Notas iniciais
1- Dedico esta história a Cherry, que me inspirou com seus AUs 2- Riquete do Topete é um conto muito fofinho. A Disney tinha que fazer um filme com esse conto. Então diria que a princesa Anabela (ela não tem nome no conto, mas acho que esse nome combina com ela) é a minha preferida 3- Estou ficando viciada com universos cruzados. Kkk Se conseguir, ainda quero postar outro. 4- Roda o cap:

Sabine estava muito triste consigo mesma. Quando soube que seu bebê seria uma menina, ficou muito feliz. Esperava que sua filha fosse a mais bela de toda a França. Quando ela nasceu e pôde ver toda a sua feiura, caiu em prantos. Seu tormento só foi interrompido pela chegada de um grande feiticeiro, o Mestre Fu.

—Sabine, assim que soube do seu parto vim conhecer sua princesinha... — Mestre Fu se interrompeu assim que viu o rosto horrendo da criança

—Por favor, Mestre... Use sua magia para curar a feiura de minha filha... — implorou desesperada a mãe

—Desculpe, mas não posso fazê-lo... — a cara de Sabine era de dor -Porém, sua filha receberá uma grande benção minha. — Sabine forçou um sorriso –Sua filha será extremamente inteligente, será famosa por isso por toda a França. — Mestre Fu puxou um anel de seu bolso –Esse anel contém sua inteligência e um dia ela poderá dar para alguém que ame, fazendo desse alguém tão inteligente quanto ela.

Sabine ainda chorava quando Mestre Fu foi embora, mas foi parando. Entendeu que deveria se consolar com isso.

Como a criança nascera com o cabelo em um formato esquisito, que lembrava dois pães de tão bizarro que eram os tufos, chamaram-na de Marinette Dupain.

Nesse mesmo dia, Emilie dava à luz gêmeos. Um era extremamente bonito e Emilie estava orgulhosa de ter dado à luz um menino tão belo, já o outro era tão feio quanto o primeiro era bonito. Ela estava horrorizada.

Em seu parto, o mesmo feiticeiro que apareceu para Sabine apareceu para ela, Mestre Fu. Ao vê-lo, Emilie ficou muito feliz, pois achava que ele estava ali para consertar a feiura de seu outro filho, mas estava enganada.

—Emilie, não chore... Apesar de feio, seu filho será muito inteligente. Suas palavras de sabedoria encantarão a todos, que acabarão por esquecer sua feiura. — por um momento Emilie parou de chorar -Já o outro, será tão burro quanto é belo... — Mestre Fu puxou um par de brincos do bolso –Estes brincos contém toda a beleza dele, um dia ele os dará para alguém que ame e essa pessoa será tão bela quanto ele. Convença-o a carregá-los sempre com ele.

Emilie estava desesperada quando Mestre Fu foi embora.

Adrien era o garoto mais bonito de toda a França, porém também era o mais solitário. Vivia preso dentro de casa, não porque não queria sair, mas porque não tinha com quem sair. O coitado era muito burro e por isso não conseguia falar com ninguém, já que não houvesse pessoa que não se irritasse com sua burrice e desistisse de falar com ele.

Adrien tinha um irmão gêmeo chamado Félix e eles não podiam ser mais diferentes. Félix era muito inteligente e tão feio quanto Adrien era bonito. Félix era popular por causa de sua inteligência e era comum receberem estudiosos de toda a França para conversarem com Félix. Todos na casa já estavam acostumados com ela sempre cheia.

Cada vez que chegava gente nova para encontrar Félix, Adrien se animava para conhecê-los. Ele não gostava da solidão que sua burrice lhe causava. Sentia ânsia de fazer novos amigos. Sua beleza ajudava, na verdade. Assim que viam o quanto Adrien era belo, todos se acumulavam para falar com ele. Adrien se animava, mas sua burrice logo os espantava.

Félix não parecia ter o mesmo problema, sua feiura podia afastar os outros inicialmente, no entanto sua inteligência atraia a todos. Adrien sabia, apesar de sua burrice, que a beleza era algo inútil e que a inteligência valia muito mais. Ele abriria mão de toda a sua beleza por um tiquinho da inteligência do irmão. Saber que tal troca era impossível, o deixava muito triste.

Marinette Dupain já tinha ouvido falar tanto da inteligência de Félix quanto da beleza de Adrien, ela estava muito curiosa para conhecer tais obras primas da natureza. Assim que descobriu que ambos viviam tão perto dela, moravam em Paris como ela, resolveu conhecer ambos. Sabia que aprenderia muito com Félix e não queria desprezar essa chance de enriquecer seus saberes.

Assim que chegou na casa deles, recebeu uma recepção calorosa de Félix. Afinal, ele também estava ansioso para conhecer Marinette Dupain, sua inteligência também havia chegado aos seus ouvidos. Ambos começaram a conversas sobre o que aprenderam em suas pesquisas e os livros que tiveram a chance de ler.

Quando fizeram uma pausa para um lanche, Marinette Dupain notou que havia um garoto que observava tudo escondido nas sombras. Ao ver quanto era belo, percebeu que só podia ser uma pessoa, Adrien. Sua beleza era ainda maior do que lhe contaram, uma beleza tão grande que se apaixonou na hora. Logo que acabaram de comer, ela foi atrás dele.

Ele corria pelo grande quintal de sua casa, em prantos. Marinette Dupain correu o máximo que pôde para tentar alcançá-lo. Ela corria tão rápido que não houve como impedir um choque.

—Olá, que bom ter caído aqui. — Adrien ofereceu a mão para que se levantasse e ela corou –Joaninha? — ele perguntou confuso

Marinette Dupain já pôde ver um pouco de sua burrice. Considerando sua cara deformada e seu cabelo esquisito, talvez ele realmente a visse como uma joaninha mutante, visto sua roupa vermelha de bolinhas pretas.

—Não, não sou uma joaninha, sou uma pessoa, como você.

Ao pensar que sua burrice já irritara a mulher, a cara triste de Adrien retornou e Marinette Dupain tentou animá-lo:

—Meu nome é Marinette Dupain, por causa do meu cabelo que lembra dois pães. — falou ela, achando que ele riria disso

Ao ver que ele não ficou mais contente, preocupada, ela perguntou o que o afligia:

—Adrien, não compreendo como é que uma pessoa tão bela como vós pode estar tão triste. Asseguro-vos que nunca vi beleza semelhante à vossa.

—Isso você quem fala. — respondeu desanimado

—A beleza constitui um tal privilégio que supera todo o resto. Quando alguém a possui, não acredito que exista alguma coisa que a possa afligir muito – acrescentou Marinette Dupain

—Eu preferia ser feio e inteligente como você do que bonito e burro como eu. — Adrien lamentou seu azar

—Se é só isso que vos apoquenta, posso facilmente pôr fim à vossa dor. — disse mais alegre

—E como poderia? — perguntou Adrien desacreditado

Marinette Dupain pegou o anel que ganhara de Mestre Fu e disse:

—Tenho o dom de dar inteligência à pessoa que mais amar, é só colocardes este anel em um de seus dedos. E, como vos amo, dar-vos-ei o anel se aceitares casar comigo.

Adrien ficou muito surpreso com essa proposta inesperada. Não sabia o que dizer, afinal era burro demais e, consequentemente incapaz de construir um raciocínio.

—Vejo que este pedido vos desagrada, o que não me admira nada – continuou Marinette Dupain – Contudo, dou-vos um ano para decidires.

Adrien era tão burro e queria tanto ser inteligente que aceitou logo, com medo que ela retirasse a proposta. Ele disse que se casaria com ela, dali há um ano. Pegou o anel e colocou no dedo desesperado, como se ele pudesse sumir a qualquer momento.

No mesmo instante, sentiu-se uma pessoa diferente, sem dificuldade em dizer tudo o que lhe apetecia, de uma maneira elegante, clara e natural. Iniciou logo um diálogo de tal forma espirituoso, que Marinette Dupain pensou ter-lhe dado mais inteligência do que a que ela própria possuía.

Quando voltou para a casa, todos ficaram muito surpresos com a drástica mudança que houve com Adrien após usar o anel, que ele agora não tirava para nada. Todas as tolices que havia falado, agora eram pensamentos filosóficos e Adrien finalmente soube o que era a companhia humana e era muito feliz com seus amigos. O único que não havia ficado feliz com isso, fora seu irmão gêmeo Félix. Afinal, ele tinha perdido a única vantagem que tinha em relação ao seu irmão.

Agora que era belo e inteligente, recebeu vários pedidos de casamento, que Félix julgava que deveriam ser para ele. Todavia, Adrien negava todos eles pois não achava as pretendentes muito inteligentes. Até que um dia, recebeu uma proposta de uma famosa esgrimista chamada Kagami. Ela era inteligente, bonita e atlética. Adrien não teve como não considerar o pedido. Resolveu pedir orientação aos seus pais, que disseram que ele podia casar com quisesse, só precisava falar quem amava.

Para refletir melhor, saiu para dar uma volta pela cidade. Logo começou a ouvir muitas vozes:

—Traz-me essa panela.

—Dá-me aquele pote.

—Põe lenha no lume!

Adrien parou para prestar atenção no que estava havendo e percebeu que todas aquelas pessoas corriam para arrumar um grande salão.

—Mas para que tudo isso? — perguntou ele

—Estamos arrumando o lugar para nossa chefe, Marinette Dupain, que se casa amanhã. — explicou um deles

Ao ouvir aquilo, Adrien quase caiu morto. Esquecera-se que havia prometido casar com Marinette Dupain naquele dia. Porém, existia um motivo para seu esquecimento. Assim que ficou inteligente com o anel dado por ela, esquecera-se de todas as tolices que havia dito.

—Aqui estou eu, pronta para cumprir minha palavra. Não duvido que vieste cumprir a tua. — Adrien tomou um susto com a fala de Marinette Dupain que surgiu do nada

— Confesso, com toda a franqueza, que ainda não me decidi e penso que nunca poderei tomar a decisão que deseja – respondeu Adrien

— Muito me admiro, Adrien! – respondeu Marinette Dupain, realmente surpresa

— Acredito que, se estivesse a falar com uma mulher grosseira e irritada, estaria agora bastante embaraçado. “Um homem deve cumprir a sua palavra — dir-me-ia ela.” Mas como estou a falar com a mulher mais inteligente do mundo, estou certa que me compreenderá. Sabe que, quando era tonto, nem ao menos pude decidir se queria casar consigo ou não. Se pretendia casar comigo não me devia ter livrado da minha estupidez. Agora vejo as coisas com mais clareza!

— Adrien, quereis que me contenha no momento em que a minha felicidade está em jogo? Será razoável que as pessoas inteligentes se encontrem em desvantagem em relação às que o não são? Mas vejamos os fatos, se o permitis. Além da minha feiura há mais alguma coisa que não vos agrade? Desagrada-vos a minha origem, as minhas capacidades, o meu carácter ou as minhas maneiras?

— Não, pelo contrário, todas essas características me agradam — respondeu Adrien, sem pensar

— Então, serei feliz – continuou Marinette Dupain – pois está na vossa mão tornar-me a mais atraente das donzelas. Basta que me ames o suficiente. O mesmo feiticeiro que me concedeu o dom de tornar inteligente a pessoa de quem mais gostasse, também vos concedeu, o dom de tornar bonito aquele a quem ames. É só me dar este par de brincos que sempre carrega com você.

Adrien, um pouco surpreso por ela saber de tudo isso, pegou o par de brincos que realmente sempre trazia consigo. Sua mãe havia lhe dado no dia do nascimento e disse para estar sempre com eles. Nunca soube porquê e com o passar do tempo esqueceu de perguntar. Agora que sabia a verdade, olhava surpreso eles em sua mão.

Marinette Dupain, que estava apaixonada e desesperada demais para esperar ele decidir dar ou não os brincos para ela, tomou-os de sua mão e colocou-os em sua orelha, rezando para que funcionasse. Quando Adrien parou de encarar sua mão e levantou a cabeça, pronto para reclamar do roubo dos brincos, viu Marinette Dupain como a moça mais linda em que já havia posto os olhos.

Há quem diga que não foi a magia dos brincos de Mestre Fu que fez de Marinette Dupain bonita. Afinal, ela roubara os brincos de Adrien. Para funcionar, ele deveria dar a ela por livre e espontânea vontade. Dizem que só o amor seria capaz de uma metamorfose dessa. Que ao pensar nas boas qualidades dela, não via mais seu rosto deformado, o amor que sentia por ela impedia-o de ver defeitos em sua amada.

Adrien disse que se casariam assim que seus pais consentissem, o que não demorou muito visto a boa reputação de Marinette Dupain. Ambos se casaram no dia seguinte, assim como já havia sido planejado há muito tempo por Marinette Dupain.

Notas finais
Obrigada por lerem até aqui, espero que tenham gostado, comentem o que acharam, desculpa pelos erros e até mais
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!