Marionete

1 Abra a Caixa


Marionete

Mais um dia começa: Saiu da caixa

Desembaraçou os cordéis

Colocou a roupinha mais bonita

Foi ao mundo: Perfeita, entretida.

.

Fez rir os loucos e os sãos

E riu também (mas quem dera fosse genuína)

Foi bonito, até, não nego, ainda não

Chegou a ser fotogênica, maravilhosamente... Falsa.

.

Mas quem poderia culpá-la?

Quem no mundo poderia perceber?

Era só uma marionete, afinal

E sua missão? Só entreter.

.

Um dia, porém, um cordel se rompeu

Disseram que não havia concerto

Era tarde, e o que fizeram estava feito

A marionete de nada entendia. Se pudesse choraria.

.

Dias mais tarde cortaram-lhe os outros cordéis

A marionete foi ao chão. Pensou: “Tiraram-me meu ganha-pão”:

No entanto, nunca, nunca, nunca percebeu:

A dádiva de liberdade que nunca quis... Recebeu.

Arata Wataya.

Notas finais
Obrigado pela leitura. O que você faria se lhe dessem uma liberdade que nunca pediu? Se tiver um tempinho, comente aí.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!