Marte e Vênus

5 A revelação de Santana


Rachel não sabia o que dizer. Santana a tirava do sério. Não se importava com o fato dela ser lésbica, bastasse a traição com Puck, agora mais essa.

Foi ela um dos motivos pelo qual Quinn nunca notara o garoto Sam Evans.

__É minha culpa. Mas, juro, não foi por maldade. Bem, não tanto assim. Ele namorou a menina que eu gostava e depois queria Quinn, quero dizer, ele queria roubar duas das minhas garotas!

__A vontade que eu tenho é de socar sua cara, Santana! – falou Genna, os olhos azuis em chamas, avançando para fita-la nos olhos.

Rachel se meteu entre as duas enquanto Santana apontou indicador para Genevieve: __Você se toca menina, não sabe da onde eu sou, né? Eu poderia arrancar seus lindos cabelos ruivos só nas unhas, querida! Não ouse a me ameaçar! – sibilou ela, espremendo os olhos ameaçadoramente para a garota.

__Não ouse você, eu sou uma Malfoy, meu pai vai saber dis...

__CHEGA! – Rachel deu um grito estridente e um grupo de alunos da Corvinal, que estudavam em uma roda em meio a grama descoberta de neve, as observou feio __Viemos para resolver um problema, não começar outro...Santana, fale o que realmente você fez e como tudo começou para a gente pensar como resolver isso sem mais problemas.

Santana sentou em um banco e olhou para Rachel.

Era o segundo ano delas em Hogwarts quando Sam Evans era um garotinho tímido como todos outros primeiranistas recém-chegados a escola. Ele chegara e já fizera amizade com uma menina loirinha de olhos azuis sonhadores que estudava no mesmo ano de Santana e Quinn, seu nome era Brittany Pierce. Brittany não era exatamente interessada ou estudiosa, ela estava ali basicamente para jogar quadribol e todo mundo sabia disso. Ela não era nenhum pouco estudiosa, mas alguns apontavam que sua genialidade estava em seus passes no quadribol. No segundo ano, quando ela já poderia participar do time e de certo entrou para o time como artilheira, reprovou. Mas esses dois anos foram o sufiente para Santana se apaixonar por ela. Elas frequentavam a aula de Feitiços, Transfiguração e Poções juntas. Foi na aula de Poções que Santana a conhecera. Ela parecia ter uma facilidade enorme para explodir as misturas. E era dupla de Santana. Era irritante no começo ter sido colocada com uma garota que não acerta nem uma Poção de Cura para Furúnculos.

No ano seguinte foi o baque. Brittany reprovara. E, pior, ela não se importava, desde que estivesse jogando quadribol. Santana sentiu falta do sorriso fácil em todos os dias letivos e não-letivos do ano. Ela não sabia ao certo quando havia se apaixonado pela parceira da aula de Poções. Sentiu falta dos porquês contínuos e explicados a exaustão, sentiu falta de uma das poucas pessoas que não estremecia perto dela por ela ser da Sonserina, sentiu falta de ela não ligar – e nem perceber – os cortes que ela dava continuamente nas pessoas. E elas continuavam a trocar corujas semanalmente, ainda que fosse para falar de coisas corriqueiras do dia-a-dia, como uma travessura e outra de Pirraça na torre da Grifinória ou de Puckerman e seu grupo terem jogado um lufano no lago de cabeça para baixo. Até que Sam Evans aconteceu. Sam sempre ficava olhando o grupo delas de longe, Santava sempre fora muito observadora e notava. Mesmo Genevieve, Quinn e Rachel, que sempre foram muito vivas, não prestavam atenção no garoto loiro de longos cabelos caindo aos olhos. Na verdade era meio stalker. Quinn sempre fora do tipo que só olha para frente, ela não aceitava meninos mais novos, muito menos de outra casa, senão Sonserina. A não ser que fossem do time de quadribol. Uma maria-goles de primeira. Rachel só se importava em se graduar. Genevieve só queria gastar a fortuna do pai.

Era um dia quente de verão, final de uma partida arrasadora da Corvinal contra a Grifinória, onde os corvinos haviam ganhado esmagadoramente, quando Brittany saíra suada de cima da sua Comet One e se jogou por cima de Sam, beijando-o demoradamente quando os demais carregavam Mike Chang, o apanhador, e gritavam seu nome. Ninguém parecia ter visto o beijo de Brittany e Sam, exceto Santana. Ela havia ido ao jogo único e exclusivamente porque Brittany jogaria, queria fazer uma surpresa para ela, pois a loira sempre a convidava a ver seus jogos e Santana nunca comparecia. Não gostava que soubessem que ela estava tão próxima a alguém que não era da Sonserina. Tinha medo do que pensariam, poderiam levar para o lado errado e, dessa vez, estariam certos.

Santana o confrontara, louca de ciúmes, no dia seguinte, logo depois da Aula de Trato das Criaturas Mágicas que ele tinha com Rúbeo Hagrid. Ele fora claro quando dissera que ele e Brittany estavam se conhecendo e se curtindo. Santana não demorou a oferecer a própria amiga, Quinn Fabray, como moeda de troca para que ele deixasse Brittany. Ela tinha convicção de que Sam a adorava, o porquê ela não sabia, mas sempre percebeu ele a seguindo e observando de longe. Sam havia argumentado várias vezes não achar certo, se Quinn estava feliz com Puckerman. Santana facilitou algumas as cartas no maior estilo admirador secreto, mas ele recuou quando, mais uma vez, Quinn e Puck pareciam as boas. Oh, Grifinórios, sempre tão leais pensando no melhor para os outros. Mas não tão inteligentes, ele acreditou piamente e desde o início que Brittany era a meia-irmã secreta e veela dela, não que estivesse loucamente apaixonada por ela. Nessa ocasião ele firmou namoro com Brittany. Foi o suficiente para a enciumada Santana López utilizar-se dos feitiços um pouco mais avançados que conhecia e enfeitiça-lo com uma sucessão de Imperius e Obliviate. Assim ela conseguira dar um ponto final no relacionamento de Brittany e Sam e depois não sofrer as consequências. Entretanto ela ainda era uma terceiranista, seus feitiços saíram pela culatra quando Sam e Brittany não conseguiam lembram nem mesmo os próprios nomes. Desesperada, ela havia feito um pacto com Noah Puckerman, ele era um gênio do mau, e o pai havia ensinado com perfeição os principais feitiços das trevas. Em troca de guardar o segredo, ela nunca mais tentaria arruinar o relacionamento dele com Quinn. Esse também era o motivo pelo qual Santana era a única das amigas de Quinn a não odiar publicamente Puckerman.

Rachel e Genna escutaram tudo no mais profundo silêncio. Chocadas, incapazes de proferir uma palavra. Santana tinha certeza que as duas estavam esperando ela dizer que era alguma das brincadeiras sem graça que ela adorava fazer e só ela achava graça.

__Pelo menos me xinguem – falou a latina, escondendo o rosto nas mãos.

__Não há...xingamentos no mundo para o que você fez – começou Genna -...mas estou tentando não julgar você, já que minha família já foi muito julgada também. Papai luta até hoje parar tirar o nome da família da lama depois do apoio do meu avô a Você-Sabe-Quem. Eu sei que o que você fez foi terrível e não há desculpas para isso. Mas eu ajudarei no que precisar.

Santana se adiantou e a puxou para um abraço, desmoronando nos braços dela e a trazendo para o chão junto com ela. A própria Genna não esperava essa reação, mas depois correspondeu o abraço da amiga, afagando seus cabelos negros carinhosamente.

__Hoje tem sido um dos dias mais difíceis da minha vida, mas eu estou disposta a fazer o certo... seu apoio é fundamental para mim – Santana continuou a falar, com o rosto deitado no ombro dela.

Rachel sentiu uma pontada de ciúmes e se aproximou das duas, puxando as duas polainas frouxas pra cima dos joelhos. Pigarreou uma, duas vezes.

__Vou ajudar no que puder também – ela cruzou os braços e fez um bico, virando o rosto e fingindo atenção no grupo de corvinos que olhavam para o dramalhão com olhares de reprovação.

Mais uma da sessão curiosidade: Rachel Berry era muito fiel as amigas (depois dela mesma, claro) mas morria de ciúmes se uma desse atenção a outra mais do que a ela. Se considerava a melhor amiga de todas elas e esperava o mesmo por parte das mesmas. Claro que Santana sabia e se aproveitava disso. Mas até agora?

__Você é minha melhor amiga, Genna – falou Santana segurando o rosto dela – eu amo você – e a abraçou novamente escondendo o rosto nos cabelos ruivos dela.