Marykelly

1 Capítulo 1 - Descoberta


Notas iniciais
Mary Kelly e o mundo musical. O passo a frente.

Eu olhava para a mesa do café. Para a toalha para ser mais especifica. Eu aguardava ansiosamente pelo meu pedido naquele restaurante barato, enquanto uma chuva imensa parecia se formar no céu de Londres. Meus dedos se agitavam contra a mesa em movimentos rapidos,e tudo o que eu queria naquele momento era ir para a casa. Mas eu não podia. Há dois anos atrás fui contratada por uma associação musical de Londres chamada "COLOMBE TOWN TUNES" como interprete. Musicos da região me mandavam canções prontas,e eu só me apresentava ao vivo. Eu gostava daquilo. Eu precisava daquilo. O dinheiro não era uma coisa constante na minha vida. Mas as apresentações me mantinham. Quem recebia mais dinheiro,era os compositores. E meu emprego era o que me prendia naquele restaurante no momento. Meu café é servido pelo garçom, e o meu pensamento voltou para o lugar e meus olhos se encontraram com o do meu empresario, Michael Hall.

Michael Hall foi quem "me descobriu". Ele era um homem de negócios importante em Londres. Dizem que ele já conheceu a rainha pessoalmente. Ele usava ternos grossos, e caros. O pouco cabelo que ele tinha era exaustivamente penteado a cada cinco minutos, e brilhava por o uso excessivo de gel no cabelo. Ele era casado, mas parecia sempre infeliz com o casamento. O trabalho sempre ficava em primeiro lugar, e seu trabalho era me promover.

- Estão chegando em breve, tenha mais paciencia. — disse ele tentando ser animador.

Virei meus olhos em direção a janela enqunto tomava um gole de café, e via o céu atraves da janela de vidro. As nuvens estavam cada vez mais cinzentas, e me assustava devido o vento forte, eu detesto tempestades apesar de ser algo bem comum em Londres. O horario também me deixava mais agitada. Três horas da tarde, era um horario de tédio. E aquela espera toda me deixava agoniada e entediada. Não sabia como conversar com Michael.

Quando de repente 3 homens entraram no restaurante, um parecia a cópia de Michael Hall. Alto e um pouco mais magro e também com pouco cabelo e engravatado. Atrás dele, dois moços magros. O primeiro, vestido com um casaco preto, tinha olhos azuis e grandes, labios carnudos, e um cabelo castanho claro. Muito bonito. O segundo, de cabelos pretos,vivia com a boca entre aberta,a franja de misturava entre os olhos pretos e pequenos dele. Michael levantou-se prontamente e os comprimentou:

- Que bom que vocês vieram! — disse ele comprimentando os três homens um por um com aperto de mão firme. Eu continuei sentada observando a cena.

- Você terá que perdoar a nossa demora, esses meninos são muito ocupados- disse o homem magro de pouco cabelo. Os dois rapazes sorriram timidamente. — Então... — continuou ele dirigindo o olhar para mim.

- Ah sim! Mary, esse é o senhor Ian Atwood.

Eu o encarei por alguns segundos e Michael disse :

- Mary...Este é Ian Atwood. Comprimente- o! — disse ele em um tom seco.

Estendi a minha mão e disse a ele:

- Prazer em conhece-lo.

- Então essa é a passarinha que trabalhará conosco? — disse Ian beijando a minha mão. Um ato que achei pessoalmente asqueroso.

- Ah sim. Sim. Ela gravou conosco alguns EP's. Mas essa menina merece algo bem maior. Algum hit, ela nos ajudará a ampliar nossas ambições. E ajudará os seus meninos também.

- Eu vejo. Uma passarinha sem canção. — disse Ian me encarando com um olhar sujo. Me sentia desconfortavel em encara-lo de volta. Então resolvi passear o meu olhar ao meu redor, o moço magro de cabelo preto encarava o pacote de cigarros que segurava, e mantinha ainda a boca entre aberta.

Um garçon nos interrompe,e pergunta aos três novos convidados o que eles gostariam.

- Um café apenas por favor! Meninos... — disse Ian como se fosse um pai perguntando a seus filhos.

- Um chá por favor. — Falou o moço de cabelos castanho claro.

- Whiskey — disse falou o moço disperso dos cigarros.

- Hahahaha! Pare com isso Mick! Hahaha! Ele também vai querer um chá inglês por favor. — Disse Ian ao garçom que olhava para Mick e Ian, imovel com a caneta sem saber o que fazer. Mick, o moço disperso dos cigarros deu um sorriso tristonho ao garçom e confirmando o pedido de Ian em seu nome.

O garçom anotou os pedidos, e saiu. Mick resmungou algo que era para sair em forma de sussurro, mas acabamos todos por ouvir:

- Você não é a porra da minha mãe...

- Mick não. Agora não. — disse o moço de cabelos castanho claro. Ian virou-se a Mick e disse em um olhar sério:

- Mas sou a porra do seu empresário e essa não é a hora. — Depois ele se virou e olhou para Michael e eu, abrindo um sorriso e disse:

- Desculpe minha lingua senhorita. Estamos aqui para negócios. Mas é isso o que você verá de agora em diante. A compania desses dois meninos será constante se Michael, seu padrinho aceitar.

- Eu já disse que aceito. — disse Michael abrindo um sorriso de orelha a orelha.

- Desculpa senhor, mas não estou entendendo nada. — falei em tom de seriedade. O moço de cabelos castanhos claros soltou um riso que me encomodou e olhou para baixo. Eu olhei diretamente para ele, e ele olhou para mim de volta. O olhar durou uns 12 segundos. Senti minha barriga revirar e voltei meus olhos para o asqueroso Ian que voltou a falar:

- Eu quero te contratar como interprete oficial da minha gravadora na qual eu trabalho com carinho, a METTA Records. Se você aceitar, você receberá 60% do dinheiro que receber,te faremos uma estrela da música. Tudo o que você terá que fazer,é ir aos estudios da Metta, gravar as músicas que nós escolheremos.Cumprir uma nova agenda de compromissos, como shows, apresentações em televisão. Você excursionará junto com a banda desses meninos. The StoneKings. Eles vão lançar o quarto disco deles no ano que vem, 1964. E queremos convida-la, para ser nossa parceira.

Eu encarei os dois rapazes. Mick, o moço disperso ainda continuava disperso com os cigarros,e o moço de cabelos castanho claro me encarou rapidamente e mudou a direção do seu ollhar.

- O quanto seria 60%?- perguntei

- Mas calma Mary, você nem foi contrata...- disse Michael rindo

- O quanto seria 60%? — levantei mais meu tom de voz.

Nessa hora o garçom chegou em nossa mesa, deixou café de Ian e o chá para os dois meninos. Mick tomou o chá em um gole só, e entregou já a xícara vazia para o garçom antes mesmo do garçom ir embora. E disse :

- Obrigado rapaz. Estava ótimo.

O garçom intrigado, pegou a xícara vazia e colocou de volta na bandeja,e perguntou:

- Você gostaria de mais alguma coisa?

- Que você nos deixasse em paz por favor. — disse Ian em forma grosseira. O garçom pronto para ir, eu o chamei de volta.

- Isso foi desnecessário — disse o moço de cabelos castanho claro em tom de voz baixa para o empresario rude.

- Rapaz! — gritei e o garçom se aproximou de novo a minha mesa.- Chegue um pouco mais perto.

- Eu gostaria de um outro café, e um pacote de cigarros, você pode conseguir para mim? Obrigada — peguei a sua mão em um gesto amoroso e coloquei uma boa gorjeta escondida.

Ele sorriu e saiu com sua bandeja. Voltei meus olhos para a mesa e todos os rapazes me encaravam em silêncio. Ian sorriu sem graça tentando quebrar o gelo:

- Espero que uma moçinha como você não seja flagrada fazendo esse tipo de coisa pelo seu namorado.- disse Ian bebericando o café.

- Eu não tenho namorado. — falei friamente e calma. — Quero saber quanto é o 60% que vou receber.

- Na verdade- disse Ian colocando o café de volta a mesa e limpando sua boca fina — os 60% não são certos agora. Tudo dependerá de como o seu disco irá sair, e de como esses rapazes vão estar criativamente.

- Então eu estou trocando meu trabalho certo, por alguma coisa totalmente sem destino? Incerta?

- Não é bem incerta... Pode dar muito certo — disse Michael colocando as mãos no meu ombro.

- Eu recuso!- falei resoluta.

O moço de cabelos castanho claro, deu uma risada irônica e olhou para baixo. Ian tentou me acalmar:

- É um pouco incerto,mas seu emprego antigo estará seguro e pronto para te receber de volta, não é mesmo Michael? E fora que as possibilidades de não dar certo são bem poucas, eu garanto. Esses meninos já estão se apresentando na televisão. Não é mesmo Louis, aonde vocês foram mesmo semana passada?

- Jimmy Humpert Show. — disse Louis, o moço de cabelos castanho claro.

- Jimmy Humpert! É claro. E foi um sucesso não foi? — perguntou Ian para Louis. Louis concordou quietamente.

O garçom apareceu novamente na nossa mesa, com meu café e cigarros. Eu puxei a mão do garçom e segurei, olhei nos olhos dele e disse :

- Muito obrigada moço. És muito gentil. — eu encarei o garçom que tinha uma aparencia quase angelical, ele tinha uma pele bronzeada, e olhos quase verdes. Ele agradeceu também e saiu com um sorriso no rosto, o mesmo sorriso que eu dei a ele. Novamente, os rapazes me encaravam. Louis me encarava com um olhar mais sério. Nada lembrava aquelas risadas que ele soltava aleatóriamente e me irritava. Mick me encarava com um meio sorriso pela primeira vez. Ian e Michael estavam de bocas abertas. Um silêncio gritante pairou na mesa. Eu resolvi acender um cigarro. Michael tentou quebrar o gelo:

- Hahaha! Mas então, querida Mary. Você pode ver, que é uma chance unica, você realmente quer voltar a cantar para bares pequenos de Londres?

Soltei uma fumaço com os lábios abertos. Encarei Ian que me olhava tenso. Percebi naquele momento que sentia nojo daquele homem. Eu não queria trabalhar com ele.

- Não sei, talvez esse seja meu destino. — falei

- Talvez não, talvez você seja bem maior do que você imagina. — Disse Louis levando a xícara para os labios. Minha barriga revirou.

- Sim...Está vendo,Louis está certo! Nós podemos te transformar...- disse Ian empolgado para dar um discurso de autoestima sendo interrompido por Louis de novo:

- Muitas pessoas em Londres tão talentosas quanto você, gostaria de uma oportunidade como essa,e não tem. Você que tem, quer joga-la fora. — me mantive em silencio, e ele prosseguiu — E se não der certo, a experiencia irá lhe de valer alguma coisa não?

Ele terminou de falar e tomou mais um gole do seu chá, e enquanto levantava a sombrancelha. Eu estava vendida.

- Devo dizer que nesta visão, o senhor está certo.

- Senhor? Pode me chamar de Louis. — disse ele abrindo um sorriso simpatico e acolhedor enquanto estendia a mão. Eu o comprimentei com o mesmo sorriso que ele aparesentou mas logo foi sumindo do seu rosto como um por do sol.

Mais uma vez o silencio reinava em nossa mesa. Michael parecia não saber mais o que fazer, e inquieto disse:

- Então? O que você acha Mary? Você aceita? Estamos em dezembro. E isso precisa ser acertado, Ian tem uma agenda para cumprir.

- Sim...Se caso,a senhorita venha aceitar nosso convite. Você irá entrar em estudio no período de Janeiro e Março do ano que vem para gravar seu primeiro disco. Não apenas um EP, e sim um disco. Se bem que, poderiamos lançar um EP em Abril, só para sentir como as pessoas vão reagir...- disse Ian pensativo.- De qualquer forma... Está em suas mãos.

- E se eu recusar ?O que vocês vão fazer? — bebi meu café e traguei o cigarro. Ian fez um olhar tristonho de contentamento e ia responder minha pergunta se não fosse por Louis:

- Nós vamos encontrar uma outra jovem que aprecie trabalhar conosco. Tão talentosa ou melhor que você.

O som da voz de Louis era desafiador. Me deixava mal. Era estranho por sua aparencia tão pacífica e tranquila. Seu rosto lembrava quase de uma criança. E eu encarei mais uma vez. Coloquei meu cigarro nos lábios e estendi minha mão em direção à Ian e falei:

- Onde eu assino?