Marte e Vênus
8 A tormenta
Semanas se passaram quando Puck parou de enviar e enche-la de doces. Ela estava aliviada por ele parar de pressiona-la em todo lugar que a encontrasse. As coisas estavam melhorando aos poucos para ela. Rachel tinha ficado muito amiga de Kurt Hummel, os dois andavam ensaiando juntos no coral da escola, ela tinha até mesmo deixado a paixão por Finn mais de lado. Sobre Quinn, até mesmo com Mercedes seu relacionamento tinha melhorado aos poucos, ela já era recebida sem caras feias na mesa da Grifinória.
Hoje era dia de completar um mês de namoro com Sam, ele havia a enchido os olhos dela de lágrimas quando marcou de encontrá-la na torre de Astronomia exatamente a meia noite. Tinha enchido o local de velas suspensas, como as do Grande Salão, e utilizado alguns feitiços para desviar a atenção se algum indesejado passasse pelo local. Ela tinha descoberto que ele tinha afinidade com um instrumento trouxa chamado violão, cantara várias músicas para ela e depois ficaram olhando as estrelas enquanto davam uns amassos. Ela também fizera questão de passar a meia noite do natal com ele, Judy tinha adorado conhecer os Evans. Os pequenos irmãos de Sam encheram a triste e enorme mansão dos Fabray de alegria. Era a primeira vez que um relacionamento tinha durado tanto e ela estava feliz por isso.
—_Sammy? – ela surpreendeu-se ao ve-lo com as mãos por baixo da blusa de Kitty Wilde, uma das amigas ridículas de Puck.
—_Ah, é você... – ele riu e não se mostrou surpreendido __Demorou tanto que tive que pegar a primeira que passava – ele riu para Kitty e beijou novamente os lábios dela, depois se afastou da garota abotoando a calça jeans __Você pensa que é especial, mas você não é, sabia? Eu não preciso mais de você, já tenho sua popularidade, sua fama, o respeito da Sonserina... consegui até ser o artilheiro da Grifinória. Muito obrigado, valeu a pena ter aturado todo seu comportamento asqueroso e artificial da princesinha da Sonserina.
Quinn só observou tudo, estática.
—_É realmente uma pena que eu não tenha me aproveitado desse corpo mas, sabe, não tinha nada realmente especial aí, já olhou que peitos a Kitty tem? Ficou me regulando tanto para nada. Não foi realmente um sacrifício bancar o idiota para você quando alguém como ela me esperava...
Quinn não se conteve. Abriu a mão e desceu o braço na cara dele, ela nem esperou para o desenrolar da conversa. Correu para o quarto, passando batida por um grupinho de alunos que conversavam alto, e se jogou na imensa cama luxuosa que era comum ao quarto da Sonserina. Do seu rosto caiam lágrimas contínuas. Ela não esperava aquilo de Sam Evans, do garoto ao qual prometeu tudo a ela. Ok, no começo era tudo porque ele era bonitinho e achou que poderia se aproveitar dele para irritar Puck, não esperava que estivesse tão na dele. Ela nem devia se importar. As amigas estavam rodopiando pelo castelo, ela não tinha ninguém para consola-la. Abriu a gaveta onde havia guardado todos os doces dados por Puck e começou pelas tortinhas de abóbora, comendo com tamanha rapidez de quem não comia a séculos. Estavam deliciosas, um aroma de chocolate branco saia delas e reviravara o estômago de Quinn a cada mordida. Graças a Deus ela tinha guardado os presentes dele. Tinha de agradece-lo, Puck... onde ele estaria? Precisava dele, afinal, era o cara com quem tinha perdido sua virgindade. Ele foi o primeiro dela em tudo, não merecia o que ela fazia com ele até aquele momento. Limpou a boca neanderthalmente nas vestes e foi até o grupo que conversava no Salão Comunal. Puck estava lá, no meio da galera, com aquele sorriso torto de bad boy que só ele sabia dar. Ela entrou no meio da massa e puxou a boca dele para a dela, ela não lembrou de mais nada depois que o silvo de alunos zumbiram no ouvido dos dois.
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Acordou na cama de Puck. Completamente nua e enrolada no lençol verde dele.
—_Foi uma bela noite, não foi? – ele já estava de pé e o quarto só tinha eles dois, pelo que ela tinha notado – Não se preocupe, mandei os garotos arranjarem seus próprios lugares, podemos ter outro round matinal – ele se curvou para beijar os lábios dela, que parecia ter acordado do porre mais forte de sua vida. Empurrou-o.
De repente lembrou de tudo que havia acontecido. Sam e Kitty. Ela e Puck. Foi como se a consciência a tivesse dado um soco certeiro no estômago dela. Ela queria correr dali o mais depressa que podia. Não acreditava que estava outra vez na cama de Puckerman. Mas isso que era uma sina.
—_Não se preocupe, sei como é chata com isso de café-da-manhã, trouxe tudo que gosta – ele pegou a varinha e encantou a bandeja para a cama.
Ela não falava nada, apenas olhava para o chão a procura de suas roupas, até acha-las debaixo da cama a esquerda e correr com elas para o banheiro para vesti-las. Escutou Puck rir.
—_Não tem nada aí que eu não tenha visto – caçoou ele __E mais de uma vez! Ontem você estava insaciável, devo dizer que até eu fiquei cansado.
Ela não respondeu, só saiu de lá, não tinha ideia de como conseguira passar a noite no dormitório masculino sozinha com Puck. Passou por uns espelhos que edificavam o corredor dos dormitórios e se observou. Se a derrota tivesse uma cara, seria a dela. Enormes olheiras tomavam conta do seu rosto, o cabelo estava desgrenhado, os poros abertos e as têmporas dilatas. Estava com tanta raiva de si mesma, como pudera? Ainda que Sam tivesse traído ela, tinha jurado não voltar a recorrer ao ex. Colocou a mão na boca, estava tão enjoada com tudo aquilo que sentia náuseas, sua mente era um turbilhão e ela nem sabia ao certo o que pensar. Eram 10 da manhã, ela já perdera a aula de Poções com Sue Sylvester, a diretora da Sonserina. Por sorte Sylvester, com toda aquela acidez, ainda queria ver a vitória da Sonserina em cima das demais casas, ela não se atreveria a tirar pontos de seus alunos.
Santana, Genna e Rachel entraram em um estampido, as caras assustadas e os olhos esbugalhados.
—_Que diabos... Quinn??? Por onde esteve? – Santana foi para perto dela e começou a inspeciona-la__O que aconteceu com a sua cara? Alguém te bateu? Você tá um lixo!
—_Obrigada, Santana – ironizou ela, sem nem forçar o sorriso, e afundou o rosto nas mãos depois encarando a amiga e Rachel.
Os minutos seguintes não foram muito fáceis. As meninas ficaram indignadas. Nem mesmo Santana a julgou por ter dormido com Puck, pelo contrário, já estava bolando super planos de aumentar os lábios de Samuel Evans até estourarem.
—_Não consigo imaginar ele traindo você, Quinn, eu não me engano assim com as pessoas – disse Rachel, se levantando com as mãos nos quadris.
—_Oh, por favor, aceite que errou pelo menos uma vez! – intrometeu-se Santana.
Seguiu-se outra discussão sobre como Quinn deveria agir e elas nem repararam quando Genna a levou para tomar banho.
—_Escute, ele está mexendo com a sua garota, Santana! – falou Rachel baixando a voz assim que as garotas saíram- __Supondo que Sam traiu mesmo Quinn, e Puck? Ele vai continuar no pé dela e ele não a ama! Ele não a quer, quantas vezes já não a traiu quando a tinha nas mãos? E mesmo dando em cima dela, não deixou de sair com nenhuma que se oferecesse pra ele, você tem que fazer alguma coisa! Se ele for contar algo para alguém, esse alguém é você!
Santana parou para pensar, pela primeira vez ela havia ficado sem palavras. Rachel deu meia volta e marchou atrás das amigas, foi o momento exato que Puck saía do seu dormitório. Era difícil ser lésbica quando Puck era tão charmoso, era irritante aquele sorriso torto e convencido, mas ainda assim ... tão sexy e ele estava tão cheiroso. A morena assumiu que ele acabara de sair do banho. Ela teria que arriscar. Por Quinn. Por Brittany. Por ela mesma. Empurrou-o de volta para o dormitório dele.
Ela mordeu os lábios e passou a mão pelo rosto de Puck, descendo pelo peitoral definido dele.
—_Olá, Puckerman, pelo visto já me esqueceu...
—_O que posso dizer? Tenho que me desdobrar em mil, mas se quiser ainda terá Puckersperma pra você, só não agora... tenho aula de Defesa Contra A Arte das Trevas – ele sorriu com ironia – Mr. Schuester não vai querer que eu falte.
—_Soube que Sam e Quinn terminaram, claro que ela não resistiu para cair nos seus braços... mas quem resistiria? – ela apertou os braços dele e encostou os lábios no pescoço do rapaz, sem pressiona-los de fato e sentiu um arrepio subir pela espinha, ela estava arriscando demais — __Sabe que eu nem lembrava mais daquele nosso acordo? Por que simplesmente não apaga novamente a memória dele? Ele vai voltar atrás dela, você sabe... aí vou poder te ter só para mim...
Puck passou as mãos pelas coxas dela, parecia ter esquecido da aula. Ela engoliu em seco e manteve o jogo da forma mais insossa que podia. Ele subiu o peitoral tentando se levantar. Santana teve de empurra-lo de volta, mas ele pareceu gostar. Beijou o pescoço dela, que gemeu, não sabia se de excitação ou de culpa. Pode sentir o volume protuberante das calças dele e engoliu em seco, dando um sorriso nervoso para ele.
—_Ele vai voltar a dar em cima da minha garota, Puckerman – mentiu ela, fazendo um bico de fingida preocupação.
—_Não se preocupe, ele não vai – afirmou ele, puxando Santana pelos pulsos para cima dele, que fazia movimentos lentos para frente e para trás. Aquilo excitava Santana mais do que ela gostaria de admitir.
—_Continua fazendo aquele esquema? – perguntou ela, se sentindo uma espiã sexy em uma missão impossível. Seria até legal, se na verdade não estivesse bancando as vezes de uma prostituta de beira de estrada. Nesse momento dois toques vieram da porta. Salva pelo gongo.
—_Não... – disse ele em um sobressaltado, tirando Santana de cima e pulando de encontro a porta — __ o cara é um babaca.
—_Por que ele traiu ela? – perguntou a garota, observando quando Puck colocou a palma das mãos na porta e deu um toque, correspondido por mais 4 batidas em sequência, como um código.
—_Porque todas as vezes que aplico esse corretivo... ele se apaixona por ela – e então abriu a porta, dessa vez sem sorriso nenhum no rosto, e seguiu com Dave e Azimio para o dia afora.
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