Marte e Vênus

2 Sam Evans, um conquistador barato?


Sam mal podia crer. Ele havia passado um dia com Quinn Fabray, a realeza da escola. Ele havia sonhado com os doces beijos dos lábios dela, o jeito como ela se enroscava em seus braços e a sensualidade dos olhos mais incríveis que ele já conhecera várias vezes, mas jamais imaginaria o quanto a realidade era melhor. Blaine Anderson já havia chegado, podia ver porque assim que saira do banho encontrara os potes de gel para cabelo na bancada do banheiro.

—_Bom dia – cumprimentou-o Jake Puckerman, colega de quarto dele e Blaine __Como foi o feriado, amigo?

Jake Puckerman era meio-irmão de Noah Puckerman, da Sonserina. Jake era negro e apesar de adorar posar de bad boy, teve seu coração amolecido pelo longo namoro com Marley Rose, terminado há pouco tempo. Os Puckerman não conseguiam fidelidade a suas namoradas, talvez fosse genético. Eles mal se entediam pela situação complicadíssima de família e, pra completar, os dois eram de casas totalmente rivais. Eles sempre extravasavam toda hiperatividade arrumando encrenca, mas mais que isso, jogando quadribol, Puck era artilheiro do time e batia de frente com Jake, o que fazia os jogos entre as casas sempre ainda mais competitivos.

Por motivos como esses, achou melhor ele não saber que ele tinha ficado com a ‘’namorada’’ de Puck.

—_Foi bom, cara, viu o Blaine? Preciso muito falar com ele.

—_Ah, vai me deixar de fora da sua vida agora?

Sam sorriu e deu um soco no ombro dele.

—_Para de dramatizar, assim parece uma bichinha.

Os dois desceram do dormitório masculino e se juntaram a Mercedes Jones em direção ao Salão Comunal. Sam e Mercedes já tinham tido um lance um ano atrás. Acabou de maneira natural, hoje ambos eram ótimos amigos, ainda que seus colegas vivessem empurrando um para o outro.

Mercedes era o que os sonserinos chamavam de sangue-ruim, os pais dela eram trouxas e ela era alvo constante das brincadeiras de mal gosto dos sonserinos Santana López, Azimio, Kitty Wilde, Bree e Dave Karofsky. Quinn era como a realeza da casa, ela não se misturava nesse bullying, tampouco costumava defender algum dos pobres que eram constantemente alvo de chacota daquele grupo. E ela achava que Puck era do mesmo jeito, mas a verdade era que ele agia por suas costas. Sam notou isso, ele achava encantador o jeito misterioso da garota e os poucos sorrisos que ela dava animavam seu dia.

Blaine estava com o namorado, Kurt Hummel, na mesa da Grifinória. Ambos tagarelavam alegremente com Heath e Heather Potter, irmãos gêmeos não-idênticos primogênitos de Harry Potter e sua esposa, Hermione Granger. Heath tinha os cabelos negros um tanto crespos, ele usava um óculos quadrados de armação grossa nos olhos castanhos e sempre era encontrado com um livro na mão. Era calmo e conversava com uma paciência inacreditável sobre qualquer coisa. Sua irmã Heather tinha longos cabelos lisos e negros, que batiam na metade das costas, era energética e tinha corpo atlético, esculpido dos treinos incessantes de quadribol aos quais ela mesma se submetia. Seus olhos verdes eram elétricos. Ela segurava na mão o pomo-de-ouro com as iniciais do pai.

—_Esse aqui eu roubei e ele nem notou – se gabou ela, segurando o objeto nas mãos, que tentava afoitamente ganhar voo.

Heath revirou os olhos e voltou o olhar para o livro, era do tipo que odiava burlar regras.

—_Bom dia pessoal – disse Sam, sem tirar os olhos da mesa da Sonserina, a procura de Quinn ou até mesmo dos amigos dela, sem sucesso.

—_Adivinha o que é isso? – perguntou Heather, enfiando o pomo na cara de Sam

—_Um pomo-de-ouro?

Ela revirou os olhos e fez uma careta.

—_Óbvio que sim, Evans, mas não qualquer pomo-de-ouro...aqui ficava a pedra da ressureição. Papai jura que a jogou fora, mas eu duvido, francamente, quem jogaria fora?

Sam se sentou ao lado dela e fingiu admirar o pomo, desviando os olhares furtivamente a procura de uma gélida loira.

Blaine deu batucadinhas na mesa e abafou uma risadinha quando Quinn Fabray entrou ladeada pelas amigas.

—_Por pouco seus olhos não ficam na mesa da Sonserina, lábios de sapo.

Sam lançou a ele um olhar de censura.

—_ Do que estão falando? – perguntou Heather, percorrendo os olhos pela mesa da Sonserina __...não me diga que está gostando de alguém da Sonserina!

Sam negou mas já era tarde demais para a avalanche de perguntas e olhares curiosos cessarem.

Os gêmeos seguiram o olhar dele e trocaram sorrisinhos.

—_Será Genevieve? – perguntaram em uníssono, em um cochicho mal-disfarçado.

Genevieve Malfoy estava do outro lado de Quinn Fabray e era filha de Draco e Gina Malfoy. Ela tinha os cabelos ruivos e olhos muito azuis, além de sardas por todo o rosto. Ela era linda, e nem de longe antipática como os companheiros de casa. Na verdade ninguém entendia como ela estava na Sonserina, e não na Grifinória, como a irmã, Annie.

Sam subitamente se levantou da mesa, com a comida tocada pela metade, não aguentaria esse impasse agora que tinha tido coragem para declarar seus sentimentos por ela. Marchou até a mesa da Sonserina com passos decididos e sentiu os olhares da mesa sonserina se voltando para ele.

—_Bom dia, Fabray – disse Sam, nervoso – ela levantou os olhos do prato e sorriu para ele.

—_Bom dia, Evans – respondeu ela, observando-o com interesse – Já tomou seu café-da-manhã? Por que não come com a gente?

Os outros sonserinos ao redor dela o observaram.

—_Hm, isso será interessante – Sam ouviu Rachel Berry, uma menina nariguda e baixinha, sussurrar para Lauren Zizes, uma garota gorda com cara de bulldog.

—_Ah, é... já comi, queria saber como você está...

Puck o notou da ponta da mesa e lançou um olhar raivoso para ele, levantando imediatamente com Azimio e Karofsky a suas costas.

—_Esse cara tá te perturbando, Quinn?

—_Quem está me perturbando é você, Puckerman – cortou ela, mal olhando para ele e os dois capachos do lado.

—_O que quer com ela, Evans?

Sam ficara boquiaberto porque Puck sabia seu nome. Nem sabia que um dia tinha sido notado por qualquer sonserino.

—_Queria saber como ela está só isso, somos... amigos.

Puck riu enquanto seus dois capachos repetiram em grunidos, parecendo dois trasgos.

—_Desde quando? Ontem? – provocou ele, mexendo o moicano para o lado e o encarando.

—_Bom, na verdade...

—_Na verdade já estamos saindo há um tempo – apressou-se Quinn, antes que Sam pudesse abrir a boca, passando demoradamente manteiga em um pãozinho, como se nada estivesse acontecendo.

As pessoas da mesa emudeceram e Sam a encarava sem dizer nada.

—_Só está blefando para me irritar.

—_Oh, Pucky, não estou, acredite... mas qual garota resistiria a esses lábios? – e piscou para Sam, dando uma mordida no pão.

A cara de tensão de Puck se desfez e ele falou firme: __Tanto faz, não importa, ela sempre volta pra mim e os chifres ficam com você, meu caro. Pergunte a Finn Hudson.

Finn Hudson era o batedor e capitão do time de quadribol da Lufa-Lufa, ele era um sujeito desengonçado e meio burrinho, mas muito popular, bonito e gentil, o mais popular da Lufa-Lufa. Ele e Quinn tinham namorado por um curto período de tempo no final do primeiro ano, até que Puck tornasse a vida dos dois um inferno. Rachel Berry era secretamente apaixonada por ele desde o quarto ano, quando ele a salvara de uma emboscada de duendes-de-jardim nos arredores da escola.

As pessoas não defendiam muito Rachel por ela ser uma irritante sabe-tudo que se achava superior aos outros, mas bem lá no fundo Quinn gostava dela, lembrava muito bem quando o chapéu seletor demorara quase 5 minutos inteiros se decidindo em qual casa coloca-la. Quinn apostava que era entre Sonserina e Corvinal.

Santana, amiga de Quinn desde a infância, e Rachel nunca se entendiam, andar com as duas era pedir para passar o dia desejando a morte. Ambas discordavam o tempo inteiro e Santana não perdia uma oportunidade de zoa-la. Apesar disso, elas se gostavam, mas desde a descoberta de traição com Puck e Santana, Rachel rompera de vez sua amizade com ela a favor de Quinn.

—_Você se mistura com esses fracassados, mas sabe que ama a mim, Fabray, quando me quiser de volta será tarde demais pra você.

Puck saiu gingando e dando um último olhar fulminante para Sam. Rachel e Genevieve abriram a boca para protestar mas Quinn levantou a mão em sinal para que ambas parassem. Ela pacientemente tomou o último gole de seu café e se direcionou até o grifinório, se despediu das meninas e ficou na ponta dos pés para dar um selinho nos lábios dele.

—_Vamos – disse ela puxando o cachecol amarelo e vermelho dele pra ela e colocando o dela, verde e cinza, no dele. Sam então fora guiado por Quinn, em estado de inércia, até a mesa da Grifinória.

—_Me apresente formalmente a seus amigos, Sam Evans, acho que lembro de alguns de vista – Quinn sorriu de leve para eles que observavam, incrédulos, o casal diante deles.

—_Er... Quinn, esses são Blaine Anderson, Kurt Hummel, Mercedes Jones, Heath e Heather Granger-Potter e esse é Jake...

—_Ah, você eu conheço, Jake Puckerman. Artilheiro da Grifinória, meio-irmão de Puck, quebrador oficial de corações... joga muito bem, sou uma apreciadora de um bom quadribol, portanto já vi alguns jogos seus.

Jake desfez a cara de confusão em um sorriso. Blaine se adiantou em cumprimenta-la, mas os gêmeos Potter, Kurt e Mercedes fecharam a cara para ela. Ela se sentou a mesa da Grifinória e entrelaçou os dedos nos de Sam.

­__Espero que nos tornemos amigos, eu e Sam estamos nos conhecendo – disse ela, olhando para ele com carinho.

—_Não vou fingir que estou gostando disso, é óbvio que só quer fazer ciúmes para o Puckerman, está sendo muito estúpido, Sam, pra deixar essa... ninfeta loira te seduzir! – Mercedes não pode controlar as palavras que saiam de sua boca, ela parecia a ponto de querer chorar de raiva.

—_Eu e Puck não temos mais nada, Jones.

—_É mesmo? Até quando? Fabray, frequento as aulas de Poções com você há anos, e se tem uma coisa que eu sei é que nunca está realmente separada dele. As conversas andam nessa escola, todo mundo sabe de tudo! Você traiu todos seus namorados, sem excessão, com ele. Sempre foi ele, sempre será ele, portanto deixe meu amigo em paz porque ele não merece sofrer por você!

Quinn permaneceu calada por alguns instantes enquanto Sam tentava censura-la.

—_Você gosta dele, é compreensível.

Mercedes se levantou furiosa da mesa, deixando seus tots de lado. Ela realmente devia estar puta de raiva. Kurt achou melhor segui-la.

—_Bem, isso não foi realmente simpático – comentou ela virando-se para os outros.

—_Não vou dizer que você é minha namorada de amigo dos sonhos, mas já que é você, trate de ser boa com ele, ou te caço até o inferno... prazer, Heather Granger-Potter, encantada – e estendeu a mão para apertar a dela.

—_Gostei dela – comentou Quinn para Sam, sincera, retribuindo o cumprimento.

—_Sou o Heath, já vi você em alguns jogos, papai sempre fala muito bem da Sonserina, espero que possamos ser amigos também – ele olhou Mercedes sair ao longe, com Kurt a seu encalço — __Não ligue para ela, só está com ciúmes porque Sam está namorando de novo, ela sempre fica assim. Vai ver que foi por isso que o namoro deles não durou, ela tem ciúmes de tudo.

O sangue de Quinn ferveu e ela olhou Sam, que ficou pálido. Então Sam já tinha namorado Mercedes Jones... ela lembrava muito bem da garota nas aulas de Poções para ser sincera, ela era disciplinada e todos pareciam gostar muito dela, ela tinha amigos em todas as casas, até mesmo na Sonserina. Era confiante e parecia não ter medo de nada. Como ela poderia competir com uma garota daquelas?

—_Quer dizer que Trouty Mouth é namorador... – disse ela forçando um sorriso

—_Ah, pode-se dizer que sim, vamos lá... Tina Cohen-Chang e Brittany S. Pierce da Corvinal, Dominique Weasley e Mercedes Jones da Grifinória, Sugar Motta da Lufa-Lufa e agora você, da Sonserina. Acho que ele queria uma de cada casa, vai saber! – e deu uma risadinha trivial.

Quinn se virou dando um sorriso forçadíssimo para ele. Sam fechou os olhos demoradamente e fez uma careta.

—_Cala a boca, Heath, por favor, cala a boca...

—_Foi ótimo essa manhã com vocês, realmente muito produtivo, estamos indo para a aula, nos vemos por aí! Felicidades! – Heather puxou o irmão pelo braço e o arrastou pelas vestes voando pra fora do Grande Salão junto com Jake e Blaine ao lado.

Sam continuava com os olhos fechados, ele esperava a bronca e Quinn se afastando definitivamente dele. Ele abriu um olho e ela o observava com os braços cruzados, com uma expressão indecifrável.

—_Então leva todas com essa de tímido e inocente...devia ter deduzido, também iria me dizer que é virgem?

—_Juro que não é nada disso, eu só...

—_Tudo bem, todos temos um passado. Mas o que sente por Jones?

—_Mais nada além de amizade. Ela foi minha namorada, amiga, me ajudou quando cheguei aqui e tudo o mais. Só isso. Se eu namorasse ela só por gratidão não seria eu.

Quinn baixou os olhos e pegou o cachecol dela de volta, arrumando cuidadosamente por volta de seu pescoço. Se levantou e caminhou de volta rumo a mesa da Sonserina. Sam a segurou pela mão antes que ela fosse.

—_Me encontra hoje na Torre de Astronomia? 23h. Por favor.

Quinn ficou em silêncio e assim voltou para encontrar Rachel e Genevieve, lançando um último olhar cabuloso a Sam Evans.