Marvin
9 Nove
Ainda escuto as batidas cômicas e a voz de Anthony Foster na minha cabeça quando abro os olhos e fecho de novo. Acho que estou no terraço de algum prédio.
Demoro sete minutos e trinta segundos para conseguir abrir os olhos. O cinzento do céu se misturou a um tom azulado fraco e a chuva foi substituída por uma brisa rápida, mas leve. Azul me lembra de roxo. Roxo me lembra de Lara. Todo o mundo lá embaixo continua o mesmo. Carros, ônibus, pessoas, bicicletas, motos e o metrô continuam seu caminho sagrado de toda semana. Equilibro-me na beirada do prédio e caio para a direita e toco os pés de volta no cascalho. Passo a mão no cabelo, passo a mão no rosto e estou sem máscara.Tem um guindaste aqui. O prédio é alto, e um guindaste se estende bem ao lado dele; basta um pulo. Um pulo e já posso me equilibrar para chegar até a ponta. Dezessete metros e já posso observar a cidade toda. Estou na ponta do guindaste. Estou no uniforme branco. Sinto a brisa tocar meu rosto, bagunçar meu cabelo. Eu sou a rainha do mundo. É uma sensação única. Melhor que qualquer droga. Melhor que bebida. Tão bom quanto sexo. Eu fecho meus olhos. Eu abro os braços. J tem contatos, eu tenho asas. Sorrio, me inclino para frente e não sinto mais nada sob meus pés.Eu sou livre.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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