Maré Alta
12 Stupid
Notas iniciais
–
– Malu – João me olhou atordoado – O que você ta fazendo aqui?
Imbecil.
– Eu não sei se você lembra, mas eu moro aqui João, quer que eu desenhe? – Sim, eu estava com raiva. Muita raiva. Mais raiva do que eu pensei que pudesse estar.
– Maria Luiza. – Ela disse pausadamente com um sorriso sarcástico no rosto – Achei que nunca mais fosse ver você.
– É um desprazer te encontrar, Christie. – Respondi com a voz firme e os olhos semi cerrados – Mais ainda dentro da minha casa, se agarrando com o m-meu... – Engoli a seco enquanto sentia os olhos do João em mim, que se dane o João. – Com o meu marido. – Ele me olhou de um jeito diferente. Aquele olhar eu não conhecia. Christie me olhou com os olhos arregalados, praticamente incrédulos.
– Então além de desconjuntada ainda é corna? – Disse soltando uma risada alta. Eles se afastaram um do outro, Christie me encarou com aquele sorriso de vadia que sempre teve e eu retribuí com meu melhor sorriso.
– Você se orgulha em me chamar de corna? Eu acho graça. Sinceramente, antes corna do que vadia. Com tantos homens no mundo, não é Christie? Mas você insiste em sempre querer o que é dos outros. – Seu sorriso diminuiu e eu continuei – Sua falta de capacidade para conseguir algo para si própria me enoja. Mas OOOH céus, Ela é a Christie! Consegue tudo o que quer! – Dei uma pequena risada pausadamente. – É claro, quando se trata de cama, sexo, prazer. Mas e quanto a ser amada? Você é amada, Christie? – Pude ver seus olhos brilharem de raiva me encarando, ela cerrou os dentes pronta para dizer algo, mas a interrompi – Não. Não se dê ao trabalho. – Desviei meus olhos para o João que não tinha expressão no rosto.
– João! Diz alguma coisa – Christie falou enquanto olhava pra figura no chão, mas ela não a olhava de volta, ele mantinha seu olhar fixo em mim.
– Limpa a bagunça que você fez e... Por favor, não bata no meu quarto depois. – Disse seca enquanto o encarava, ouvi Christie dizer algo, mas já estava na escada. Corri para o meu quarto ainda tentando assimilar a imagem dos dois lá em baixo. Bati a porta e me joguei na cama.
Cafajeste. Idiota. Vagabundo. Filho da puta!
Como ele podia? Não tem nem dois dias que casamos e ele simplesmente esquece que eu moro aqui? Senti uma vontade incontrolável de chorar, o nó já se formava em minha garganta. Ia soltar um grito abafado contra o travesseiro, foi quando escutei batidas na porta.
PVO J.M
Nunca pensei que me sentiria tão bem com a palavra “Meu marido”. Provavelmente a Malu está me odiando agora. Droga! Eu sou um idiota mesmo. Esqueci-me literalmente dessa responsabilidade que tenho agora, pensar nisso me deu dor de cabeça. Christie é sobrinha da Dorota, que me criou desde pequeno, como eu poderia imaginar que ela viria pra cá hoje? Dora não me falou nada e quando cheguei do futebol com os caras nem aqui a Malu estava, Dora me disse que ela saiu e não deu prévia de volta. Não consegui me controlar quando ela apareceu com aquele shortinho curto e top pra cima de mim, eu sou homem cara, não sou de ferro! Pensei milhões de vezes antes de largar Christie gritando no meu ouvido e ir em direção ao quarto da Malu, pude ouvi-la bufar atrás de mim.
Bati na porta da Malu três vezes. Estava um silêncio mortal por fora, mas por dentro minha mente gritava.
– Malu, abre essa porta. – Apoiei meus cotovelos nas paredes entre a porta.
– Eu disse pra você não bater aqui, agora tem problema de audição também? – Sua voz saiu embargada, fechei os olhos e respirei fundo.
– Malu, por favor, precisamos conversar. – A última coisa que eu tinha nesse momento era palavras pra explicar alguma coisa pra ela, eu nem sabia o que estava fazendo ali na porta daquele quarto.
– Conversar o que João? – Tomei um susto quando encontrei a porta a minha frente aberta e a Malu com o rosto vermelho me encarando. Não era raiva. Ela tinha chorado. Por minha causa. – Que você é um grande filho da puta e que nós não temos nada? O quanto você não presta? O quanto você não tem respeito nem por você mesmo? – Ela cuspia cada palavra na minha cara como se eu tivesse cometido um crime.
– Não me chama de filho da puta! Eu sou homem Malu, eu tenho minhas necessidades, não sou de ferro. E realmente, não temos nada. — Gostaria de ter retirado minhas palavras no mesmo momento em que as disse.
– Homem? É isso que você chama de ser homem? – Disse com desdém me interrompendo, fixou seu olhar em mim e eu fiz o mesmo – Será que você não consegue segurar essa porra dentro das calças? Eu não me importo, sabia? Não me importo. Poderia ser qualquer uma, até a Dorota. Mas era ela. Era a Christie. Tem noção do quanto isso me afeta? – Ela estava tão frágil. Senti vontade de abraçá-la e dizer que tudo não passou de um mal entendido, mas eu não sei se conseguiria.
– Me desculpa. – Disse já com a cabeça baixa, minha voz saiu mais rouca que o normal.
– Quantas vezes daqui pra frente você vai se desculpar? Acha que você merece depois de se agarrar com aquela vagabunda na MINHA sala?
– Porque você se importa tanto? – Levantei a cabeça e vi que ela estava chorando. – Supera esse passado, Maria Luiza! Já foi, passou. Você cresceu, eu cresci. É só um contrato. Não mereço que você chore, não por mim. – Diz pra ela que não é só um contrato, João. Eu sou um covarde mesmo.
– Você é um grande idiota – Ela disse enquanto partia pra cima de mim batendo no meu peito, eu não senti dor, apenas deixei, se isso a fizesse ficar melhor.
Segurei seus braços com força fazendo ela voltar a me olhar, seu rosto estava completamente molhado e vermelho. Abracei-a forte deitando sua cabeça em meu peito, ela tentou sair, mas desistiu quando viu que eu não a largaria. Ela soluçava, e eu fiquei sem saber o que fazer a não ser apertá-la mais no meu abraço.
Não sabia se ela chorava pela Christie, por mim, ou... Por tudo.
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