silêncio. Abraçando suas pernas, ela se ajeitou melhor no topo de uma rocha para não ser atingida pela maré que subia. Suspirou. Era como se fosse alguma daquelas pedras, sendo atingidas constantemente, aos poucos se corroendo, se corroendo, e se perguntando até quando resistiria.

Deviam estar procurando por ela, mas não estava preocupada com isso no momento. Incrível como em tantos anos, ninguém nunca a encontrou naquele esconderijo nada secreto, a pequena gruta na extremidade leste da ilha não era difícil de ser encontrada. Talvez soubessem que ela estava ali e preferissem não perturbá-la, afinal, quando uma garota vai sozinha para uma gruta afastada da cidade, é porque quer ficar sozinha.

Mais uma onda se chocou contra o rochedo e os respingos atingiram seus pés. Ela então direcionou seus olhos cansados para o horizonte. Sua única esperança se encontrava além daquela linha.

[...]

Gray adentrou na cabine do capitão carregando uma bússola consigo. Zeref discutia algo com Natsu e Jellal com um livro antigo em mãos e pararam o que faziam para receber o navegador.

— O vento não está muito forte e o mar está bastante calmo. Devemos levar algumas horas a mais do que o esperado neste ritmo.

— Certo. Jellal, avise a todos para se prepararem.

— Sim capitão.

Ficaram então somente os três irmãos no recinto, tensão e ansiedade praticamente palpáveis. Era a primeira vez que atracariam desde que saíram de Margaret, e de tantos lugares, logo aquela ilha? São piratas, teoricamente estão preparados para qualquer tipo de situação, mas ainda assim.

Ilha Galuna, mais conhecida como A Ilha Amaldiçoada. Tão misteriosa que muitos acreditavam ser uma lenda. Uma terra hostil guardada por demônios. Não há registros de pessoas que estiveram em Galuna e voltaram para contar a história. Não há nem mesmo registros da própria ilha em diversos mapas. Sua fama vem das histórias de pescador. É encontrada apenas em documentos antigos e ainda assim, sem dados precisos. Levou um tempo para os três digerirem a informação de seu próximo destino e concluírem que Igneel de fato falava de Galuna no diário, mas não havia dúvidas. Os detalhes que possuíam eram o suficiente para seguir em uma expedição e batiam precisamente com os mapas antigos e as informações de contos e lendas que obtiveram.

Por mais que ninguém admitisse em voz alta, a tensão não se dava tanto pelos perigos que rondavam a ilha, mas pela veracidade da mesma. Galuna realmente existia? Mesmo que exista, encontrariam o que precisam neste lugar? O diário seria posto a prova e finalmente descobririam se realmente poderiam sonhar com algo tão grandioso ou se tudo não passava de um devaneio de um louco.

As palavras da cigana ajudaram a impulsionar a viagem, mas agora o receio batia à porta. Esperavam estar corretos, pois o risco era alto demais.

“Na Ilha Minguante, encontrem a garota que carrega o mundo nos ombros”

— E então, prontos para enfrentar demônios sanguinários? – Gray tentou quebrar o gelo.

— Vá direto ao assunto, Gray. – Natsu pediu. – Sei que quer nos contar alguma coisa.

O moreno suspirou.

— Não são notícias animadoras.

Rogue segurava com firmeza o timão, apertando com tanta força que os nós de seus dedos se esbranquiçaram. O vento estava cada vez mais fraco e aos poucos o mar se transformava em um espelho d’água. Nada se ouvia além dos estalos da madeira e a embarcação cortando a água. A sua frente se formava um nevoeiro que se intensificava a cada minuto. Rogue engoliu em seco. Estaria navegando às cegas agora. A medida que o vento diminuía, a velocidade do navio aumentava, o que seria naturalmente impossível. Havia algo errado.

— Há um nevoeiro à nossa frente. – Disse Gray. – E suspeito que ele esconda grandes problemas.

— O que quer dizer? – perguntou Zeref.

A tensão tomava conta do convés. Os poucos tripulantes que ali se encontravam prendiam a respiração, atentos a qualquer ruído ou movimento, mas nada era visível além da imensidão branca.

Uma forma começou a surgir então em meio à névoa. Pálida, indefinida, que os poucos ganhava nitidez. E proximidade. E volume. E diversas outras surgiam e se juntaram a ela.

— Estamos em um campo minado. – Gray encerrou.

— SEGUREM-SE!

[...]

Rogue virava o timão com força enquanto tentava manter o controle do navio. Cada vez mais rochedos surgiam entre a névoa, alguns absurdamente afiados, e em meio a eles, pedaços de embarcações que sabe deus a quanto tempo estavam ali, revelando a verdadeira natureza do lugar em que se encontravam: um labirinto mortal. Os rapazes corriam para segurar as velas, na tentativa desesperada de manter o navio estável enquanto Rogue realizava manobras impossíveis com o timão. Lucy, Cana e Loki tentavam ao máximo reunir e amarrar os barris e caixotes que rolavam livres para que o peso deles se lançando contra as paredes não virasse o navio.

— Aguenta firme Rogue! Estamos quase conseguindo!

— CUIDADO!

Os formatos irregulares dos rochedos eram uma verdadeira armadilha, ainda mais escondidos entre a névoa, por pouco uma ponta afiada não acertou Zeref, mas esta quebrou uma parte da escada onde o jovem estava alguns segundos antes.

Em um movimento brusco para desviar de uma rocha que apareceu abruptamente à frente, Sting se desequilibrou e foi lançado ao mar.

— STING!!

Natsu se lançou atrás dele com uma corda presa ao mastro. Foi tudo muito rápido, movido no impulso por seus instintos, o capitão conseguiu pegá-lo antes que algo grave acontecesse ao marujo.

— Obrigado capitão! – o loiro gritou enquanto ambos eram puxados de volta para o navio. – Se sobrevivermos a isso, te pago a melhor cerveja e prostituta que encontrarmos!

— Se você morresse eu te matava, seu idiota! E quando sairmos daqui, eu vou cobrar!

Os dois foram içados de volta rapidamente em meio ao turbilhão, mas não tiveram tempo de se recuperar do baque e logo correram para auxiliar os colegas.

— Só mais um pouco, Rogue! – Gray gritou do topo do mastro, onde o nevoeiro estava menos denso. – Já estou conseguindo ver o fim!

— Que deus nos ajude. – Rogue murmurou enquanto fazia mais uma manobra.

Os movimentos para desviar das rochas que brotavam pela frente eram tão bruscos que o navio estava bastante instável. Não bastasse o que estava na superfície, o que estava submerso era ainda pior. Não sabiam o formato das rochas que estava por baixo da água e muito menos em que estado se encontravam os destroços que por ali estavam. Mas sentiam com toda certeza o fundo e as laterais do navio raspando, o que tornava o equilíbrio mais difícil ainda. Com certeza havia buracos e rachaduras e a água estava entrando. Precisavam sair dali logo ou naufragariam. Só mais um pouco...

Lucy voltou à superfície para pedir ajuda: havia um buraco no casco e estava entrando muita água, mas não conseguiu gritar, ao contrário, se silenciou, assim como todos os outros. Todos olhavam para a mesma direção, atônitos. O último obstáculo: um mastro caído que fechava o caminho entre duas rochas. As duas rochas que lhes dariam a liberdade. Não havia como desviar. Já estavam próximos demais.

— ROGUE!

Um grito então chamou a atenção de todos no convés, juntamente com os passos apressados. Gajeel corria em direção à proa, já desembainhando sua espada, completamente berserker. Lucy se assustou ao vê-lo, não parecia nem um pouco com o homem com quem lutara. Um guerreiro furioso, enlouquecido e incontrolável.

Gajeel se atirou para fora do navio e com um único golpe, cortou o mastro ao meio, e usando o impulso, se segurou em uma das partes, girou o corpo e chutou para longe a outra metade no exato segundo em que o navio o atingiria. O que é aquele homem? O que há com aquela força sobre-humana?

Ela teria mesmo alguma chance com ele lutando seriamente?

— É isso aí, Gajeel!

Sting jogou a corda para o homem que a pegou prontamente e começou a ser içado de volta para o navio. A atmosfera em todo o navio estava bem mais leve enquanto passavam pelo último rochedo. Aos poucos deixavam o nevoeiro também.

— Viu bem, Lucy? – ela se sobressaltou ao se deparar com o capitão ao seu lado. – Essa é a verdadeira força do Gajeel. Precisamos conversar logo sobre seu treinamento.

— ...Certo.

Logo se ouvia gritos de comemoração entre os marujos, mas a festa durou pouco tempo, pois o capitão ordenou que começassem as avaliações dos estragos e reparos imediatamente. Natsu engoliu em seco. Havia algo no diário que fora borrado pela umidade antes da estrofe sofre a ilha. Seria sobre esta armadilha que atravessaram? As coisas teriam sido diferentes se soubessem dela antes? Deviam suas vidas à habilidade de Rogue no timão, faria Sting pagar sua promessa para o moreno quando estivessem em terra firme novamente.

[...]

Rogue repousava na proa do navio. Após constatarem que não havia mais um perigo iminente, o moreno foi liberado para descansar um pouco, afinal, as manobras feitas exigiram bastante de seus braços, sem falar do cansaço mental. O balançar da embarcação ajudava a relaxar. Sabia que teria que aproveitar o máximo que pudesse esse breve descanso, pois a ilha já havia sido avistada. Assim como o capitão, Rogue também estava apreensivo quanto à existência da ilha. Ele suspirou constatando que a hora do descanso estava no fim, ainda assim, se manteve na proa até que recebesse alguma ordem.

O formato da ilha era espetacular. Conforme se aproximavam, os detalhes começavam a se tornar mais nítidos e era possível ver uma grande elevação se erguendo em sua costa, dando à ilha seu formato de lua minguante característico. Praias de areia branca e bastante vegetação para todos os lados. Era possível distinguir topos de edificações e telhados de palha mais próximos do monte, provando que era uma ilha povoada. A tensão começou a voltar. Não tinham a menor ideia de como seriam recebidos. Será que as lendas eram verdadeiras? Uma ilha protegida por demônios?

Quando já estavam a uma distância razoável da ilha, lançaram a âncora e uma pequena equipe formada por Natsu, Zeref, Gray, Rogue e Gajeel seguiu viagem em um bote a fim de fazer um reconhecimento. Quando estavam quase chegando à praia, próximo aos rochedos, Rogue avisou algo entre as pedras e após alguns segundos tentando identificar o que via, sem pensar duas vezes, se lançou ao mar.

— Rogue! O que você está fazendo?! – Gray gritou, enquanto remava com Gajeel tentando alcançar o moreno.

— Mais rápido! – Natsu apressou os rapazes assim que avisou o que Rogue estava buscando. – Tem alguém caído nas rochas!

O moreno nadou o mais rápido que pode até o rochedo onde viu o corpo preso entre as pedras. Ao chegar mais perto, se deparou com uma garota. Jovem, bela e albina. Rogue ficou impressionado com a beleza da garota e com a cor de seus cabelos, mas não tinha tempo para ficar admirando, os diversos machucados em seu corpo, e principalmente, o corte na cabeça, eram o que mais lhe preocupava. A garota estava inconsciente, e se não fosse socorrida logo, morreria ali, principalmente porque a maré estava subindo.

— Rápido, me ajudem aqui!

Os rapazes içaram o corpo para dentro do bote e Zeref imediatamente começou a avaliar os machucados. Ela ainda respirava e tirando o corte na cabeça, nenhum era sério, aparentemente. O que aconteceu com essa garota?

— Vamos voltar ao navio. Preciso começar a cuidar deste corte ou ela vai ter problemas sérios.

O silêncio se instaurou no bote enquanto remavam de volta para o navio. Estavam começando a se dar conta de que estavam com uma habitante de Galuna abordo. Ela não era nada parecida com a imagem que tinham na cabeça. Realmente imaginavam demônios andando sobre aquelas terras, não pessoas como eles. A cor de seus cabelos era o que mais chamava atenção. Nunca haviam encontrado alguém com cabelos genuinamente brancos sem ser por idade antes, e não Bryer não contava, Natsu tinha certeza de os cabelos dela eram tingidos.

— E então... Acham que ela é um demônio? – Gajeel quebrou o silêncio.

— Ela não se parece com um demônio. – Natsu comentou, olhando mais de perto. Ele ergueu um canto do lábio para checar se havia algum tipo de presa animalesca e por fim, um ligeiro rubor surgiu em seu rosto e um olhar curioso, com uma inocência que não enganava ninguém. Quando notaram para onde as mãos do rapaz se estendiam (precisamente para os seios dela), Zeref lhe deu um soco na cabeça.

— O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO, IDIOTA?!

— E-Eu só queria checar... Eles são quase tão grandes quanto os da Lucky! Ei Rogue, não precisa disso...- Rogue a abraçava contra si, a mantendo o mais longe possível do capitão. Seu olhar era de extremo julgamento.

— Como se eu fosse deixar ela perto de você agora, seu tarado. – o adjetivo lhe atingiu como uma flecha. – Você é uma vergonha, capitão. – outra flecha.

— Quem diria que você se afundaria a tal ponto. Você é uma decepção, Natsu. – outra flecha, dessa vez vinda de Zeref. – Devo me certificar de que você não chegue perto de Lucky.

— E de Cana.

— Ei! Isso não são modos de falar com seu capitão!

— Isso não são modos de se tratar uma garota! – Gray gritou – principalmente se estiver inconsciente, pervertido! – outra flecha.

O olhar dos quatro dizia: Você é um lixo!

— Perdão moça pelas atitudes desta desgraça.- Zeref se dirigiu à garota, mesmo ela estando inconsciente. – A abstinência e a falta de capacidade de cortejar uma dama levam este gorila a agir feito um estúpido.

— Está ferindo meus sentimentos!

— É preferível deixar a segurança das meninas nas mãos desse troglodita do Gajeel a um tarado com você! – Gray assentiu.

— EI! – Os dois idiotas gritaram em uníssono.

Um gemido da garota apartou aquela briga besta. Ela ainda estava inconsciente, mas parecia bastante incomodada, isso os trouxe de volta à realidade.

— Vamos voltar logo.

[...]

Surpresa estampava o rosto de todos os tripulantes ao verem a moça sendo levada para dentro do navio. Então realmente havia pessoas em Galuna. Lucy foi rapidamente prestar assistência a Zeref em seus cuidados médicos ao ver o estado da garota. Até pouco tempo, era ela quem estava em uma situação assim, era impossível não sentir empatia.

— Rápido, me passe minha maleta, vamos começar a limpar os machucados.

Suas roupas também chamavam atenção, eram simples, tribais, mas brancas como seus cabelos, com detalhes em azul. Também possuía uma capa branca com penas e uma rosa azul em seus cabelos.

— Ela não se parece com um demônio. – Sting comentou. – Parece mais um...

— Anjo. – Rogue respondeu.

Os rapazes se amontoavam curiosos para ver a garota de Galuna, o que começou a ser meio incômodo para Zeref e Lucy trabalharem, mas antes que protestassem, Cana tomou a voz.

— Certo, certo, já viram a garota, agora voltem ao trabalho! Não tem buracos pra tapar, não? Deixem os dois trabalharem.

Aos poucos a sala foi se esvaziando até sobrar apenas Zeref, Lucy, Natsu e Cana com a garota. Lucy limpava os ferimentos do braço enquanto Zeref cuidava do corte da testa. Natsu e Cana permaneceram em silêncio o tempo todo. O silêncio na cabine era incômodo, nunca viram Cana com um semblante sério, chegava a ser um pouco assustador.

Os dois pararam o que estavam fazendo quando a garota começou a se mexer. Aos poucos ela pressionou os olhos, começando a acordar. Constataram que seus olhos eram castanhos. Ela então percebeu que não conhecia o lugar que estava e que todas as pessoas que estavam ali, olhando para ela, eram estranhos. Nenhum era albino.

Ela arregalou os olhos e se ergueu num sobressalto. Seu coração parecia que iria sair pela boca e sua garganta secou. Eram estrangeiros! Eram estrangeiros!

— Moça? – Zeref tentou uma aproximação, mas ela se esquivou e tentou ficar o mais longe possível deles, mas se viu encurralada num canto da cabine.

— Peidiwch â fy mrifo!!

Os quatro se entreolhavam surpresos sem entender.

— Ble ydw i?! Pwy ydych chi?!

Lucy tentou se aproximar dela, com movimentos calmos, mas ainda assim, a moça continuava arisca, foi então que ela olhou para si mesma e se deu conta dos diversos machucados espalhados por seu corpo.

— AAAAAH!

Ela ouviu correria do lado de fora da cabine, havia mais deles. Ela estava sozinha em um lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas e machucada. Encurralada. Era uma presa. Foi então que atingiu seu limite. Ela desabou, seu rosto começando a se banhar em lágrimas.

Lucy então mais uma vez tentou se aproximar, dessa vez mais calmamente e com um olhar sereno para ela. A moça se abraçava encolhida no canto, chorando e soluçando bastante, mas a serenidade no olhar da loira fez com que ela baixasse a guarda um pouco. Apenas um pouco. Não havia qualquer resquício de malícia naquele olhar, aquela garota não iria lhe machucar.

— Calma. – Lucy estendeu a mão a ela e esperou pacientemente que ela se acalmasse. – Está tudo bem. Não vamos machucar você.

Ela olhou para a mão estendida, depois para os olhos de Lucy, e novamente para sua mão. Relutante, ela estendeu a mão para a loira. Ela tremia.

Então calmamente Lucy continuou a limpar o machucado das costas da mão e fez um curativo. Depois de terminado, Lucy estendeu novamente a mão para ela, num pedido silencioso para continuar os curativos e desta vez, ela cedeu mais depressa.

— Boa garota. – Lucy continuou os curativos. – Qual é o seu nome? O que aconteceu com você?

Agora que já estava mais calma, ela começou a prestar atenção nas palavras da loira. Já ouvira palavras assim antes, estudou elas quando criança e ainda se lembrava de algumas coisas, mesmo que vagamente. Era o dialeto do continente, mais precisamente de Fiore.

— Y-Yukino.

Todos olharam surpresos para ela por ela ter respondido. Ela se encolheu novamente pela reação imediata deles e eles se recompuseram na hora. Lucy tomou a dianteira novamente, já que Yukino parecia estar mais aberta a ela.

— Olá Yukino. Pode me chamar de Lucky. Estes são Natsu, Zeref e Cana. – Ela gesticulava e apontava enquanto falava — Fala nosso idioma?

— S-Sim.

— Que ótimo! Você está bem? O que houve com você?

— Onde estou? – Yukino arriscou uma frase, meio hesitante.

— Está no nosso navio. Encontramos você caída entre as rochas. Já estava machucada.

— Machucada?— A albina repetiu, não compreendendo a palavra.

Lucy então apontou para os ferimentos espalhados por seu corpo.

— Oh.

Houve silêncio por uns instantes, enquanto Yukino processava o que estava acontecendo. Então Lucy a chamou de volta.

— Yukino. Você permite que eu e Zeref continuemos a cuidar de você?

A albina assentiu após hesitar um pouco. Zeref então se aproximou e delicadamente tocou a testa da albina. Sua expressão dizia claramente o quanto estava doendo, então ele tentou ser mais gentil.

— Como chegaram até aqui? – Yukino perguntou observando melhor o entorno. Nunca vira nada parecido antes. Tantos livros, mapas e diversos objetos desconhecidos para si. Estava começando a achar aquilo fascinante, mesmo que ainda estivesse assustada.

— Atravessamos uma barreira de rochedos no mar, coberta por um nevoeiro assustador. Quase naufragamos. – Lucy respondeu terminando mais um curativo.

— Vocês derrotaram Ophiuchus?!

— Ophiuchus?

— É uma constelação mapeada desde os tempos antigos. – Zeref explicou para Lucy. – É mais conhecida como Serpentarius. Não é considerada exatamente um signo, pois o sol só permanece nesta constelação por 19 dias.

— Ophiuchus também é a serpente protetora da ilha, estou certa Yukino? – Cana se manifestou pela primeira vez.

Yukino confirmou, ainda um pouco acuada. Cana então começou a narrar a história.

“De uma promessa cruel, o descendente da lua nasceu.

Albino. Puro. Frágil. Abandonado.

O desejo maternal da Lua em partes realizado,

pois seu filho era de carne e osso, à morte fadado.

Apiedados da criança nascida, os espíritos da terra à Lua falaram,

E um acordo celeste assim foi fechado.

A proteção da criança, dos animais era tida,

E a Lua, pela ilha, o mesmo faria.

Dos céus então, desceu a gigante serpente, que do mar fez moradia,

E a qualquer mal que se aproximasse, um fim lhe daria.

Por garras e presas, a criança cresceu,

E a paz de Galuna jamais pereceu.”

Lucy ponderou sobre a narrativa. Então esta era a explicação para o cinturão de rochedos mortal que circulava a ilha. Estremeceu de imaginar que aquilo poderia ser uma serpente gigante.

— Conhece bem a história... – Yukino comentou, observando melhor a morena.

— Digamos que a Lua é minha musa inspiradora...

— Se Ophiuchus permitiu que passassem, assumo então que não possuem más intensões, estou certa?

— Não queremos fazer mal a ninguém. – Natsu se pronunciou. – Mas precisamos fazer reparos em nosso navio. Você permite que atraquemos para fazer os reparos?

A albina hesitou. Permitir que estrangeiros em Galuna? Isso não acontece há pelo menos 200 anos. Mas... Se Ophiucus permitiu... Confiava piamente em Ophiucus, ela jamais permitiria que estranhos mal intencionados atravessassem sua barreira, e eles salvaram sua vida. E se... E se eles fossem a solução para seus problemas?!

— Lucky? – a albina chamou.

— Sim?

— Permitirei que atraquem e usufruam da ilha, mas tenho uma condição.-

Yukino foi interrompida subitamente por batidas incessantes na porta.

— Capitão! Temos problemas! – Sting gritou do outro lado da porta. – Estamos cercados!

— O que?!

Red Lizard estava cercado por pequenas embarcações com pessoas albinas em trajes tribais a bordo. Todos usavam máscaras de animais e estavam armados de alabardas*, prontos para subir no navio e atacar. Há muito esta arma não era vista em ação, e também não gostariam de ver agora.

Todos estavam tensos no convés, com as mãos já no punho das espadas. Aguardavam apenas as ordens de Natsu. Contudo, quando este ia se pronunciar, Yukino entrou em sua frente e gritou para os habitantes de Galuna:

— Dewch ymlaen! Rhowch eich arfau i lawr!

— Tywysoges Yukino!

— Peidiwch â gwneud unrhyw beth iddyn nhw! Fe wnaethon nhw achub fy mywyd!

Todos abaixaram suas armas e se ajoelharam perante Yukino. Os tripulantes do Red Lizard se entreolhavam sem saber o que estava acontecendo. Quem era aquela garota?

— Yukino? – Lucy arriscou. – Quem é você?

A albina se virou para eles com um sorriso no rosto.

— Yukino Aguria. Segunda Princesa de Galuna. Prazer em conhecê-los.

Notas finais
*Alabarda é uma arma antiga composta por uma longa haste. A haste possui uma peça pontiaguda, de ferro, que é atravessada por uma lâmina em forma de meia-lua (parecida um machado), com um gancho ou esporão no outro lado. Confesso que não faço ideia se está certa ou não esta fala a Yukino, só joguei as frases no tradutor do Google pra galês. Mas se quiserem, aqui está o que eu queria dizer: "Não me machuque!!" "Onde estou? Quem são vocês?" "Parem! Abaixem suas armas!" "Princesa Yukino!" "Não façam nada com eles! Eles salvaram a minha vida!" E então, o que acharam? :)