Mask of Shadows

9 Figths, Part 2.


Notas iniciais
“E estas crianças nas quais você cuspiu Enquanto elas tentam mudar seus mundos São imunes a suas consultas Eles estão bastante atentos ao que eles estão passando” Changes, David Bowie (P.S.: Luto. Meu artista preferido, meu amor. Luto. Deixo esse capítulo em homenagem a ele, mesmo com todos os seus defeitos de escrita hehehe). P.O.V: Aline, Jace, Clarisse.

Aline

— Ainda não acredito que fizemos isso. Nós realmente... —Tento falar, no meio de minhas próprias gargalhadas.

— Se nos pegarem... Bem, não quero pensar em “se nos pegarem” — Responde Helen. Ela tem mechas loiras cobrindo os olhos. Está linda, segurando a garrafa de bebida roubada. Cortesia de Isabelle, que queria dar uma “amostra” do quê teria em sua festa. Bem, a bebida não era das piores.

Poder prová-la é que foi o problema. Saímos á tardinha, na surdina, e nos escondemos no trem. Helen achava que ambas já estavam bêbadas quando aceitaram aquilo. Isabelle conseguia, porém, ser muito persuasiva. Helen também dizia que as duas deveriam estar treinando, pois a época lutas chegou. Mas, agora, já não tinha mais reclamações.

As duas haviam se mandado quando foi anunciada a luta do dia: Alec e Jace. Ambos eram amigos e lutadores natos. No meio de uma luta dessas, ninguém sentirá nossa falta. Vamos, não teremos outra chance, dissera. Tempos atrás, poderíamos ter saído á noite, como muitos ainda faziam. Mas seria burrice, agora que a fase das lutas começou. Qualquer dia pode ser o nosso dia de lutar, e ninguém iria querer lutar após uma noite mal dormida.

Já iria sussurrar qualquer coisa no ouvido de Helen, quando vejo vultos de longe, na janela. Shii, sussurro, cobrindo os lábios com o dedo. Descemos do banco para o chão e engatinhamos até o último vagão, atrás de um banco. Ouvimos passos, vozes adentrando o trem. O trem que deve estar fedendo a bebida, que Helen derramou. Ah, não, penso, me desesperando.

— Fale logo. Acha que os dois vão lutar pra sempre? Eu queria ver. — Uma voz, que já ouvi antes. Mas não me lembro aonde ou quando.

— Seja mais respeitoso ou não falará durante um bom tempo. Tenho noticias. Bem, o trafico está aumentando. Não sei os números, tenho poucos dos meus infiltrados, mas parece muito. — Ronrona uma voz que parece ter sido feita para ronronar.

— Então... sabe, pelo menos, quem encomendou? Sabe se são os soros? Não podem ser os soros de novo. — Ele, uma voz masculina, fala.

— Não, não sei. Mas aqueles números... — O ronronar se interrompe.

— Vamos. — Responde a voz masculina.

Ficamos quietas até termos certeza de que eles já foram. Calmamente, nos levantamos e pegamos a bebida. O odor de perfume feminino encobriu o do álcool e, pelo cheiro, eles não chegaram nem ficar no mesmo vagão que tinha a poça. Poderiam ter reparado, se quisessem. E, se membros da Audácia não reparam em uma prova do crime, deve ser uma preocupação enorme.

— Antes... antes, nós saímos. Depois conversamos, está bem? Eles podem voltar. — Eu não acredito que eles voltem tão cedo, porque parecem ter interrompido a conversa pela falta de tempo, mas a perspectiva de qualquer um nos pegar me assusta. Pelo jeito, assusta Helen também.

Decidimos esconder as bebidas numa árvore oca, e voltar depois para pegar. A luta já deve ter acabado a essa altura. Após um tempo, Helen finalmente pergunta.

— Eles falaram de um soro, mas... Aline, o que houve aqui? — E, por uma vez, eu não sei o que responder.

Clarissa

Aconteceu muita coisa depois da luta de Simon. Foi horrível. Mas, Bat diz que, devido á minha facção não vi nem um pouco de violência. Ele diz que aquilo não foi nada, foi curto e será bem pior.

Tenho me tornado amiga de Bat, desde que Simon lutou. Ele me segurou quando eu comecei a lutar, espernear e gritar. Queria pará-los, mas não pensei... estava fora de mim. Completamente fora de mim.

Simon acordou uns minutos atrás e me pediu para deixá-lo sozinho. Então, estou vagando pelo complexo durante o tempo livre, vendo o estranho clima de agitação no ar. Pelo visto, perdi alguma coisa enquanto estava enfurnada, me sentindo completamente culpada, ao lado do meu melhor amigo.

De repente, sinto alguém agarrar meu braço.

— Achei você. — Sinto bastante raiva naquela voz. Isabelle, me puxa me arrastando por corredores em que nunca estive. Ela não diz palavra alguma, e resolvo ficar quieta. Provavelmente, teremos mais uma reunião com Magnus. É pra ser hoje.

Aquele não é o caminho da sala de tatuagens, mas podem ter mudado a localização.

— Pra onde está me levando? — Não resisto. Algo me diz que não é pra uma reunião. Não á luz do dia. Esse mesmo “Algo” me diz que não deveria me deixar ser conduzida por alguém que parece a ponto de me socar. Paro e puxo meu braço.

— Pra. Onde. Nós. Vamos? — Fala, pausadamente. Ela explode.

Ele tinha chamado por você. Não por mim, não por Robert ou Maryse, não por Alec, por você. Mas, sabe, quando você hospitaliza o melhor amigo e se dá conta disso, têm mais preocupações do que uma menininha que não vai passar da primeira etapa. — Seguro o pulso dela, á impedindo de seguir caminho, mas solto-o quando vejo o olhar que ela me dá.

— Espera... Eu não sabia... Pode me levar até lá? Por favor? — Minha voz saiu tremula, pedinte, assustada e covarde. Tive que engolir meu orgulho, quando ela se virou novamente para repetir: — Por favor.

— Cala a boca e me segue.

Bat

Hoje tinha luta, novamente. Pensei que a ruivinha fosse vir, desejei que ela viesse. Precisava que ela me segurasse, como eu a segurei. Porque, quando vi Maia entrar na arena com Jordan, tive que me controlar para não ir pra lá. Eles estavam bem, agora. Mas mesmo na Abnegação, ouvi boatos.

Andei com Jordan e Maia desde pequeno e os dois sempre foram muito próximos, mas... tempos atrás, o garoto se descontrolou. Nenhum de nós se encaixava e todos nós sabíamos que deixaríamos nossa facção, mais cedo ou mais tarde. Acontece, que Jordan optou por mais cedo. Ouve um tempo... eu tinha 14 anos. Jordan e Maia idem. Ele se revoltou. Passou uma noite fora de casa e quase foi expulso. Não sei como o deixaram ficar, mas ele brigou com Maia naquela noite. E, eles ficaram sem se falar até poucos dias.

Quando Jordan subiu no ringue, ele estava abismado. E eu? Eu estava tremendo de raiva. Quando deu o primeiro soco, fiquei enojado. Quis vomitar e, juro, quase o fiz. Ele dá mais dois chutes e socos, até que Maia revida. Ela parece revolta e magoada, mas faz bem o trabalho. Desfere um soco no rosto, outro no abdômen. Quando Jordan se curva, chuta-o até fazê-lo cair. Lá, continua chutando-o até perceber o que faz. Então para. Para e olha pra mim, que viro o rosto. Não quero olhá-la assim, ferida. Então, olha para Robert, que está supervisionando as lutas.

— Desiste? — Pede Robert, sem resposta. — Desiste, Jordan Kyle?

Jordan emite um ruído e Maia sai da arena. Ela passa por mim mancando.

—Maia... Eu ajudo você. — Ofereço. Ela olha pra mim, com seus redondos e escuros olhos. Balança a cabeça e passa reto. Um gesto de desaprovação.

Ajudo a tirar Jordan dá arena e levá-lo ao dormitório.

Jace

Se eu olhar pro lado, consigo ver Alec desacordado. Nunca brigamos assim antes. No início, ele deixou eu bater nele. Só queria que aquilo acabasse, erao que ambos queríamos. E eu o fiz. Então parei, e olhei pra Sebastian, e passei a dar leves soquinhos e lutar encenando. Mas Sebastian logo percebeu, aquele demônio.

— Ora, ora, parece que esses dois acham engraçado “brincar” de luta. O que foi, não aguentam a pressão? Vamos fazer assim: se nenhum dos dois parar na maca, os dois vão pra rua. A Audácia não tem espaço para covardes e maricas. Comecem. — Gritou. Seu rosto me da nojo.

A partir daí, cada golpe desferido parecia mais doloroso do que o recebido, e nós dois paramos aqui, no final das contas. Nesse lugar fedido e branco, deitado na maca como um perdedor. Relaxo, conforme vou acordando. Minha recuperação é maior que a da maioria.

Ouço passos apressados e logo Izzy entra no quarto como um furação, empurrando Clary e vindo me abraçar. Logo, vai até a cama de Alec e pega sua mão.

— Ele acordou alguma vez? — Pergunta.

— Não, mas acho que em breve. Izzy, pode me trazer uma maçã? — Pergunto, sorrindo de canto.

— Folgado. — Resmunga, mas me da uma colher de chá pelo meu estado físico.

Clary me olha, apreensiva.

— Qual é, eu estou novinho em folha. Alec vai demorar mais que isso. — Digo.

— Se você está bem, ele também vai ficar. Foi quase exatamente a mesma proporção de golpes, estilo de luta, tudo. — Diz, observadora.

— Primeiro, Alec nunca vai ficar como eu. Eu sou bonito de mais, até machucado. Nós treinamos juntos desde pequenos, então nosso estilo de luta só é diferente nos mínimos detalhes... — Começo, quando uma criatura purpurinada me interrompe.

— Permita-me dizer que engana-se, Jonathan. — Diz Magnus, com um sorriso convencido, vindo do além.

— Sobre ser bonito de mais? Talvez o adjetivo para isso seja algo como “magnífico” ou “esplendoroso”, ou talvez nenhum adjetivo seja capaz expressar o tamanho da minha magnitude. — Respondo. Izzy adentra o quarto.

— O que houve, pra que tanta gente? Deixem o meu irmão! — Exclama, me jogando a maçã. Pisco pra ela em agradecimento, e dou uma dentada.

— Só vim trazer uma coisa. — Diz Magnus, depositando uma pote arredondado, com aspecto de pomada, sobre a mesa de cabeceira de Alec. — É para os ferimentos do seu irmão.

Izzy agarra a pomada de antemão.

— Isso é muito bom, é de outra época... Aonde conseguiu? — Pede. A Audácia adotou a alguns anos a politica de que após as lutas, o processo de recuperação deve ser o mais natural possível, quase sem o uso de medicamentos. "A dor também faz parte da Audácia, e é o que se ganha por ser um perdedor."

— Tenho meus contatos. Guarde em segurança, e compareça a próxima Reunião. Será importante. — Fala Magnus, nos deixando sozinhos.

Estou prestes a dar mais uma mordida, quando Clary pega a maçã da minha mão e o faz por mim, com uma expressão de curiosidade extrema.

Notas finais
to pirada no malec galera fic saiu do HIATUS pela leitora nova q me reanimou e pq eu queria colocar uma música no bowie nas iniciais
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.