Notas iniciais
Capítulo especial! Obrigada a quem comentou, a quem acompanha, a quem lê e gosta.. vocês são incríveis =)

Espero que gostem!

O tempo passou em Hogwarts, e os alunos já começavam a se preparar para a tradicional festa do Dia das Bruxas. Eric convenceu Lizzy a participar da festa com ele, embora a menina não estivesse animada para nada desde a última conversa que tivera com Snape, semanas antes. No final de semana anterior à festa, os amigos foram a Hogsmeade, onde Eric comprou um lindo vestido para Lizzy, que, embora agradecida, sentiu-se mal por usar o dinheiro do amigo.

- Eric, eu não preciso de nenhum vestido, posso ir com qualquer roupa... – insistia ela.

- Nem pensar! Não vou deixar você ir para a festa com suas roupas comuns, você tem que estar deslumbrante para que todos vejam o quanto você é linda! Faço questão de te dar esse vestido e não aceito não como resposta! – disse ele, animado.

Lizzy não teve como discordar e aceitou sorrindo o presente do amigo. No dia da festa, combinaram de se encontrarem apenas no salão principal, para não se virem arrumados antes do início da festa. Eric chegou primeiro, ansioso para ver Lizzy naquele lindo vestido que havia comprado para ela. A festa já havia começado quando Lizzy chegou.

O vestido vermelho longo com duas alças finas deixou Lizzy ainda mais linda do que era normalmente. Com um pouco de maquiagem e lindas joias também dadas por Eric, Lizzy parecia uma princesa que descia as escadas de seu próprio castelo. Seu cabelo estava preso em um coque, com apenas alguns fios soltos na frente que Lizzy não conseguira prender.

Eric ficou paralisado, olhando a amiga com um sorriso ao mesmo tempo surpreso e admirado, e somente depois de alguns segundos se deu conta de que deveria ir recebê-la na escada, onde ofereceu sua mão para guiá-la até a pista de dança. Lizzy não tinha vontade de dançar, mas fez tudo para agradar seu melhor amigo, ele merecia isso por tudo que fazia por ela.

As primeiras músicas eram animadas e fizeram Lizzy rir bastante com o jeito engraçado que Eric dançava. Ela tentava acompanhá-lo em todas as danças, mas este não era o seu forte. Pediu, então, que se sentasse com ela, pois queria beber alguma coisa e descansar um pouco. Eric atendeu seu pedido, fazendo com que Lizzy se sentasse em uma das mesas da festa, enquanto ele ia buscar uma bebida. A menina sorria, embora seu coração ainda estivesse em pedaços – nunca iria voltar ao normal, mas podia ao menos tentar. Ela observava as pessoas na festa, olhando-as com indiferença, até que o viu.

Ele estava lá, sentado exatamente em frente a ela. De cabeça baixa, cotovelos apoiados nos joelhos, uma taça na mão. Parecia chateado, desanimado. Lizzy procurou por Bellatrix, mas ela parecia não estar em lugar algum. “Deve ser isso”, pensou ela, “está triste porque sua namorada não veio”. Pensava no absurdo desta cena: Bellatrix Delair, a mulher mais sortuda que conhecia, deixar Snape sozinho numa festa como essa. A cada dia, o ódio por aquela mulher crescia e Lizzy não conseguia deixar de olhar Snape e desejar estar lá, ao lado dele, animando-o. Snape levantou a cabeça no exato momento em que Eric chegou com a bebida e Lizzy virou para o outro lado.

Ele já a havia visto, desde o início da festa. Ela estava linda. Simplesmente deslumbrante. Para suportar estar perto dela sem poder tê-la, acabou exagerando na bebida e sendo grosseiro com Bellatrix, que voltou para seus aposentos antes de a festa acabar. A ele, só restou beber um pouco mais e aproveitar ao máximo os poucos momentos que tinha para olhar Lizzy sem que ninguém percebesse, usando o resto do tempo para pensar no quanto sua vida era infeliz por nunca conseguir conquistar o amor.

“Mas o que é mesmo o amor?” Snape se perguntava. Era bom não saber a resposta. Preferia esquecer tudo isso, voltar à sua vida de antes. “Não preciso de amor”, tentou se convencer, “Essa droga só me traz sofrimento!”. De qualquer modo, nunca poderia deixar Bellatrix, ela o salvara da morte certa. Mas isso não era um problema. Nunca ia sofrer por ela. Sabia que nunca ia amá-la. O motivo era muito simples: ela não era Elizabeth Austen.

A festa correu sem transtornos e já estava quase no fim quando as músicas começaram a mudar de animadas para românticas. Lizzy já estava cansada, mas Eric insistia para que dançassem apenas uma última vez, agora com uma música mais calma. Lizzy acabou aceitando para não magoar o amigo.

Foram até a pista de dança, onde Eric abraçou Lizzy, que correspondeu ao abraço. Começaram a dançar calmamente, Lizzy sentia-se feliz por estar ali com o amigo, embora, em seus desejos mais profundos, quisesse estar com outra pessoa. Eric, por sua vez, sentia-se no céu, não queria que a música acabasse e, de repente, tomou a decisão. Era o momento de fazer o que deveria ter feito desde que conheceu Lizzy. Afrouxou o abraço e olhou nos olhos da amiga, agora a segurando pela cintura:

- Lizzy, eu preciso te dizer uma coisa.

- Pode dizer, Eric... Eu danço muito mal, é isso? – Lizzy começou a rir.

- Bom, isso também... – Eric levou um tapinha de Lizzy e ria também para a amiga. – Mas não, na verdade não é isso...

- Então, pode me falar.

- Lizzy... Desde que eu te conheci... Você sabe, nossa amizade fluiu muito bem. Mas, na verdade... – ele engoliu em seco, nervoso – Eu queria ser mais que isso pra você. Não quero ser só o seu melhor amigo.

Lizzy gelou. Não era possível. Não, Eric não podia...

- Eu te amo, Lizzy. Te amo desde sempre. E quero que você me dê uma chance de te fazer feliz.

Lizzy ficou estarrecida. Não sabia o que dizer, não queria magoar seu melhor amigo... Eric era isso e somente isso... Seu melhor amigo. Não podia ser mais, era impossível! Ele sabia... Sabia que seu coração era de outro, sabia que ela nunca poderia amá-lo. Mas... Ela não podia dizer isso tudo para Eric, ela sabia bem o quanto dói um coração partido e não queria ver o amigo sentir essa dor, principalmente ali, no meio de uma festa, na frente de todos. Precisava pensar, respirar. Tirou as mãos de Eric de sua cintura com carinho e disse:

- Eu preciso dar uma volta.

- Mas Lizzy, eu acabei de te falar que...

- Eric, por favor. Só... Só me espere aqui, está bem? Eu volto. Mas eu preciso ficar sozinha agora, por favor. – e saiu andando em direção à porta do castelo.

Eric ficou parado, sem entender. Sentou-se na cadeira mais próxima, não sabia o que a atitude de Lizzy queria dizer. Resolveu respeitar a amiga, deixar que ela pensasse o quanto quisesse. Esperaria por ela o tempo que fosse.

Lizzy saiu quase correndo do castelo, se sentindo perdida. Eric a amava? Mas... Como? Ela deveria ter desconfiado. Sempre tão carinhoso, tão atencioso. Mas não, isso não podia significar nada. Ela mesma, sempre fora carinhosa com o amigo e nunca pensou nesse tipo de coisa com ele. Talvez esse tenha sido seu erro. “E minha burrice ataca novamente!”, pensou Lizzy, irritada consigo mesma. Talvez ela tivesse alimentado o sentimento de Eric sem perceber. Talvez ela não tivesse, em nenhum momento, deixado claro que nunca poderia amá-lo, a não ser de modo fraterno. A culpa era dela. Só podia ser. “Ah, eu só faço tudo errado! Não quero perder meu melhor amigo, meu único amigo...”

- Mas que MERDA! – Lizzy gritou, já perto da Floresta Proibida, onde sabia que ninguém poderia escutá-la.

Ou talvez quase ninguém.

- Esta é uma palavra muito feia para ser dita por uma menina como a Srta, não acha? – Snape saiu do meio das sombras, assustando Lizzy por um momento.

- Professor! O que faz aqui? – Lizzy perguntou, atônita.

- Aquela festa estava muito sem graça. Preferi vir pra cá, para a escuridão. – Snape deu um meio sorriso que fez Lizzy perder o ar. – Caso você não saiba, Srta, minha alma sempre pertenceu às trevas... – Ele falava de modo estranho e Lizzy logo percebeu que estava um pouco bêbado.

Olhou bem para o professor: Parecia exausto. Seus olhos estavam tristes e, em seu rosto, podia ver uma expressão de dor e sofrimento. Tudo nele pedia que Lizzy o abraçasse com força, mas ela não podia, ele não era dela.

- Professor... O senhor não está bem. Deveria entrar e ir para os seus aposentos. – Lizzy queria que Snape sumisse da sua frente. Não aguentava mais sentir-se a ponto de chorar toda vez que estava perto dele.

- Eu não quero entrar. Eu quero ficar aqui. – Snape se aproximou um pouco de Lizzy – Com você. – Ele a olhava sério.

Lizzy sentiu calafrios. Snape não poderia estar falando sério, ele estava bêbado e sozinho porque Bellatrix não tinha ido à festa, e era somente isso que o levava a falar essas coisas, ela tinha certeza disso.

- Senhor... – Lizzy evitava olhar para os olhos profundos de Snape – por favor, é melhor o senhor entrar.

Snape se aproximava aos poucos de Lizzy, que não tinha coragem de recuar.

- Já disse, Srta Austen – ele deu mais um passo em sua direção – que não quero me afastar da Srta... Na verdade – mais um passo – eu gostaria de estar o mais próximo possível da minha Elizabeth.

Lizzy sentiu que ia desmaiar. Havia enlouquecido? Snape dissera “minha Elizabeth”? Ele a considerava dele? Não... Ela devia estar ouvindo demais...

- Professor... – tentou dizer.

- Não me chame de professor! – cortou-a Snape – não suporto isso! Você... – Snape se aproximava um pouco mais, Lizzy não recuava – você é especial, Elizabeth... Me chame de Severus... É esse o meu nome... Você tem todo o direito de pronunciá-lo...

Lizzy estava enlouquecendo. Não havia outra explicação. Sem que Snape percebesse, ela começou a beliscar seu braço, tentando acordar desse sonho. Nada acontecia. Só sentia a dor fraca dos beliscões. Não sabia o que fazer, mas sabia o que queria fazer. O que desejava fazer desde que o conhecera. Não queria que fosse assim, sabia que não era isso que Snape queria, que ela seria apenas uma distração por ele estar longe da namorada. Lizzy não entendia o que estava acontecendo, precisava sair dali, ela sabia que precisava... Ainda assim, seus pés pareciam grudados no chão.

- Elizabeth... Eu preciso de você... – lágrimas caíam dos olhos de Snape, enquanto se aproximava ainda mais de Lizzy – eu preciso que você me mostre...

Ao ver as lágrimas de amado, Lizzy perdeu todas as suas forças, não conseguindo mais pensar, apenas deixando o coração falar mais alto.

- O que, Severus? O que precisa que eu te mostre? – Lizzy já estava totalmente envolvida naquele momento, e pegou as mãos de Severus nas suas.

- Preciso que você me mostre... O que é o amor.

Severus olhou para os olhos verdes e brilhantes de Lizzy, que retribuiu o olhar, deixando-se levar e se perdendo novamente nos olhos negros mais lindos que já havia visto. Esse pedido era tudo que ela sempre quisera ouvir. Severus foi chegando mais perto de Lizzy e ela já conseguia sentir sua respiração em seu rosto quando decidiu que não podia mais adiar aquele momento, o momento pelo qual sempre esperou.

- Severus... – disse de modo quase inaudível – eu te amo...

Severus encostou seus lábios nos de Lizzy, que se abriram para receber o beijo com o qual sempre sonhou, o beijo do único homem que amara em toda a sua vida, o beijo pelo qual ansiou durante seis longos anos.

Notas finais
Eu tenho MUITO amor por esse capítulo *-*

Espero que tenham gostado tanto quanto eu! Obrigada novamente por tudo e vejo vocês no próximo capítulo =)