Cheguei na sala, naquela terça feira, era aula de história e falavamos na Segunda Guerra, eu adorava essa máteria, portanto mesmo que não prestasse atenção, conseguia ir bem na prova. A primeira coisa que reparei quando cheguei na sala foi que a Clara não estava lá. Perguntei para a Babi e ela não soube dizer onde ela estava, liguei e chamava até cair a linha, confesso que fui ficando desesperado, parece que ela estava me evitando, ou apenas se escondendo.

Quando bateu o sinal, a primeira coisa que fiz foi ir até a casa dela, dona Sônia disse que ela havia saído para o centro, mas não sabia aonde fora. Fiquei mais preocupado ainda. Fui ao campo, tomar um ar, esfriar a cabeça. Ao chegar lá, vi Clara sentada em um banco, chorando e em estado de choque.

- O que aconteceu?

- Nada.

- Me fala logo.

- Eu vi algo que não podia. Eu não podia ter visto, eu não queria.

Ela tremia e chorava, estava com as mãos frias.

- Olha isso, vê, na minha mão.

- O que é isso? Parece sangue, você está ferida?

- É sangue, não..não é meu.

No que ela estava envolvida, eu queria ajudar, mas não queria me envolver também, eu queria fazer ela se sentir melhor, queria fazer ela se sentir segura, mas eu não sabia se isso era certo.

- Respira Clara, me diz o que aconteceu, estou ficando muito preocupado.

- Faltou quantas pessoas hoje na aula?

- Você, a Carla, o Luiz e a Márcia. Mas parece que a Carla está doente, não sei ao certo.

- O Luiz não faltou... Ele.. Esse sangue é dele.

- Ele tá ferido? Precisamos ajuda-lo.

- Ele tá morto.