Maré Alta
5 Lar, doce lar.
Notas iniciais
Nós dois juntos somos um tipinho qualquer, mas um tipinho só nosso.
–
Uma semana depois.
Estava cada vez mais perto o dia em que eu casaria de vez. As meninas têm vindo aqui todos os dias me dar algum tipo de apoio moral e desde a pracinha eu não tenho falado com o Matt. Que saudade dele. Hoje eu vou visitar a casa em que vou morar. É irônico, não é? Em uma hora você é a garota que tem tudo o que quer e em outra você é a garota que precisa se sacrificar para ter de volta o que perdeu. Às vezes da vontade de olhar pra trás e desistir de tudo, mas eu tenho um motivo maior pra fazer tudo que estou fazendo. Seria mais fácil se o noivo não fosse alguém que eu quero longe de mim. Que vida, que fase, que grande merda.
Dei uma última olhada no espelho e acabei retocando o batom mais uma vez. Esse meu nervosismo acaba com os meus lábios que estão todos cortados por eu não conseguir manter meus dentes quietos. Optei por uma saia jeans desfiada e uma bata branca básica. Peguei meu celular no criado mudo, e saí indo em direção ao carro. Minha mãe é bem pontual, e às vezes isso me irrita profundamente. Mamãe tem a pele branca, cabelos cor chocolate, algumas rugas embaixo dos olhos que são imperceptíveis quando ela deixa os olhos sorrirem por ela. Às vezes eu entendo porque meu pai a escolheu. No lugar dele eu teria feito o mesmo. Ela deu partida no carro e eu fiquei pensando sobre quando ela puxaria qualquer assunto. O que não aconteceu.
Antes de sair do carro ela estacionou, olhou para mim e pegou na minha mão.
– Eu quero que você saiba que eu estou orgulhosa de você. Muito orgulhosa. — Bárbara disse com a voz embargada e seus olhos brilhavam. Ela estava segurando as lágrimas. Eu sorri e ela me acompanhou no sorriso dando juntamente uma risada. Risada essa que fez valer à pena cada esforço. Minha mente me traiu quando ela pensou que minha mãe e meu pai não pensaram em mim. A verdade é que em todo o tempo a preocupação deles era proteger o meu futuro, sem me deixar faltar nada. Eu os agradeço por isso. E sou eternamente grata.
A casa é linda. As frentes são de um azulejo cor bege pincelado e um enorme portão branco para a garagem. A entrada por dentro é um jardim enorme com gramas e arranjos florais bem aparados, uma passagem de azulejo branco que leva até a porta da casa onde tem alguns jarros de flores enormes como decoração. A porta de madeira, dando um ar rústico. Por dentro, a sala é enorme. Um sofá branco de três lugares maravilhoso e duas poltronas. Tudo em ordem, o que mais gostei foi a parte no Rack em que tinha vários DVDs. Eu sou uma pessoa possessa por filmes. Minha mãe me mostrou a cozinha, tudo bem branco e os armários todos completamente cheios, banheiros grandes com espelhos do teto ao chão, só faltava o andar de cima e os fundos da casa. Quando subi as escadas na sala, me deparei com quatro portas. Uma era o banheiro, bem espaçoso com uma enorme banheira, mesmo designe do primeiro andar. Dois quartos eram de hospedes, e o meu quarto é perfeito. Simplesmente do jeito que eu faria. Uma enorme cama Box com um jogo de cama azul marinho, o guarda roupa embutido completamente espelhado do lado esquerdo do quarto, dois criados mudos, um em cada lado da cama com abaju em decoração. Uma TV de frente para a cama, e em baixo da TV tinha uma prateleira cheia de livros. Eu fiquei completamente apaixonada com tudo. E admito, morri de ciúmes de deixar alguém sequer entrar ali. O João que se cuide. Os fundos da casa era uma área enorme com piscina, mesas e cadeiras de sol, banheiro, a grama decorando o lugar e flores espalhadas pelos muros. Eu nunca vi tanta perfeição.
Na volta pra casa minha mãe era todos sorrisos. O que me fez sentir uma felicidade momentânea. O casamento já é daqui a dois dias e eu só tive dois contatos com o noivo, o jantar e o ensaio de fotos. É engraçado pensar em como tudo aconteceu tão rápido. A vida nos coloca em situações que jamais poderíamos imaginar, talvez até mesmo para nos mostrar que somos capazes de mais. Ela nos desafia. Ela nos confronta, em determinadas situações, para nos mostrar que por mais forte que o vento seja, há uma âncora que nos prende ao chão e uma força maior que nos mantém de pé. Faz-nos tirarmos motivação de onde não se existe mais força. E é nesse momento em que damos a volta por cima. E eu espero ansiosamente pelo meu momento. O momento em que tudo isso não vai passar de uma simples gafe do destino e tudo vai se por no seu devido lugar.
Os dias passaram-se rápidos e até que eu me diverti. Passei por três etapas:
Escolha do vestido
Degustação do Buffet
Spar
Na degustação eu não sabia o que escolher, quando se trata de comida eu nunca sei. Dei risada ao pensar nisso. Tinha bolo, docinhos, salgadinhos deliciosos, eu simplesmente me fiz. Relaxei o máximo que pude.
Meu vestido não é o mais deslumbrante. A cor é champanhe, m a r a v i l h o s a champanhe. É curto, a três palmos acima do joelho. Do busto até a cintura é um corpete colado ao corpo valorizando meus seios. Da cintura até metade das minhas coxas tem um brilho incrível que o paête proporciona. Na parte de trás ele é trançado com fitas de cetim puro. Achei perfeito para a ocasião. É claro que minha mãe se opôs, relutei até convencê-la de que esse era o melhor. Eu já estou sendo legal demais com toda essa história. Se quiser que eu case, que seja do meu jeito.
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