Massacre
9 O coelho
Notas iniciais
Luther e eu estávamos dentro da pick-up, ainda vestíamos aqueles ternos sujos, eu dirigia enquanto ele limpava sua katana com um pano, era uma espada bem afiada...
—Como vamos encontrar o Jason? –O garoto me perguntou.
—Eu não sei me diz você.
—Não faço ideia... Frank, porque nós fazemos isso?
—Isso o que?
—Você sabe... Quer dizer... Toda a carnificina e caos que causamos, geralmente isso não me causa muito mal, minha vida já era então... Eu não sei como você faz pra levar tudo a diante e continuar são, bom, não é só a heroína que me ajuda a fugir de tudo.
—Você fala demais Luther, eu vivo tudo isso por diversão. –Eu disse enquanto olhava para a estrada.
O garoto ascendeu um cigarro e continuou...
—Sei lá cara, as vezes da vontade de extravasar e soltar a fera, nunca sentiu isso?
Eu fiquei em silencio e continuei dirigindo, Luther era fraco, nesse pequeno dialogo entre nós já deu para perceber, ele consome para fugir e vive para morrer.
—Quer saber como vamos encontrar o Jason? –Eu disse enquanto puxava de meu bolso direito um pequeno cartão –Esse é o telefone de uma lavanderia que achei no porta luvas do impala, se tivermos sorte...
–Nem ferrando que eles vão estar lá –Luther interrompeu.
–E temos escolha?
Estacionei a pick-up próximo a um telefone publico.
–Está com a caixa ai? –Perguntei.
—Claro, eu ando sempre com ela. –Ele puxou da parte de trás do carro uma caixa com alguns botões.
—Ótimo, nós não temos moedas então vá até aquele telefone e pegue o endereço do lugar.
Ele assentiu, saiu do carro, estávamos fora da cidade, era um lugar deserto demais para um telefone publico, só víamos a estrada e arvores dos lados, fiquei observando Luther enquanto ele caminhava até o telefone, olhei em volta, estava tudo tranquilo demais, ele ligou e obtivemos sucesso no contato, ele parecia sorridente por ter dado certo e começou a anotar o endereço do local no cartão, ele se virou e fez um sinal de positivo para mim, assenti com a cabeça e ele virou-se de costas novamente quando... BANG! Tudo que vi foi um buraco nas costas de Luther, o garoto caiu no chão –Merda! –Eu gritei enquanto saia do carro, logo em seguida vi saindo do meio das arvores o que parecia ser um homem com uma fantasia de coelho segurando uma escopeta de cano duplo, ele andava na minha direção, por um momento me assustei, eu estava desarmado, ele continuou caminhando lentamente em minha direção, corri até o corpo de Luther, ele estava de bruços no chão, virei o mesmo, saia sangue de sua boca e ele ainda respirava, balancei ele um pouco na esperança de acorda-lo, ele abriu os olhos, toquei em seu ferimento e senti dois buracos em suas costas.
–Luther, ainda sente suas pernas? Luther! –Eu gritava e o coelho carregava sua arma com seus cartuchos, o garoto balbuciava algumas coisas, mas nada totalmente perceptível. –Merda! –Eu disse.
BANG! O coelho atirou na pick-up e os vidros estavam destroçados, que filho da mãe! –Quem é você?! –Eu gritei, ele apontou a arma para mim mas logo pulei para a lateral do carro enquanto ele disparava destroçando ainda mais o meu carro BANG! Essa era a minha chance de pega-lo por trás, dei a volta pela pick-up mas fui surpreendido, o coelho já me esperava e seus dois canos se encontravam apontados para minha cabeça. –puta merda! –Essas foram minhas ultimas palavras antes do coelho mirar e atirar no meu peito BANG!
Abri meus olhos lentamente, meu peito estava ensanguentado e perfurado, o disparo me fez voar uns dois metros mas meu coração ainda batia e eu respirava rapidamente, o coelho estava bisbilhotando a pick-up, ele parecia familiarizado com meu carro, Luther estava desmaiado e já havia bastante sangue em volta dele.
–Ei! Seu cretino filho da puta! –Eu gritava –Vem aqui! Me da um tiro na cara e acaba logo com isso! –Gritava com todas as forças enquanto ele me ignorava –Ei! Eu to falando com você seu viadinho de merda! –Minha boca estava ensanguentada e no exato momento em que falei aquilo o coelho parou. –Hehehehe, não gosta que te chamem de viadinho né! Viado de merda! –O coelho pegou o esmaga cabeças e a katana de Luther, caminhou lentamente até mim enquanto eu cantarolava ofensas homofóbicas, eu realmente me divertia a beira da morte, o coelho parou em um ponto próximo de mim, colocou a arma, espada e taco no chão, continuou vindo em minha direção –Quer uma luta justa então? Hehehehe –Eu me levantei lentamente, tinha um pouco de dificuldades graças aos dois buracos no peito, estava quase de pé quando o coelho se aproximou e desferiu um chute bem na minha cara, cai no chão novamente, ele me levantou e deu uma sequencia de joelhadas em minha barriga e mais alguns socos na face, cai no chão novamente, dessa vez estava mais perto das armas, tentei alcançar algumas mas não obtive sucesso, o coelho me puxara pela perna e continuara a surra, subiu em cima de mim, eu estava de bruços, segurou-me pelos cabelos e começou a bater minha cabeça contra o asfalto da estrada, estava sangrando de mais, depois de bater minha cabeça contra o chão por sete vezes ele cansou, se levantou, pegou a katana e foi em direção a Luther, olhei para ele, me encontrava meio zonzo mas com muita dificuldade consegui me levantar, ele raspava a ponta da espada no chão, cuspi sangue e com ele uns três dentes se foram, limpei minha boca. –Ei! Filho da mãe! –Eu gritei e o coelho logo se virou, eu segurava sua escopeta e ele estava na minha mira. –Segundo round otário! BANG! Meu disparo acertou seu peito e pela distancia o impacto da bala o fez voar por volta de um metro e cair no chão, ele tremia e se debatia, ouvi alguns gemidos e gruídos, eu andava com dificuldade até ele, peguei a esmaga cabeças e agora tinha duas armas em mãos, chutei a espada para longe e apontei a escopeta para o coelho. –Olha só que cretino, não é tão fácil resistir a duas balas e uma surra né hehehehe, escuta aqui, eu não sei quem você é e não dou a mínima pra isso, mas você sabe quem eu sou, você viu o meu rosto e eu faço questão disso. –Mirei para o joelho do mesmo e atirei BANG!
–Haaaaaa! –O coelho gritava.
–Dói não é, dizem que o joelho é um dos piores lugares para se levar um tiro, divido que volte a correr normalmente ou a andar, eu só vou te dar uma dica seu comunista de merda, fica longe do meu caminho. Eu não quero ter que te matar, não sei por que, mas não estou com sede, já matei quatro homens hoje e não estou com vontade de brincar, mas se por acaso eu encontrar alguém pela cidade, com o joelho esquerdo machucado, amputado e o peito baleado, vou saber que é você e vou estar com sede enquanto isso acontecer, você estará vulnerável a mim e eu vou matar um por um até que chegue sua vez, eu vou beber o seu sangue e me alimentar da sua carne podre, seu miserável, cuidado para não esbarrar em mim. –Eu disse enquanto observava o coelho se debatendo.
O coelho continuava gemendo e gruindo de dor, coloquei Luther deitado no banco traseiro, os vidros já era mas o motor ainda funcionava, deixei a escopeta no chão e peguei a espada de volta, liguei a pick-up, dei ré em direção ao coelho e fiz o pneu traseiro passar por cima do joelho baleado do mesmo, seus gritos eram musica para meus ouvidos, peguei o endereço que Luther havia anotado, demos meia volta e seguimos para dentro da cidade em direção a lavanderia.
Resisti as dores dos hematomas causados pelo coelho cretino e continuei dirigindo, Luther tossia um pouco de sangue e eu o mantive acordado com o radio ligado, sentia o amargo gosto de sangue em minha boca, avistei de longe a motocicleta de Jason estacionada, parei a pick-up.
–Luther, consegue resistir aqui dentro sozinho? –Perguntei a ele, Luther assentiu com a cabeça, ele não conseguia falar, era mesmo um fracote.
Sai do carro com a esmaga cabeças e a marreta de Jason nas mãos, entrei na lavanderia, a essa hora do dia o sol já raiava, fui recebido com olhares estranhos, algumas mulheres observavam meus hematomas e outras sentiam pena do que estavam vendo, estavam todas assustadas e uma das atendentes tremia, olhei para ela e perguntei –Onde eles estão? –A chinesa rapidamente apontou para uma porta que se localizava no fundo do prédio e disse que era no ultimo andar, subi três andares e já estava no topo, abri a porta lentamente bisbilhotando e me deparei com o corpo morto do mafioso no canto esquerdo da sala, era uma sala grande, Erick estava de joelhos e um homem sentado em uma poltrona atrás de uma mesa de escritório apontava seu revolver para a cabeça de Erick, ao lado estava um dos jogadores de futebol da escola que aparentava ser filho do homem, ele estava de pé e desarmado, a sala era repleta de livros e algumas mesas e cadeiras de madeira, era como uma biblioteca particular ou uma sala de negócios, logo atrás do homem da poltrona existia uma janela gigantesca com vista para a cidade. Tomei coragem e entrei lentamente, Erick gritou meu nome e o homem disparou contra mim BANG, o tiro acertou meu ombro e eu não consegui reagir, Erick reagiu no exato momento sacando sua pistola taurus e atirando no peito do homem BANG, ele deixou sua arma cair, o garoto com casaco de jogador de futebol tentou reagir mas Jason acertara seu braço direito explodindo o mesmo BANG! Agora tínhamos o controle de tudo.
–Frank! O que aconteceu com você? –Erick perguntava enquanto observava meu rosto.
–Um imprevisto. –Respondi –Por que uma lavanderia? –Indaguei
–Serve apenas para lavar o dinheiro do tráfico de drogas, é uma das milhares que meu pai possui, esse homem é um associado dele, e esse é seu filho. –Erick me respondeu. –Eles tomam conta de algumas delas, enviaram aqueles cretinos para matar vocês e me mandariam de bandeja para meu pai me executar pessoalmente, se não fosse por vocês aqui...
Observei os dois sujeitos, colocamos o jogador de futebol sentado de frente para seu pai, amarramos seu braço e uma das pernas, a outra perna deixamos esticada em cima de outra cadeira, Jason colocou suavemente sua marreta em cima do joelho do garoto.
—O que vocês vão fazer? –O garoto chorava.
—Vamos amputar a sua maldita perna seu cretino! –Jason disse.
—O jogo é simples, você me fala onde encontrar meu pai e não deixamos o seu filho perneta... O que me diz senhor? –Erick perguntava com um sorriso malicioso no rosto, o homem já chorava pelo braço do filho e todos nós o encarávamos.
Não foi nada difícil, o homem não resistiu à tortura psicológica e abriu o bico, nos deu oito endereços diferentes onde poderia facilmente localizar meu pai, todos em locais diferentes da cidade, o pai de Erick estava hospedado lá á pouco tempo.
–Obrigado pela contribuição senhor. –Erick agradeceu e deu as costas, Jason no exato momento ergueu sua marreta e deu uma marretada certeira no joelho do garoto, a perna dele dobrou ao contrario e o sangue voava para todo lado, ele gritou muito, apenas observamos Jason fazendo seu trabalho.
—Seu maldito! Tínhamos um trato! –O homem gritava enquanto chorava e seu filho gemia e chorava de dor. –Tínhamos a porcaria de um trato Erick! –O homem gritava com todas as forças. Jason colocou sua Magnum na boca do mafioso e disse –Não fazemos trato com a máfia! BANG! O tiro de Jason atravessou a poltrona e o vidro da janela que além de perfurado estava ensanguentado, o mafioso caiu de cara em sua mesa, sua nuca estava totalmente deformada e o sangue logo se espalhou.
—Papai! Não! –O garoto gritava e chorava, saímos calmamente da sala com uma sensação de trabalho cumprido, agora precisávamos encontrar e matar o pai de Erick, eu queria cuidar do coelho sozinho.
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