Mas O Que É Mesmo O Amor?
13 A Volta Pra Casa
Notas iniciais
Obrigada a quem comenta, le, acompanha.. vocês fazem minha vida de escritora muito mais feliz ♥
Lizzy já havia decidido: Passaria o feriado de Natal em casa, com seu pai. Não queria ficar sozinha no castelo e Eric já havia avisado que teria que viajar com os pais. Ele chegou a convidá-la para ir junto, mas a menina declinou do convite dizendo que era melhor passar o feriado com seu pai, que ficava durante todo o ano sozinho. Eric entendeu e não desconfiou que, na verdade, Lizzy estava evitando a possibilidade de estar com ele em um lugar diferente, com oportunidades para mais declarações.
Embora tivesse visto tudo que acontecera entre Lizzy e Snape na noite da festa do Dia das Bruxas, Eric resolvera não contar nada à amiga. No fim das contas, os males tinham sido para o bem: o morcegão velho provara que era um grande babaca e Lizzy havia se afastado dele definitivamente. Eric resolveu aproveitar o momento para se aproximar ainda mais da melhor amiga, buscando sempre mostrar a ela que somente esperava a sua resposta para amá-la como ninguém mais poderia.
Ao menos uma vez por dia, o rapaz lembrava a Lizzy que a amava. Ela não via como poderia esquecer disso tão cedo, mas Eric dizia a cada café da manhã, almoço ou jantar, que sempre esperaria por ela, esperaria ela esquecer de vez o “seboso” e olhar finalmente para ele. Lizzy não gostava do jeito como Eric falava de Severus, mas não dizia nada para não magoar mais o amigo. A amizade de Eric, embora um tanto abalada depois da declaração feita por ele no dia das bruxas, ainda era algo que a menina prezava muito e não gostaria de perder. Além disso, já estava na hora de parar de pensar em Severus, não se falavam desde a festa, desde que aquele beijo aconteceu... Desde que ele a decepcionou. Sempre que se lembrava disso, as lágrimas ameaçavam rolar, mas controlava-se para que Eric não percebesse.
No dia marcado, os amigos pegaram o trem de volta para Londres, onde encontraram James, o motorista de Eric, que levou Lizzy em casa antes de levar o rapaz até seus pais, para iniciarem a viagem. Lizzy agradeceu pela carona e concordou com a cabeça ao ouvir as últimas palavras do melhor amigo.
- Lizzy, qualquer coisa, pode me mandar uma coruja. Eu volto por você a qualquer momento. Eu te amo, não esqueça.
Enquanto o carro saía, Lizzy acenava para o amigo, despedindo-se. Quando viraram a esquina, Lizzy entrou em sua casa. Como sempre, estava uma bagunça. O pai nunca se preocupou em arrumar nada e, somente nas férias, quando Lizzy se esforçava para manter tudo no lugar, parecia que aquilo era um lar de verdade. Olhando agora, mais parecia uma casa abandonada. Roupas no chão, caixas de pizza, garrafas de cerveja... Lizzy respirava fundo ao ver tudo aquilo, não devia se irritar, não era uma boa opção. Subiu até o seu quarto, onde guardou suas coisas e respirou fundo. Sua vida estava uma bagunça ainda pior do que sua casa. Não queria ter voltado, mas não podia ficar em Hogwarts. Não sozinha com seus pensamentos, que insistiam em levá-la até aquele dia na Floresta...
- Pai, estou em casa! – gritou enquanto descia as escadas, procurando o velho gorducho pela casa.
Olhou em todos os cômodos, aproveitando para arrumar algumas coisas por onde passava. Só foi encontrá-lo jogado na escada que levava ao porão, com algumas garrafas de cerveja ao lado. Como Lizzy já estava acostumada com isso, não se desesperou. Tentou chamar o pai, mas ele não acordava. Já cansada de tudo aquilo e lembrando que podia fazer magia fora de Hogwarts, ela pegou sua varinha e disse, baixinho, “enervate”, enquanto apontava-a para o pai. O homem começou a acordar e viu quando Lizzy escondia a varinha no bolso.
- O que você fez?? – perguntou, desesperado, tentando se levantar, sem sucesso.
- Nada, pai, só acordei o senhor. Estava caído na escada, fiquei preocupada e...
- Eu vi você usando esse negócio... Essa varinha, essa coisa do seu mundo. O que você fez comigo?? – o velho estava visivelmente bêbado e caía cada vez que tentava novamente ficar de pé.
- Já disse ao senhor, não fiz nada. Apenas o acordei com um feitiço, só isso!
- Eu não acredito – ele estava histérico – Você e sua mãe, são duas... Duas abominações! Mexendo essas varinhas, fazendo feitiços... Vocês acham que são melhores que nós, não é???
Lizzy buscava ao máximo não se irritar.
- Não, senhor, não é nada disso, eu apenas...
- Não me interessa! – gritou o homem, finalmente se levantando aos poucos. – Eu não quero saber! Eu quero tudo isso fora da minha vida! Não aguento mais! Eu só quero que você termine essa merda de escola e volte pra cá, e viva uma vida normal, sem essas loucuras!
Lizzy procurara manter-se calma até aquele momento. Mas, ao entender o que estava acontecendo, não podia mais ficar calada. O pai não queria que ela vivesse no mundo bruxo depois de Hogwarts. Queria a menina em casa, vivendo uma vida de trouxa, como ele. Ela jamais aceitaria isso.
- Pai, eu respeito muito o senhor... Mas isso eu não vou fazer nunca! Eu pertenço mundo bruxo, e é lá que eu vou ficar! – Lizzy não escondia a irritação.
- E vai viver de que? Se eu que te sustento? Você acha que a vida é fácil? Ou vai só sacudir essa varinha e o dinheiro aparece? Hein? É isso?? – o velho esbravejava.
- Eu vou trabalhar, pai. Lá existem empregos, nada é fácil como o senhor acha. Eu não posso viver aqui, eu não sou uma trouxa, eu sou uma bruxa! – Lizzy gritava, chorando – Eu sou uma bruxa, vou trabalhar numa escola de bruxos, me casarei com um bruxo e você terá netos bruxos, como eu!
O pai se sentiu decepcionado com essa resposta. Nunca imaginara que a filha fosse preferir viver com os loucos e não com ele. Olhou sério para Lizzy.
- Já chega. Você não é mais minha filha.
Lizzy ia tentar argumentar, quando o pai, cabisbaixo, passou por ela, abriu a porta de casa e determinou.
- Se é assim que você quer, vá viver tudo isso fora daqui. Eu não quero mais aguentar essas coisas. Se quiser viver uma vida comum, fique. Se quiser viver com um bando de malucos, como você disse, pode ir embora. E nunca mais volte.
Lizzy não acreditava no que ouvia. Seu pai mudara muito desde que a mãe foi embora, mas nunca imaginou que chegaria a esse ponto. Expulsa de casa... Para onde iria? Não tinha como pensar nisso agora. Pensou em pedir desculpas, em tentar ficar. Mas não podia. Não iria mentir para si mesma desse jeito. Respirou fundo, resignada e apenas pediu ao pai que pudesse ir ao quarto pegar suas coisas.
- Faça o que quiser. – ele disse, dando-lhe as costas – Só esteja fora daqui o mais rápido possível.
Enquanto guardava suas coisas, Lizzy tentava não chorar. Nunca imaginou que isso fosse lhe acontecer, principalmente agora que estava tão frágil, tão sozinha, precisando de proteção. Expulsa de casa pelo próprio pai. Algumas lágrimas começavam a rolar, e Lizzy as secou com violência. Precisava ser forte. Não podia contar com ninguém agora. Eric provavelmente já estava viajando, não ia incomodá-lo com nada disso. Eram seus problemas e ela teria que resolvê-los por si mesma.
Terminou de guardar suas coisas e encolheu suas malas, colocando-as nos bolsos. Ao sair, deu uma última olhada para o pai, que agora estava sentado no sofá com uma cerveja na mão, vendo televisão.
- Adeus, pai. – disse a menina, pesarosa.
- Adeus. Só volte aqui quando quiser ser normal de novo. – o homem nem ao menos a olhava.
Lizzy saiu pela porta sem conseguir mais conter as lágrimas. Tinha certeza que nunca voltaria, não sob estas condições. Não sabia para onde ia ou o que faria nessa nova situação. Saiu andando pela rua, tentando buscar uma saída, uma solução pra resolver o seu mais novo problema. “Como se eu já não tivesse tantos outros”, pensou a menina.
Caminhando sozinha pela rua, lembrou-se do tempo em que ela e o pai ainda eram uma família feliz. Quando a mãe estava com eles. Tudo era tão diferente... Os pais eram felizes, se amavam... Tiveram a primeira filha e William nunca se incomodou em saber que era uma pequena bruxinha, como a mãe. Ele ria dos pequenos feitiços que Lizzy fazia sem saber e chegou a dizer um dia que teria orgulho de ver sua filha em Hogwarts... Ambos fizeram uma grande comemoração quando Lizzy recebeu sua carta aos 11 anos. Levaram-na até a Estação, onde se despediram da filha com lágrimas de orgulho...
Mas tudo mudou quando sua mãe foi embora pouco tempo depois. Ela não se despediu, apenas deixou um bilhete dizendo que não a esperassem. Ela não voltaria mais. Ela havia ido para o mundo bruxo, para viver como sempre achou que deveria. No fundo, se arrependia de ter casado com um trouxa, isso era claro, embora ela não tenha dito. O pai sofreu como nunca... E desde então, nunca mais fora o mesmo. Tornou-se amargurado, descuidado, nervoso, bêbado. Lizzy só ficou sabendo do destino de sua mãe quando voltou do primeiro ano letivo em Hogwarts para as férias... Ao chegar em casa e não encontrá-la, chorou desesperadamente e perguntou ao pai o que havia acontecido.
Ele somente respondeu:
- Ela se foi. Nunca mais voltará pra essa casa.
Lizzy não entendia. Como a mãe a havia deixado? Isso não fazia sentido...
- Mas, papai... Onde a mamãe foi? – a menina perguntava, confusa.
- Não sei. E não interessa. O que importa é que você vai deixar essa escola bruxa este ano. Virá estudar aqui, com as outras crianças normais.
Lizzy sentira um choque. Não bastasse perder a mãe, não poderia também abdicar de sua formação em Hogwarts. Ela pertencia àquele lugar. Chorou ainda mais e implorou ao pai que a deixasse continuar na escola. Havia tanto lá para ela... As aulas, os feitiços, o mais novo melhor amigo, as poções... Snape...
O pai, comovido com o sofrimento da filha e não querendo magoá-la ainda mais, concordou que ela continuasse seus estudos. No fundo, manteve a esperança de que um dia isso tudo terminaria e Elizabeth voltaria para sua vida normal, esquecendo daquela loucura de bruxaria.
Lizzy, depois de um tempo, descobriu o que acontecera com sua mãe. Ela casou-se novamente com um bruxo, mas, antes que pudessem começar a viver sua felicidade juntos, foram mortos por Comensais da Morte, logo que Voldemort voltou. Ela ainda se lembrava de ter se trancado no banheiro do quarto das meninas para chorar ao saber da notícia, que leu no Profeta Diário. Eric ficou na porta aguardando a menina para consolá-la, mas, quando Lizzy saiu, parecia que nada havia acontecido. Ela já havia se recuperado e somente disse:
- Não quero nunca mais falar sobre isso.
O rapaz a respeitou e nunca mais tocaram no assunto. Lizzy também não teve coragem de contar a verdade ao pai, pois saberia que ele sofreria ainda mais. Resolveu esquecer que um dia tivera uma mãe, uma mãe que a abandonou e abandonou o homem que a amava.
Lembrando-se de tudo isso, Lizzy compreendia a amargura do pai ao saber que ela, também, preferia o mundo bruxo. Mas não era algo que pudesse evitar... Fazia parte dela, ela nasceu assim. De súbito, teve a certeza de para onde deveria ir nesse momento em que não tinha mais onde morar. Só havia um lugar no mundo em que ela poderia ir, sabendo que teria um lugar para ela. Hogwarts. “Como vou chegar lá?”, pensava, quando, de repente, lembrou-se: “O Noitibus Andante!”. Nunca havia usado esse transporte, mas sabia como funcionava. Levantou sua varinha após olhar para os lados e perceber que não havia quase ninguém por perto e, em apenas alguns segundos, o ônibus apareceu. Parou exatamente na frente de Lizzy e abriu a porta da frente para que a menina pudesse subir.
- Boa tarde, menina! – disse o motorista. – Para onde quer ir?
- Boa tarde, senhor. – respondeu Lizzy, sempre muito educada – Pode me levar para Hogwarts?
- Hogwarts? No Natal? A Srta não deveria estar com sua família? – o motorista perguntou, preocupado.
- Exatamente, senhor. – disse Lizzy, séria. – Estou indo para o único lugar em que tenho algo parecido com uma família.
O motorista sentiu pena da pobre menina. Sorriu para ela, enquanto se preparava para arrancar com o automóvel.
- Então está bem! Pode entrar e boa viagem!
Lizzy tinha alguns trocados no bolso, o que foi suficiente para pagar a passagem no Noitibus. Entrou e sentou-se ao lado de uma janela, onde ficou observando as ruas passarem depressa, tão depressa que ela não podia distingui-las. Mas não se importava. Agora, tinha certeza, estava indo para casa. Sua única casa.
Notas finais
Obrigada novamente por tudo!!
Bjs e até o próximo!!
Fale com o autor