Mas O Que É Mesmo O Amor?
5 Primeiro Dia
Notas iniciais
O dia amanheceu ensolarado e lindo. Era um dia perfeito para os alunos, que estavam animados com o primeiro dia de aula. Lizzy acordou e olhou pela janela. “Poderia ser um dia perfeito se...” mas não se atreveu a continuar o pensamento, ou começaria a chorar novamente, como na noite anterior. Levantou-se, foi tomar seu banho e colocar seu uniforme. Ao sair, pegou seus materiais e sua varinha, encontrando-se com Eric no salão comunal.
- Bom dia, Lizzy! Animada pro primeiro dia? – sorriu o rapaz.
- Bom dia, Eric... Sim, um pouco. – Lizzy não sentia nenhuma animação, mas não quis chatear o amigo com seus problemas.
- Não acreditei nessa resposta, você está estranha... O que houve? – perguntou Eric, preocupado.
- Nada, nada... Dormi um pouco mal, mas estou bem. – sorriu Lizzy. “Será que um dia poderei contar a ele o meu segredo?” pensou ela, “Mas nunca vou precisar... Nada vai mudar mesmo”.
- Se você diz... Já olhou seus horários de aula?
- Não, ainda não, mas temos as mesmas, não é?
- Acredito que sim, como sempre. Deixa eu ver aqui – e pegou o papel dentro de um dos livros – Ih, a primeira aula é a sua favorita: Poções.
Lizzy sentiu náuseas.
- Não sei se continuo achando minha favorita... – disse ela. – Agora temos uma nova professora...
- Ah, e que diferença isso faz? Ela é antipática, claro, mas não é muito diferente do que aguentamos com o Snape, não é?
Lizzy tremeu. Quis gritar para o amigo nunca mais pronunciar o nome dele, mas não podia, isso era loucura. Respirou fundo e respondeu:
- Era diferente. Já estava acostumada com o professor Snape. Essa aí é...
“Uma sortuda” pensou ela “por estar com ele...”
- É uma metida. – completou – E o nome dela me faz mal...
- Nisso você tem razão. Mas já que temos que ir, vamos logo. Temos que tomar café ainda.
Saíram e caminharam juntos até o salão principal, onde tomaram café. Lizzy comeu pouco, e definitivamente não conseguiu engolir mais nada depois de ver a cena mais desprezível que já havia presenciado em sua vida: Bellatrix Delair dando um pedaço de fruta na boca de Snape. Ele sorria. Lizzy, por dentro, se quebrava ainda mais. Virou o rosto para não ver aquilo e aguardou até Eric terminar de comer para irem para a sala de aula. Infelizmente, teria que aguentar a nova professora por duas horas, antes de ir para a segunda aula, que era...
- DCAT, Lizzy. Logo depois da aula da Delair. Vai poder matar a saudade do seu ex-professor de Poções favorito! – riu Eric, sem saber que havia mais verdade nisso do que imaginava.
Lizzy estremeceu ao pensar que iria passar duas horas de frente para seu amado, sem poder fazer ou dizer nada além de “Sim, professor”. Criou coragem para entrar na aula de Bellatrix Delair, que já aguardava sentada em sua mesa de professora.
Sentou-se junto com Eric, que escolheu um lugar mais atrás, pois tinha dificuldades em Poções e muito medo de que a professora o perguntasse algo. Sua sorte era ter Lizzy ao lado, que sempre o ajudava a não se sair tão mal nas aulas.
Quando todos os alunos sentaram, Bellatrix começou seu discurso:
- Bom dia. Estou aqui, como vocês já sabem, para tentar fazer vocês aprenderem algo sobre Poções, o que acho difícil de acontecer. – sorriu sarcasticamente antes de continuar – Como já devem ter ouvido falar, sou uma Mestra em Poções muito famosa, e exijo que nessa aula não existam contratempos a respeito do preparo das poções que eu ensinar. Quem errar algum ingrediente ou deixar de seguir algumas das instruções corretamente, perderá 10 pontos por cada erro para suas casas. Fui bem clara?
A turma, assustada, somente fez que sim com a cabeça, o que foi suficiente para Bellatrix. Eric engoliu em seco, mas Lizzy pegou sua mão e lhe deu um sorriso, como se dissesse “Eu te ajudo, vai ficar tudo bem.”. Bellatrix começou a explicar uma poção que Lizzy já conhecia, e a menina, muito rapidamente, começou a prepará-la em seu caldeirão, ajudando Eric quando ele precisava. Antes de todos os alunos, Lizzy já havia terminado a sua poção, e se dedicava agora a ler um livro sobre o assunto que havia comprado antes do ano letivo começar.
Bellatrix, ao perceber que havia uma aluna lendo ao invés de estar preparando a poção indicada, foi até Lizzy com olhar de desprezo.
- O que está fazendo, Srta?
- Lendo um livro sobre poções, professora Delair. – respondeu Lizzy, confiante, sem levantar os olhos para a outra.
- E por que não está fazendo a poção que eu mandei?
- Porque já terminei, professora. Aqui está. – apontou para o caldeirão onde a poção estava pronta e com a melhor aparência que Delair já vira.
Bellatrix ficou surpresa, mas não poderia dar o braço a torcer àquela menina.
- Como é o seu nome, Srta?
- Elizabeth Austen.
- A Srta é da Grifinória, não?
- Sim.
- Ótimo. Menos 10 pontos para a sua casa.
- O quê? – Lizzy falou alto, pois se surpreendeu com a atitude da professora.
- Menos 20, agora, por ter levantado a voz para a sua professora. – respondeu a outra, com raiva. – Ponha-se no seu lugar, mocinha. Você está aqui para aprender e fazer o que eu mando, não para ficar lendo livrinhos.
- Mas estou lendo algo relacionado à disciplina e já terminei minha poção! – Lizzy estava explodindo de raiva.
- MENOS 30 PONTOS POR ME DESAFIAR! – gritou Bellatrix irritada, aquela menina era absurdamente insolente – Quer continuar e perder todos os pontos possíveis para a sua casa, Srta?
- Não, professora. – Lizzy sentiu o ódio aflorar, mas não podia mais prejudicar a Grifinória.
- Ótimo. Agora, cale-se, jogue essa poção fora e comece outra, a sua está com uma aparência péssima. Eu disse AGORA! – gritou Bellatrix, logo virando as costas para a menina.
Lizzy, muito contrariada, pegou sua poção perfeita – ela sabia que estava perfeita e sabia que a professora tinha noção disto – e jogou-a dentro de um recipiente de vidro sem que a professora percebesse. Não ia desperdiçar uma poção apenas por capricho de uma loira estúpida e metida. Guardou o recipiente nas vestes e começou tudo novamente.
Quando a aula acabou, Lizzy foi uma das primeiras a sair, não aguentando mais ficar no mesmo ambiente que aquela mulher. Não bastava estar com seu grande amor, ainda precisava implicar com ela? Eric veio logo atrás, preocupado com Lizzy.
- Você está bem? Nossa, aquela mulher é realmente uma nojenta!
- Estou, estou bem. Um pouco irritada, mas vai passar. Ah, Eric, esse ano não vai ser nada fácil.
- Fica calma, foi só o primeiro dia. Das próximas vezes, tente fazer a poção com mais calma e demore um pouco mais. Tenho certeza que ela ficou com inveja pela sua rapidez e pela ótima poção que você fez. – disse o rapaz sorrindo.
- Obrigada, Eric. Você é realmente um ótimo amigo. Vou seguir o seu conselho nas próximas aulas. Tudo que eu quero é paz pra terminar esse ano... – e abraçou o amigo.
Os dois foram juntos até a sala da próxima aula, DCAT. Lizzy sentia-se tonta ao pensar nas próximas horas. Olhando para Snape, sentindo seu perfume, desejando-o sem poder fazer absolutamente nada.
Ao chegar na sala, evitou olhar para o professor, mas o instinto foi mais forte. Olhou-o de cabeça baixa, sentado em sua mesa, escrevendo algo em um pergaminho. Sentiu-se fraca, as pernas bambeavam, o coração palpitava e a respiração foi se tornando quase rara.
Novamente se perguntou o que aquele homem havia visto em Bellatrix Delair. “Não é possível, tem que haver alguma explicação pra isso.” – pensou Lizzy, esperançosa. Ela queria perguntar, ela queria acabar com esse sofrimento, ela queria saber o que havia acontecido em tão pouco tempo pra que o solitário Snape, de repente, iniciasse um romance com alguém tão... Tão... Odioso! “Não, eu não posso simplesmente perguntar, não é da minha conta... Mas deve ter alguma explicação... Eu quero acreditar que há” – pensou.
Sentou-se novamente junto de Eric, que se sentia mais tranquilo em relação àquela disciplina, mas ainda assustado com o professor Snape e, dessa vez, Lizzy não pegou sua mão ou lhe olhou com carinho, ela estava concentrada olhando para o professor. “Deve estar com medo de perder mais pontos, como na aula da Delair”, imaginou o rapaz.
Lizzy realmente encarava o ex-professor de Poções que, se estivesse olhando para ela, poderia até mesmo ficar assustado com a insistência da menina em olhá-lo. De repente, Lizzy teve uma idéia. Uma idéia um pouco louca, sim, mas ainda assim, uma idéia. Uma maneira de descobrir o que estava acontecendo sem precisar perguntar a ninguém.
A aula correu tranquila enquanto Lizzy esperava o melhor momento para pôr sua idéia em prática. Resolveu que era melhor esperar quando a aula estivesse acabando, pois, se soubesse de algo que a magoasse muito, poderia simplesmente ir embora e chorar sozinha. Ao perceber que faltavam apenas alguns minutos para o fim do tempo de aula, iniciou seu plano. Ninguém que estava na sala percebeu nada, e logo o tempo acabou.
Lizzy sentiu-se frustrada por não ter conseguido descobrir nada e só então pensou nas consequências que poderiam surgir da sua idéia impensada. Começou a tremer, guardou suas coisas rapidamente e já estava saindo da sala com os outros alunos quando Snape a chamou:
- Srta Elizabeth Austen.
Lizzy tremeu ainda mais quando ouviu seu nome pronunciado por aquela voz cortante. Virou-se para o professor, olhando para o chão, envergonhada.
- Sim, senhor.
- Posso falar com a Srta por um minuto? – disse, olhando de relance para Eric, que se mantivera ao lado da amiga.
- Er... Lizzy, eu te espero no salão principal. Com licença, professor Snape. – o rapaz saiu apressado.
Snape fechou a porta da sala.
- Posso ajudá-lo em alguma coisa, professor? – perguntou Lizzy, tentando disfarçar seu nervosismo diante da situação.
- Sim, Srta Austen. Eu tenho uma pergunta sobre a disciplina para a Srta.
- Sim, senhor.
Lizzy subitamente sentiu-se mais tranquila, sentimento que durou poucos segundos. Logo as consequências de seus atos surgiram para lhe atormentar:
- Por acaso a Srta estava tentando ler a minha mente durante a aula?
Notas finais
Peço desculpas se houver algum erro que passou despercebido. Mesmo revisando o capítulo trocentas mil vezes, algo sempre parece escapar.
Fale com o autor