Mask of Shadows
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Notas iniciais
Clarissa
Meu pijama é fino demais e a luz da minha lanterna pálida demais. Estou com frio e quero dormir, acho que nunca estive tão cansada. O treinamento é pesado, e não é nem a metade do que suponho que tenhamos pela frente. Suspiro, acho que isso não é nem o começo e já não sinto mus braços ou pernas. Se ao menos Sebastin nos ensinasse algo ao invés de nos assistir quebrar os braços... Afasto os pensamentos da cabeça, pois de uma hora para a outra, o clima foi invadido por uma tensão importuna. Paro aonde estou e viro vagarosamente para trás.
A fina faixa de luz acinzentada que sai da lanterna me fita de volta.
Não sei bem por quanto tempo estou caminhando. Talvez um minuto, talvez um século. Mas reconheço o lugar. Fica a poucos passos da sala de tatuagens, no mesmo lugar onde vi Magnus falando com a Velha. Não sei bem por quanto tempo estou esperando. Talvez um minuto, talvez um século.
*
Ouço passos e, por reflexo, ponho a mão na lanterna, cobrindo a luz. Eu poderia tela desligado, mas daria muito trabalho ligá-la caso ocorresse algum mal-entendido.
– Vamos, pare de se esconder, garota. Não temos a noite toda. – Fala uma voz manhosa. Presumo que esse seja o modo do Magnus de tentar não me assustar. Ao menos ele está tentando.
– O que quer dizer? – Pergunto, liberando novamente a luz da lanterna. – Quero dizer que chagar atrasado é um dom. Por enquanto estou só “charmosamente atrasado”, mas se ficarmos aqui enrolando vou estar “irritantemente atrasado”.
– Aonde vamos? – Quando Magnus me falou para encontrá-lo, não pensei que iria me mostrar algo, e sim me dar explicações. Agora ele está passando de “charmosamente misterioso” para “irritantemente misterioso”.
– Iremos á sala de tatuagens, é claro.
Maia
A sala estava abafada. Ontem, Jordan, meu mais novo amigo e técnico me instruiu a vir para a sala de tatuagens. Cá estou, cercada com um bando de gente estranha. Todos conversam e a maioria parece se conhecer, então me escoro numa parede e fico ali vendo o tempo passar ate que, finalmente, a porta se abre. Vu Alá, penso.
Um estranhamente belo garoto entra, acompanhado por uma pequena menina de cabelos ruivos. Os olhos dela estão curiosos e percorrem a sala ate se encontrarem com os de um garoto sexy de cabelos loiros. O garoto que entrou com ela parece irritado por não ter a devida atenção e vai em direção a mesa no centro da sala. Em seguida bate palmas três vezes e a maioria das pessoas se vira para ver o que ele dirá. Eu permaneço indiferente.
– Sejam bem-vindos, todos vocês. Antes de mais nada, gostaria de dizer, que a maioria aqui foi instruído por mim para que viessem a essa facção, no dia em que fizeram os testes. E, que quem não foi instruído por mim, foi pela pessoa que fez o seu teste. Correto? – Quase todas as pessoas se olharam ou se mexeram nos lugares, desconfortáveis. Ninguém quer ouvir que foi instruído a tomar a maior decisão de sua vida por um lunático.
– Ah, tão jovens. Vejam, eu tenho aqui comigo o verdadeiro resultado dos testes de vocês. Ou melhor, os verdadeiros resultados. Porém, á sempre um preço pela verdade. E dessa vez, é caro. Não posso dizer qual é, mas vocês podem optar por pagar ou não esse preço. Hm... Quem quiser saber a verdade, não só sobre si mesmo, mas sobre a história do mundo, levante a mão!
Olhei para todos e descobri, sem muita surpresa, que todos estavam olhando para todos. Então, vagarosa e timidamente, a ruiva levantou a mão. O loiro, que antes possuía uma face irônica e zombateira em relação ao que estávamos fazendo, levantou a mão automaticamente, parecendo surpreso. Então, um a um, todos foram levantando as mãos. Avalio minhas possibilidades. Eu poderia sair daqui, falar que isso é ridículo (e realmente é) e chamar todos eles de loucos. Eu poderia esquecer-me disso, não poderia? Não. Respondo para mim mesma. Não poderia.
Respiro fundo, vencida. E então, ergo a mão.
*
Vejo Magnus suspirar. Ele parece profundamente infeliz com a nossa decisão. Olho para o chão. Realmente quero tanto uma resposta? Não, não deve ser isso... De qualquer jeito, o que tínhamos a perder?
– Fizeram uma escolha lamentável, pateticamente... – Magnus! Obrigado, obrigado, mas pode deixar que eu mesmo falo de agora em diante. – Falou uma voz cansada. Olhei em direção ao som da voz. Um homem com cabelos castanhos, barba rala e olhos bondosos entrava na sala junto a Jordan. Não o reconheci, mas vi a garotinha ruiva se sobressair.
– Olá, pessoal. Meu nome é Luke, e irei instruir uma parte de vocês. Eu, See, Camy, Magnus e... bem, só nós, por hora. Vocês estão aqui por três motivos: primeiro, porque quiseram. Segundo, porque nós quisemos. E terceiro, para que não morram. Todos vocês tem alguma divergência. Iremos explicar isso melhor, mas antes teremos que fazer a divisão. Todos os 2 comigo. – Aparentemente ele achava que isso significava alguma coisa porque ficou surpreso ao não ter nenhuma reação.
– Hm, vejo que Magnus não falou nada a vocês... – Ele ia falando mais foi interrompido por um Magnus irado:
– Ah, desculpe se eu estava dando a eles a chance de escolherem!– Disse ele, com um ar sarcástico.
–Esta bem, está bem, desculpe. Então, por favor, dê os papeis a eles e faremos a divisão. – Aquilo pareceu irritar Magnus porquê ele simplesmente pegou os papeis e jogou para o ar. Vi Jordan pegando dois e vindo em minha direção.
– Você está bem? – Fiz que sim com a cabeça. – Desculpe ter demorado. Luke precisou da minha ajuda e eu achei que mesmo assim daria tempo... aqui, pegue. É importante. – Peguei um dos papéis que ele me ofereceu. Tinha a seguinte lista:
Alec: 3
Aline: 2
Clary: 5
Helen: 4
Isabelle: 3
Jace: 5
Jordan: 2
Maia: 2
Mark: 4
Melírion: 4
Sebastian Verlac: -
Sebastian Verlac, pensei. Ah, o treinador gato, porém vagabundo! Agora me lembro.
–Hm, atenção, atenção. Agora que todos já devem ter visto seus nomes, levantem a mão os do número dois. – Levantei a mão, não reparando em quem mais levantou.
– Vocês ficarão sobre minha supervisão ou a de Camile, ainda não decidimos. Números três? – Mais pessoas levantam a mão, mas não prestei atenção nelas. Estava ocupada observando as belas feições de Jordan. Ela me encarou e eu desviei o olhar, minha pele bronzeada disfarçando o rubor nas minhas bochechas.
– Vocês são de Magnus. – Magnus se levantou para protestar, mas ao ver quem lhe encarava, sentou-se, de repente mais relaxado. – Quatro? – Dessa vez, me concentrei em algo que não fosse Jordan e vi que apenas três pessoas ergueram a mão. Um menino e uma menina, ambos louros e um de traços finos.
– Vocês serão supervisionados por Seelie. – Ele pareceu engolir em se seco antes de voltar a ler. – Cinco? – Sua voz saiu num sussurro. O loiro e a ruiva, o casal que parecia prestes a se pegar, ergueu a mão.
– Vocês serão meus. – Ele fala. – Hoje á noite, irão encontrar uma folha contendo o motivo disso tudo, uma folha com respostas. – Falando isso, ele se levantou e saiu. Aquilo pareceu a deixa para as perguntas e murmúrios.
– Maia? Pode me acompanhar por um momento? – Fiz que sim, e fomos juntos para fora daquela sala.
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