Mas O Que É Mesmo O Amor?
4 Sofrimento
Tudo acabou. TUDO.
Ele não ia ser seu... Ele já era de outra. Outra que, mais antipática, Lizzy nunca poderia imaginar. Seu coração, que antes palpitava de esperança e saudade, agora doía. Uma dor que parecia que nunca ia sarar, que ia consumi-la até o fim de seus dias. Um sentimento de perda, de vazio, de ódio.
“Mas que droga, é isso que é o amor?” pensou Lizzy chorando.
Já era noite, a menina se encontrava agora em sua cama nos aposentos da Grifinória, todas as suas colegas dormiam enquanto Lizzy sofria por dentro, sentindo como se seu coração tivesse sido arrancado do corpo.
“Como ele pode fazer isso? Como ele pode se envolver com aquela... aquela...” – Lizzy não encontrava palavras em sua cabeça para defini-la. “E com aquele nome... Bellatrix... será possível que ele não se sente mal? Como ele consegue? Não pode ser, não pode ser...”
Lizzy chorava baixo para evitar que as outras meninas acordassem, mas não sabia como evitar sentir essa dor insuportável no coração. “Não entendo, não entendo... era pra dar tudo certo. Era pra ser esse o ano em que eu iria conseguir... Eu... Eu ia falar com ele...”
Lizzy chorava mais a cada pensamento que vinha em sua mente. Começou a lembrar-se novamente do primeiro dia de aula, do que sentiu quando viu aqueles olhos negros tão lindos, do sentimento de certeza que a invadiu, certeza de que aquele era o amor da sua vida e, ao mesmo tempo, certeza de que nunca seria seu. A diferença de idade, a hierarquia, a guerra que estava próxima de acontecer, o passado dele como Comensal da Morte... Tudo isso eram obstáculos que fizeram com que a menina guardasse os sentimentos a sete chaves dentro de si, até os seus 16 anos, quando tudo mudou.
Um ano atrás, a guerra aconteceu. Harry Potter venceu Voldemort. Tudo mudou. Seu amado foi encontrado à beira da morte devido ao ataque de Nagini, mas sobreviveu. Alguém o salvou, algum Mestre em Poções tão bom quanto seu amado, ela não sabia quem era, mas seria eternamente grata àquele que fez isso. E tudo ficou esclarecido... O dono dos olhos profundos era bom, sempre esteve ao lado de Dumbledore e foi inocentado perante todos do mundo bruxo. Lizzy, no fundo, já sabia. Ela se recusava a acreditar que se apaixonaria por alguém que não tivesse um bom coração. As roupas negras, a capa esvoaçante, os cabelos e olhos negros e a expressão de quem nunca estava de bom humor nunca a enganaram. Para os outros, o morcegão de Hogwarts. Para Lizzy, uma alma atormentada, que só precisava de amor.
Quando se deu conta de que poderia ter perdido seu amor para a guerra, Lizzy tomou uma decisão. Devia tentar, ao menos tentar. Não tinha nada a perder, era seu último ano em Hogwarts. Não poderia deixar que o tempo passasse mais e corresse o risco de ficar sem ele. Agora, imaginava, ele estaria mais aberto a isso. Suas responsabilidades para com Dumbledore e Harry Potter acabaram, ele não tinha mais com o que se preocupar, não precisava mais sofrer. Ele poderia, enfim, ser feliz. E Lizzy queria ser essa felicidade. Embora ela tivesse medo de ser rejeitada, precisava arriscar. Precisava dizer a ele o que sentia. Precisava, ao menos, ouvir um não de seus lábios finos. Somente assim ela acalmaria seu coração, sua alma. Ao menos assim, saberia que tentou.
Mas a oportunidade se foi. Agora ele estava com ela. Com Bellatrix Delair. “Aquela bruxa loira estúpida”, pensou Lizzy. Tudo acabou. Não haveria outro momento, ele já havia encontrado a felicidade, e não era com ela. A dor voltou ainda mais forte. Mais lágrimas. E Lizzy lembrou-se de quando, ainda pequena, treinou diversas vezes no espelho, aquele mesmo espelho de seu quarto, como diria a verdade, se tivesse coragem.
“Severus Snape... eu amo você.”
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